


Donald Trump enfrenta um dilema: atender às exigências da Arábia Saudita, importante aliada de Washington, ao mesmo tempo que evita abrir uma nova frente enquanto a guerra contra o Irã continua a se espalhar pela região.
O presidente americano teria desistido, no último minuto, de lançar ataques dos EUA contra os houthis, apesar de novos e urgentes pedidos de Riad.
Segundo o New York Times, Donald Trump voltou atrás várias vezes nos últimos dias em relação à sua estratégia no Iêmen. O NYT afirma que o governo americano havia preparado uma operação aérea para domingo. As listas de alvos já tinham sido aprovadas e as bombas já estavam carregadas nas aeronaves quando o presidente americano teria decidido cancelar, ou ao menos adiar, os ataques.
Trump já havia rejeitado um pedido saudita semelhante cerca de dez dias antes, feito por Mohammed bin Salman em duas ligações telefônicas no mesmo dia, segundo o New York Times.
A Casa Branca se recusou a comentar essas informações. Um alto funcionário do governo, citado pelo jornal, limitou-se a lembrar que os Estados Unidos têm um acordo de defesa com a Arábia Saudita e que defenderiam seus aliados.
A agência Reuters lembra que os Estados Unidos já haviam bombardeado os houthis durante dois meses no início de 2025, antes de Trump encerrar essa campanha após a conclusão de um cessar-fogo.
Os houthis atacam montanhas estratégicas
Segundo a Reuters, os houthis prosseguiram com sua ofensiva no Iêmen na tentativa de tomar as montanhas de Kahboub, elevações estratégicas situadas entre as províncias de Taiz e Lahj.
O controle delas permitiria ao movimento pró-iraniano isolar ainda mais a costa do mar Vermelho das áreas do sul ainda controladas pelas forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita.

Os houthis entram nessa batalha impulsionados por seu recente avanço, enquanto as forças governamentais permanecem em grande parte na defensiva. Os combates agora se concentram nessas elevações, cujo controle pode ser decisivo para consolidar os ganhos territoriais do movimento ou permitir que as forças governamentais preparem uma contraofensiva, afirma a Reuters.
O avanço houthi também ameaça as rotas de exportação de petróleo sauditas. O maior controle da costa do mar Vermelho fragiliza uma das principais rotas alternativas usadas por Riad para contornar as interrupções no estreito de Ormuz.