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O Essencial do Dia

Negociações de Washington: um avanço apesar das dificuldades
Por
Taline Becharraoui
Publicado
mai 14, 2026 - 23:35

O dia 14 de maio de 2026 marcou o início da terceira rodada de negociações diretas entre as delegações israelense e libanesa em Washington, na sede do Departamento de Estado. Ao contrário do previsto, não foi o ex-ministro israelense Ron Dermer, próximo ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, quem presidiu a delegação israelense nesta sessão, mas o embaixador de Israel em Washington, Yechiel Leiter, como nas reuniões anteriores. Por sua vez, a delegação libanesa foi presidida desta vez pelo ex-embaixador em Washington Simon Karam, um negociador experiente que já havia sido designado pelo presidente da República Joseph Aoun para integrar o comitê de supervisão do cessar-fogo no Sul do Líbano (antes do presente conflito). De acordo com informações do correspondente da MTV presente no local, a atmosfera no início dessas negociações, que devem durar até sexta-feira, não é de otimismo. Com efeito, a parte israelense continua insistindo no desarmamento do Hezbollah antes de qualquer outro avanço, ameaçando estender a guerra em caso de fracasso nas negociações. A delegação libanesa vê-se obrigada, ainda segundo o correspondente, a manter contato contínuo com o Líbano, o que reflete divergências internas sobre a posição a adotar. No entanto, não se pode negar o progresso que representa a realização dessas reuniões em si. Em Beirute, acompanhava-se, evidentemente, com muito atenção essas negociações. Por volta das 17h (hora de Beirute), quando as conversações mal tinham começado, o presidente Aoun recebia, no palácio de Baabda, o primeiro-ministro Nawaf Salam, para discutir as negociações em curso. Decidiram «manter contato contínuo» para os próximos passos, segundo o comunicado oficial. Joe Raggi esclarece a situação Som oficial diferente é o do ministro libanês das Relações Exteriores, Joe Raggi, que esclarece a situação em meio à confusão geral, precisando que para Beirute não se trata de chegar a um acordo de paz nesta etapa, mas de pôr fim à guerra. Do lado do Hezbollah, não há mudança nas posições. As declarações hostis às negociações diretas prosseguiram, como nos dias anteriores. Vale ressaltar, neste contexto, essa brincadeira do deputado Hussein Hajj Hassan: «A Resistência está em perfeita forma, e ninguém conseguirá tornar realidade os desejos americanos e israelenses.» Mas o que deve ser retido especialmente deste dia são as declarações do presidente do Parlamento Nabih Berri, que também é líder do movimento Amal (aliado xiita do Hezbollah). Em entrevista a um jornal local, estimou que «tudo desabará» se não houver um verdadeiro cessar-fogo. Ele até estabeleceu as seguintes condições: retirada total dos territórios ocupados; reconstrução; implantação do exército libanês e retorno dos habitantes do Sul para suas casas. Uma forma de voltar ao centro das atenções quando, poucos dias atrás, um responsável do Hezbollah, Mahmoud Comati, acusava o presidente Aoun de não levar em consideração o presidente do Parlamento em sua decisão de iniciar negociações… A isso respondeu o líder das Forças Libanesas Samir Geagea em entrevista à MTV: Berri pode dar sua opinião sobre os resultados das negociações, mas não pode gerenciá-las; o dossiê está nas mãos do presidente da República. Enquanto isso, o Sul continua em chamas. Na quinta-feira, os avisos de evacuação israelenses chegaram até aldeias no Vale do Bekaa, como Sohmor, demonstrando mais uma vez que a expansão dos combates está em andamento. Os ataques aéreos, bombardeios de drones e assassinatos direcionados continuam num ritmo acelerado. Assim como os ataques do Hezbollah que também prosseguem. A visita de Trump à China O outro acontecimento do dia é mundial e poderia ter consequências em múltiplas frentes. O presidente americano Donald Trump é recebido com grande pompa na China por seu homólogo Xi Jinping. Com sua exuberância habitual, Trump chamou Xi de «amigo» e prometeu um «futuro fabuloso» para as relações entre os dois gigantes. Xi julgou a visita «histórica». Mas além dessas declarações espetaculares e da recepção impressionante com muitas bandeiras chinesas e americanas, discussões difíceis marcam esses dois dias de visita oficial. Os americanos chegaram bem preparados, com uma delegação impressionante acompanhando o presidente e reunindo, além dos principais responsáveis da Administração Trump, cerca de quinze dos maiores empresários dos EUA. Os tópicos polêmicos e os dossiês envolvendo questões internacionais não são raros: Taiwan (sobre este ponto, a declaração de Xi Jinping foi particularmente firme); a guerra comercial; a guerra na Ucrânia… Mas o tema que mais interessa ao Oriente Médio é inegavelmente a guerra no Irã, que foi amplamente discutida entre as duas delegações, como sugerem as declarações que se seguiram. À noite (horário do Levante), o presidente Trump declarou à Fox News que «o presidente chinês ofereceu sua ajuda a respeito do Estreito de Ormuz» e «se comprometeu a não enviar equipamentos militares ao Irã». Até agora, estava claro que Teerã recebia armas desse aliado a quem vendia petróleo a preço preferencial. Nas entrelinhas dessas declarações, qual poderia ser o «acordo» que teria sido fechado nos bastidores? Não há dúvida de que essa cúpula deve ter repercussões importantes sobre o conflito no Oriente Médio, o que os próximos dias devem esclarecer. O site americano Axios publicou informações segundo as quais as opções do presidente Trump, ao retornar da China, seriam retomar o «projeto de liberdade» que consistia em acompanhar navios que desejam passar pelo estreito sob escolta da marinha americana. Outra opção que estaria sendo considerada: novos ataques às infraestruturas iranianas. Nesse contexto, uma informação que poderia dar uma pista sobre as mudanças vindouras: uma perspectiva de abastecimento da China com petróleo pelos Estados Unidos para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz e, consequentemente, a dependência do Irã. O outro desenvolvimento notável deste 14 de maio é a reunião dos ministros das Relações Exteriores dos países do BRICS em Nova Délhi, na Índia, à qual compareceram, entre outros, os ministros iraniano, Abbas Araghchi, e emiradense, xeque Abdallah ben Zayed Al Nahyane. Durante essa reunião, Araghchi atacou violentamente seu colega emiradense (como ele mesmo anunciou em sua conta no Telegram), acusando os Emirados Árabes Unidos de ter participado dos ataques israelense-americanos contra o Irã, e pedindo-lhe que revise sua política em relação a Teerã após constatar que a aliança com Israel não lhe trouxe bem algum. Ironicamente, foi o Irã que vem realizando ataques diários contra os Emirados Árabes Unidos e outros países do Golfo desde o início desta guerra. Os EAU estão pagando o preço por sua saída da OPEP desde o início de maio e por seu reaproximamento com o eixo americano-israelense?

