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O Essencial do Dia

Diante dos “caprichos” de Teerã, incerteza sobre a segunda rodada de Islamabad

Definitivamente, é o mundo de cabeça para baixo (ou quase) nesse braço de ferro entre os Estados Unidos e a República Islâmica, tendo como foco a realização ou não de uma segunda rodada de negociações em Islamabad, nesta terça-feira. À primeira vista, o regime iraniano, mais precisamente o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (os Pasdaran), parece satisfeito em alimentar a percepção de que é ele quem impõe suas condições a Washington para uma retomada das negociações entre as duas partes. Seria assim, seguindo essa lógica, o derrotado ditando sua vontade ao vencedor. Porque em determinado momento é preciso chamar as coisas pelo nome e “dizer a verdade, por mais dura que seja” (para retomar a expressão do presidente Béchir Gemayel): nesta guerra, foi o Irã que sofreu perdas colossais em suas infraestruturas militares, nucleares e econômicas, e foi o alto comando político, militar e de segurança iraniano que foi decapitado em larga escala. Ao mesmo tempo, é a armada americana que praticamente cerca o Irã e impõe há alguns dias um bloqueio marítimo que sufoca a economia iraniana, e foram as aviações americanas e israelenses que, durante 40 dias, dominaram sozinhas os céus, bombardeando dia e noite centros nevrálgicos no Irã. Apesar dessas realidades, o regime iraniano, por meio de sua ala radical, exigia até a noite de segunda-feira, para “aceitar” (!) ir a Islamabad, que os Estados Unidos suspendessem o bloqueio marítimo na região do estreito de Ormuz. Paralelamente, a agência oficial iraniana Irna e fontes da Guarda Revolucionária repetiam ao longo de segunda-feira, e já desde domingo, que o Irã se recusava a participar de uma segunda rodada de negociações com os americanos e que, em qualquer hipótese, o dossiê dos mísseis balísticos não é negociável e, além disso, persistem profundas divergências sobre a questão nuclear e o destino do urânio enriquecido. E acrescentavam que “a parte americana não é séria nesse processo de negociação”. Resumindo a situação, o regime iraniano se comporta, assim, como uma criança mimada que faz escândalo e grita frases sem sentido quando uma autoridade firme lhe impõe uma linha de conduta contrária a seus caprichos infantis. Só que, para seu azar, a ala radical do poder em Teerã enfrenta um presidente americano que reafirmou na noite de segunda-feira que não suspenderá o bloqueio marítimo, apesar de um pedido nesse sentido feito pelo mediador paquistanês. De maneira mais ampla, o presidente Donald Trump não parece disposto a abandonar suas linhas vermelhas justamente sobre o programa nuclear e o programa de mísseis balísticos. A União Europeia alinhou-se na noite de segunda-feira à posição americana nesse ponto, ao destacar sem rodeios que as negociações com o regime iraniano devem tratar da questão dos mísseis balísticos, que podem potencialmente atingir algumas capitais europeias. Dentro desse contexto, o chefe da Casa Branca coloca Teerã diante de uma alternativa “simples”: assinar o acordo apresentado pelos Estados Unidos ou... o porrete, que seria usado sem qualquer contenção. Tanto que, no fim da noite de segunda-feira, a mais completa incerteza ainda pairava sobre o destino da segunda rodada de negociações em Islamabad. Nova reunião libanesa-israelense na quinta-feira A tensão, que crescia progressivamente até tarde da noite de segunda-feira, não impediu o governo Trump de seguir adiante no processo de negociações diretas entre o Líbano e Israel. O presidente Joseph Aoun parece determinado a continuar por esse caminho, sob a tutela dos Estados Unidos, sem se deter excessivamente nas ameaças diretas, inclusive ameaças de morte, feitas por altos dirigentes do Hezbollah, que não conseguem conceber que o Estado recuperou sua autonomia de decisão e rompeu um velho tabu ao se engajar em um diálogo cara a cara com Israel. “Entre a guerra e a negociação, eu escolho a negociação”, afirmou na segunda-feira o chefe de Estado. Essa opção estará, sem dúvida, no centro do encontro que o primeiro-ministro Nawaf Salam deverá ter nesta terça-feira com o presidente Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu. É nesse contexto que uma segunda reunião entre negociadores libaneses e israelenses deverá ocorrer na próxima quinta-feira em Washington. Questões concretas deverão ser discutidas durante essa nova rodada de negociações, mais especificamente a solução da disputa sobre o traçado das fronteiras entre os dois países. A delegação libanesa nessa segunda reunião seria presidida pelo ex-embaixador libanês em Washington, Simon Karam, que poderá estar acompanhado de um delegado militar e de um representante civil. Apesar dos protestos dos polos de poder iranianos, que insistem em querer controlar a carta libanesa, o Executivo fez assim a escolha de se opor aos “impulsos suicidas”, como ressaltou, de forma bastante pertinente, o presidente, em uma alusão mal disfarçada às aventuras guerreiras estéreis e destrutivas do Hezbollah. Que esse poder se mantenha firme para ir até o fim nessa audaciosa iniciativa de negociação com o Estado hebreu.

