
Numerosos apelos para cometer «atos de violência», 70000 polícias mobilizados


A França prende a respiração na véspera de um novo dia de mobilizações sob forte controlo, um «segundo ato» de manifestações.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, acusou a ultraesquerda e a «extrema-esquerda radical» de terem incentivado, nas redes sociais, a prática de «atos de violência», afirmando que grupos de «vândalos», por sua vez, apelaram a saques.
Anunciou que seriam mobilizados 70 mil polícias e gendarmes. Terão o apoio dos militares da força Sentinelle, de unidades de elite da polícia e da gendarmaria, como o Raid, o GIGN e a BRI, bem como de helicópteros e veículos blindados.
Após mais de um mês de crise, Emmanuel Macron assumiu na sexta-feira a linha da frente na resposta aos protestos dos alunos do ensino secundário, recebendo pela primeira vez os seus representantes, antes de visitar as forças de segurança.
Em paralelo, o chefe de Estado continua a insistir numa atuação firme nas ruas, após os episódios de violência e os saques que marcaram as manifestações contra o «custo de vida elevado» no fim de semana passado.
A resposta penal à violência «não tem precedentes», sublinhou, por sua vez, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, anunciando que 217 pessoas foram presas após os episódios de violência e os saques que atingiram entre 2000 e 3000 estabelecimentos comerciais.
Tiroteio nos arredores de Paris
Abriu-se também uma nova frente na área da segurança para o Governo, depois de um homem ter disparado rajadas contra várias pessoas a partir do seu carro em Trappes e La Verrière, no departamento de Yvelines, matando uma pessoa e ferindo cinco, entre elas uma menina de 12 anos.
O atirador, suspeito de ter pretendido atacar pessoas de origem imigrante, cometeu um «atentado de cariz racista, provavelmente islamofóbico», acusou o presidente da Câmara de Trappes, Ali Rabeh.
O Ministério Público Nacional Antiterrorista (Pnat) assumiu rapidamente a investigação do caso. Anunciou a abertura de um inquérito por «homicídio premeditado relacionado com uma atividade terrorista, com a circunstância agravante de os factos terem sido cometidos em razão da pertença real ou presumida a uma pretensa raça, etnia, nação ou religião específica».