Ação inédita do Líbano contra o Irã na ONU
Por
LevantTime .
Publicado
mai 14, 2026 - 00:13

Uma iniciativa libanesa inédita praticamente roubou a cena, em nível local, na quarta-feira, dos dois principais encontros que são a retomada das negociações líbano-israelenses em Washington e a cúpula Trump-Xi em Pequim. Na véspera desses dois prazos cruciais pelo seu impacto na guerra na região, Beirute enviou à ONU um memorando no qual questiona fatos apresentados por Teerã para protestar junto ao Conselho de Segurança das Nações Unidas contra o ataque israelense que matou quatro de seus diplomatas no hotel Ramada, localizado em Raouché, em março passado. Neste memorando, a diplomacia libanesa critica a República Islâmica, acusando-a de violação da Convenção de Genebra sobre relações diplomáticas e interferência nos assuntos internos libaneses, segundo a Independent Arabia, que divulgou a informação. O Líbano também acusa Teerã de o ter envolvido, via seu braço militar, o Hezbollah, em uma guerra destrutiva que não o diz respeito. Esta ação do ministério libanês das Relações Exteriores, destinada a recolocar os fatos em seu contexto exato, segue na sequência das decisões do governo que havia proibido as atividades paramilitares do Hezbollah e julgado persona non grata o embaixador acreditado por Teerã em Beirute, Mohammad Reza Chibani. Sua importância, na véspera da terceira rodada das negociações líbano-israelenses em Washington, reside na mensagem dupla que envia: por um lado, a determinação do Estado libanês de prosseguir no processo que supostamente o permitirá, a longo prazo, restaurar sua soberania sobre todo o território. Por outro lado, um reconhecimento oficial libanês, ainda que implícito, da subordinação do Hezbollah ao regime dos aiatolás. No texto, o Líbano afirma «seu direito de responsabilizar internacionalmente o Irã e de o fazer arcar com as consequências de suas violações repetidas de suas obrigações internacionais», segundo a Independent Arabia que disse ter tomado conhecimento de seu teor. A mídia, no entanto, informou sobre uma reclamação apresentada pelo Líbano à ONU. Em um comunicado divulgado à noite, o ministério das Relações Exteriores esclareceu que se tratava, na verdade, de uma resposta a cartas iranianas endereçadas ao Conselho de Segurança. Se Beirute optou por reagir, foi por causa de informações incorretas que Teerã havia apresentado em seu nome. O embaixador do Irã perante a ONU havia acionado o Conselho de Segurança após o ataque, acusando Israel de uma «grave violação do direito internacional», ao visar «quatro diplomatas iranianos que exerciam as funções de representantes oficiais de um Estado membro soberano no território de outro Estado soberano». O Líbano explicou, por sua vez, que os pseudo-diplomatas mortos eram na verdade membros do Corpo de Guardiões da Revolução do Irã. Baseou suas afirmações em fotos deles em uniforme militar, com suas patentes bem em evidência. Se Beirute forneceu essas informações à ONU, foi porque na sua carta, o Irã havia dito ter «informado as autoridades libanesas sobre o deslocamento dos quatro diplomatas para o hotel Ramada antes de seu assassinato». O Líbano, no entanto, afirmou que não houve coordenação, baseando-se em uma nota oficial de 16 de março, na qual a embaixada do Irã reconheceu que «não lhe foi possível informar o ministério das Relações Exteriores sobre a presença dos quatro diplomatas no hotel Ramada». Mais ainda, esse departamento lembrou ter solicitado duas vezes uma lista atualizada de diplomatas iranianos presentes no Líbano, sem receber resposta. Beirute também detalhou no documento as intervenções prejudiciais da Guarda Revolucionária no país e lembrou, para ilustrar uma violação flagrante da Convenção de Genebra, o lançamento do primeiro ataque coordenado com o Hezbollah, desde o início da guerra em fevereiro. Foi em 11 de março, uma semana depois da decisão do governo de proibir as atividades paramilitares do Hezbollah. Naquele dia, os Guardiões da Revolução anunciaram os ataques coordenados nos quais cerca de cinquenta locais em Israel foram alvo. Uma alavanca política Longe de ter um impacto direto no diálogo líbano-israelense de quinta-feira, a iniciativa libanesa é, no entanto, de natureza a servir como alavanca política para um Líbano ansioso em provar que quer retomar o controle da decisão de guerra e paz, até então hipotecada pelo Hezbollah. Um sinal tanto mais capital quanto Israel permanece focado na segurança de suas localidades na fronteira norte com o Líbano. Por enquanto, a preocupação libanesa continua sendo o fim das hostilidades que já causaram pelo menos 2.882 mortes, incluindo 200 crianças. É em torno desse objetivo - até agora rejeitado por Israel - que se abrirão quinta-feira as negociações de dois dias entre as duas delegações libanesa e israelense, lideradas respectivamente pelo antigo embaixador Simon Karam e Yechiel Leiter, chefe da missão diplomática israelense em Washington, e compostas, entre outros, por militares. As discussões prometem ser difíceis devido a divergências nos níveis de prioridades. O Líbano quer principalmente um respeito rigoroso do cessar-fogo de 17 de abril e um fim das destruições israelenses nas aldeias fronteiriças para permitir o retorno dos deslocados do Sul. Israel, por sua vez, exige um plano claro de desarmamento do Hezbollah, uma condição que já havia estabelecido em novembro de 2024, no acordo de cessar-fogo que havia encerrado a guerra também iniciada por esse grupo pró-iraniano, em apoio ao Hamas em Gaza. Tel Aviv já havia feito saber que não se retirará da zona tampão que continua expandindo no sul, enquanto o Hezbollah for considerado uma ameaça. Como para reafirmar sua determinação em neutralizar esse grupo, o exército israelense intensificou seus ataques na quarta-feira contra objetivos do Hezbollah, no Sul do Líbano. Ele também visou quatro carros no litoral de Chouf e no Sul do Líbano. Nove pessoas ao todo foram mortas, incluindo duas crianças. Chamados para a evacuação de aldeias também foram lançados. Os habitantes de nove localidades na linha de fogo israelense foram assim ordenados a deixá-las «em direção a espaços abertos». A cúpula de Pequim No nível regional, a atenção está focada nas conversas que o presidente americano Donald Trump terá com seu homólogo chinês Xi Jinping, durante sua visita de dois dias a Pequim, onde chegou na quarta-feira. Uma cúpula com grandes questões globais em jogo, do comércio internacional à guerra no Irã, passando por Taiwan. O presidente americano deve particularmente solicitar a ajuda da China em seu confronto diplomático com o Irã. Especialmente porque isso corre o risco de resultar em uma retomada das operações militares caso Teerã se mantenha em suas posições, «inaceitáveis» para Washington. No cerne das negociações, o destino do Estreito de Ormuz que Teerã continua determinada a querer controlar «porque os rendimentos dos direitos de pedágio são superiores aos provenientes da venda de petróleo», insistiu Teerã na quarta-feira. Uma opção praticamente inaceitável em escala internacional, devido ao seu impacto geopolítico estratégico e comercial. Outro dossier importante na agenda das discussões em Pequim: a cooperação econômica à qual Donald Trump atribui particular importância, como aliás mostra a composição da delegação que o acompanha, composta por cerca de quinze principais chefes de empresas.

A incursão ao norte do Litani, uma «mensagem» na véspera das negociações em Washington

