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O Essencial do Dia

Teerã ganha tempo enquanto Israel intensifica operações no Líbano

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Possível sinal anunciador de uma evolução no terreno, o porta-aviões Charles-de-Gaulle vai se reposicionar na região do Golfo. (AFP)
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Por LevantTime .
Publicado mai 8, 2026 - 00:37

Diante da impaciência do presidente americano Donald Trump, ansioso por avançar nas negociações com o Irã antes de sua visita à China na próxima semana, Teerã adota uma postura de desapego calculado.


Na quinta-feira, a República Islâmica ainda não havia respondido à proposta americana anunciada terça-feira pelo presidente Trump para encerrar permanentemente a guerra iniciada em 28 de fevereiro. Segundo a emissora CNN, a resposta deverá chegar nas «próximas horas».


Duas explicações podem justificar a indiferença aparente exibida pela República Islâmica. A primeira é que Teerã continua apostando em sua capacidade de manobra e no fator tempo, esperando minimizar ao máximo as concessões aos americanos ou, pelo menos, levá-los a rever suas condições para baixo.


A outra explicação relaciona-se às divisões internas do Irã, que impediriam a elaboração de uma resposta unificada, apesar dos esforços do regime dos aiatolás para destacar o que chama de coesão interna.


É neste contexto que se insere o anúncio feito quinta-feira pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian sobre uma reunião de «duas horas» que disse ter mantido «recentemente» com o novo guia supremo Mojtaba Khamenei, «em clima de confiança e diálogo direto». Este último, lembremos, não aparece em público desde sua nomeação no início de março e foi ferido durante a guerra, nos ataques que custaram a vida a seu pai e predecessor, Ali Khamenei.


Embora o Irã considere que os Estados Unidos buscavam forçar sua «rendição», evitou fechar as portas, com o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï, afirmando que seu país «continua examinando o plano e a proposta americana».


Neste mesmo contexto, o ministro iraniano de Relações Exteriores, Abbas Araghchi, teve uma conversa telefônica com seu homólogo paquistanês Ishaq Dar (cujo país atua como mediador entre Teerã e Washington), durante a qual teria enfatizado a «importância de manter o diálogo e a diplomacia», segundo agências de imprensa iranianas. Elas indicaram que a discussão abordou «questões regionais atuais e esforços para fortalecer a cooperação entre países da região».


Nos últimos dois dias, Teerã demonstrou posições contraditórias quanto ao diálogo com os Estados Unidos, que se preparam, junto com os países do Golfo, para apresentar ao Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução exigindo que o Irã cesse seus ataques, revele a localização de suas minas e se abstenha de cobrar pedágios pela navegação. Uma votação deverá ocorrer nos próximos dias.


Esta iniciativa é consequência do ataque iraniano contra os Emirados Árabes Unidos, realizado quando Washington decidiu desbloquear o Estreito de Ormuz e escortar navios encalhados no Golfo Pérsico e no Mar de Omã.


Aliás, os Emirados Árabes Unidos anunciaram na quinta-feira a criação de um comitê encarregado de documentar os ataques iranianos no país do Golfo e suas consequências, visando possível ação judicial.


A operação americana, batizada «Project Freedom» (Projeto Liberdade), lançada segunda-feira, teria durado menos de 24 horas, após o presidente Trump decidir suspendê-la aguardando a resposta de Teerã. Mas segundo a emissora NBC News, a mudança de posição de Trump sobre seu plano de escolta de navios em Ormuz ocorreu especialmente após a Arábia Saudita recusar autorizar as forças americanas a usar seu espaço aéreo e bases para esta operação. De acordo com o Washington Post, porém, Riad e o Kuwait levantaram esta proibição.


De qualquer forma, caso a República Islâmica reagisse favoravelmente à última proposta de Trump, o anúncio do fim da guerra deveria normalmente ser acompanhado da reabertura do Estreito de Ormuz. Caso contrário, o presidente americano permanece determinado, pelo menos em suas declarações, a retomar ataques direcionados contra o Irã, apesar da oposição interna a esta guerra. Neste contexto, parlamentares democratas exigiram o fim do silêncio de Washington sobre a postura nuclear de Israel.


