


Além das notícias habituais sobre a guerra no Médio Oriente e também sobre a frente do Sul do Líbano, uma triste notícia foi anunciada na segunda-feira de manhã no Líbano. Dory Chamoun, ex-deputado e ex-presidente do Partido Nacional Liberal, morreu aos 95 anos em Beirute.
Filho do emblemático presidente libanês Camille Chamoun, Dory Chamoun marcou a história do Líbano durante as várias fases da guerra libanesa, sobretudo depois do assassinato do seu carismático irmão, Dany Chamoun, juntamente com a família deste. O Líbano entrava então numa fase de agravamento da ocupação síria, que se prolongaria até 2005.
Ferozmente hostil ao regime sírio de Hafez Assad, Dory Chamoun esteve entre as figuras libanesas de destaque que desempenharam um papel fundamental contra a influência do antigo regime sírio (derrubado em dezembro de 2024) no Líbano. Foi uma das figuras marcantes do movimento de Kornet Chehwan, que defendia a independência e a soberania do Líbano, e que viria a constituir, sob a liderança do patriarca maronita Nasrallah Sfeir, a base do movimento 14 de Março, surgido após o assassinato do antigo primeiro-ministro Rafic Hariri em 2005. O surgimento do 14 de Março culminaria na retirada do exército sírio do Líbano em abril de 2005.
Dory Chamoun esteve próximo da linha do antigo presidente Michel Aoun, antes de se tornar um dos seus mais ferozes opositores após o regresso deste do exílio, em 2005, quando Aoun se afastou do campo soberanista para se aproximar de figuras e partidos pró-sírios, nomeadamente do Hezbollah, em 2006.
No plano da carreira política, Dory Chamoun presidiu ao PNL após o assassinato do irmão. Foi eleito presidente da câmara municipal de Deir el-Qamar (Chouf, Monte Líbano) entre 2004 e 2009, ano em que foi eleito deputado pelo Chouf. O seu filho Camille é, ele próprio, deputado desde 2022. A notícia da morte de Dory Chamoun provocou uma vaga de homenagens na segunda-feira.
A comemoração do assassinato do presidente Bachir Gemayel
Por coincidência do calendário, Dory Chamoun faleceu no dia em que se assinalava o 44.º aniversário do assassinato do presidente eleito Bachir Gemayel, há 44 anos, a 14 de setembro de 1982. Como todos os anos, as Forças Libanesas comemoraram em grande pompa a data do assassinato do seu fundador no domingo à noite, em Achrafieh (Beirute). Os discursos proferidos, nomeadamente o do seu filho, o deputado Nadim Gemayel, abordaram, sem surpresa, os últimos desenvolvimentos da guerra no Líbano entre o Hezbollah e Israel. Reagindo à iniciativa das autoridades libanesas de encetar conversações diretas com Israel, Nadim Gemayel não hesitou em declarar que não tem qualquer objeção a que o Líbano faça a paz com toda a sua vizinhança, incluindo com Israel, se isso for do interesse do país. A particularidade da cerimónia deste ano foi a participação de figuras de diferentes comunidades libanesas.
Essas conversações israelo-libanesas estão atualmente congeladas até outubro, devido às contínuas agressões israelitas no sul e à recusa categórica do Hezbollah (que é contra estas negociações) de tudo o que possa conduzir ao seu desarmamento. Uma nova ronda de negociações deveria realizar-se esta semana em Roma, mas foi adiada para outubro, segundo um responsável do Departamento de Estado americano, que o tinha anunciado na sexta-feira. No entanto, os embaixadores do Líbano e de Israel em Washington deverão reunir-se na capital federal esta semana.
À espera das eleições israelitas
Dans l’attente des élections israéliennes
Uma explicação para a causa da estagnação que marca as negociações com Israel foi apresentada por David Schenker, ex-subsecretário de Estado dos EUA para Assuntos do Próximo Oriente, durante uma entrevista televisiva neste fim de semana. Segundo ele, o acordo-quadro assinado entre o Líbano e Israel em junho, que deveria levar a uma retirada gradual israelense seguida de um posicionamento do exército libanês, está congelado até as eleições legislativas em Israel, em outubro.
Esse pleito é crucial para o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que não parte como favorito e prefere manter a pressão sobre o Hezbollah no sul para consolidar sua posição nessa eleição. Segundo informações da MTV, Netanyahu deve continuar a tirar proveito da destruição, na última quinta-feira, dos túneis construídos pelo Irã sob a colina estratégica de Ali el-Taher (perto de Nabatiyeh), um bastião do Hezbollah, ao "revelar" o que havia dentro deles. Diversas fontes relatam rumores de que milicianos estrangeiros estariam escondidos ali.
Do lado libanês, vale destacar ainda que o ministro do Interior, Ahmad Hajjar, chegou nesta segunda-feira ao Paquistão para uma visita oficial. Vale lembrar que o Paquistão é o mediador privilegiado nas negociações entre o Irã e os Estados Unidos.
Adiamento da reunião de Mascate
No plano do conflito regional, o fato mais marcante desta segunda-feira foi o adiamento de uma reunião ministerial prevista em Omã, por iniciativa de Teerã, entre o Irã e os países do Golfo, para discutir um eventual acordo sobre o estreito de Ormuz. Nenhum dos países atendeu ao chamado. O Bahrein já havia recusado publicamente participar. Omã justificou o adiamento com a necessidade de reunir "condições propícias a um diálogo construtivo".
Vale notar que o presidente americano Donald Trump já havia declarado anteriormente que essa reunião pouco lhe importava. O Irã, por sua vez, acusou a Arábia Saudita de ter pedido o adiamento do encontro sob o "pretexto" da escalada da guerra no Iêmen.
No terreno, no Oriente Médio, o ponto mais quente continua sendo de fato o Iêmen. Os houthis, apoiados pelo Irã, afirmaram nesta manhã que o exército saudita realizou cerca de cinquenta ataques no Iêmen em 24 horas. Os houthis, por sua vez, afirmaram ter atingido instalações militares sauditas mais tarde no mesmo dia.
Além disso, uma fonte da Organização Mundial da Saúde afirmou que a intensificação dos combates no Iêmen causou, em poucos dias, 2.883 vítimas, sendo 504 mortos e 2.379 feridos, entre 6 e 12 de setembro. O Irã, alvo de críticas americanas e sauditas quanto à escalada iniciada por seu proxy iemenita, negou, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, ter qualquer ligação com o recrudescimento dessas operações militares.
O outro caso que abalou o Oriente Médio nesta segunda-feira é um escândalo divulgado por veículos de imprensa americanos, envolvendo espionagem: informações fornecidas pelos serviços secretos chineses teriam orientado o exército iraniano, em julho, a realizar um ataque contra uma base americana na Jordânia, que resultou na morte de três soldados americanos. A China negou essas informações, classificando-as como "infundadas". O presidente Trump minimizou o caso, ressaltando que, se a China espiona os Estados Unidos, o inverso também é verdadeiro. O presidente chinês Xi Jinping deve fazer uma visita oficial a Washington no final de setembro.