Enquanto se aguarda o esclarecimento das verdadeiras intenções do presidente Donald Trump sobre o rumo que tomará o braço de ferro com a República Islâmica, após a recusa americana à resposta iraniana às últimas propostas dos EUA de «paz» (mas que «paz» se discute?), a atenção dos meios políticos foi voltada nesta terça-feira, 12 de maio, para informações sobre uma incursão israelense – a primeira deste tipo no contexto atual – ao norte do Litan. Desde a desastrosa guerra deflagrada pelo Hezbollah em julho de 2006 – por considerações puramente iranianas – todas as soluções, iniciativas e medidas que estavam no centro das negociações internacionais e regionais focavam na pacificação da zona ao sul do Litan. A resolução 1701, assim como o cessar-fogo negociado em novembro de 2024 – após outra guerra suicida deflagrada pelo mesmo Hezbollah – abordava o fim de toda presença miliciana nesta zona meridional bem definida. Após a terceira guerra despropositada – e igualmente suicida – iniciada pelo partido pró-iraniano em 2 de março de 2026, para vingar a morte do Guia Supremo da República Islâmica, Ali Khamenei, Israel deixou clara sua posição desde o início, enfatizando sua determinação em estabelecer uma zona-tampão nesta mesma porção do território, particularmente ao sul do Litan. O anúncio com grande repercussão de uma incursão do exército israelense ao norte deste rio e do estabelecimento de uma posição fixa nesta região, nas proximidades da localidade de Zawtar-Leste, constitui, de certa forma, uma «ruptura» com todo o processo diplomático e de segurança internacional relativo ao Sul do Líbano, mantido desde agosto de 2006, data da votação da resolução 1701 pelo Conselho de Segurança. Tel-Aviv ainda relatou um confronto neste setor – que teria durado três dias – com milicianos do Hezbollah. A importância da divulgação deste desenvolvimento significativo reside no fato de que ele ocorre na véspera da terceira rodada de negociações diretas entre Líbano e Israel, que será realizada na próxima quinta-feira, 14 de maio, em Washington sob a égide da administração Trump, e com a presença do ex-embaixador Simon Karam (o que confere uma nova dimensão política a essas discussões bilaterais). A mensagem às autoridades libanesas parece clara: se nenhum progresso tangível for alcançado no desarmamento da milícia do Hezbollah, conforme estipulam a resolução 1701 e o acordo de cessar-fogo de novembro de 2024, o exército israelense não se contentará em limitar suas ações ao sul do Litan, como indicado inicialmente, mas não hesitará em ampliar suas operações atravessando o rio em direção ao norte. Esta possibilidade foi inclusive mencionada explicitamente pelos líderes políticos em Tel-Aviv. Algumas fontes chegam a relatar um possível avanço de Tsahal até o Zahrani, ao sul de Sidon... O Estado hebreu poderia justificar tal escalada em suas operações militares na região meridional do país usando como pretexto o recrudescimento dos ataques do partido pró-iraniano contra o norte de Israel. Já na noite de terça-feira, vários drones equipados com explosivos se abateram, provenientes do Sul do Líbano, em território israelense, próximo à fronteira, causando feridos entre os militares. A dimensão regional Enquanto a tensão aumenta na frente libanesa, a incerteza continua marcando a situação na frente iraniana. Este dossiê explosivo será amplamente discutido durante a visita que o presidente Donald Trump realizará em meados desta semana à China, que mantém laços próximos com a República Islâmica. O chefe da Casa Branca declarou terça-feira, neste sentido, que não tem intenção de agir com «precipitação» em relação ao Irã, enfatizando a importância do impacto do bloqueio naval imposto aos portos iranianos. Mas ao mesmo tempo, o presidente americano destacou que não é inocente das manobras de hesitação do regime iraniano. Uma pequena frase que ecoa as anteriores declarações do chefe da Casa Branca, que sublinhou repetidas vezes que é hora de colocar um fim às numerosas agressões mortais e desestabilizadoras perpetradas contra os países ocidentais e os Estados do Oriente Médio pela República Islâmica «que nos engana há 47 anos», como ressaltou, muito apropriadamente, o presidente americano no início da semana.

Salam a Damasco para "resolver questões pendentes"
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LevantTime .
Publicado
mai 9, 2026 - 20:17

O sábado no Líbano foi marcado pela visita do primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, a Damasco, onde foi recebido pelo presidente sírio, Ahmad al-Sharaa. Esta visita é particularmente significativa nas circunstâncias atuais por diversos motivos: em primeiro lugar, pelas questões pendentes entre os dois países, como a segurança das fronteiras, a resolução da questão dos prisioneiros sírios no Líbano, entre outras; em segundo lugar, pela ofensiva israelense no sul do Líbano, mesmo com as incursões israelenses no sul da Síria ocorrendo nos últimos meses; e, finalmente, pelo contexto do processo de negociações diretas entre o Líbano e Israel, iniciado pelas autoridades libanesas e patrocinado por Washington, no qual o Líbano se beneficiaria da expansão de seus contatos na região. Sem mencionar que a Síria desmantelou recentemente, em diversas ocasiões, redes que as autoridades sírias afirmam estarem ligadas ao Hezbollah e que, segundo elas, trabalhavam para desestabilizar o regime de Damasco, num momento em que as autoridades libanesas lutam para desarmar o Hezbollah e retomar o controle do território libanês. Ao final de sua breve visita a Damasco, Nawaf Salam afirmou que o objetivo da visita era "fortalecer as relações bilaterais em todos os níveis", enfatizando que "as conversas permitiram a discussão de questões pendentes". Em declaração à imprensa, especificou que os dois países sofreram interferências mútuas no passado, que haviam virado "uma nova página" e que estava ali para "impulsionar o avanço das relações". O Primeiro-Ministro mencionou especificamente "os desafios comuns enfrentados pelo Líbano e pela Síria no contexto dos rápidos desenvolvimentos regionais", bem como as questões dos prisioneiros sírios no Líbano (em conformidade com um acordo para seu retorno à Síria, que está sendo implementado), o destino dos detidos libaneses em prisões sírias do antigo regime, cujo paradeiro permanece desconhecido, e o combate ao contrabando através das fronteiras de ambos os países. E, claro, o retorno "seguro e digno" dos refugiados sírios ao seu país. O Líbano acolheu quase dois milhões deles durante a guerra na Síria, e centenas de milhares permanecem em seu território. Ataques israelenses de rara violência Enquanto o primeiro-ministro se ocupava em “fortalecer” as relações com o vizinho do leste, o vizinho do sul continuava a bombardear um número crescente de cidades e vilarejos libaneses. O sábado foi ainda mais violento e mortal do que os dias anteriores. Começou com um apelo israelense para a evacuação de mais nove vilarejos no sul. Os ataques israelenses continuaram ao longo do dia, no sul e no Vale do Bekaa, incluindo em Nabi Chit, resultando em várias mortes e feridos, elevando o já elevado número de vítimas para mais de 2.700 desde 2 de março. O ataque mais notável do sábado foi o que atingiu um carro que passava por Jahiliyeh, uma cidade nas montanhas Chouf, no Monte Líbano, o primeiro ataque desse tipo desde o início da guerra em 2 de março. Três pessoas que estavam no carro morreram. Somando-se a isso os numerosos ataques com drones que atingiram veículos e edifícios fora da região da fronteira, na área de Sidon e mais ao norte, devemos concluir que os israelenses estão expandindo sua ofensiva no Líbano? O Hezbollah não se deixou intimidar: no sábado, intensificou seus ataques com drones contra o norte de Israel, visando particularmente concentrações militares. Esses drones "explosivos" representam um verdadeiro desafio para os israelenses, pois são difíceis de detectar, e feriram pelo menos duas pessoas no norte do país: um oficial e um soldado, este último gravemente ferido, segundo o exército israelense. A resposta iraniana ainda está pendente No que diz respeito ao Irã, o dia transcorreu relativamente tranquilo. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou na noite de sexta-feira que aguardava uma resposta iraniana à mais recente proposta americana, que aparentemente ainda não havia sido dada até o momento da redação deste texto. Estaria a diplomacia iraniana tentando ditar seu próprio ritmo, ou as divisões internas no Irã se tornaram tão significativas que impedem uma resposta clara às propostas americanas? Esta segunda opção, pelo menos, é a mais defendida por uma reportagem americana divulgada pela mídia. Um ponto crucial deste sábado: o ceticismo expresso pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, que manifestou dúvidas sobre a "seriedade da diplomacia americana nas negociações em curso para uma solução do conflito no Oriente Médio", citando "múltiplas violações do cessar-fogo". Trocas de tiros ocorreram no dia anterior em áreas próximas ao Estreito de Ormuz, e ainda não houve cessar-fogo.

