
O dia 14 de maio de 2026 marcou o início da terceira rodada de negociações diretas entre as delegações israelense e libanesa em Washington, na sede do Departamento de Estado. Ao contrário do previsto, não foi o ex-ministro israelense Ron Dermer, próximo ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, quem presidiu a delegação israelense nesta sessão, mas o embaixador de Israel em Washington, Yechiel Leiter, como nas reuniões anteriores. Por sua vez, a delegação libanesa foi presidida desta vez pelo ex-embaixador em Washington Simon Karam, um negociador experiente que já havia sido designado pelo presidente da República Joseph Aoun para integrar o comitê de supervisão do cessar-fogo no Sul do Líbano (antes do presente conflito). De acordo com informações do correspondente da MTV presente no local, a atmosfera no início dessas negociações, que devem durar até sexta-feira, não é de otimismo. Com efeito, a parte israelense continua insistindo no desarmamento do Hezbollah antes de qualquer outro avanço, ameaçando estender a guerra em caso de fracasso nas negociações. A delegação libanesa vê-se obrigada, ainda segundo o correspondente, a manter contato contínuo com o Líbano, o que reflete divergências internas sobre a posição a adotar. No entanto, não se pode negar o progresso que representa a realização dessas reuniões em si. Em Beirute, acompanhava-se, evidentemente, com muito atenção essas negociações. Por volta das 17h (hora de Beirute), quando as conversações mal tinham começado, o presidente Aoun recebia, no palácio de Baabda, o primeiro-ministro Nawaf Salam, para discutir as negociações em curso. Decidiram «manter contato contínuo» para os próximos passos, segundo o comunicado oficial. Joe Raggi esclarece a situação Som oficial diferente é o do ministro libanês das Relações Exteriores, Joe Raggi, que esclarece a situação em meio à confusão geral, precisando que para Beirute não se trata de chegar a um acordo de paz nesta etapa, mas de pôr fim à guerra. Do lado do Hezbollah, não há mudança nas posições. As declarações hostis às negociações diretas prosseguiram, como nos dias anteriores. Vale ressaltar, neste contexto, essa brincadeira do deputado Hussein Hajj Hassan: «A Resistência está em perfeita forma, e ninguém conseguirá tornar realidade os desejos americanos e israelenses.» Mas o que deve ser retido especialmente deste dia são as declarações do presidente do Parlamento Nabih Berri, que também é líder do movimento Amal (aliado xiita do Hezbollah). Em entrevista a um jornal local, estimou que «tudo desabará» se não houver um verdadeiro cessar-fogo. Ele até estabeleceu as seguintes condições: retirada total dos territórios ocupados; reconstrução; implantação do exército libanês e retorno dos habitantes do Sul para suas casas. Uma forma de voltar ao centro das atenções quando, poucos dias atrás, um responsável do Hezbollah, Mahmoud Comati, acusava o presidente Aoun de não levar em consideração o presidente do Parlamento em sua decisão de iniciar negociações… A isso respondeu o líder das Forças Libanesas Samir Geagea em entrevista à MTV: Berri pode dar sua opinião sobre os resultados das negociações, mas não pode gerenciá-las; o dossiê está nas mãos do presidente da República. Enquanto isso, o Sul continua em chamas. Na quinta-feira, os avisos de evacuação israelenses chegaram até aldeias no Vale do Bekaa, como Sohmor, demonstrando mais uma vez que a expansão dos combates está em andamento. Os ataques aéreos, bombardeios de drones e assassinatos direcionados continuam num ritmo acelerado. Assim como os ataques do Hezbollah que também prosseguem. A visita de Trump à China O outro acontecimento do dia é mundial e poderia ter consequências em múltiplas frentes. O presidente americano Donald Trump é recebido com grande pompa na China por seu homólogo Xi Jinping. Com sua exuberância habitual, Trump chamou Xi de «amigo» e prometeu um «futuro fabuloso» para as relações entre os dois gigantes. Xi julgou a visita «histórica». Mas além dessas declarações espetaculares e da recepção impressionante com muitas bandeiras chinesas e americanas, discussões difíceis marcam esses dois dias de visita oficial. Os americanos chegaram bem preparados, com uma delegação impressionante acompanhando o presidente e reunindo, além dos principais responsáveis da Administração Trump, cerca de quinze dos maiores empresários dos EUA. Os tópicos polêmicos e os dossiês envolvendo questões internacionais não são raros: Taiwan (sobre este ponto, a declaração de Xi Jinping foi particularmente firme); a guerra comercial; a guerra na Ucrânia… Mas o tema que mais interessa ao Oriente Médio é inegavelmente a guerra no Irã, que foi amplamente discutida entre as duas delegações, como sugerem as declarações que se seguiram. À noite (horário do Levante), o presidente Trump declarou à Fox News que «o presidente chinês ofereceu sua ajuda a respeito do Estreito de Ormuz» e «se comprometeu a não enviar equipamentos militares ao Irã». Até agora, estava claro que Teerã recebia armas desse aliado a quem vendia petróleo a preço preferencial. Nas entrelinhas dessas declarações, qual poderia ser o «acordo» que teria sido fechado nos bastidores? Não há dúvida de que essa cúpula deve ter repercussões importantes sobre o conflito no Oriente Médio, o que os próximos dias devem esclarecer. O site americano Axios publicou informações segundo as quais as opções do presidente Trump, ao retornar da China, seriam retomar o «projeto de liberdade» que consistia em acompanhar navios que desejam passar pelo estreito sob escolta da marinha americana. Outra opção que estaria sendo considerada: novos ataques às infraestruturas iranianas. Nesse contexto, uma informação que poderia dar uma pista sobre as mudanças vindouras: uma perspectiva de abastecimento da China com petróleo pelos Estados Unidos para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz e, consequentemente, a dependência do Irã. O outro desenvolvimento notável deste 14 de maio é a reunião dos ministros das Relações Exteriores dos países do BRICS em Nova Délhi, na Índia, à qual compareceram, entre outros, os ministros iraniano, Abbas Araghchi, e emiradense, xeque Abdallah ben Zayed Al Nahyane. Durante essa reunião, Araghchi atacou violentamente seu colega emiradense (como ele mesmo anunciou em sua conta no Telegram), acusando os Emirados Árabes Unidos de ter participado dos ataques israelense-americanos contra o Irã, e pedindo-lhe que revise sua política em relação a Teerã após constatar que a aliança com Israel não lhe trouxe bem algum. Ironicamente, foi o Irã que vem realizando ataques diários contra os Emirados Árabes Unidos e outros países do Golfo desde o início desta guerra. Os EAU estão pagando o preço por sua saída da OPEP desde o início de maio e por seu reaproximamento com o eixo americano-israelense?