O campo iraniano multiplica comportamentos bélicos e declarações agressivas

Subitamente, em menos de 24 horas, o que poderia ser percebido como sinais de pânico manifestou-se no sábado, 18 de abril, no campo iraniano, sob a forma de comportamento beligerante e declarações igualmente agressivas e odiosas. O acontecimento mais grave daquele sábado foi, sem dúvida, a emboscada armada por militantes do Hezbollah contra uma unidade francesa da UNIFIL que realizava uma patrulha na área da cidade de Ghandourieh, no distrito de Bint Jbeil, dentro da zona de atuação da UNIFIL, a sul do rio Litani. Um soldado francês foi morto e outros três ficaram feridos, dois deles gravemente. O Presidente Emmanuel Macron reagiu veementemente a este ataque, atribuindo claramente a responsabilidade pelo bombardeio ao Hezbollah e instando as autoridades libanesas a identificarem rapidamente os perpetradores e a tomarem as medidas necessárias contra eles. Este ataque contra os soldados franceses foi fortemente condenado pelo Presidente Josef Aoun, pelo Primeiro-Ministro Nawaf Salam e até pelo Presidente do Parlamento, Nabih Berri. O presidente Aoun e o primeiro-ministro indicaram que ordenaram ao judiciário que conduzisse uma investigação para prender os perpetradores. Diante da gravidade do ataque, o Hezbollah negou a responsabilidade pela emboscada contra as forças de paz francesas naquela noite. Essa negação não enganou ninguém, especialmente aqueles nos círculos oficiais. Paralelamente a esse incidente com a milícia, o Hezbollah não hesitou, no sábado, em emitir ameaças de morte diretas contra os centros de poder, particularmente contra o presidente da República, cujo pronunciamento televisionado na sexta-feira provocou a ira do partido pró-Irã. Altos funcionários desse grupo chegaram a alertar o chefe de Estado contra a continuidade do processo de negociações diretas com Israel, enfatizando que o presidente corre o risco de sofrer o mesmo destino do ex-presidente egípcio Anwar Sadat, assassinado após o Egito assinar o acordo de paz com Israel. Essas mesmas fontes do Hezbollah também criticaram o presidente Aoun por não ter "agradecido ao Irã" (!) por seus (supostos) esforços para estabelecer um cessar-fogo. Em meio a essas ameaças ilimitadas, um dos dirigentes do partido pró-Irã exigiu que o governo revertesse todas as decisões tomadas contra o Hezbollah ou, caso contrário, "um movimento popular derrubará o governo!" Uma linha amarela O fato é que esses aparentes sinais de pânico não alteram a realidade da situação. Uma fonte oficial libanesa indicou no final da noite de sábado que o presidente Aoun e o primeiro-ministro se reuniram para revisar os preparativos para as próximas negociações entre Líbano e Israel. No terreno, o exército israelense relatou o estabelecimento de uma "linha amarela" ao sul do rio Litani – semelhante à de Gaza – que representa uma "linha de demarcação" de fato, separando a zona tampão estabelecida por Israel do restante do território libanês. Essa linha de demarcação permitiria aos israelenses impedir o acesso dos moradores libaneses à zona tampão, que abrange mais de cinquenta vilarejos e cidades, alguns dos quais foram completamente arrasados. Nesse contexto, o exército israelense continua suas operações militares e bombardeios direcionados ao sul dessa "linha amarela" para impedir o restabelecimento de militantes do Hezbollah nessa área sob o pretexto do retorno de "residentes". Um impasse sobre o Estreito de Ormuz A escalada claramente perceptível no Líbano, impulsionada pelo Hezbollah, está em consonância com uma escalada paralela nas posições iranianas — ou melhor, nas de uma facção iraniana (radical) — focada principalmente no Estreito de Ormuz. Nesse contexto, divergências significativas parecem caracterizar as relações entre as várias facções dentro do regime iraniano. Essa divisão surgiu no sábado, após uma declaração do Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciando a reabertura completa do Estreito de Ormuz como um gesto de boa vontade destinado a facilitar as negociações com Washington. A iniciativa do Ministério das Relações Exteriores aparentemente não foi bem recebida pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). O Vice-Ministro das Relações Exteriores (e não o próprio Ministro) imediatamente mudou de posição em relação ao estreito, e mais tarde naquele mesmo dia a Guarda Revolucionária Islâmica anunciou o fechamento completo da passagem marítima em protesto contra o bloqueio naval contínuo dos EUA. No final da tarde, fontes dentro da Guarda Revolucionária Islâmica deveriam divulgar uma série de declarações, indicando que Teerã havia informado os americanos de que rejeitava a realização de uma nova rodada de negociações sob os auspícios do Paquistão, o que implicaIsso parece, pelo menos superficialmente, ser uma rejeição à mediação paquistanesa. De fato, o comandante do exército paquistanês, que liderava os esforços de mediação, deixou o Irã no sábado, após uma visita de três dias. Fontes dentro da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) também enfatizaram que o Irã se recusa a abrir mão de seus mísseis balísticos e se opõe a quaisquer concessões na questão nuclear. Esse endurecimento das posições iranianas foi acompanhado por uma escalada militar. Lanchas de ataque rápido da IRGC abriram fogo contra três navios mercantes no Estreito de Ormuz, levando o presidente do Parlamento iraniano a declarar que as divergências com os americanos sobre Ormuz haviam levado a "confrontos armados, e Washington recuou". Diante dessa escalada iraniana e da radicalização das posições de Teerã, os militares dos EUA anunciaram, no final do dia, sua intenção de apreender todos os navios mercantes iranianos a partir de domingo. A questão neste momento é se o endurecimento da posição do bloco iraniano, tanto no Líbano quanto no Irã, reflete um sentimento de pânico diante dos acontecimentos recentes ou se é simplesmente um desejo de aumentar a pressão na véspera de uma possível retomada das negociações bilaterais na próxima semana. Sobre esse ponto, o presidente Trump declarou ontem à noite que "discussões muito positivas estão em andamento com o Irã". No entanto, um alto funcionário americano afirmou que "a guerra com o Irã pode ser retomada nos próximos dias".

Aoun consolida a sua posição e denuncia o "impulso suicida" e a lealdade estrangeira.