Para Teerã, Ormuz vale uma bomba atômica
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LevantTime .
Publicado
mai 9, 2026 - 01:43

Enquanto um breve confronto naval opunha americanos e iranianos no Estreito de Ormuz, um conselheiro do guia supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou sexta-feira que essa passagem marítima, por onde transita 20% do petróleo bruto mundial, representava «uma oportunidade tão valiosa quanto uma bomba atômica». «Negligenciamos durante anos o trunfo que representa o Estreito de Ormuz. Dispor de uma posição capaz de influenciar a economia mundial com uma única decisão constitui uma oportunidade maior», declarou Mohammad Mokhber, considerado próximo à ala radical do regime dos aiatolás. Uma reflexão que faz pensar sobre a verdadeira estratégia do Irã, enquanto cada declaração é examinada sob a luz das suspeitas, fundadas ou não, de divisões dentro da classe dirigente em Teerã. Essa fratura se torna evidente sempre que as posições moderadas das «pombas» do regime iraniano são contraditas pelas declarações inflamadas dos responsáveis pelos Pasdaran. No estreito disputado, na noite de quinta para sexta-feira, as forças americanas afirmaram ter «revidado» depois que três de seus destróieres lançadores de mísseis foram atacados por «mísseis, drones e pequenas embarcações» iranianos enquanto atravessavam Ormuz em direção ao Golfo de Omã. Teerã denunciou «uma violação flagrante do direito internacional e do cessar-fogo», enquanto um responsável iraniano mencionou dez marinheiros feridos e cinco desaparecidos após um ataque americano contra um cargueiro iraniano. O ataque contra os navios americanos foi qualificado de «bagatela» pelo presidente americano Donald Trump, que considerou que isso não questionava a manutenção do cessar-fogo. Mas os confrontos continuaram sexta-feira, ameaçando ainda mais a trégua, enquanto Washington aguarda uma resposta de Teerã à sua última proposta visando colocar um fim duradouro às hostilidades. Como de costume, o porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Esmaïl Baghaï, indicou que o Irã «ainda estava analisando a proposta», exibindo uma postura de firmeza ou uma aparente serenidade, mesmo enquanto o país sofreu destruições significativas e sua economia está exaurida. Negociações líbano-israelenses em Washington No Líbano, o presidente Joseph Aoun recebeu o diplomata Simon Karam e «lhe deu suas orientações» antes de sua partida para Washington, onde está prevista para 14 de maio uma reunião com a delegação israelense, segundo comunicado da presidência. A embaixadora libanesa em Washington, o encarregado de negócios adjunto, bem como «um militar» farão parte da delegação, complementou a mesma fonte. «O Líbano espera dessas negociações três objetivos essenciais: consolidar o cessar-fogo, obter a retirada de Israel (...) e estender a soberania completa do Estado sobre o território nacional», declarou por sua vez o ministro das Relações Exteriores, Youssef Raggi. A primeira reunião entre os dois países, que não mantêm relações diplomáticas, havia acontecido em 14 de abril em Washington. Foi o primeiro encontro desse tipo desde 1993. O presidente americano Donald Trump havia anunciado, ao final da segunda reunião organizada na Casa Branca, uma prorrogação de três semanas do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril entre os dois países. No sul do Líbano, o Hezbollah, que levou o Líbano para a guerra em 2 de março em apoio a seu aliado iraniano, reivindicou sexta-feira dois ataques contra bases militares no norte de Israel, em resposta a ataques aéreos israelenses conduzidos no Líbano que causaram, no mesmo dia, dez mortos. O Hezbollah havia informado anteriormente ter lançado mísseis contra uma base militar próxima à cidade de Nahariya, em represália a ataques aéreos israelenses. Os bombardeios israelenses mataram sexta-feira dez pessoas, incluindo duas crianças e três mulheres, em quatro localidades do sul do Líbano, segundo o ministério da Saúde libanês. A Defesa Civil também anunciou anteriormente a morte de um de seus socorristas, morto em um ataque aéreo.

Teerã ganha tempo enquanto Israel intensifica operações no Líbano
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LevantTime .
Publicado
mai 8, 2026 - 00:37

Diante da impaciência do presidente americano Donald Trump, ansioso por avançar nas negociações com o Irã antes de sua visita à China na próxima semana, Teerã adota uma postura de desapego calculado. Na quinta-feira, a República Islâmica ainda não havia respondido à proposta americana anunciada terça-feira pelo presidente Trump para encerrar permanentemente a guerra iniciada em 28 de fevereiro. Segundo a emissora CNN, a resposta deverá chegar nas «próximas horas». Duas explicações podem justificar a indiferença aparente exibida pela República Islâmica. A primeira é que Teerã continua apostando em sua capacidade de manobra e no fator tempo, esperando minimizar ao máximo as concessões aos americanos ou, pelo menos, levá-los a rever suas condições para baixo. A outra explicação relaciona-se às divisões internas do Irã, que impediriam a elaboração de uma resposta unificada, apesar dos esforços do regime dos aiatolás para destacar o que chama de coesão interna. É neste contexto que se insere o anúncio feito quinta-feira pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian sobre uma reunião de «duas horas» que disse ter mantido «recentemente» com o novo guia supremo Mojtaba Khamenei, «em clima de confiança e diálogo direto». Este último, lembremos, não aparece em público desde sua nomeação no início de março e foi ferido durante a guerra, nos ataques que custaram a vida a seu pai e predecessor, Ali Khamenei. Embora o Irã considere que os Estados Unidos buscavam forçar sua «rendição», evitou fechar as portas, com o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï, afirmando que seu país «continua examinando o plano e a proposta americana». Neste mesmo contexto, o ministro iraniano de Relações Exteriores, Abbas Araghchi, teve uma conversa telefônica com seu homólogo paquistanês Ishaq Dar (cujo país atua como mediador entre Teerã e Washington), durante a qual teria enfatizado a «importância de manter o diálogo e a diplomacia», segundo agências de imprensa iranianas. Elas indicaram que a discussão abordou «questões regionais atuais e esforços para fortalecer a cooperação entre países da região». Nos últimos dois dias, Teerã demonstrou posições contraditórias quanto ao diálogo com os Estados Unidos, que se preparam, junto com os países do Golfo, para apresentar ao Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução exigindo que o Irã cesse seus ataques, revele a localização de suas minas e se abstenha de cobrar pedágios pela navegação. Uma votação deverá ocorrer nos próximos dias. Esta iniciativa é consequência do ataque iraniano contra os Emirados Árabes Unidos, realizado quando Washington decidiu desbloquear o Estreito de Ormuz e escortar navios encalhados no Golfo Pérsico e no Mar de Omã. Aliás, os Emirados Árabes Unidos anunciaram na quinta-feira a criação de um comitê encarregado de documentar os ataques iranianos no país do Golfo e suas consequências, visando possível ação judicial. A operação americana, batizada «Project Freedom» (Projeto Liberdade), lançada segunda-feira, teria durado menos de 24 horas, após o presidente Trump decidir suspendê-la aguardando a resposta de Teerã. Mas segundo a emissora NBC News, a mudança de posição de Trump sobre seu plano de escolta de navios em Ormuz ocorreu especialmente após a Arábia Saudita recusar autorizar as forças americanas a usar seu espaço aéreo e bases para esta operação. De acordo com o Washington Post, porém, Riad e o Kuwait levantaram esta proibição. De qualquer forma, caso a República Islâmica reagisse favoravelmente à última proposta de Trump, o anúncio do fim da guerra deveria normalmente ser acompanhado da reabertura do Estreito de Ormuz. Caso contrário, o presidente americano permanece determinado, pelo menos em suas declarações, a retomar ataques direcionados contra o Irã, apesar da oposição interna a esta guerra. Neste contexto, parlamentares democratas exigiram o fim do silêncio de Washington sobre a postura nuclear de Israel. Como possível sinal de evolução no terreno, o porta-aviões Charles-de-Gaulle irá se reposicionar na região do Golfo, segundo as autoridades francesas, no momento em que a coligação formada por Londres e Paris se mantém pronta para garantir a segurança do Estreito de Ormuz após um possível acordo. Mas os sinais de boa vontade europeia param neste ponto. O ministro francês de Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, deixou entender quinta-feira que um levantamento das sanções contra o Irã não está sendo considerado no momento. Dependeria do que pudesse ser decidido sobre o Estreito de Ormuz e seria mantido enquanto este canal marítimo estratégico permanecer fechado, disse ele à rádio francesa RTL. O ministro francês relembrou que um estreito é «um bem comum da humanidade que não pode de forma alguma ser bloqueado, nem cobrar pedágios, nem mesmo ser objeto de chantagem», expressando assim indiretamente ressalvas sobre um possível acordo irano-americano para a exploração deste estreito. Diálogo líbano-israelense na próxima semana Enquanto o dossiê irano-americano marca passo, o das negociações líbano-israelenses parece avançar rapidamente. Segundo a emissora libanesa MTV, um terceiro encontro está marcado para Washington, quinta e sexta-feira próximas, mas desta vez com a presença do antigo embaixador Simon Karam, encarregado pelas autoridades libanesas de conduzir as negociações com a delegação israelense. O objetivo principal desta rodada será obter uma parada dos ataques e operações de destruição israelenses no Sul do Líbano. Uma ambição que pode ser considerada difícil, vista a determinação de Israel em enfraquecer ao máximo a organização pró-iraniana e continuar, neste contexto, eliminando seus quadros. O assassinato de Ahmad Ghaleb Ballout, comandante da força de elite al-Radwane do Hezbollah, corre o risco de complicar ainda mais a tarefa dos negociadores libaneses. Especialmente porque o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu deixou claro quinta-feira, reivindicando esta operação, que Israel permanece determinado a rastrear os quadros do Hezbollah. «Digo aos nossos inimigos da forma mais clara possível: nenhum terrorista tem imunidade. Quem ameaça o Estado de Israel morrerá por sua culpa», disse ele. Uma forma de sinalizar claramente ao Irã que o dossiê do Hezbollah permanece dissociado das futuras negociações entre Teerã e Washington. Ao mesmo tempo, a aviação israelense atacava quinta-feira várias localidades do Sul do Líbano, visando particularmente a cidade de Nabatiyé e as localidades do cazá de mesmo nome. Como quase todos os dias, o exército israelense ordenou a evacuação de três vilarejos do sul, situados longe da fronteira, enquanto o Hezbollah reivindicava uma série de ataques contra posições israelenses no Sul do Líbano. Longe da guerra, um elemento-chave do dia merece ser destacado. Trata-se da visita oficial que o primeiro-ministro Nawaf Salam pretende fazer sábado a Damasco, à frente de uma delegação de seu governo. Na agenda das discussões, uma série de questões relacionadas à cooperação bilateral. A agenda havia sido pré-estabelecida, mas a guerra não permitiu mais que o governo desse seguimento. Outro fato a destacar: a tentativa de assassinato de um deputado do bloco parlamentar do Partido Socialista Progressista (PSP), Hadi Aboul Hosn, em Qoubbei, no Monte Líbano. Um homem que pôde ser identificado e preso lançou uma granada contra o parlamentar, mas ela não explodiu. No plano internacional, destaca-se a visita ao Vaticano do Secretário de Estado Marco Rubio, cuja missão consiste em aliviar as tensões entre a Santa Sé e Washington, após as críticas de Trump ao papa, por causa das posições do soberano pontífice sobre a guerra no Oriente Médio. Segundo fonte do Departamento de Estado, Leon XIV e Marco Rubio tiveram quinta-feira no Vaticano uma conversa «amigável e construtiva».

