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O Essencial do Dia

O subúrbio sul em equilíbrio instável

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Vários eixos rodoviários estavam bloqueados, na segunda-feira, 1º de junho, por imensos congestionamentos de carros, enquanto moradores da periferia sul fugia de suas casas após as ordens de ataques emitidas por Israel. (Fadel Itani / AFP)
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Por LevantTime .
Publicado jun 2, 2026 - 23:52

A quarta rodada de negociações diretas entre o Líbano e Israel foi realizada na noite de terça-feira no Departamento de Estado, em Washington, sob mediação dos Estados Unidos, enquanto a tensão continua elevada no sul do Líbano, onde o exército israelense prossegue com suas operações militares e continua avançando em campo, especialmente ao norte do rio Litani. As conversações libanesas-israelenses, que contam do lado libanês com a participação do ex-embaixador Simon Karam, continuarão nesta quarta-feira, também na capital federal.

No plano militar, a aviação israelense realizou ao longo de toda a terça-feira e durante a noite uma série de ataques aéreos contra posições e depósitos de armas e munições em várias localidades dos distritos de Tiro, Bint Jbeil e Nabatiyeh. As cidades de Tiro e Nabatiyeh também foram atingidas. No final do dia, o exército israelense informou sobre a presença de “dezenas de militantes do Hezbollah” que teriam se retirado para o bairro cristão de Tiro.

Mas foi sobretudo a situação do subúrbio sul de Beirute que concentrou a atenção dos círculos políticos e diplomáticos nesta terça-feira. O entendimento alcançado no último momento na noite de segunda-feira pelo presidente Donald Trump, após contatos urgentes com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente Joseph Aoun, estabelece que Israel suspenderia seu ataque aéreo contra o subúrbio sul, que aparentemente era iminente, em troca da interrupção dos disparos de foguetes do Hezbollah contra Israel. O acordo obtido pelo presidente americano baseia-se na equação “subúrbio sul em troca do norte de Israel”.

Netanyahu e seu ministro da Defesa, Israel Katz, destacaram claramente nesta terça-feira que, caso o partido pró-Irã retome os ataques contra território israelense, Israel bombardeará posições do Hezbollah no subúrbio sul. Essa abordagem foi rejeitada por um alto dirigente da organização xiita, que afirmou que seu partido não aceitará a fórmula de um cessar-fogo parcial e insiste em uma interrupção total e permanente das hostilidades. Essa posição coincide com a do governo libanês, que a defenderá durante as negociações em Washington.

Diante desse cenário, torna-se evidente que o subúrbio sul encontra-se em uma espécie de equilíbrio instável, considerando a continuidade das operações militares conduzidas pelo exército israelense no sul do país, o que poderia provocar uma resposta do Hezbollah contra Israel. Nesse contexto, vale destacar que Tel Aviv informou no final da terça-feira que uma de suas unidades de comando foi mobilizada ao norte do Litani, na área da localidade de Zawtar.

Outro desenvolvimento que atraiu a atenção da mídia nos Estados Unidos e em Israel foi o clima em que ocorreu a conversa telefônica de segunda-feira entre o presidente Trump e Netanyahu. Um dos canais de televisão de Tel Aviv confirmou no final do dia que a discussão entre os dois líderes foi particularmente tensa. Um site americano informou na manhã de terça-feira que o chefe da Casa Branca teria utilizado um tom pouco cordial ao se dirigir ao primeiro-ministro israelense. O canal de televisão citado acrescentou que fontes próximas a Netanyahu afirmavam na manhã de terça-feira que a conversa de segunda-feira representou o contato mais tenso entre o presidente americano e o primeiro-ministro israelense desde o início do segundo mandato de Donald Trump, há cerca de um ano e meio. Na noite de terça-feira, Netanyahu planejava reunir sua equipe ministerial para avaliar a situação na região.

Por fim, cabe destacar que o Conselho de Segurança da ONU realizou, durante a madrugada de segunda-feira para terça-feira, uma reunião extraordinária a pedido da França para analisar a deterioração da situação militar no Líbano.

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