


No terceiro aniversário do «Dilúvio de Al-Aqsa» e da tragédia de Gaza provocada pelo Hamas, parece legítimo perguntar: onde estão os árabes? Mais ainda, onde está o Irã? E para onde caminha Israel? Essa pergunta tornou-se, por enquanto, impossível de responder.
Isso se deve ao fato de que os problemas enfrentados pelo mundo árabe, ou melhor, pelos mundos árabes, não parecem ter solução em um futuro previsível, simplesmente porque a chave para resolvê-los está, na maioria das vezes, em Teerã, e não nesta ou naquela capital árabe, nem, evidentemente, na Liga Árabe. Esta atravessa uma crise estrutural que reflete o estado de decrepitude do mundo árabe. Acredito que «decrepitude» seja uma palavra bastante benevolente.
Para constatar como é impossível responder à pergunta sobre o rumo dos árabes, basta refletir sobre o que se tornou o Iraque, governado pelo Irã por meio de suas milícias sectárias. O paradoxo é que o Iraque, onde a «República Islâmica» conseguiu transplantar a experiência da Guarda Revolucionária, encontra-se hoje em uma situação desconcertante. Como pode um governo que deve sua existência à derrubada de Saddam Hussein pelos tanques americanos celebrar a saída do último soldado americano do Iraque, enquanto o primeiro-ministro Ali al-Zaidi fala da recuperação da soberania nacional? O paradoxo é que aqueles que hoje comemoram a recuperação da soberania iraquiana se recusam a reconhecer que os americanos foram embora, enquanto os iranianos permaneceram. O Irã está mais presente do que nunca no Iraque… O que não impede que se pergunte: onde está o Irã e para onde ele caminha?
Mais grave ainda, a queda do Iraque em 2003, quando o governo de George W. Bush entregou o país ao Irã, provocou um desequilíbrio regional cujas consequências continuam afetando toda a região até hoje.
A atenção se concentra no Iraque porque sua queda nas mãos do Irã representou o colapso de toda a ordem regional. Uma ordem estabelecida após a Primeira Guerra Mundial e o desmoronamento do Império Otomano. Talvez seja útil lembrar que os acordos Sykes-Picot datam de 1916 e a Declaração Balfour de 1917. Os árabes nunca assimilaram verdadeiramente o alcance dos acordos Sykes-Picot, nem compreenderam o significado da Declaração Balfour e suas consequências.
A invasão americana de um país membro da Liga Árabe, habitado por diferentes grupos étnicos, não representou simplesmente a queda de um regime iraquiano atrasado, cujo desaparecimento não há motivos para lamentar. Não há razão alguma para lamentá-lo, considerando os erros fatais cometidos por Saddam Hussein, tanto contra os iraquianos quanto contra os países da região, sobretudo o Kuwait.
Apesar de tudo isso, a queda do regime iraquiano significou também a queda de um país e de uma fronteira que separava os árabes dos persas. Toda a região sofre as consequências desse desequilíbrio, que permitiu a Teerã assumir o controle de Bagdá, em vez de o Iraque, com todas as suas cidades, servir de baluarte contra o projeto expansionista iraniano. Um projeto que, a partir do Iraque, conseguiu ganhar novo impulso em toda a região.
«Onde estão os árabes?» não é apenas uma pergunta, mas uma questão que suscita muitas outras para as quais não existem respostas. Por exemplo, quem expulsará o Irã do Iraque, assim como foi expulso da Síria? É possível devolver a vida a um país como o Iêmen, completamente fragmentado desde que o Irã, graças aos houthis, conseguiu assumir o controle de parte de seu território e transformá-la em uma fonte de perigo para a Arábia Saudita e para a navegação no mar Vermelho e, consequentemente, para o canal de Suez?
Qual será o destino do Líbano, onde as armas do Hezbollah continuam controlando o país? Essas armas sectárias, que são armas iranianas, nunca tiveram outro objetivo senão submeter os libaneses e, em determinado período, os sírios. Os libaneses sempre foram, e continuam sendo, um alvo do Irã e do Hezbollah. Israel nunca passou de um pretexto para manter essas armas.
O que a ocupação iraniana do Iraque não havia revelado foi exposto pelo «Dilúvio de Al-Aqsa» há três anos. Yahya Sinwar, que desempenhou um papel central no lançamento do «Dilúvio de Al-Aqsa» como dirigente do Hamas, contribuiu para modificar a natureza do conflito na região. O conflito se deslocou para dentro do próprio Irã. O «Dilúvio de Al-Aqsa» também transformou a natureza de Israel, que já não acredita em outra coisa senão na expansão como meio de preservar sua segurança.
Embora Israel tenha demonstrado possuir capacidades militares e de inteligência extraordinárias, resta, afinal, outra pergunta sem resposta, semelhante àquela que diz respeito aos árabes: para onde caminha Israel?… E que futuro poderá ter sem um projeto político viável, como parte integrante da região e como um de seus Estados, que deve viver em paz e segurança com seu entorno e com os palestinos, um povo que existe na terra da Palestina… e que, portanto, tem seu lugar no mapa político da região?