Irã-EUA: 48 horas decisivas, perspectivas de paz e escalada verbal
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mai 6, 2026 - 23:34

Na frente iraniano-americana, o dia 6 de maio foi marcado por uma longa jornada de escalada verbal e declarações contraditórias. Elas vieram após o anúncio surpresa do presidente americano Donald Trump sobre o fim da fase ofensiva do conflito, da operação batizada de “Projeto Liberdade”, no estreito de Ormuz, mantendo, porém, o bloqueio aos portos iranianos. Um relatório amplamente repercutido pela imprensa e publicado pelo meio americano Axios, no início do dia, divulgou informações sobre a possibilidade de um acordo próximo entre Teerã e Washington. El texto menciona, especialmente, 48 horas consideradas decisivas para concluir la paz. O relatório enumera os principais pontos que estariam no centro de eventuais negociações, entre eles um adiamento do enriquecimento nuclear por um número ainda indeterminado de anos, em troca do desbloqueio de fundos destinados ao Irã e da suspensão das sanções. Em seguida, haveria uma reabertura total do estreito de Ormuz. A possibilidade de um acordo próximo também foi mencionada por uma fonte paquistanesa, mediadora nesta guerra, à Reuters. Em suas múltiplas declarações ao longo do dia, Trump afirmou que a perspectiva de um acordo está próxima, que o urânio enriquecido no Irã será exportado para os Estados Unidos e que observadores serão autorizados a entrar no território iraniano. Embora pareça pressionado para obter um sucesso na frente iraniana antes de sua viagem à China na próxima semana, o presidente americano descartou a possibilidade de negociações bilaterais diretas em um futuro próximo, dado o estado atual dos contatos. Ainda assim, não abandonou o tom ameaçador, afirmando que bombardearia o Irã com uma intensidade sem precedentes caso um acordo não seja alcançado. Paralelamente, um relatório dos serviços de segurança americanos, reproduzido pela Reuters, indica que o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos considera que a guerra no Irã é um “possível motivo” da última tentativa de assassinato contra Trump, em 26 de abril, em Washington. Do lado iraniano, as mensagens continuam igualmente divergentes. Uma fonte do Ministério das Relações Exteriores afirmou que a proposta americana está sendo analisada, segundo uma agência de notícias iraniana. Mais tarde, o ministério confirmou que a troca de propostas continua por meio do Paquistão. No entanto, durante o dia, um deputado iraniano escreveu no X que o relatório da Axios “reflete os desejos dos americanos” mais do que a realidade. O presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, também endureceu o discurso, acusando os americanos de tentarem dobrar os iranianos por meio da pressão econômica e de apostarem nas divisões internas, prevendo o fracasso dessas tentativas. Essa figura que se tornou central na política iraniana tenta esconder o que muitos relatórios vazados de dentro do Irã revelam sobre as profundas divisões em um regime enfraquecido pela guerra? No terreno, um navio da companhia francesa CMA-CGM foi atingido na quarta-feira por disparos iranianos, sinal do aumento das tensões e dos riscos persistentes no estreito. Outra informação do dia: o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, seguiu para a China após passar pela Rússia. Suas declarações destacaram deliberadamente a importância do aliado chinês. Ele afirmou ter informado seu homólogo chinês de que seu país está “seriamente” comprometido com as negociações com Washington, mas não aceitará menos do que um acordo “justo e abrangente”. Por sua vez, o chanceler chinês declarou que seu país “está pronto para ajudar a reduzir as tensões”. Os dois países mantêm importantes vínculos comerciais, especialmente pela exportação de hidrocarbonetos iranianos a preços preferenciais. Segundo vários observadores, a China seria o verdadeiro alvo deste conflito, justamente o país que Trump visitará em alguns dias. Líbano-Israel: negociações ao ritmo dos ataques israelenses Na frente libanesa, o processo de negociações diretas avança, com informações sobre um possível novo encontro na próxima semana entre as delegações libanesa e israelense em Washington, no Departamento de Estado. Essas novas negociações seriam lideradas pelo ex-embaixador Simon Karam, provavelmente na presença de um representante militar, além da embaixadora Nada Mouawad. A questão de um encontro entre o presidente libanês Joseph Aoun e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, como deseja o presidente americano, na Casa Branca, ainda não foi decidida, sabendo-se que a posição libanesa permanece a mesma até o momento. Joseph Aoun considera que esse encontro não se justifica neste momento. O dia 6 de maio também trouxe uma melhora nas tensas relações entre dois polos essenciais do poder, Joseph Aoun e o presidente do Parlamento Nabih Berry, também líder do Amal e aliado do Hezbollah. O primeiro sinal dessa distensão foi um encontro entre o primeiro-ministro Nawaf Salam e Nabih Berry, na sede da presidência do Parlamento, em Ain el-Tiné, Beirute. O encontro seria um primeiro passo para a realização da reunião adiada entre os três homens no palácio presidencial de Baabda. O outro sinal foi uma declaração de Berry à emissora pan-árabe al-Jazeera, na qual afirmou que “a relação com a presidência da República é sólida e importante para a estabilidade”. Ele também considerou que “qualquer acordo com Israel deve incluir garantias, porque Tel Aviv não respeita seus compromissos”. Nawaf Salam também abordou o tema na terça-feira, em uma coletiva de imprensa, afirmando que as negociações não têm como objetivo a “normalização”, mas sim a “paz”. Ele insistiu na retirada completa de Israel dos territórios libaneses seguindo um calendário preciso. Sobre um possível encontro entre Aoun e Netanyahu em Washington, considerou prematura uma reunião desse tipo, insistindo na consolidação do cessar-fogo, violado diariamente pelos dois beligerantes, o Hezbollah e o exército israelense, no sul do país. Outra parte muito importante da declaração do primeiro-ministro está relacionada a uma reavaliação do plano libanês sobre o monopólio das armas, em outras palavras, o desarmamento das milícias, especialmente do Hezbollah, decidido inicialmente em agosto de 2025 e implementado pelo exército libanês, mas neutralizado desde a retomada da guerra. Nawaf Salam mencionou uma opção cada vez mais presente no discurso político: o envio de uma “força internacional” para o sul do Líbano, enquanto o mandato da Força Interina das Nações Unidas no Líbano, a Finul, se aproxima do fim. Avisos de evacuação no Vale do Bekaa Ocidental e ataque ao subúrbio sul As tensões entre as violações diárias israelenses do cessar-fogo e os ataques do Hezbollah se concentram no sul do país. Essa dinâmica de conflito persiste desde a entrada em vigor da trégua, em 16 de abril. O dia 6 de maio trouxe dois acontecimentos graves: um ataque aéreo à noite contra o subúrbio sul de Beirute, no setor de Ghobeiri, o primeiro desde 16 de abril, e a inclusão de um vilarejo do Bekaa Ocidental, o primeiro fora do sul, nos avisos israelenses de evacuação, o de Zallaya. A localidade foi efetivamente alvo de ataques, com pelo menos um morto, o presidente da municipalidade, cuja casa foi atingida diretamente. Em relação ao ataque ao subúrbio sul de Beirute, o exército israelense publicou rapidamente um comunicado afirmando que “a operação foi realizada com o consentimento de Netanyahu” e que tinha como alvo o chefe da força al-Radwane do Hezbollah, Malek Ballout. Pouco depois, o próprio Netanyahu anunciou o alvo do ataque, afirmando que a operação buscava “frustrar os planos” dessa força de elite do Hezbollah. Mais tarde, o Canal 14 de Israel confirmou o assassinato desse dirigente e de outros integrantes da formação, todos presentes no complexo atingido. Quanto à situação no sul do Líbano, ela permanece inalterada, com avisos de evacuação envolvendo pelo menos doze vilarejos e a continuidade dos combates. O chefe do Estado-Maior israelense, Eyal Zamir, que realizou uma visita ao setor fronteiriço, afirmou que o exército israelense está preparado para ampliar sua ação contra o Hezbollah, visando contribuir para seu desmantelamento e enfraquecimento. Mas a verdadeira surpresa veio do… Vaticano. O próprio Papa Leão XIV fez questão de telefonar aos padres dos vilarejos cristãos resistentes na fronteira, na área já ocupada por Israel. A iniciativa foi tomada junto com o núncio apostólico Paolo Borgia, conhecido por suas visitas a esses vilarejos apesar dos riscos. Durante o momento descrito como “emocionante” pelos sacerdotes, segundo a agência al-Markazia, o papa tranquilizou os religiosos e os incentivou à paciência.

