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O Essencial do Dia

A incursão ao norte do Litani, uma «mensagem» na véspera das negociações em Washington

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Mapa mostrando a linha que demarca desde 19 de abril de 2026 uma zona ocupada pelo exército israelense onde este afirma estar conduzindo operações para desmantelar as infraestruturas do Hezbollah. (Sylvie Husson/AFP)
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Por Michel Touma
Publicado mai 12, 2026 - 22:34

Enquanto se aguarda o esclarecimento das verdadeiras intenções do presidente Donald Trump sobre o rumo que tomará o braço de ferro com a República Islâmica, após a recusa americana à resposta iraniana às últimas propostas dos EUA de «paz» (mas que «paz» se discute?), a atenção dos meios políticos foi voltada nesta terça-feira, 12 de maio, para informações sobre uma incursão israelense – a primeira deste tipo no contexto atual – ao norte do Litan.

Desde a desastrosa guerra deflagrada pelo Hezbollah em julho de 2006 – por considerações puramente iranianas – todas as soluções, iniciativas e medidas que estavam no centro das negociações internacionais e regionais focavam na pacificação da zona ao sul do Litan. A resolução 1701, assim como o cessar-fogo negociado em novembro de 2024 – após outra guerra suicida deflagrada pelo mesmo Hezbollah – abordava o fim de toda presença miliciana nesta zona meridional bem definida.

Após a terceira guerra despropositada – e igualmente suicida – iniciada pelo partido pró-iraniano em 2 de março de 2026, para vingar a morte do Guia Supremo da República Islâmica, Ali Khamenei, Israel deixou clara sua posição desde o início, enfatizando sua determinação em estabelecer uma zona-tampão nesta mesma porção do território, particularmente ao sul do Litan. O anúncio com grande repercussão de uma incursão do exército israelense ao norte deste rio e do estabelecimento de uma posição fixa nesta região, nas proximidades da localidade de Zawtar-Leste, constitui, de certa forma, uma «ruptura» com todo o processo diplomático e de segurança internacional relativo ao Sul do Líbano, mantido desde agosto de 2006, data da votação da resolução 1701 pelo Conselho de Segurança. Tel-Aviv ainda relatou um confronto neste setor – que teria durado três dias – com milicianos do Hezbollah.

A importância da divulgação deste desenvolvimento significativo reside no fato de que ele ocorre na véspera da terceira rodada de negociações diretas entre Líbano e Israel, que será realizada na próxima quinta-feira, 14 de maio, em Washington sob a égide da administração Trump, e com a presença do ex-embaixador Simon Karam (o que confere uma nova dimensão política a essas discussões bilaterais).

A mensagem às autoridades libanesas parece clara: se nenhum progresso tangível for alcançado no desarmamento da milícia do Hezbollah, conforme estipulam a resolução 1701 e o acordo de cessar-fogo de novembro de 2024, o exército israelense não se contentará em limitar suas ações ao sul do Litan, como indicado inicialmente, mas não hesitará em ampliar suas operações atravessando o rio em direção ao norte. Esta possibilidade foi inclusive mencionada explicitamente pelos líderes políticos em Tel-Aviv. Algumas fontes chegam a relatar um possível avanço de Tsahal até o Zahrani, ao sul de Sidon...

O Estado hebreu poderia justificar tal escalada em suas operações militares na região meridional do país usando como pretexto o recrudescimento dos ataques do partido pró-iraniano contra o norte de Israel. Já na noite de terça-feira, vários drones equipados com explosivos se abateram, provenientes do Sul do Líbano, em território israelense, próximo à fronteira, causando feridos entre os militares.

A dimensão regional

Enquanto a tensão aumenta na frente libanesa, a incerteza continua marcando a situação na frente iraniana. Este dossiê explosivo será amplamente discutido durante a visita que o presidente Donald Trump realizará em meados desta semana à China, que mantém laços próximos com a República Islâmica. O chefe da Casa Branca declarou terça-feira, neste sentido, que não tem intenção de agir com «precipitação» em relação ao Irã, enfatizando a importância do impacto do bloqueio naval imposto aos portos iranianos. Mas ao mesmo tempo, o presidente americano destacou que não é inocente das manobras de hesitação do regime iraniano. Uma pequena frase que ecoa as anteriores declarações do chefe da Casa Branca, que sublinhou repetidas vezes que é hora de colocar um fim às numerosas agressões mortais e desestabilizadoras perpetradas contra os países ocidentais e os Estados do Oriente Médio pela República Islâmica «que nos engana há 47 anos», como ressaltou, muito apropriadamente, o presidente americano no início da semana.

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