Como possível sinal de evolução no terreno, o porta-aviões Charles-de-Gaulle irá se reposicionar na região do Golfo, segundo as autoridades francesas, no momento em que a coligação formada por Londres e Paris se mantém pronta para garantir a segurança do Estreito de Ormuz após um possível acordo.


Mas os sinais de boa vontade europeia param neste ponto. O ministro francês de Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, deixou entender quinta-feira que um levantamento das sanções contra o Irã não está sendo considerado no momento. Dependeria do que pudesse ser decidido sobre o Estreito de Ormuz e seria mantido enquanto este canal marítimo estratégico permanecer fechado, disse ele à rádio francesa RTL.

O ministro francês relembrou que um estreito é «um bem comum da humanidade que não pode de forma alguma ser bloqueado, nem cobrar pedágios, nem mesmo ser objeto de chantagem», expressando assim indiretamente ressalvas sobre um possível acordo irano-americano para a exploração deste estreito.


Diálogo líbano-israelense na próxima semana


Enquanto o dossiê irano-americano marca passo, o das negociações líbano-israelenses parece avançar rapidamente. Segundo a emissora libanesa MTV, um terceiro encontro está marcado para Washington, quinta e sexta-feira próximas, mas desta vez com a presença do antigo embaixador Simon Karam, encarregado pelas autoridades libanesas de conduzir as negociações com a delegação israelense.


O objetivo principal desta rodada será obter uma parada dos ataques e operações de destruição israelenses no Sul do Líbano.

Uma ambição que pode ser considerada difícil, vista a determinação de Israel em enfraquecer ao máximo a organização pró-iraniana e continuar, neste contexto, eliminando seus quadros.


O assassinato de Ahmad Ghaleb Ballout, comandante da força de elite al-Radwane do Hezbollah, corre o risco de complicar ainda mais a tarefa dos negociadores libaneses. Especialmente porque o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu deixou claro quinta-feira, reivindicando esta operação, que Israel permanece determinado a rastrear os quadros do Hezbollah. «Digo aos nossos inimigos da forma mais clara possível: nenhum terrorista tem imunidade. Quem ameaça o Estado de Israel morrerá por sua culpa», disse ele.

Uma forma de sinalizar claramente ao Irã que o dossiê do Hezbollah permanece dissociado das futuras negociações entre Teerã e Washington.


Ao mesmo tempo, a aviação israelense atacava quinta-feira várias localidades do Sul do Líbano, visando particularmente a cidade de Nabatiyé e as localidades do cazá de mesmo nome. Como quase todos os dias, o exército israelense ordenou a evacuação de três vilarejos do sul, situados longe da fronteira, enquanto o Hezbollah reivindicava uma série de ataques contra posições israelenses no Sul do Líbano.


Longe da guerra, um elemento-chave do dia merece ser destacado. Trata-se da visita oficial que o primeiro-ministro Nawaf Salam pretende fazer sábado a Damasco, à frente de uma delegação de seu governo. Na agenda das discussões, uma série de questões relacionadas à cooperação bilateral. A agenda havia sido pré-estabelecida, mas a guerra não permitiu mais que o governo desse seguimento.


Outro fato a destacar: a tentativa de assassinato de um deputado do bloco parlamentar do Partido Socialista Progressista (PSP), Hadi Aboul Hosn, em Qoubbei, no Monte Líbano. Um homem que pôde ser identificado e preso lançou uma granada contra o parlamentar, mas ela não explodiu.


No plano internacional, destaca-se a visita ao Vaticano do Secretário de Estado Marco Rubio, cuja missão consiste em aliviar as tensões entre a Santa Sé e Washington, após as críticas de Trump ao papa, por causa das posições do soberano pontífice sobre a guerra no Oriente Médio. Segundo fonte do Departamento de Estado, Leon XIV e Marco Rubio tiveram quinta-feira no Vaticano uma conversa «amigável e construtiva».


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