Washington anuncia o fim da fase ofensiva contra o Irã
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Publicado
mai 6, 2026 - 01:26

Após um dia marcado por declarações incendiárias de todas as partes, os Estados Unidos, por meio da voz do chefe da diplomacia Marco Rubio, garantiram na noite de terça-feira (horário de Beirute) que a fase ofensiva do conflito com o Irã estava «terminada». Durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, o secretário de Estado dos EUA afirmou que Washington se encontrava agora em uma fase «defensiva», em alusão à nova operação anunciada por Donald Trump e batizada de «Projeto Liberdade». «A operação “Fúria Épica” está terminada, como o presidente informou ao Congresso. Já passamos dessa fase», acrescentou. Marco Rubio precisou que esta operação visava resgatar as tripulações de navios bloqueados no Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos não abrirão fogo, mas retaliarão «com eficácia letal» em caso de ataque. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, confirmou durante outra coletiva de imprensa que o cessar-fogo não havia terminado, apesar das recentes trocas de tiros entre as marinhas americana e iraniana, bem como dos mísseis que atingiram os Emirados Árabes Unidos na segunda-feira. O Irã negou «categoricamente» qualquer envolvimento nestes ataques. O presidente americano Donald Trump absteve-se de acusar o Irã diretamente de ter violado a trégua em vigor desde 8 de abril: «Eles sabem o que têm que fazer (...) e o que não devem fazer», declarou. «Estamos em um pequeno confronto no nível militar. Falo de “confronto” porque o Irã não tem qualquer chance», acrescentou, mencionando anteriormente uma «mini-guerra» e até mesmo uma «pequena excursão». «O Hezbollah, principal obstáculo à paz» Marco Rubio também declarou que um acordo de paz entre o Líbano e Israel era «iminente». «O problema entre Israel e o Líbano não é Israel nem o Líbano, é o Hezbollah», afirmou. «O que deve acontecer no Líbano é a formação de um governo capaz de enfrentar o Hezbollah e desmantelá-lo», acrescentou. Teerã exige, por sua vez, que qualquer acordo que ponha fim à guerra com o Irã inclua também a interrupção dos ataques israelenses no Líbano, uma posição que Washington rejeita, afirmando que essas questões são distintas. Em Berlim, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou, após um encontro com seu homólogo alemão Johann Wadephul, que «Israel não tem nenhuma ambição territorial no Líbano» e busca «proteger seus cidadãos» enquanto «o Hezbollah e as outras facções terroristas» não forem desmantelados. Ele lembrou que Israel havia se retirado do Líbano em 2000 e de Gaza em 2005. Saar também criticou o governo libanês por não ter «livrado o sul do Líbano das armas do Hezbollah», avaliando que «os esforços foram muito limitados». Estas declarações receberam um apoio cauteloso de Berlim: Johann Wadephul considerou «necessário» o estacionamento de tropas israelenses na área e condenou «com a maior firmeza» os ataques do Hezbollah, ressaltando que «o Líbano não deve se tornar um teatro de guerra onde os civis pagam o preço». Uma fonte israelense citada pela CNN indicou que Israel estaria considerando intensificar seus ataques contra o Hezbollah caso a trégua com o Irã desmoronasse. De acordo com esta mesma fonte, Benjamin Netanyahu teria informado Donald Trump da vontade de Israel de retomar combates de alta intensidade, enquanto o exército pressiona para suspender certas restrições americanas a fim de retomar seus ataques ao norte do rio Litani. Em Israel, o novo chefe da Força Aérea, general Omer Tischler, declarou-se pronto a mobilizar «toda a força aérea» contra o Irã «se necessário», durante a cerimônia de posse. Uma “célula ligada ao Hezbollah” desmantelada na Síria O Ministério do Interior da Síria anunciou na terça-feira o desmantelamento de uma célula ligada ao Hezbollah, acusada de preparar assassinatos de autoridades. Segundo as autoridades, a célula estava pronta para entrar em ação, em especial para realizar assassinatos seletivos. Onze pessoas foram presas, sem especificação de sua nacionalidade. Foram apreendidos armas, munições, granadas, explosivos e equipamentos de vigilância. O Hezbollah negou «categoricamente» estas acusações, afirmando não realizar «nenhuma atividade» na Síria, lembrando já ter rejeitado acusações semelhantes em 12 e 19 de abril.

