


O suspense do dia, nesta segunda-feira 1º de junho, centrou-se desta vez no destino dos subúrbios sul, que viveram as últimas vinte e quatro horas sob ameaça de bombardeios israelenses iminentes. No final da noite, o presidente Donald Trump anunciava a conclusão de um acordo prevendo o fim dos disparos do Hezbollah contra Israel em troca da suspensão do bombardeio israelense dos subúrbios sul, que estava prestes a ser executado.
O chefe da Casa Branca fez este anúncio em sua rede social Truth Social, indicando que havia tido uma conversa "muito produtiva" com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Aludindo ao ataque que parecia iminente contra os subúrbios sul, indicou que "nenhuma tropa se dirigirá a Beirute, e as forças que estavam a caminho recuaram".
O presidente Trump indicou ainda que "por intermédio de representantes de alto nível, tive uma conversa telefônica com o Hezbollah, e eles concordaram em cessar os disparos, no sentido de que Israel não os ataque e eles não ataquem Israel". No final da noite, uma fonte americana autorizada esclarecia que os contatos com o Líbano sobre cessar-fogo ocorreram com o presidente Joseph Aoun.
Foi na manhã de segunda-feira que a tensão aumentou dramaticamente quando o primeiro-ministro israelense e seu ministro da Defesa Israel Katz anunciaram em comunicado conjunto que havia ordenado ao exército bombardear os subúrbios sul, mais precisamente os depósitos de drones e munições, os centros de construção de drones e os postos de comando do Hezbollah. Pouco após a divulgação deste comunicado, foi registrado um êxodo massivo dos habitantes dos subúrbios sul, provocando congestionamento na saída da região. Para evitar que a tensão degenerasse em deslizamentos de segurança, o exército procedeu ao bloqueio das entradas de Ain el-Remmané com barreiras fixas.
Enquanto a aviação israelense multiplicava ao longo do dia seus ataques contra posições do Hezbollah em várias aldeias do sul – o ataque mais letal devastou completamente um bairro inteiro em Tiro – as autoridades empreendiam contatos urgentes para evitar que o Estado hebreu executasse suas ameaças contra os subúrbios sul. O chefe do legislativo e líder do movimento Amal, Nabih Berry, deveria afirmar que o Hezbollah havia concordado em cessar seus disparos contra Israel.
Mais tarde no dia, o regime iraniano retomava sua manobra visando tentar controlar o mapa libanês. Assim, enfatizou que qualquer ataque contra os subúrbios sul teria repercussões diretas no norte de Israel, convidando os habitantes dessa região a evacuar em caso de bombardeios contra os subúrbios de Beirute. À tarde, Teerã anunciava que suspendia as negociações (indiretas) e trocas de mensagens com os Estados Unidos devido às ameaças israelenses. Ao que o presidente Trump respondeu à noite: "Não me importa se as negociações com o Irã são interrompidas. Posso esperar muito tempo, são eles que estão perdendo".
Esta posição agressiva adotada pelo Irã para evitar a todo custo bombardeios contra os subúrbios sul levou alguns analistas a questionarem as razões de tal atitude e a se perguntarem o que há de tão importante neste subúrbio que explicaria a posição do regime iraniano a respeito...
De qualquer forma, as informações disponíveis no final da noite permitiam esclarecer a situação da seguinte forma:
O fim dos disparos anunciado pelo presidente Trump não diz respeito necessariamente ao Sul do Líbano, onde os ataques continuaram intensos durante a noite contra várias aldeias.
O acordo firmado na segunda-feira estipula implicitamente uma equação segundo a qual o bombardeio da periferia sul será executado se o Hezbollah retomar seus disparos contra Israel (o Sr. Netanyahu indicou à noite que havia enfatizado este ponto em sua conversa telefônica com o presidente Trump, esclarecendo ao mesmo tempo que o exército prosseguirá suas operações no Sul).
Tarde da noite de segunda-feira, o canal pan-árabe al-Hadath informava que o Hezbollah lançou foguetes contra o norte de Israel, em particular em direção a Metula, onde as sirenes de alarme foram acionadas.
Segundo algumas fontes, o chefe da Casa Branca interviu para suspender o bombardeio da periferia sul, a fim de não comprometer a nova rodada de discussões diretas entre Líbano e Israel, previstas para terça e quarta-feira no Departamento de Estado, em Washington.
Cabe assinalar, no plano regional, que o comando militar americano indicou na segunda-feira pela manhã que a aviação dos EUA bombardeou sábado e domingo últimos posições iranianas, nomeadamente defesas aéreas, radares e centros de lançamento de drones e mísseis.
Ao mesmo tempo, o exército americano interceptou e destruiu durante o fim de semana dois mísseis balísticos que haviam sido lançados pelos Guardas da Revolução em direção a uma base militar dos EUA no Kuwait. Tarde da noite de segunda-feira, os Guardas da Revolução indicavam que haviam lançado um míssil contra "uma nave pertencente ao inimigo sionista americano"…