

No primeiro dia de sua visita apostólica à França, dirigindo-se, no Palácio do Eliseu, ao presidente Emmanuel Macron, às autoridades, à sociedade civil e ao corpo diplomático, o papa Leão XIV pronunciou um discurso no qual elogiou «a cooperação entre a França e a Igreja Católica a serviço dos cristãos do Oriente», relacionando essa posição com «uma justa laicidade», tal como entendida e acolhida pela Santa Sé. «Uma justa laicidade não consiste, portanto, em excluir a religião do espaço público ou da educação, afirmou, em particular, o Santo Padre em seu discurso, mas em trabalhar para que o Estado e as instituições religiosas dialoguem e unam suas forças a serviço do bem comum, para que o mundo tenha vida».
«A esse respeito, prosseguiu ele, saúdo o trabalho realizado no âmbito da Instância de Diálogo entre a Santa Sé, a Igreja Católica na França e o governo francês (...). Tais intercâmbios ilustram muito felizmente essa saudável complementaridade reafirmada durante o Concílio Vaticano II, no sentido de que “[a comunidade política e a Igreja], embora sob títulos diversos, estão a serviço da vocação pessoal e social dos mesmos homens. Elas exercerão esse serviço tanto mais eficazmente para o bem de todos quanto mais buscarem entre si uma saudável cooperação” (Gaudium et spes, 76-3).
Diálogo entre os povos
«Constato também com alegria, acrescentou Leão XIV, que essa mesma vontade de servir conjuntamente todas as pessoas, qualquer que seja a sua origem, inspira há séculos a cooperação entre a França e a Igreja Católica a serviço dos cristãos do Oriente. A ação educativa, social, cultural e humanitária desenvolvida nos países do Oriente Médio, em ligação com diversas associações, como a Ajuda à Igreja que Sofre ou a Obra do Oriente, é uma valiosa contribuição para o diálogo entre os povos e para a defesa dos direitos de cada pessoa».
«Há nisso um testemunho eloquente, no qual a cultura e a fé se apresentam como pilares que promovem a harmonia entre diferentes povos e religiões, a serviço da paz e da mediação entre os homens. Também aqui, a educação constitui uma questão particularmente importante. Ela permanece, de fato, um dos principais campos de cooperação, encontrando, em especial, uma expressão concreta e fecunda por meio do Fundo para as Escolas do Oriente. A esse respeito, desejo expressar minha gratidão a todas as pessoas envolvidas nesse projeto que, desde sua criação em 2021, permitiu prestar apoio a mais de duzentos e sessenta estabelecimentos de ensino no Oriente Médio, incluindo sete universidades no Líbano e a Universidade de Belém.»