A ofensiva naval americana em Ormuz vai redistribuir as cartas?
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Publicado
mai 4, 2026 - 21:43

A semana começou com um novo vai-e-vem diplomático e um risco de escalada militar entre o Irã e os Estados Unidos. Washington aumentou a pressão sobre a República Islâmica, que reagiu lançando mísseis contra… os Emirados Árabes Unidos. No centro desse novo braço de ferro está, mais uma vez, o estratégico estreito de Ormuz, que a Marinha americana conseguiu desbloquear na segunda-feira, para irritação de Teerã, ao escoltar navios em águas territoriais dos Emirados, rapidamente visadas pelo exército iraniano. Segundo diversas fontes da mídia americana, a última proposta iraniana apresentada por Teerã para retomar as negociações com Washington não era ruim. Mas não correspondia de fato às expectativas de Donald Trump, especialmente no que diz respeito ao dossiê nuclear, que os iranianos tentam adiar ao máximo, e ao controle exercido pelo Irã sobre o estreito de Ormuz, bloqueado desde o início da guerra. Aliás, em seus comentários de sexta-feira e sábado, o presidente americano não a rejeitou. Limitou-se a expressar sua “insatisfação” e a considerar que as condições iranianas ainda não eram “aceitáveis”. Emendas ao documento foram encaminhadas, por meio do mediador paquistanês, aos iranianos, que devem responder ao longo da semana. Mas, enquanto aguarda essa resposta, Trump aumentou a pressão sobre Teerã. Anunciou, com grande alarde no domingo à noite, uma operação militar batizada de “Project Freedom” (Projeto Liberdade), com o objetivo de restabelecer a liberdade de navegação no estreito de Ormuz. A operação consiste em ajudar navios retidos há dois meses no Golfo Arábico e no mar de Omã a atravessar “com total segurança”. Essa decisão repentina, explicada por um cansaço de Trump diante das hesitações iranianas, elevou imediatamente a tensão na região. O Irã reagiu prontamente, ameaçando atacar embarcações que se aventurassem nessa rota que afirma controlar. Ela levanta, sobretudo, questionamentos sobre suas reais motivações, apresentadas pelo presidente americano como sendo de ordem “humanitária”. Donald Trump tenta desorientar seu adversário para levá-lo a se engajar, sem demora, em negociações nos termos americanos? Procura mostrar a Teerã, enquanto aguarda a retomada das negociações em Islamabad, que não tem qualquer poder sobre essa via marítima regida pelo direito internacional, no momento em que a República Islâmica impõe uma taxa de pedágio a cargueiros autorizados a atravessar? Busca arrastar Teerã para uma nova guerra que seu aliado israelense está pronto para retomar? Ou tenta aliviar a pressão sobre os mercados para provocar uma queda no preço do petróleo? A resposta pode ser a soma das quatro. Os preços do petróleo, aliás, se estabilizaram na segunda-feira nos mercados asiáticos, com o barril de Brent, referência global do petróleo bruto, a 109,29 dólares, bem distante dos 126 dólares de quinta-feira. Segundo o site Axios, que cita um funcionário americano, Donald Trump está sobretudo cansado dessa situação de “nem guerra nem paz” e quer um acordo o mais rápido possível com Teerã, sem descartar uma ação militar de grande impacto caso a República Islâmica continue apostando no fator tempo. Salvas de mísseis contra os EAU Determinando-se a não se deixar intimidar, o Irã reagiu com ameaças que rapidamente colocou em prática, sem, no entanto, ousar atingir diretamente navios de guerra americanos. Após o alerta do comando militar iraniano, que havia advertido que pretende “alvo e atacar” o exército americano caso este se aproxime do estreito de Ormuz, mísseis de cruzeiro, foguetes e drones de combate iranianos foram lançados inicialmente “como advertência” contra o Golfo Arábico, supostamente mirando fragatas da Marinha dos Estados Unidos. Em um desdobramento grave, esses disparos foram seguidos por pelo menos outras três salvas que atingiram diferentes locais nos Emirados Árabes Unidos. O Ministério da Defesa emiradense anunciou que mísseis de cruzeiro foram interceptados “sobre suas águas territoriais e em Dubai”. Três cidadãos indianos ficaram feridos em um ataque que atingiu na segunda-feira o complexo petrolífero de Fujairah, onde um incêndio foi registrado. As salvas ocorreram depois que o comando militar americano para o Oriente Médio (Centcom) anunciou o sucesso de uma primeira missão de escolta naval. “Destroyers lança-mísseis da Marinha dos Estados Unidos operam atualmente no Golfo após atravessarem o estreito de Ormuz no âmbito do ‘Projeto Liberdade’. As forças americanas contribuem ativamente para os esforços de restabelecer o tráfego marítimo comercial”, escreveu o comando americano para a região em sua conta no X. “Em um primeiro momento, dois navios mercantes com bandeira americana atravessaram com sucesso o estreito de Ormuz e seguem sua rota”, acrescentou. O comando prometeu reagir aos ataques iranianos “em conformidade com as instruções do presidente Donald Trump”. Este, por sua vez, ameaçou “varrer o Irã da face da Terra se atacar navios militares americanos”. Em sua guerra de desgaste contra o Irã, o presidente americano acaba, no entanto, de marcar um novo ponto ao privar Teerã de um importante instrumento de pressão, correndo o risco de desencadear uma nova rodada de combates. Donald Trump havia advertido no domingo à noite, ao anunciar a operação “Project Freedom”, que responderia “com força” a qualquer tentativa iraniana de perturbá-la. Segundo o Centcom, a operação envolve destroyers lança-mísseis, mais de uma centena de aeronaves e 15 mil soldados. Resta saber como os iranianos reagirão nos próximos dias a esse novo desafio americano, que gerou reações mistas na Europa. O presidente francês Emmanuel Macron expressou ceticismo, considerando que o enquadramento da operação americana “não é claro” e que a reabertura do estreito deveria resultar de uma decisão “concertada entre o Irã e os Estados Unidos”. Paralelamente, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer afirmou que a reabertura dessa passagem marítima representa “uma prioridade econômica vital”, mas manteve reservas em relação à operação “Project Freedom”. E no Líbano? No Líbano, segue em curso um braço de ferro de outra natureza, tendo como pano de fundo as futuras negociações diretas entre Beirute e Tel Aviv. Washington continua determinado a acelerar esse processo, que visa pôr fim à guerra, ainda limitada ao sul do Líbano, entre Israel e o Hezbollah, e resolver de vez o obstáculo representado por esse grupo, totalmente alinhado ao Irã, para o restabelecimento da soberania libanesa. O embaixador dos Estados Unidos no Líbano, Michel Issa, reuniu-se com o presidente Joseph Aoun para incentivá-lo a avançar nesse processo e a se encontrar, em Washington, com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. “Uma oportunidade para apresentar as reivindicações de seu país”, defendeu durante a coletiva de imprensa após o encontro. Segundo ele, tal reunião não seria “nem uma perda nem uma concessão para o Líbano”. “Benjamin Netanyahu é um bicho-papão? Ele é apenas uma parte nas negociações”, afirmou, antes de anunciar que também pretende se reunir com o presidente do Parlamento, Nabih Berry. A iniciativa do embaixador provocou forte reação do Hezbollah, que pediu às autoridades que o declarassem persona non grata. Mas o chefe de Estado mantém sua posição. Joseph Aoun reafirmou, em comunicado divulgado por seu gabinete, que um encontro com Netanyahu é, por ora, “inoportuno”. Segundo ele, a prioridade é um acordo de segurança e o fim dos ataques israelenses contra o Líbano. No sul do Líbano, os confrontos entre o Hezbollah e as forças israelenses continuaram intensos na segunda-feira. O grupo pró-iraniano lançou, no fim do dia, uma importante salva de foguetes contra o norte de Israel e anunciou combates corpo a corpo com soldados israelenses em uma área entre Deir Seriane e Zawtar al-Charkieh, enquanto seu líder, Naïm Qassem, denunciava novamente, em comunicado, as operações militares israelenses no sul do país e reiterava sua oposição a negociações diretas entre Líbano e Israel. Embora tenha se declarado favorável a uma solução diplomática, ele avaliou que as negociações deveriam ser indiretas, o que permitiria, na prática, que seu grupo tivesse influência no processo, como ocorreu nas negociações indiretas para a delimitação das fronteiras marítimas com Israel, conduzidas, como se sabe, por seu aliado, o presidente do Parlamento, Nabih Berry. Naïm Qassem, cujo grupo havia decidido atacar Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, morto em um ataque israelense direcionado, afirmou assim que “é o Líbano que está sendo agredido e que precisa de garantias para sua segurança e soberania”.

