
A diplomacia paquistanesa está ativa em duas frentes, libanesa e iraniana, com a visita oficial do comandante-chefe do exército, general Rodolphe Haykal, a Islamabad, e a do ministro do Interior paquistanês, Mohsin Naqvi, a Teerã. Embora diferentes, as duas missões fazem parte dos esforços contínuos para restaurar a calma na região. O exército libanês anunciou no sábado a partida de seu comandante para Islamabad, a convite de seu homólogo e do ministro da Defesa paquistanês, sem esclarecer o objetivo da visita. Devido às tensões entre Beirute e Teerã, agravadas pelo acordo de cessar-fogo entre Líbano e Israel de quarta-feira, tudo indica que a deslocação do general Haykal a Islamabad se inscreve no contexto da mediação conduzida pelo Paquistão entre os Estados Unidos e o Irã. E com razão: o dossiê do Hezbollah faz parte dos pontos de discórdia entre Washington e Teerã. Empenhada em preservar sua influência no Líbano, que considera um Estado satélite, a República Islâmica não pretende abrir mão dessa carta de trunfo para suas futuras negociações com Washington. Mostrou isso novamente quando contestou abertamente na quinta-feira o acordo de trégua, que apesar de tudo é resultado de uma decisão soberana libanesa. A oposição iraniana, ecoada pelo Hezbollah ao rejeitar também o acordo, complica a execução do documento. Três militares libaneses mortos no sul Aliás, o cessar-fogo, dependente da interrupção dos disparos da organização pró-iraniana contra Israel, continua à espera. A guerra prossegue no mesmo ritmo desde quarta-feira no Sul do Líbano, onde Israel disse ter atingido «aproximadamente 150 alvos» do Hezbollah em 48 horas. Três militares libaneses foram também mortos no sábado em um ataque aéreo israelense entre Khardali e Nabatiyé. Duramente condenado pelas autoridades libanesas, este ataque injustificado está sendo investigado em Tel Aviv, segundo o porta-voz militar israelense, que mencionou a possibilidade de um erro ligado, segundo ele, a «um movimento que foi considerado suspeito perto de uma zona de combate». Este ataque foi imediatamente instrumentalizado por um Hezbollah que continua carente de argumentos para justificar a aventura destrutiva em que envolveu o Líbano. Segundo ele, o ataque aéreo que matou um general de brigada, um capitão e um soldado «é consequência do desprezo do poder pela soberania, bem como de suas concessões gratuitas». Esta acusação infundada, permeada de má fé, segue a linha das críticas formuladas pelo chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, ao presidente Aoun. Este último havia estigmatizado, na sexta-feira, durante uma entrevista à CNN, o papel desestabilizador do Irã no Líbano. «Pelas declarações do Sr. Aoun, poder-se-ia crer que é o Irã que ocupou um quinto do Líbano, deslocou um quarto dos libaneses e bombardeia seu país diariamente», respondeu Araghchi no X. «Se o Líbano tivesse sido moeda de troca para o Irã, teríamos fechado um acordo há muito tempo. Salve o Líbano de seu verdadeiro inimigo, Senhor Presidente», acrescentou o ministro que, com igual má fé, se limita a focar nas consequências da ação pela qual seu país é diretamente responsável. Suas declarações deslocadas dirigidas ao presidente da República provocaram reações indignadas no Líbano, onde o deputado Ghayath Yazbek (Forças Libanesas) pediu ao ministro iraniano, não sem ironia, que deixasse o Líbano em paz. «Obrigado, Sr. Araghchi. Nós o dispensamos de sua solicitude com o Líbano. Vá assinar um acordo com Washington e deixe-nos viver em paz», escreveu no X, antes de comparar o Irã a um «bombeiro incendiário». «Seu Estado fez dele o símbolo de sua política externa, baseada na má vizinhança, sabotagem e exportação do caos e fornecimento de seus serviços», acrescentou. Targeting do Bahrain e do Kuwait Essa acusação ocorre algumas horas após novos disparos iranianos, na madrugada de sexta para sábado, contra Bahrain e Kuwait, que afirmaram se reservar o direito de defender seus respectivos países. O ataque iraniano foi consequência de disparos do exército americano que abateu na sexta-feira seis dos sete mísseis balísticos e drones iranianos lançados em direção ao Estreito de Ormuz e aos aliados árabes do Golfo. O sétimo não atingiu seu alvo, segundo o Centcom, que afirmou ter também atacado, em resposta, os sítios de radar, incluindo uma ilha no estreito, "para se defender contra novos ataques". É neste contexto de tensão renovada que o ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, deslocou-se no sábado a Teerã, trazendo, segundo meios de comunicação pan-árabes, novas propostas americanas relativas em particular ao desbloqueio dos ativos iranianos, sobre o qual a República Islâmica insiste. Inauguração do aeroporto de Qlayaat Em outro plano, o Líbano iniciou no sábado o projeto de desenvolvimento e exploração do aeroporto de Qlayaat, em Akkar, durante uma cerimônia oficial realizada com a presença do chefe de governo, Nawaf Salam, e de numerosos oficiais. O aeroporto recebeu, a título simbólico, um primeiro avião. A importância deste projeto não é apenas de ordem socioeconômica. É também política na medida em que a colocação em serviço do aeroporto René Moawad marca um passo a mais no caminho da libertação do jugo do Hezbollah. Este último, com seus aliados no Líbano, se opunha a isso por diversas razões. O Hezbollah havia conseguido ter uma presença ativa no único aeroporto internacional de Beirute, que tinha para ele uma importância estratégica capital, dada sobretudo sua localização geográfica. O AIB está situado em seu reduto, nos subúrbios sul de Beirute. Basta lembrar, aliás, que essa formação realizou seu golpe em Beirute, em maio de 2008, quando o governo de Fouad Siniora havia decidido, numa tentativa de reduzir sua influência dentro do Estado, demitir o chefe de segurança do AIB, Wafic Choucair, e desmantelar sua rede de comunicações.