Pela primeira vez desde 28 de Fevereiro, o Líbano viveu um dia de calma: nenhum ataque israelita, nenhuma troca de tiros na fronteira sul e nenhum combate nas aldeias fronteiriças onde o exército israelita mantém a sua presença. A única exceção foi o ataque de drone israelita que matou uma pessoa em Kunin, no sul do Líbano. O foco está agora na avaliação das vítimas — que continuam a ser resgatadas dos escombros — e dos danos materiais nos subúrbios do sul de Beirute, bem como nas cidades acessíveis do sul, para as quais os deslocados regressaram em massa. A trégua de dez dias entre Telavive e Beirute, intermediada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, parece, à primeira vista, ser um alívio numa guerra que está longe de terminar, como observou o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na quarta-feira, uma vez que as causas subjacentes do conflito armado se mantêm. O Líbano deu certamente um passo significativo ao anunciar uma série de medidas destinadas a uma solução duradoura para o problema representado pela presença no seu território de uma milícia armada autónoma, totalmente subserviente da República Islâmica do Irão. No entanto, as autoridades continuam a proceder com extrema cautela nesta frente, por diversas razões, principalmente relacionadas com o desejo de preservar o sagrado equilíbrio interno e evitar perturbações na estabilidade. Declarações contraditórias As declarações do Presidente Joseph Aoun, as primeiras desde o estabelecimento do cessar-fogo, as do Ministro do Interior Ahmad Hajjar, e especialmente o tom que ambos utilizaram, reflectem esta preocupação. Os líderes libaneses mantêm-se inflexíveis quanto às linhas gerais da nova política que definiram e muito mais discretos quanto aos mecanismos de implementação, que dependem, em última análise, das discussões bilaterais que têm lugar em Washington, bem como das conversações entre os EUA e o Irão em Islamabad. Joseph Aoun e Ahmad Hajjar, bem como o presidente do Parlamento, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, procuraram tranquilizar o público quanto à prioridade dada à coesão interna, evitando temas polémicos como as negociações directas com Israel, actualmente em preparação sob os auspícios de Washington, e o desarmamento do Hezbollah, que, no entanto, é essencial para libertar o Líbano da hegemonia iraniana e do risco de novas guerras. O processo está, aliás, em curso, reafirmou Joseph Aoun numa mensagem à nação, poucas horas depois de duras críticas do bloco parlamentar do Hezbollah contra a nova direcção política libanesa. "Hoje, negociamos por nós próprios e decidimos por nós. Já não somos peões nas mãos de ninguém, nem campo de batalha para os outros." "Nunca mais voltaremos a esta situação", declarou desde o início, destacando o apoio da maioria dos libaneses a estas políticas. O chefe de Estado atacou o Hezbollah sem o mencionar nominalmente, criticando a sua retórica que apresenta a “resistência” como o único baluarte para o Líbano: “Àqueles que põem em risco o futuro do país e do seu povo, digo: basta! Só o projecto de Estado é o mais forte, o mais sustentável e o mais seguro para todos”. E continuou: “Estamos todos no mesmo barco. Ou chegamos juntos ao porto, ou afundamo-nos todos, mas ninguém tem o direito de cometer tal crime, sob o pretexto de qualquer slogan, por impulso suicida ou lealdade a uma potência estrangeira”, numa clara alusão ao Irão, país a que pertence o Hezbollah. Além disso, Joseph Aoun não mencionou o Irão, que se apressou a reivindicar o crédito pelo estabelecimento do cessar-fogo, ao elogiar os esforços “incansáveis” das autoridades libanesas, dos países árabes, particularmente da Arábia Saudita, dos países ocidentais e do Presidente Trump para impor um cessar-fogo a Israel. Dirigindo-se ainda ao Hezbollah, sublinhou que as negociações planeadas "não são um sinal de fraqueza nem uma cedência", mas antes motivadas pelo desejo de proteger o Líbano "por todos os meios e, sobretudo, pela nossa recusa em morrer por qualquer outro país que não o Líbano". Neste contexto, sublinhou que Beirute não fará concessões nos seus direitos, particularmente os direitos territoriais, dissipando assim os receios de consolidação da "zona de segurança" estabelecida por Telavive no sul do Líbano para proteger as cidades a norte do seu território. Embora o Presidente Aoun tenha reafirmado anteriormente a importância das próximas negociações "delicadas e decisivas" com Telavive, apenas delineou os objectivos do Estado libanês neste diálogo: "consolidar o cessar-fogo, retirar as forças israelitas das zonas onde mantêm presença no Sul, estender a autoridade do Estado a todo o país e libertar os prisioneiros libaneses". "Amal com Israel e a resolução de disputas entre os dois países em relação a certos pontos de fronteira." Nem uma palavra sobre o desarmamento do Hezbollah, que, no entanto, está no centro das próximas discussões. O chefe de Estado prometeu apenas o destacamento do exército e das forças de segurança no sul, "após a retirada israelita", garantindo que "pôrão fim às manifestações armadas e serão as únicas forças presentes no terreno". Em todo o caso, o Líbano prepara-se para trilhar um caminho repleto de obstáculos. Neste contexto, ainda não é claro qual será a agenda precisa que o negociador libanês, Simon Karam, levará consigo para Washington, e quem a definirá. Toda a atenção está focada neste elemento, à luz dos relatos de que o assunto está a ser tratado exclusivamente pela Presidência da República, com base em contactos estabelecidos com a dupla Amal-Hezbollah, que, como é sabido, é hostil ao diálogo directo com Telavive. Reabertura total do Estreito de Ormuz Um diálogo que, se iniciado em condições favoráveis, prolongaria a trégua por dez dias, prometeu o Departamento de Estado norte-americano na terça-feira. A trégua começou com dois pontos significativos: primeiro, o Irão anunciou a reabertura total do Estreito de Ormuz, num gesto que Teerão apresentou como um sinal de boa vontade ligado ao anúncio do cessar-fogo no Líbano. De acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, esta passagem marítima estará aberta a todos os navios de carga comerciais durante a vigência da trégua no Líbano. A iniciativa iraniana, saudada pelo Presidente Trump, serve, na verdade, dois propósitos tácticos: sinaliza uma abertura a Washington no contexto dos esforços em curso para reactivar as negociações bilaterais entre os EUA e o Irão. Os Estados Unidos, no entanto, deixaram claro que não suspenderiam o bloqueio imposto aos portos iranianos, pelo menos não antes de um acordo sério com Teerão, que reiterou imediatamente a sua ameaça de fechar o Estreito de Gibraltar, embora sem a concretizar. A decisão iraniana reflecte também o desejo de Teerão de demonstrar o seu controlo contínuo sobre a situação libanesa, em detrimento das autoridades locais. O Presidente Josef Aoun respondeu a isto de forma contundente no seu pronunciamento à nação. Donald Trump, por sua vez, fez questão de reiterar na quarta-feira, ao discutir a questão iraniana, que a mesma é distinta da questão libanesa. O presidente norte-americano deixou isso claro ao anunciar na sua rede social Truth que os Estados Unidos pretendem recuperar todas as "cinzas" nucleares provocadas pelos bombardeiros B-2 norte-americanos no Irão, sem qualquer compensação financeira. Esclareceu que este acordo, bem como o referente à reabertura do Estreito de Ormuz, "não está ligado ao Líbano" e que Washington "trabalhará separadamente com Beirute para resolver a questão do Hezbollah". Troca de Ameaças O segundo ponto significativo diz respeito à troca de ameaças entre o Hezbollah e Telavive, numa altura em que parece surgir uma discórdia entre Israel e Washington relativamente à condução das duas questões: Líbano e Irão. O Presidente Trump afirmou categoricamente que Israel não atacaria mais o Líbano, enquanto os líderes israelitas insistiram que a guerra contra o Hezbollah não tinha terminado. O grupo pró-Irão anunciou que se mantinha vigilante e “com o dedo no gatilho”, alertando Israel contra a violação do cessar-fogo ou o assassinato de membros do grupo. Por seu lado, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o seu ministro da Defesa, Israel Katz, afirmaram que a guerra não terminou e que Telavive continua empenhada no desarmamento do Hezbollah por meios militares ou diplomáticos. Ambos afirmaram ainda que o exército israelita manterá a sua presença na zona que agora controla ao longo da fronteira e continuará a desmantelar as infraestruturas militares do Hezbollah na região. Neste contexto, Benjamin Netanyahu reiterou que o caminho para a paz ainda é longo. “Começámos esta viagem com uma mão a segurar uma arma e a outra estendida em direção à paz”, disse, antes de anunciar que o seu país tinha “estabelecido, pela primeira vez, uma zona de segurança ao longo de toda a sua fronteira norte”. A situação estende-se agora ao Monte Hermon, uma vez que o exército israelita revelou na noite de quinta-feira que realizou uma operação militar de última hora no Líbano, pouco antes de o cessar-fogo entrar em vigor à meia-noite, com o objectivo de assumir o controlo de uma posição estratégica no Monte Hermon. Esta posição fica a 12 quilómetros do lado israelita da montanha, que é partilhada pelo Líbano, pela Síria e Israel, e a 30 quilómetros da estrada Beirute-Damasco. Oferece uma vista panorâmica de todo o Vale do Bekaa e mantém-se distante das aldeias libanesas da região, ainda segundo o exército israelita.

A trégua de Trump garante cobertura à opção de paz
Por
LevantTime .
Publicado
abr 16, 2026 - 22:59

Um novo passo, e dos mais relevantes, foi dado na quarta-feira, 16 de abril, no caminho para o restabelecimento da autonomia de decisão libanesa, longe de qualquer diktat regional. Um cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Líbano, incluindo o Hezbollah, entrou em vigor na madrugada de quinta para sexta-feira, à meia-noite, após duas conversas telefônicas que o presidente Donald Trump manteve, no fim da tarde, com o presidente Joseph Aoun e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Foi o próprio chefe da Casa Branca quem anunciou o cessar-fogo no início da noite, durante uma conversa informal com correspondentes de imprensa. O anúncio desse cessar-fogo sob a égide da administração Trump tem dupla importância estratégica: por um lado, consolida, no mais alto nível, a dissociação entre as vertentes libanesa e iraniana do conflito em curso, já que Teerã tentou insistentemente nos últimos dias colocar sob sua tutela qualquer acordo de cessar-fogo entre o Líbano e Israel, com o objetivo de controlar a carta libanesa; por outro, legitima e reforça em grande medida a decisão do Executivo de se engajar em negociações diretas com Israel, com a perspectiva de um acordo de paz entre os dois países. O presidente Trump indicou, após o anúncio do cessar-fogo, que encarregou o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o chefe do Estado-Maior Dan Razin Caine de trabalhar para alcançar uma paz duradoura entre Líbano e Israel. O presidente dos Estados Unidos também destacou sua intenção de convidar o presidente Aoun e o senhor Netanyahu para uma reunião na Casa Branca dentro de duas semanas. Esse forte envolvimento americano no processo de resolução das pendências entre Líbano e Israel é vital para o governo libanês. O primeiro-ministro israelense declarou na noite de quarta-feira que o Exército de Israel manterá sua presença no sul do Líbano, até o rio Litani, a fim de consolidar a zona de amortecimento que se estenderá por uma profundidade de dez quilômetros a partir da fronteira internacional. O Líbano, portanto, precisará do apoio dos Estados Unidos para negociar, nas melhores condições possíveis, uma retirada israelense e a conclusão de um acordo de paz, tendo como pré-condição e etapa obrigatória o desmantelamento do aparato miliciano do Hezbollah, que, aliás, foi declarado ilegal pelo Conselho de Ministros. Os deputados de Beirute… Cabe destacar, nesse contexto, que o governo recebeu na quarta-feira um importante apoio político parlamentar. Os deputados de Beirute, de todas as confissões e correntes políticas, realizaram na quarta-feira, no hotel Phoenicia, um congresso com o tema: “Por uma Beirute segura, uma Beirute livre de qualquer presença de armas ilegais”. Vários deputados, representando os principais partidos presentes no Parlamento, discursaram na ocasião para apoiar, sem ambiguidades, as decisões do governo quanto à ilegalidade da milícia do Hezbollah, à ilegalidade da presença dos Guardiões da Revolução iranianos, os Pasdaran, no país, e à necessidade de concentrar as armas nas mãos das forças legais. Em poucas palavras, esse congresso dos deputados de Beirute garante, sem rodeios, ao governo Salam uma legitimidade popular e uma cobertura política fundamental para a política soberanista adotada pela presidência e pelo governo, para desagrado do Hezbollah e do regime dos aiatolás, que não perdem oportunidade de criticar a política de paz conduzida pelo poder.