Retirada militar dos EUA da Alemanha: Trump acerta contas com a Europa
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mai 2, 2026 - 21:26

A principal notícia deste sábado não diz respeito ao conflito entre Teerã e Washington, mas sim a uma das suas consequências: a crise emergente entre a Europa e os Estados Unidos, que planejam reduzir substancialmente a sua presença militar na Alemanha. Washington planeja, de fato, retirar cerca de 15% dos 36.000 soldados estacionados na Alemanha, o que equivale a quase 5.000 militares, uma retirada que o Pentágono estima que possa ser concluída «nos próximos seis a doze meses», de acordo com seu porta-voz, Sean Parnell. Este plano, portanto anunciado pelo Pentágono, seria a primeira consequência da queda de braço entre o presidente americano, Donald Trump, e os países da OTAN, aos quais o presidente censurou diversas vezes por sua passividade na guerra que o opõe ao Irã desde 28 de fevereiro. Donald Trump havia expressado na semana sua irritação com o chanceler alemão, após uma ríspida troca de palavras entre os dois sobre a guerra no Irã. Na sexta-feira, ele também criticou a Itália e a Espanha, pelo mesmo motivo. A retirada das tropas americanas da Alemanha seria o primeiro passo em direção a um desengajamento americano total da Aliança Atlântica? Ainda é prematuro responder a essa pergunta. Pois, se Berlim tomou nota no sábado da decisão americana e apelou à Europa para reforçar a sua segurança, a OTAN, por sua vez, pretende dialogar com Washington para «compreendê-la melhor». De acordo com o Wall Street Journal, esta decisão surpreendeu vários países europeus, e até mesmo autoridades militares americanas que não pensavam que o presidente americano colocaria as suas ameaças em prática. A Alemanha, no entanto, parecia esperar isso, como anunciou o ministro da Defesa alemão. «Que tropas dos Estados Unidos se retirem da Europa e também da Alemanha era esperado», comentou Boris Pistorius. «Nós, europeus, devemos assumir mais responsabilidade pela nossa segurança», acrescentou ele. A OTAN «trabalha», por sua vez, com os Estados Unidos para «compreender melhor» a decisão de Washington, declarou no sábado uma porta-voz da aliança. Donald Trump chegou a este anúncio depois de o chanceler Friedrich Merz ter considerado na segunda-feira que «os americanos (não tinham) visivelmente nenhuma estratégia» no Irã e que Teerã «humilhava» a primeira potência mundial. «Ele acha que está tudo bem o Irã se dotar da arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!», retrucou Donald Trump na terça-feira. Sem responder diretamente, Friedrich Merz apelou na quinta-feira a «uma parceria transatlântica confiável». Na sexta-feira, Donald Trump também disse considerar uma redução das tropas americanas estacionadas na Itália e na Espanha, estimando que Roma «não foi de nenhuma ajuda» para Washington e que Madri «foi odiosa». Ele também atacou indiretamente a Alemanha e as suas importantes exportações de automóveis ao anunciar a intenção de aumentar para 25% «na próxima semana» as tarifas alfandegárias sobre os veículos importados da União Europeia pelos Estados Unidos. Um desengajamento americano da OTAN teria, no entanto, consequências desastrosas para a Europa tanto no âmbito da defesa quanto no das finanças. Os Estados Unidos são os principais financiadores da Aliança. Sua retirada desta última obrigaria os países-membros a reverem a sua estratégia de defesa, notadamente no âmbito nuclear, e a liberarem somas colossais para compensar um eventual fechamento da fonte financeira e do material de defesa americano. Este desdobramento ocorreu enquanto os esforços para uma retomada das conversações entre Teerã e Washington, em Islamabad, continuam num impasse, tendo Donald Trump afirmado na sexta-feira não estar satisfeito com as novas propostas iranianas. Retomada da guerra? Essa estagnação faz temer principalmente uma retomada do conflito militar, considerada muito provável por Mohammad Jafar Asadi, inspetor adjunto do comando das forças armadas Khatam Al-Anbiya, citado pela agência de notícias Fars. Segundo ele, as forças armadas iranianas estão perfeitamente preparadas para qualquer novo ataque americano, enquanto o presidente americano parece antes privilegiar as pressões econômicas, por meio do bloqueio imposto aos portos americanos. Estas continuam sendo menos custosas do que a opção militar, para os Estados Unidos, mas ruinosas para o Irã, que sofre com uma alta taxa de inflação e cujo comércio de petróleo está literalmente bloqueado. Teerã, cujos depósitos de petróleo já estão saturados, começou, aliás, a reduzir a sua produção de petróleo. Paralelamente, o seu líder supremo, Mojtaba Khamenei, exortou, numa mensagem escrita, as empresas do país a evitarem ao máximo as demissões. Face ao impasse, alguns analistas não excluem que os iranianos tentem romper o cerco americano por meio de uma operação militar que perturbaria os planos de Washington, enquanto Donald Trump acabava de tranquilizar o Congresso sobre o fato de que a guerra acabou e que ele se prepara para impor um «longo» bloqueio aos portos iranianos. «A bola está atualmente no lado dos Estados Unidos. Nós lhes apresentamos um plano para acabar permanentemente com a guerra», anunciou no sábado o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi. «Eles devem escolher entre o caminho da diplomacia ou a continuação de uma abordagem conflituosa. O Irã, com o objetivo de garantir os seus interesses nacionais e a sua segurança, está pronto para as duas opções», acrescentou ele perante os embaixadores e chefes de missões diplomáticas na capital iraniana. Guerra de palavras e imagens no Líbano Na frente libanesa, a campanha abjeta liderada pelo exército eletrônico do Hezbollah contra o chefe da Igreja Maronita, o patriarca Bechara Raï, ofuscou de certa forma a violência das trocas de tiros entre Israel e esta milícia, no sul do Líbano onde, segundo o Ministério da Saúde, pelo menos 41 pessoas foram mortas em menos de 24 horas. Ali Barakat, apelidado de «cantor do Hezbollah», postou em sua conta no X, imagens humilhantes do patriarca, supostamente para reagir a um vídeo caricatural do chefe da milícia, Naim Qassem, publicado pelo canal LBCI. As imagens, que supostamente ilustravam a sujeição do patriarca a Israel, foram rapidamente compartilhadas pelos partidários do Hezb nas redes sociais, suscitando reações inflamadas no Líbano. A campanha foi veementemente denunciada por muitas autoridades, nomeadamente os presidentes da República, Joseph Aoun, e da Câmara, Nabih Berry, bem como pelo mufti da República, o xeque Abdel Latif Derian. Ao mesmo tempo, um retrato caricatural do presidente Aoun, representando-o como um rabino israelense, continuava a ser amplamente compartilhado nas redes sociais. Um comportamento que traduz, no final das contas, a falência total de um grupo que, para mascarar a sua incapacidade de apresentar qualquer argumento sensato para a aventura suicida na qual arrastou o país e para a sua rejeição aos esforços liderados pelas autoridades para pôr fim à espiral de violência pela qual é responsável, refugia-se em campanhas difamatórias, ameaças e acusações de traição.