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O Essencial do Dia

A trégua de Trump garante cobertura à opção de paz

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Por LevantTime .
Publicado abr 16, 2026 - 22:59

Um novo passo, e dos mais relevantes, foi dado na quarta-feira, 16 de abril, no caminho para o restabelecimento da autonomia de decisão libanesa, longe de qualquer diktat regional. Um cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Líbano, incluindo o Hezbollah, entrou em vigor na madrugada de quinta para sexta-feira, à meia-noite, após duas conversas telefônicas que o presidente Donald Trump manteve, no fim da tarde, com o presidente Joseph Aoun e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Foi o próprio chefe da Casa Branca quem anunciou o cessar-fogo no início da noite, durante uma conversa informal com correspondentes de imprensa.

O anúncio desse cessar-fogo sob a égide da administração Trump tem dupla importância estratégica: por um lado, consolida, no mais alto nível, a dissociação entre as vertentes libanesa e iraniana do conflito em curso, já que Teerã tentou insistentemente nos últimos dias colocar sob sua tutela qualquer acordo de cessar-fogo entre o Líbano e Israel, com o objetivo de controlar a carta libanesa; por outro, legitima e reforça em grande medida a decisão do Executivo de se engajar em negociações diretas com Israel, com a perspectiva de um acordo de paz entre os dois países.

O presidente Trump indicou, após o anúncio do cessar-fogo, que encarregou o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o chefe do Estado-Maior Dan Razin Caine de trabalhar para alcançar uma paz duradoura entre Líbano e Israel. O presidente dos Estados Unidos também destacou sua intenção de convidar o presidente Aoun e o senhor Netanyahu para uma reunião na Casa Branca dentro de duas semanas.

Esse forte envolvimento americano no processo de resolução das pendências entre Líbano e Israel é vital para o governo libanês. O primeiro-ministro israelense declarou na noite de quarta-feira que o Exército de Israel manterá sua presença no sul do Líbano, até o rio Litani, a fim de consolidar a zona de amortecimento que se estenderá por uma profundidade de dez quilômetros a partir da fronteira internacional. O Líbano, portanto, precisará do apoio dos Estados Unidos para negociar, nas melhores condições possíveis, uma retirada israelense e a conclusão de um acordo de paz, tendo como pré-condição e etapa obrigatória o desmantelamento do aparato miliciano do Hezbollah, que, aliás, foi declarado ilegal pelo Conselho de Ministros.

Os deputados de Beirute…

Cabe destacar, nesse contexto, que o governo recebeu na quarta-feira um importante apoio político parlamentar. Os deputados de Beirute, de todas as confissões e correntes políticas, realizaram na quarta-feira, no hotel Phoenicia, um congresso com o tema: “Por uma Beirute segura, uma Beirute livre de qualquer presença de armas ilegais”.

Vários deputados, representando os principais partidos presentes no Parlamento, discursaram na ocasião para apoiar, sem ambiguidades, as decisões do governo quanto à ilegalidade da milícia do Hezbollah, à ilegalidade da presença dos Guardiões da Revolução iranianos, os Pasdaran, no país, e à necessidade de concentrar as armas nas mãos das forças legais. Em poucas palavras, esse congresso dos deputados de Beirute garante, sem rodeios, ao governo Salam uma legitimidade popular e uma cobertura política fundamental para a política soberanista adotada pela presidência e pelo governo, para desagrado do Hezbollah e do regime dos aiatolás, que não perdem oportunidade de criticar a política de paz conduzida pelo poder.

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