Conversações de Washington: um primeiro passo para uma paz líbano-israelense

O momento é, sem dúvida, histórico em mais de um aspeto: no plano simbólico, primeiro; e ao nível do alcance político e da dimensão estratégica do evento, por outro lado. O aspeto simbólico, em primeiro lugar, assume uma importância muito particular no contexto local e regional que ninguém ignora: a embaixadora do Líbano em Washington, Nada Hamadé Moawad, reunida face a face no Departamento de Estado, em Washington, com o embaixador de Israel, Yechiel Leiter, sob a égide do Secretário de Estado Marco Rubio, com as bandeiras libanesas, israelitas e americanas, lado a lado, em segundo plano… A imagem teria sido uma ficção política há apenas alguns meses. A embaixadora Nada Hamadé Moawad seguida pelo embaixador de Israel Yechiel Leiter à chegada à sala de reuniões. Mas é a dimensão geopolítica que assume sobretudo um carácter histórico e vital para o Líbano. A reunião bilateral líbano-israelita consagra, de facto, uma orientação fundamental tomada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e pelo governo Salam, nomeadamente a dissociação total entre a política externa e as escolhas estratégicas do Líbano, por um lado, e as opções políticas da República Islâmica Iraniana, por outro. Esta orientação definida pelo presidente Joseph Aoun e pelo gabinete Salam tem um corolário: a necessidade de pôr fim aos excessos políticos (e militares…) do mini-Estado, fora da lei, do Hezbollah que, há mais de duas décadas, tem vindo a implementar uma estratégia de desconstrução do Estado libanês e das suas instituições. Uma reunião de duas horas Esta diretriz geopolítica foi assim evocada durante a reunião de duas horas que se realizou às 11 horas, hora de Washington (18 horas, em Beirute), sob a presidência do Secretário de Estado. O chefe da diplomacia americana saudou neste quadro uma «ocasião histórica» para o Líbano e Israel fazerem a paz. «Trata-se de pôr fim definitivamente a 20 ou 30 anos de influência do Hezbollah nesta parte do mundo», declarou. “Isto vai além de um simples dia, levará tempo». «Não permitiremos mais que o Irão exerça a sua influência sobre as escolhas políticas do Líbano», declarou M. Rubio. O Hezbollah, nota-se a este respeito, qualificou as negociações diretas entre Israel e o Líbano de «capitulação» e marcou a sua reprovação lançando foguetes contra 13 localidades fronteiriças israelitas no momento em que a reunião no Departamento de Estado começava. Poucas informações foram divulgadas sobre o teor das discussões. A embaixadora do Líbano pediu a instauração de um cessar-fogo no Líbano-Sul; o seu homólogo israelita terá respondido que o seu governo estudaria o pedido libanês. Foi tomada a decisão, por outro lado, de iniciar negociações bilaterais para debater os dossiês que estão no centro do litígio entre os dois países. O local e a data do início dessas conversações serão fixados em breve. «Excelente troca» No final da reunião, o embaixador israelita dirigiu-se aos jornalistas e saudou um «excelente intercâmbio» durante as discussões, salientando que Israel e o Líbano estavam agora «do mesmo lado». «Descobrimos hoje que estamos do mesmo lado» entre o Líbano e Israel, afirmou, ao deixar o Departamento de Estado. «Esta é a coisa mais positiva que pudemos tirar deste encontro. Estamos ambos unidos na nossa vontade de libertar o Líbano de uma ocupação, de um poder dominado pelo Irão e chamado Hezbollah», disse, antes de acrescentar que «Naim Kassem e o Hezbollah fazem agora parte do passado». No início da noite, o Departamento de Estado deveria tornar público um comunicado conjunto sublinhando que os Estados Unidos esperam que as conversações vão «além do acordo de 2024 para alcançar uma paz global». «Os Estados Unidos apoiam os esforços do governo libanês para restabelecer o monopólio da violência legítima e pôr fim à influência do Irão», sublinha o comunicado que acrescenta que os Estados Unidos apoiam o direito de Israel de se «defender contra os ataques do Hezbollah». E o comunicado sublinha que «qualquer acordo visando pôr fim às hostilidades deveria ser discutido entre os dois governos, sob a égide dos Estados Unidos, e não por outra via» (alusão à vontade do Irão de ligar o cessar-fogo no Líbano à vertente iraniana das conversações com Washington. Aoun: O começo do fim No plano das reações, o presidente Joseph Aoun disse esperar que as negociações marquem «o começo do fim do sofrimento dos libaneses». Mas «a estabilidade não será restabelecida no sul se Israel continuar a ocupar territórios ali», acrescentou. Por seu lado, o chefe da diplomacia israelita, Gideon Saar, declarou: «Queremos alcançar a paz e a normalização com o Estado libanês. Não há grandes divergências entre Israel e o Líbano. O problema é o Hezbollah.» As operações no Sul Entretanto, no Sul, os combates continuam ferozes na principal frente, a da cidade estratégica de Bint Jbeil, enquanto os bombardeamentos israelitas prosseguem em todas as regiões do Sul, bem como a destruição de aldeias. O exército israelita reivindica a tomada de Bint Jbeil. Neste contexto, as FDI anunciaram na terça-feira a captura de três milicianos do Hezbollah, um dos quais ficou gravemente ferido e dois mais ligeiramente. Foram levados para Israel. Anteriormente, o exército israelita tinha indicado desde segunda-feira que sitia Bint Jbeil, onde dezenas de milicianos estariam entrincheirados. Os combates permanecem, no entanto, duros, visto que o lado israelita reconheceu que dez dos seus soldados foram feridos nas últimas horas no Sul, e que um morreu. O Estreito de Ormuz Resta assinalar que, na frente iraniana, vários navios atravessaram terça-feira o Estreito de Ormuz, mas não se tratava de barcos que se dirigissem para um ou outro dos portos iranianos, submetidos ao bloqueio americano. A reter, neste plano, a reação chinesa virulenta relativa a este bloqueio, que a China qualificou de «perigoso e irresponsável». O outro desenvolvimento importante desta terça-feira, relativo ao estreito, foi o anúncio de uma conferência, sexta-feira, presidida pelo presidente francês Emmanuel Macron e pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer, com a participação dos países «não beligerantes» que estariam prontos a contribuir para uma missão multilateral e «puramente defensiva». Uma operação visando «libertar» o Estreito de Ormuz e assegurar a sua livre circulação. Uma mudança de rumo ao nível dos países europeus, até agora hostis a qualquer intervenção na guerra americano-israelita contra o regime iraniano?

