


O sábado no Líbano foi marcado pela visita do primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, a Damasco, onde foi recebido pelo presidente sírio, Ahmad al-Sharaa.
Esta visita é particularmente significativa nas circunstâncias atuais por diversos motivos: em primeiro lugar, pelas questões pendentes entre os dois países, como a segurança das fronteiras, a resolução da questão dos prisioneiros sírios no Líbano, entre outras; em segundo lugar, pela ofensiva israelense no sul do Líbano, mesmo com as incursões israelenses no sul da Síria ocorrendo nos últimos meses; e, finalmente, pelo contexto do processo de negociações diretas entre o Líbano e Israel, iniciado pelas autoridades libanesas e patrocinado por Washington, no qual o Líbano se beneficiaria da expansão de seus contatos na região.
Sem mencionar que a Síria desmantelou recentemente, em diversas ocasiões, redes que as autoridades sírias afirmam estarem ligadas ao Hezbollah e que, segundo elas, trabalhavam para desestabilizar o regime de Damasco, num momento em que as autoridades libanesas lutam para desarmar o Hezbollah e retomar o controle do território libanês.
Ao final de sua breve visita a Damasco, Nawaf Salam afirmou que o objetivo da visita era "fortalecer as relações bilaterais em todos os níveis", enfatizando que "as conversas permitiram a discussão de questões pendentes". Em declaração à imprensa, especificou que os dois países sofreram interferências mútuas no passado, que haviam virado "uma nova página" e que estava ali para "impulsionar o avanço das relações".
O Primeiro-Ministro mencionou especificamente "os desafios comuns enfrentados pelo Líbano e pela Síria no contexto dos rápidos desenvolvimentos regionais", bem como as questões dos prisioneiros sírios no Líbano (em conformidade com um acordo para seu retorno à Síria, que está sendo implementado), o destino dos detidos libaneses em prisões sírias do antigo regime, cujo paradeiro permanece desconhecido, e o combate ao contrabando através das fronteiras de ambos os países.
E, claro, o retorno "seguro e digno" dos refugiados sírios ao seu país. O Líbano acolheu quase dois milhões deles durante a guerra na Síria, e centenas de milhares permanecem em seu território.
Ataques israelenses de rara violência
Enquanto o primeiro-ministro se ocupava em “fortalecer” as relações com o vizinho do leste, o vizinho do sul continuava a bombardear um número crescente de cidades e vilarejos libaneses.
O sábado foi ainda mais violento e mortal do que os dias anteriores. Começou com um apelo israelense para a evacuação de mais nove vilarejos no sul. Os ataques israelenses continuaram ao longo do dia, no sul e no Vale do Bekaa, incluindo em Nabi Chit, resultando em várias mortes e feridos, elevando o já elevado número de vítimas para mais de 2.700 desde 2 de março.
O ataque mais notável do sábado foi o que atingiu um carro que passava por Jahiliyeh, uma cidade nas montanhas Chouf, no Monte Líbano, o primeiro ataque desse tipo desde o início da guerra em 2 de março. Três pessoas que estavam no carro morreram. Somando-se a isso os numerosos ataques com drones que atingiram veículos e edifícios fora da região da fronteira, na área de Sidon e mais ao norte, devemos concluir que os israelenses estão expandindo sua ofensiva no Líbano?
O Hezbollah não se deixou intimidar: no sábado, intensificou seus ataques com drones contra o norte de Israel, visando particularmente concentrações militares.
Esses drones "explosivos" representam um verdadeiro desafio para os israelenses, pois são difíceis de detectar, e feriram pelo menos duas pessoas no norte do país: um oficial e um soldado, este último gravemente ferido, segundo o exército israelense.
A resposta iraniana ainda está pendente
No que diz respeito ao Irã, o dia transcorreu relativamente tranquilo. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou na noite de sexta-feira que aguardava uma resposta iraniana à mais recente proposta americana, que aparentemente ainda não havia sido dada até o momento da redação deste texto.
Estaria a diplomacia iraniana tentando ditar seu próprio ritmo, ou as divisões internas no Irã se tornaram tão significativas que impedem uma resposta clara às propostas americanas? Esta segunda opção, pelo menos, é a mais defendida por uma reportagem americana divulgada pela mídia.
Um ponto crucial deste sábado: o ceticismo expresso pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, que manifestou dúvidas sobre a "seriedade da diplomacia americana nas negociações em curso para uma solução do conflito no Oriente Médio", citando "múltiplas violações do cessar-fogo".
Trocas de tiros ocorreram no dia anterior em áreas próximas ao Estreito de Ormuz, e ainda não houve cessar-fogo.