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O Essencial do Dia

Ação inédita do Líbano contra o Irã na ONU

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O presidente dos EUA, Donald Trump, em sua chegada ao aeroporto de Pequim. (Brendan Smialowski/AFP)
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Por LevantTime .
Publicado mai 14, 2026 - 00:13

Uma iniciativa libanesa inédita praticamente roubou a cena, em nível local, na quarta-feira, dos dois principais encontros que são a retomada das negociações líbano-israelenses em Washington e a cúpula Trump-Xi em Pequim.


Na véspera desses dois prazos cruciais pelo seu impacto na guerra na região, Beirute enviou à ONU um memorando no qual questiona fatos apresentados por Teerã para protestar junto ao Conselho de Segurança das Nações Unidas contra o ataque israelense que matou quatro de seus diplomatas no hotel Ramada, localizado em Raouché, em março passado.


Neste memorando, a diplomacia libanesa critica a República Islâmica, acusando-a de violação da Convenção de Genebra sobre relações diplomáticas e interferência nos assuntos internos libaneses, segundo a Independent Arabia, que divulgou a informação.

O Líbano também acusa Teerã de o ter envolvido, via seu braço militar, o Hezbollah, em uma guerra destrutiva que não o diz respeito.


Esta ação do ministério libanês das Relações Exteriores, destinada a recolocar os fatos em seu contexto exato, segue na sequência das decisões do governo que havia proibido as atividades paramilitares do Hezbollah e julgado persona non grata o embaixador acreditado por Teerã em Beirute, Mohammad Reza Chibani.

Sua importância, na véspera da terceira rodada das negociações líbano-israelenses em Washington, reside na mensagem dupla que envia: por um lado, a determinação do Estado libanês de prosseguir no processo que supostamente o permitirá, a longo prazo, restaurar sua soberania sobre todo o território. Por outro lado, um reconhecimento oficial libanês, ainda que implícito, da subordinação do Hezbollah ao regime dos aiatolás.


No texto, o Líbano afirma «seu direito de responsabilizar internacionalmente o Irã e de o fazer arcar com as consequências de suas violações repetidas de suas obrigações internacionais», segundo a Independent Arabia que disse ter tomado conhecimento de seu teor.

A mídia, no entanto, informou sobre uma reclamação apresentada pelo Líbano à ONU. Em um comunicado divulgado à noite, o ministério das Relações Exteriores esclareceu que se tratava, na verdade, de uma resposta a cartas iranianas endereçadas ao Conselho de Segurança. Se Beirute optou por reagir, foi por causa de informações incorretas que Teerã havia apresentado em seu nome.


O embaixador do Irã perante a ONU havia acionado o Conselho de Segurança após o ataque, acusando Israel de uma «grave violação do direito internacional», ao visar «quatro diplomatas iranianos que exerciam as funções de representantes oficiais de um Estado membro soberano no território de outro Estado soberano».

O Líbano explicou, por sua vez, que os pseudo-diplomatas mortos eram na verdade membros do Corpo de Guardiões da Revolução do Irã. Baseou suas afirmações em fotos deles em uniforme militar, com suas patentes bem em evidência.


Se Beirute forneceu essas informações à ONU, foi porque na sua carta, o Irã havia dito ter «informado as autoridades libanesas sobre o deslocamento dos quatro diplomatas para o hotel Ramada antes de seu assassinato». O Líbano, no entanto, afirmou que não houve coordenação, baseando-se em uma nota oficial de 16 de março, na qual a embaixada do Irã reconheceu que «não lhe foi possível informar o ministério das Relações Exteriores sobre a presença dos quatro diplomatas no hotel Ramada». Mais ainda, esse departamento lembrou ter solicitado duas vezes uma lista atualizada de diplomatas iranianos presentes no Líbano, sem receber resposta.


Beirute também detalhou no documento as intervenções prejudiciais da Guarda Revolucionária no país e lembrou, para ilustrar uma violação flagrante da Convenção de Genebra, o lançamento do primeiro ataque coordenado com o Hezbollah, desde o início da guerra em fevereiro.

Foi em 11 de março, uma semana depois da decisão do governo de proibir as atividades paramilitares do Hezbollah. Naquele dia, os Guardiões da Revolução anunciaram os ataques coordenados nos quais cerca de cinquenta locais em Israel foram alvo.


Uma alavanca política


Longe de ter um impacto direto no diálogo líbano-israelense de quinta-feira, a iniciativa libanesa é, no entanto, de natureza a servir como alavanca política para um Líbano ansioso em provar que quer retomar o controle da decisão de guerra e paz, até então hipotecada pelo Hezbollah. Um sinal tanto mais capital quanto Israel permanece focado na segurança de suas localidades na fronteira norte com o Líbano.


Por enquanto, a preocupação libanesa continua sendo o fim das hostilidades que já causaram pelo menos 2.882 mortes, incluindo 200 crianças. É em torno desse objetivo - até agora rejeitado por Israel - que se abrirão quinta-feira as negociações de dois dias entre as duas delegações libanesa e israelense, lideradas respectivamente pelo antigo embaixador Simon Karam e Yechiel Leiter, chefe da missão diplomática israelense em Washington, e compostas, entre outros, por militares.


As discussões prometem ser difíceis devido a divergências nos níveis de prioridades. O Líbano quer principalmente um respeito rigoroso do cessar-fogo de 17 de abril e um fim das destruições israelenses nas aldeias fronteiriças para permitir o retorno dos deslocados do Sul.

Israel, por sua vez, exige um plano claro de desarmamento do Hezbollah, uma condição que já havia estabelecido em novembro de 2024, no acordo de cessar-fogo que havia encerrado a guerra também iniciada por esse grupo pró-iraniano, em apoio ao Hamas em Gaza.

Tel Aviv já havia feito saber que não se retirará da zona tampão que continua expandindo no sul, enquanto o Hezbollah for considerado uma ameaça.


Como para reafirmar sua determinação em neutralizar esse grupo, o exército israelense intensificou seus ataques na quarta-feira contra objetivos do Hezbollah, no Sul do Líbano. Ele também visou quatro carros no litoral de Chouf e no Sul do Líbano. Nove pessoas ao todo foram mortas, incluindo duas crianças. Chamados para a evacuação de aldeias também foram lançados. Os habitantes de nove localidades na linha de fogo israelense foram assim ordenados a deixá-las «em direção a espaços abertos».


A cúpula de Pequim


No nível regional, a atenção está focada nas conversas que o presidente americano Donald Trump terá com seu homólogo chinês Xi Jinping, durante sua visita de dois dias a Pequim, onde chegou na quarta-feira.

Uma cúpula com grandes questões globais em jogo, do comércio internacional à guerra no Irã, passando por Taiwan.

O presidente americano deve particularmente solicitar a ajuda da China em seu confronto diplomático com o Irã. Especialmente porque isso corre o risco de resultar em uma retomada das operações militares caso Teerã se mantenha em suas posições, «inaceitáveis» para Washington.


No cerne das negociações, o destino do Estreito de Ormuz que Teerã continua determinada a querer controlar «porque os rendimentos dos direitos de pedágio são superiores aos provenientes da venda de petróleo», insistiu Teerã na quarta-feira. Uma opção praticamente inaceitável em escala internacional, devido ao seu impacto geopolítico estratégico e comercial.


Outro dossier importante na agenda das discussões em Pequim: a cooperação econômica à qual Donald Trump atribui particular importância, como aliás mostra a composição da delegação que o acompanha, composta por cerca de quinze principais chefes de empresas.

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