Trump relança a implacável guerra económica contra o regime dos mulás
Por
Michel Touma
Publicado
abr 13, 2026 - 23:22

Esta é a primeira consequência direta do fracasso das negociações de Islamabad, no último fim de semana, entre os Estados Unidos e a República Islâmica Iraniana. As forças navais do exército americano implementaram, na segunda-feira, às 17 horas (hora de Beirute), um bloqueio total de todos os portos iranianos e do Estreito de Ormuz. Vários navios de guerra foram destacados para aplicar este bloqueio a todos os navios que se supõe que utilizem, à partida ou à chegada, os portos iranianos. Apenas os navios que transportam ajuda humanitária serão autorizados a atracar nos portos, mas depois de terem sido minuciosamente revistados. Quanto aos navios que não estão envolvidos no tráfego marítimo com o Irão, estes poderão atravessar o Estreito de Ormuz sem problemas. Este cerco marítimo reveste-se de uma importância estratégica fundamental em dois níveis. Se for aplicado de forma rigorosa, perturbará em grande medida a ajuda em armas e munições que o regime dos mulás concede aos seus proxies no Líbano e no Iémen, em particular. O aviso do presidente iraniano Mas, mais importante ainda, o bloqueio não deixará de desferir um (novo) golpe particularmente duro (fatal?) na economia iraniana, já fortemente abalada pela política de «sanções máximas» imposta pelo presidente Trump. Os bombardeamentos aéreos massivos que marcaram as operações militares desde 28 de fevereiro destruíram de facto as indústrias petroquímicas e siderúrgicas da República Islâmica, que até então contava com as suas exportações de petróleo, das quais beneficiava principalmente a China. Ao impor este bloqueio marítimo, o presidente Trump priva praticamente o regime iraniano dos seus últimos rendimentos petrolíferos, sem ter de lançar uma ofensiva terrestre para tomar o controlo, por exemplo, da ilha estratégica de Kharg (amplamente fortificada) por onde passam 90 por cento das exportações petrolíferas iranianas. Ao paralisar assim toda a atividade económica nesta ilha recorrendo ao «método suave», sem recorrer à força militar, o presidente Trump empenha-se concretamente em asfixiar perigosamente a economia iraniana a curto prazo. Segundo diversas fontes de informação no Irão, o presidente iraniano teria, aliás, alertado os Guardiões da Revolução contra o risco de um colapso da economia iraniana no prazo máximo de três semanas, se nenhuma saída para a crise for encontrada a curto prazo. O cerco de Bint Jbeil Na frente do Líbano, o exército israelita afirmou na segunda-feira à tarde ter concluído o cerco à cidade estratégica de Bint Jbeil, onde estão barricados várias dezenas de milicianos do Hezbollah. Paralelamente, o partido pró-iraniano informava, ao fim da tarde, de «combates corpo a corpo» em Bint Jbeil com as unidades das Forças de Defesa de Israel, o que indica implicitamente que as forças israelitas efetuaram avanços em alguns setores da localidade. De facto, o Estado hebraico especificou ao fim do dia que o assalto à cidade tinha começado. Esta escalada ocorre na véspera do lançamento, terça-feira, 14 de abril, das negociações diretas entre o Líbano e Israel, em Washington, no gabinete do Secretário de Estado Marco Rubio, com a participação dos embaixadores do Líbano e de Israel na capital federal. Joseph Aoun e Joe Raggi recordam… O verdadeiro alcance desta reunião diplomática, que deverá dar o pontapé de saída para uma série de sessões de trabalho entre os dois países, foi realçado no sábado pelo chefe da diplomacia libanesa, Joe Raggi, que sublinhou, a título de lembrete (para quem o quiser ouvir...), que a negociação direta entre o Líbano e Israel consagra de facto a dissociação entre o dossiê libanês e a vertente iraniana do conflito atual – uma dissociação que reveste, evidentemente, uma alta importância estratégica e simbólica para o Líbano. O presidente Joseph Aoun fez questão de recordar neste contexto que «as negociações com Israel são da exclusiva responsabilidade do Estado libanês, e de nenhuma outra parte, pois trata-se de uma questão de caráter soberanista que diz respeito apenas ao Líbano». E o chefe de Estado realçou que as autoridades libanesas adotaram «uma série de medidas de segurança para impedir o contrabando de armas ou a entrada ilegal de fundos no país». Em todo o caso, no terreno, o exército israelita teria recebido instruções para consolidar e desenvolver os seus avanços no Sul, nomeadamente em Bint Jbeil, antes da reunião bilateral de terça-feira devido ao facto de Beirute poder reclamar com insistência, como indicou o Sr. Raggi na segunda-feira, a entrada em vigor de um cessar-fogo, tal conquista podendo permitir ao governo libanês, segundo vários observadores, legitimar e consolidar o diálogo direto com Telavive. Naïm Kassem regressou… Note-se, neste contexto, que, após um longo eclipse da cena mediática audiovisual, o secretário-geral do Hezbollah, xeque Naïm Kassem, reapareceu ontem à noite para estigmatizar, num discurso televisivo, aqueles que reprovam o Hezbollah por ter arrastado o país para uma nova guerra (!). Ele reconheceu implicitamente, a este respeito, que o seu partido pró-iraniano utilizava o Líbano para servir interesses exclusivamente estrangeiros, afirmando que «a guerra no Líbano tem como objetivo diminuir a pressão sobre outras frentes» (!). E de chamar de «traidores» todos aqueles que se opõem à guerra desencadeada pelo partido iraniano. O xeque Kassem condenou, evidentemente, as negociações diretas entre o Líbano e Israel, pedindo ao Estado que anule essas conversações bilaterais. Dirigindo-se ao presidente Joseph Aoun, ele lançou: «Vamos construir o Líbano juntos»! No entanto, não especificou como tal empreendimento conjunto de recuperação poderia ser possível quando o partido pró-iraniano percebe a entidade libanesa como um mero instrumento de manobra nas mãos de uma potência regional com aspirações hegemónicas largamente desestabilizadoras e belicosas.

Conversações de Islamabad: especialistas americanos e iranianos trabalham sobre os pontos de divergência

