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O Novo Mundo

O islã político… e o Irã

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Publié out 16, 2026 - 19:24

Causa estranheza que, em meio aos ataques realizados pelos houthis contra a Arábia Saudita a partir do território iemenita, tantas pessoas deixem de mencionar o Irã e o que a «República Islâmica» faz no terreno. Parece que a intenção é ocultar a identidade do responsável, como se os houthis pudessem existir sem a «Guarda Revolucionária» iraniana… ou como se o objetivo fosse ignorar que o Iêmen se transformou em um «espaço de influência» iraniano, à semelhança do Líbano antes de 2023.

Teerã não escondeu, especialmente desde que tomou o controle de Sanaa, em 21 de setembro de 2014, que havia passado a controlar quatro capitais árabes: Sanaa, Bagdá, Damasco e Beirute. Até hoje, Teerã continua controlando Sanaa e Bagdá. Perdeu Damasco definitivamente, mas luta para permanecer em Beirute aterrorizando os libaneses. O Hezbollah utiliza suas armas, incluindo os explosivos de que se valeu em um passado recente para cometer assassinatos. Isso abrange desde a tentativa de assassinato de Marwan Hamadé até o assassinato de Lokman Slim, passando pelos de Rafic Hariri e seus companheiros, Samir Kassir, Gebran Tueni, Pierre Amine Gemayel, Wissam al-Hassan e outros libaneses íntegros…

Antes de mais nada, ao falar do que acontece no Iêmen e de suas repercussões em toda a região do Golfo e além dela, é preciso chamar as coisas pelo nome. Em outras palavras, o Irã passou a considerar que, graças à sua presença no Iêmen, a «República Islâmica» agora faz parte da Península Arábica. Por isso, é natural estabelecer uma ligação entre os estreitos de Ormuz e de Bab el-Mandeb, este último a porta de entrada para o mar Vermelho, pois se trata de dois estreitos de importância fundamental controlados pelo Irã.

É nessa perspectiva que se explica a reação iraniana aos esforços das forças do governo «legítimo» do Iêmen para impedir que os houthis controlem Bab el-Mandeb. Essa reação incluiu os ataques reiterados à Arábia Saudita, que apoia o governo «legítimo». O Irã está empenhado em controlar Bab el-Mandeb a qualquer custo. Essa determinação explica a pressão exercida pelos houthis em sua ofensiva contra a cidade de Taiz. Não é segredo que o controle de Taiz protege as forças houthis presentes em Mokha e abre amplamente o caminho para um avanço em direção a Áden…

É difícil dissociar o Irã dos ataques contra o reino. Ignorar essa ligação é fechar os olhos para uma realidade da qual não se pode fugir. Se alguns políticos libaneses omitiram o nome do Irã, deliberadamente ou não, o que merece atenção é a quase unanimidade com que os adeptos do islã político árabe ignoram o Irã.

Os Irmãos Muçulmanos e aqueles que gravitam em sua órbita encontram todos os argumentos para ignorar o Irã, como se mantivessem com ele uma aliança profana pelo fato de o país estar em guerra com os Estados Unidos, com Israel… e com o Ocidente em geral. No próprio Iêmen, os Irmãos Muçulmanos nunca deixaram de ser aliados não declarados dos houthis, de uma forma ou de outra. Tudo o que os Irmãos Muçulmanos fizeram, representados pelo partido Congregação Iemenita pela Reforma (Al-Islah), acabou favorecendo os houthis.

Isso começou em 2011, com os esforços para se livrar de Ali Abdullah Saleh e do regime que ele havia instaurado, e se estendeu até a recusa de defender Sanaa em 2014. Naquele momento, os Irmãos Muçulmanos contavam em Sanaa com milhares de homens armados, que assistiram à tomada da capital iemenita pelos houthis sem intervir. Por que os Irmãos Muçulmanos não defenderam Sanaa? Não foi uma postura desconcertante?

Há poucas semanas, ficou evidente que nada havia mudado na forma como o Al-Islah lidava com as forças sob o comando de Tarek Mohammed Abdullah Saleh, que controlavam Mokha. As forças comandadas por Tarek tiveram de recuar porque não encontraram quem protegesse sua retaguarda e porque não contaram com a cobertura aérea de que precisavam em determinado momento, quando a ofensiva houthi havia se intensificado…

Em suma, não há como distinguir entre o islã político sunita e o xiita no que diz respeito à conduta do Irã na região. Há algumas exceções, mas não se pode ignorar a cumplicidade do islã político, de maneira geral, com as ações do Irã desde 1979, ano da queda do regime do xá e da criação da «República Islâmica». A prova mais clara continua sendo a aposta do Hamas no Irã e a do Irã no Hamas. Os recursos financeiros do islã político tampouco estiveram alheios a essa aposta recíproca, que levou ao «Dilúvio de Al-Aqsa»… e a essa grande transformação na região. Uma transformação que também mudou Israel, que, por sua vez, pagou o preço de ter, em determinado momento, feito vista grossa à transferência de recursos para o Hamas, sob o argumento de que isso garantiria a continuidade indefinida da divisão palestina…

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