Dia de maratona para os negociadores e especialistas americanos e iranianos, sábado, em Islamabad. Chegando sexta-feira à noite na capital paquistanesa, as duas delegações iniciaram sem demora, cada uma a seu lado, discussões informais com altos funcionários paquistaneses que teriam procedido a trocas de mensagens entre as duas partes a fim de pavimentar o caminho para as negociações formais, frente a frente, as quais foram iniciadas sábado no início da tarde. No final da noite, as duas delegações concluíram duas sessões de trabalho sucessivas e anunciaram uma suspensão dos trabalhos que deveriam continuar na noite de sábado (o que abre o caminho, neste tipo de situação, para discussões longe dos holofotes) ou durante o dia de domingo. Muito poucas informações vazaram sobre o teor das negociações, a não ser o fato de que as conversações estão focadas em pontos de detalhe e pontos de divergência, daí a presença de numerosos especialistas em cada delegação. As posições de princípio de cada uma das partes sobre os grandes dossiês litigiosos são conhecidas e foram objeto, no passado, durante várias sessões de diálogo, de longas discussões sem que um terreno comum fosse encontrado. As reuniões de sábado, portanto, foram além das posições de princípio e focaram-se mais nos pontos de detalhe, os quais representam inegavelmente a parte mais importante das negociações, que determina, na realidade, o sucesso ou o fracasso das negociações. Divergências sobre o Estreito de Ormuz No final da noite, fontes iranianas indicaram que o problema do Estreito de Ormuz constitui «um dos principais pontos de divergência durante as conversações de Islamabad», o que indica implicitamente a existência de outros assuntos de desacordo entre as duas partes. Anteriormente, durante o dia, o Financial Times havia especificado que os negociadores haviam chegado a «um impasse sobre o Estreito de Ormuz». O regime iraniano, observa-se nesse contexto, insiste sempre em ter controle direto sobre o estreito. O Corpo da Guarda Revolucionária Iraniana, aliás, publicou um comunicado no final da semana, afirmando que «a partir de agora, somos nós que decidiremos quais navios poderão usar o Estreito de Ormuz». Uma posição rejeitada tanto pelos Estados Unidos quanto pelos países europeus e que é, além disso, uma violação flagrante da Convenção de Montego Bay (ver sobre este assunto o artigo de Jean-Patrick Dayras). A marinha americana limpa o estreito Convém indicar neste contexto que, no final do dia, sábado, o presidente Donald Trump indicou que os navios do exército americano estavam a limpar o Estreito de Ormuz de minas iranianas, precisando que esta operação é realizada para «servir países em todo o mundo, incluindo a China, o Japão, a Coreia do Sul, a França, a Alemanha e vários outros países». «Eles não têm a coragem, ou a vontade, de o fazerem eles próprios», observou o presidente americano. Mais cedo, durante o dia, o site de notícias Axios havia indicado que navios de guerra dos EUA atravessaram o Estreito de Ormuz sem qualquer coordenação com as autoridades iranianas, realizando uma viagem de ida e volta para melhor assinalar o facto de que controlavam a situação naquela zona. O chefe da Casa Branca havia indicado, nesse contexto, que a marinha americana destruiu os 28 navios iranianos lançadores de minas. «A marinha e a força aérea do Irão foram destruídas, assim como a defesa antiaérea», sublinhou o presidente Trump. Em todo o caso, o dossiê do Estreito de Ormuz foi um dos principais temas examinados durante estas negociações de Islamabad, tanto mais que se trata de um novo ponto de conflito que não se colocava nas reuniões anteriores. Note-se que as conversações oficiais de sábado tiveram lugar na presença, do lado americano, do vice-presidente JD Vance e dos enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner, bem como, do lado iraniano, do presidente do Parlamento, Mohammed Bagher Ghalibaf, e do chefe da diplomacia Abbas Araghchi. A primeira reunião de trabalho realizou-se após um encontro individual entre o vice-presidente Vance e o Sr. Ghalibaf, na presença de um alto funcionário paquistanês. As negociações frente a frente, na presença do chefe do exército paquistanês, foram precedidas de consultas bilaterais entre a delegação americana e os dirigentes paquistaneses, por um lado, e entre os delegados iranianos e os responsáveis paquistaneses, por outro. Convém indicar que, antes da sua partida de Teerão, os negociadores iranianos tinham colocado duas condições prévias para iniciar a sua missão em Islamabad: o estabelecimento de um cessar-fogo no Líbano e o desbloqueio dos bens iranianos congelados pelos Estados Unidos. Nenhuma destas duas condições foi, no entanto, satisfeita, mas os delegados iranianos, apesar de tudo, iniciaram as conversações com a delegação americana, apesar do facto de os ataques israelitas continuarem no Sul do Líbano. No Líbano… Enquanto os negociadores americanos e iranianos debatiam em Islamabad os pontos de divergência entre as duas partes, a aviação israelita prosseguia os seus ataques contra as posições e infraestruturas do Hezbollah no Sul do Líbano. As IDF (Forças de Defesa de Israel) indicaram assim ter efetuado nada menos que 200 ataques em vinte e quatro horas. O Estado hebraico comprometeu-se, contudo, a pedido dos americanos, a não lançar ataques contra o Hezbollah em Beirute até à próxima terça-feira, data da primeira sessão de negociações diretas entre o Líbano e Israel. A decisão de iniciar estas conversações bilaterais frente a frente entre delegados libaneses e israelitas suscita a ira do campo iraniano. O conselheiro do Guia Supremo da República Islâmica estigmatizou assim a atitude do Primeiro-Ministro Nawaf Salam neste plano, chegando mesmo a proferir ameaças pouco veladas, alertando para «distúrbios de segurança» (no Líbano…) se o governo avançasse na sua decisão de encetar negociações diretas com Israel. Um alto responsável do Hezbollah corroborou o mesmo, prevendo «um tsunami popular que derrubará o governo para protestar contra o projeto de conversações com Israel». Salam adia a sua visita a Washington Na tarde de sábado, rumores persistentes davam conta da vontade do Hezbollah de organizar uma manifestação em Beirute e de tomar de assalto o Grande Serail para derrubar o governo e torpedear as negociações com o Estado hebraico. O comando do exército deveria, contudo, publicar, no início da tarde de sábado, um comunicado com um tom particularmente firme, afirmando que o exército interviria com força para impedir qualquer atentado à segurança e à paz civil e para fazer face a qualquer agressão contra edifícios públicos e privados. Juntando a ação à palavra, o exército destacou importantes unidades regulares nos bairros da capital, estabelecendo barreiras de controlo de identidade e efetuando patrulhas motorizadas. Perante este imponente destacamento de tropas, o Hezbollah recuou e publicou, ao fim da tarde, em conjunto com o movimento Amal, um comunicado apelando aos seus apoiantes para se absterem de organizar manifestações na capital. Resta que a viva tensão que reinava neste plano durante o dia levou o Primeiro-Ministro a adiar a visita que deveria efetuar no início da próxima semana a Washington para examinar com os líderes americanos o rumo dos acontecimentos na cena libanesa.

A manobra surpresa de Netanyahu: aberto a negociações diretas com Beirute
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LevantTime .
Publicado
abr 9, 2026 - 22:44

Em uma decisão surpresa no fim da quinta-feira, 9 de abril, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou, após uma reunião do gabinete de segurança do país, que instruiu seu governo a iniciar negociações diretas com o Líbano sem demora. Ele também aproveitou a ocasião para acolher publicamente uma decisão de seu homólogo libanês, o primeiro-ministro Nawaf Salam, cujo gabinete, reunido na quinta-feira no Palácio de Baabda, aprovou uma resolução que determina ao Exército libanês e às forças de segurança proibir qualquer presença armada ilegal no governo de Beirute. A medida busca, na prática, impor o princípio do monopólio estatal das armas. Essa decisão inesperada de Netanyahu ocorre na esteira de vários desdobramentos significativos nas últimas vinte e quatro horas. Ela foi anunciada um dia após uma ligação telefônica, na noite de quarta-feira, entre o presidente Donald Trump e o primeiro-ministro israelense. Informações provenientes de Tel Aviv na tarde de quinta-feira indicavam que a Casa Branca havia instado Netanyahu a “reduzir em certa medida” a intensidade e o alcance dos ataques no Líbano. É bastante provável, no entanto, que a perspectiva de negociações diretas com o Líbano tenha sido um elemento central da conversa. Outro desenvolvimento relevante em 9 de abril ocorreu nas declarações feitas na abertura de uma reunião de gabinete pelo presidente Joseph Aoun, que enfatizou que “apenas o Líbano pode negociar em nome do Líbano, e é inconcebível que qualquer terceiro tente fazê-lo”. O Ministério das Relações Exteriores libanês já havia adotado posição semelhante dias antes, gerando fortes críticas de círculos próximos ao Hezbollah. De todo modo, durante a reunião de gabinete de quinta-feira, o primeiro-ministro buscou aprovação para uma decisão que encarrega o Exército e as forças de segurança de aplicar concretamente, no governo de Beirute, o princípio do monopólio exclusivo do Estado sobre as armas. Ministros do dueto xiita Hezbollah-Amal se opuseram firmemente ao pedido de Salam, e trocas acaloradas foram registradas entre os dois lados. Ainda assim, a posição do primeiro-ministro prevaleceu, com o apoio de ministros das Forças Libanesas, do Partido Kataeb e de outras figuras alinhadas à soberania. Ao final da sessão, Salam anunciou pessoalmente e solenemente a decisão de desmilitarizar o governo de Beirute, especificando que a resolução está em conformidade com as disposições do Acordo de Taif e com decisões anteriores já adotadas por seu governo nesse sentido. Vale lembrar, nesse contexto, que o presidente Joseph Aoun tem defendido reiteradamente, nas últimas semanas, negociações diretas com Israel, para desagrado do Hezbollah e do Movimento Amal. A iniciativa do chefe de Estado libanês havia sido anteriormente rejeitada pelo primeiro-ministro israelense. No entanto, os desdobramentos do conflito envolvendo o Irã, e provavelmente os intensos bombardeios de quarta-feira contra dirigentes e posições do Hezbollah no coração de Beirute, bem como em Saida, no Vale do Bekaa e em Hermel — cerca de cem ataques em dez minutos — parecem ter tido o efeito indireto de levar Netanyahu a dar sinal verde para conversas diretas com o Líbano. No Departamento de Estado, com Washington como garantidor Na prática, informações disponíveis na noite de quinta-feira indicavam que negociações diretas entre israelenses e libaneses devem ocorrer nos próximos dias — possivelmente já na próxima semana — no Departamento de Estado, com Washington atuando como garantidor do bom andamento das conversas. A delegação israelense será liderada pelo embaixador de Israel em Washington. Quanto à delegação libanesa, algumas fontes indicaram na noite de quinta-feira que ela seria chefiada pelo ex-embaixador Simon Karam, enquanto outras apontaram que a embaixadora em Washington, Nada Hamadé Moawad, lideraria a equipe negociadora. Quanto à agenda das negociações, Netanyahu indicou que ela se concentrará no “desarmamento do Hezbollah e na paz entre o Líbano e Israel”. Por ora, Beirute exige que ao menos um cessar-fogo provisório sirva como prelúdio dessas negociações — algo que os israelenses não parecem dispostos a aceitar. A grande incógnita, diante dessa decisão inesperada, é a reação do campo iraniano — em especial da Guarda Revolucionária Islâmica e de seu braço armado no Líbano. Cabe destacar que, antes do anúncio das futuras negociações diretas com Israel, a força aérea israelense continuou seus ataques na quinta-feira contra várias localidades no sul do Líbano, tendo como principal objetivo aparente o controle da cidade estrategicamente importante de Bint Jbeil.

O Líbano sob um dilúvio de ferro e sangue apesar da trégua
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LevantTime .
Publicado
abr 8, 2026 - 22:40

É um dilúvio de ferro, fogo e sangue, sem precedentes nos últimos anos (com exceção da explosão de 4 de agosto no porto de Beirute), que caiu na quarta-feira sobre Beirute, seus subúrbios ao sul e inúmeras cidades e localidades libanesas. Mais de 180 pessoas foram mortas e cerca de 800 ficaram feridas, segundo um balanço preliminar do Ministério da Saúde do Líbano, em uma série de ataques israelenses simultâneos, que atingiram cerca de uma centena de alvos em todo o país em apenas 10 minutos, enquanto, no plano regional, uma trégua de duas semanas havia sido anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, junto com o início de negociações entre Washington e Teerã sobre um acordo global voltado para uma cessação duradoura das hostilidades. Israel atacou sem aviso prévio Beirute e cerca de cinquenta localidades, do sul até Hermel, passando por Aley, Chouf e o Vale do Bekaa, poucas horas após o aviso habitual do porta-voz arabófono de seu exército, Avichaï Adraee, aos moradores dos subúrbios ao sul e das aldeias ao sul do Zahrani, ordenando que evacuassem a área. “Alvos do Hezb continuam na linha de mira israelense”, havia ameaçado pela manhã. No início da tarde, o exército israelense atacou “em um intervalo de dez minutos e de forma simultânea” cerca de cem alvos do Hezbollah em todo o Líbano, afirmou seu porta-voz, acrescentando que se tratava do “maior ataque coordenado” contra esse grupo desde o início da guerra contra o Irã. Segundo ele, “cerca de cem postos de comando e infraestruturas militares” do Hezb foram atingidos, enquanto numerosos civis foram mortos ou feridos durante essa ofensiva cega de dez minutos, batizada por Tel Aviv de “Trevas Eternas”, um nome sombrio que levanta temores sobre o início de uma nova operação militar contra o Hezb, acusado por Israel de “se esconder entre civis ao norte do Litani”. Tel Aviv havia especificado que o cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos, ao qual aderiu, “não se aplicava” ao Líbano e que continuaria suas operações militares contra esse grupo, em um cenário que, à luz dos ataques de quarta-feira, se assemelha a uma guerra indiscriminada. Essa ofensiva foi condenada pelo presidente Joseph Aoun, que denunciou com veemência “um ato de barbárie”, enquanto o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, celebrava “a maior operação contra o Hezbollah desde a dos pagers”. No entanto, ao contrário do ataque com pagers, os bombardeios de quarta-feira atingiram tanto membros ou simpatizantes do Hezb quanto libaneses sem qualquer ligação com o grupo pró-iraniano, que morreram por estarem no lugar errado, na hora errada. No início da noite, um novo ataque israelense atingiu o bairro de Tallet el-Khayat, na parte oeste de Beirute, onde, segundo o exército israelense, um alto responsável do Hezb foi alvo. A violência e a amplitude dos ataques israelenses de quarta-feira ilustram até que ponto as negociações entre Washington e Teerã permanecem sob a ameaça constante de uma retomada das hostilidades. Revelam, sobretudo, uma disposição israelense de escalada no Líbano, justificada em Tel Aviv pela incapacidade do Estado libanês de desarmar o Hezb. Vários responsáveis israelenses haviam indicado, em diferentes momentos, que as operações militares contra esse grupo poderiam se estender até o norte do Litani, com o objetivo de eliminar de vez a ameaça que ele representa para os habitantes do norte de Israel, além de criticar o governo libanês por sua incapacidade de desarmá-lo. Críticas nesse sentido foram dirigidas na quarta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel às autoridades libanesas. Os próximos dias deverão, no entanto, confirmar ou desmentir essa tendência de escalada. Ameaças iranianas Teerã reagiu aos ataques de quarta-feira ameaçando se retirar do acordo de cessar-fogo e responder às ações israelenses persistentes contra o Hezb. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, discutiu o tema com o comandante das forças armadas do Paquistão em uma conversa telefônica, enquanto Donald Trump afirmava ao canal PBS que a questão do Líbano e do Hezbollah seria “tratada”, ao contrário do que deseja o Irã, fora do marco das negociações previstas para as próximas duas semanas. O presidente americano declarou que isso se deve ao Hezbollah, que classificou como uma “organização terrorista libanesa”. Ele assegurou que “isso também será resolvido” e que os combates em curso entre Israel e o Hezbollah constituem “escaramuças distintas” da guerra conduzida pelos Estados Unidos contra o Irã. Declarações que reforçam informações divulgadas por meios de comunicação americanos, segundo as quais Washington deu a Tel Aviv sinal verde para continuar suas operações no Líbano. Além disso, Trump revelou que o documento mencionado por Teerã difere daquele que será efetivamente discutido em Islamabad. Desde o anúncio da trégua com os Estados Unidos, a República Islâmica suspendeu seus ataques contra Israel e teria pedido a seus aliados que fizessem o mesmo. De fato, desde então, nenhum foguete foi lançado pelo Hezb contra o norte de Israel ou contra posições israelenses em território libanês. O grupo sequer reagiu aos ataques do dia, ilustrando, mais uma vez, seu alinhamento com as decisões de Teerã. O Irã, no entanto, continuou seus disparos de mísseis contra países do Golfo, especialmente Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Os Emirados anunciaram ter sido alvo de 17 mísseis e 35 drones iranianos, todos “neutralizados com sucesso pelas defesas aéreas”. Abertura das negociações As negociações entre Teerã e Washington devem começar no sábado em Islamabad. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, liderará a delegação americana, sob a mediação do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif. Ele será acompanhado pelos enviados Steve Witkoff e Jared Kushner. Teerã ainda deve anunciar a composição de sua delegação. As duas partes dispõem, portanto, de um prazo de duas semanas, fixado pelo presidente Trump, para alcançar um acordo definitivo sobre os pontos centrais já abordados em um entendimento preliminar. Isso significa que a diplomacia prevaleceu? A resposta, de imediato, é não. As divergências entre Teerã e Washington permanecem profundas, e os interesses ligados a essa guerra, que durou pouco mais de cinco semanas, são tão elevados que soluções intermediárias parecem difíceis, senão improváveis. Em termos simples, o Irã dos aiatolás joga sua sobrevivência, enquanto os Estados Unidos colocam em jogo sua credibilidade. Sob essa perspectiva, o acordo anunciado na terça-feira oferece, antes de tudo, um respiro para ambos os lados. A trégua se assemelha menos a um avanço diplomático e mais a uma pausa imposta por vários fatores. Entre eles, o desgaste dos atores, especialmente do Irã, praticamente devastado por Israel e pelos Estados Unidos; a pressão interna e internacional sobre Donald Trump, visível em protestos significativos contra a guerra no Irã e, no plano global, na queda das bolsas e na alta dos preços do petróleo. De fato, os efeitos do anúncio de Trump foram quase imediatos: os preços do petróleo caíram, impulsionando uma recuperação dos mercados financeiros. Outro sinal de distensão foi o anúncio do Iraque sobre a reabertura de seu espaço aéreo, fechado desde o início do conflito. Os Estados Unidos, no entanto, continuam inflexíveis em suas condições para um acordo duradouro. Conseguiram um compromisso iraniano de reabrir o estreito de Ormuz, mas seguem exigindo concessões significativas sobre o programa nuclear e as atividades regionais do Irã. Donald Trump, que celebrou uma “vitória total”, afirmou que a questão nuclear iraniana poderia ser “resolvida” nas próximas duas semanas. Teerã, que exige o levantamento completo das sanções e garantias internacionais vinculantes, parece tentar ganhar margem de manobra. A agência Associated Press relata uma diferença entre as versões persa e inglesa do documento com as condições iranianas para as negociações. A versão em inglês aparentemente não menciona a manutenção do programa nuclear, que aparece na versão persa, algo que o presidente americano indicou de forma indireta à PBS. Seja como for, as próximas duas semanas dirão se esse acordo preliminar pode se tornar duradouro ou se será apenas um intervalo nesta guerra.

Guerra no Irã: corrida contra o tempo entre negociações e escalada
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LevantTime .
Publicado
abr 7, 2026 - 21:27

O prazo dado pelo presidente americano Donald Trump aos Guardiões da Revolução iraniana para restabelecer a livre circulação marítima no estreito de Ormuz termina hoje, terça-feira, às 20h, horário de Washington (durante a madrugada no Oriente Médio). Caso contrário, o presidente Trump poderá dar sinal verde para um ataque de grande envergadura contra o Irã. No fim da tarde de terça-feira (horário de Beirute), um forte suspense dominava todas as capitais da região quanto ao rumo que os acontecimentos poderiam tomar. Um acordo poderia ser fechado nos últimos momentos, sobretudo porque ao longo de todo este dia, terça-feira, 7 de abril, a Casa Branca manteve aberta a possibilidade de retomar as negociações, mas não estava claro se os iranianos haviam flexibilizado sua posição. Por volta do meio-dia (horário do Levante), o presidente americano utilizou termos ainda mais duros, afirmando que o que poderia ocorrer em caso de escalada “poderia aniquilar toda uma civilização”. Segundo a CNN, os negociadores iranianos rejeitaram a proposta de um simples cessar-fogo, apresentando uma contraproposta aos americanos com vistas a uma paz duradoura, que Trump considerou como “um passo adiante, mas não suficiente”. Ao mesmo tempo, o embaixador do Irã em Islamabad declarou que as negociações chegaram a um ponto “crítico e delicado”. Paralelamente às ameaças de Donald Trump, os Guardiões da Revolução mantêm o tom elevado, considerando que suas declarações são “infundadas” e assegurando que continuarão o combate. Nesse contexto, o regime convocou, tarde da noite de segunda-feira, os jovens do país a formar “correntes humanas” ao redor das centrais energéticas ameaçadas, aparentemente sem hesitar em expor adolescentes e jovens à morte para acusar seu inimigo de crimes contra a humanidade. Além disso, o embaixador do Irã no Kuwait pediu aos países do Golfo que façam todo o possível para evitar uma “tragédia na região”. As operações militares No terreno, os bombardeios não diminuíram de intensidade durante a noite de segunda-feira e ao longo da terça-feira. Teerã e várias outras cidades foram alvo de mísseis americanos e israelenses. Nas últimas horas, a ilha estratégica de Kharj, de onde é exportado o petróleo iraniano, foi atingida por ataques. Outro alvo chamou bastante atenção: uma sinagoga em Teerã que teria sido “completamente destruída” por um bombardeio, segundo meios de comunicação iranianos citados pela AFP. Novas pontes também foram atingidas, e a aviação israelense começa a executar suas ameaças contra ferrovias em algumas regiões. Os mísseis iranianos continuam, por sua vez, a atingir países do Golfo e Israel (no caso de Israel, ao mesmo tempo que foguetes do Hezbollah). Uma usina petroquímica foi atingida na Arábia Saudita, provavelmente em resposta aos ataques contra a indústria petroquímica no Irã realizados pela aviação israelense. Outra consequência da guerra: a ponte que liga a Arábia Saudita ao Bahrein foi fechada por precaução pelas autoridades sauditas. Para o Bahrein, trata-se da única via de saída possível, já que o aeroporto desse pequeno Estado do Golfo está fechado desde o início da guerra, no fim de fevereiro. Na terça-feira, o líder supremo Mojtaba Khamenei voltou a ser notícia: relatórios de serviços de inteligência europeus, repercutidos pela imprensa internacional, indicam que ele estaria em estado comatoso, inconsciente e incapaz de tomar decisões, sendo tratado por ferimentos graves na cidade iraniana de Qom. Isso reforça novamente o controle total do Corpo dos Guardiões da Revolução sobre o país. Outro desdobramento grave nesta terça-feira: um tiroteio diante do consulado israelense em Istambul, na Turquia. Nenhum diplomata israelense se encontra atualmente em território turco, segundo uma fonte próxima ao caso citada pela AFP. O ataque terrorista deixou dois policiais turcos levemente feridos. Até o início da tarde, nenhuma informação sobre a identidade ou nacionalidade dos agressores havia sido divulgada. No entanto, essas informações podem surgir em breve, já que, segundo a CNN, um dos atacantes foi morto e os outros dois ficaram feridos, estando, portanto, sob custódia das autoridades turcas. Esse incidente levanta sérias questões, sobretudo se for estabelecida uma ligação com a guerra no Irã: estaríamos diante de um período de atentados à medida que o conflito se prolonga e entra em impasse? Funerais comoventes em Yahchouch No Líbano, embora os combates continuem na linha de frente, é o ataque israelense contra a região cristã de Aïn Saadé, a leste de Beirute, visando um membro do Hezbollah que escapou da morte, que segue dominando o noticiário. Esse ataque, que deixou três mortos entre os moradores do edifício, incluindo um dirigente das Forças Libanesas, Pierre Moawad, sua esposa e uma vizinha, levanta a séria questão da proteção dos civis libaneses em regiões consideradas “seguras” diante da infiltração de combatentes perseguidos pelo exército israelense. A verdade sobre a eventual presença de um combatente no prédio ainda não era conhecida em todos os detalhes até terça-feira. De todo modo, funerais comoventes ocorreram no vilarejo de origem de Pierre Moawad. Os dois caixões foram carregados nos ombros ao som de disparos de armas automáticas. Na multidão, muita revolta é expressa por familiares das vítimas, que se perguntam por que elas pagaram o preço de uma guerra desencadeada exclusivamente pelo Hezbollah, exigindo que toda a verdade venha à tona e que se faça justiça. A terceira vítima foi enterrada a leste de Beirute. Outra questão que preocupa os libaneses nestes dias é a do posto de fronteira de Masnaa, o principal que liga Beirute a Damasco, localizado no Vale do Bekaa. Esse posto foi ameaçado por Israel no último sábado, mas não chegou a ser atingido. No entanto, permanece fechado. Na terça-feira, o ministro libanês do Interior, Ahmad al-Hajjar, declarou que esforços diplomáticos estão em andamento para obter sua reabertura. Segundo algumas informações, as autoridades libanesas e sírias conseguiram, por meio de contatos intensos, evitar ou adiar um possível ataque, mas ainda não obtiveram sua reabertura. Por fim, os vilarejos cristãos fronteiriços que ainda resistem na linha de frente ao sul estão mais isolados do que nunca. Um comboio liderado pelo núncio apostólico Paolo Borgia não conseguiu chegar ao vilarejo cercado de Debl nesta terça-feira e teve de retornar devido a uma intervenção inesperada de milicianos do Hezbollah...