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O Essencial do Dia

Conflito iraniano: impasse diplomático, escalada militar

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A cidade de Tiro, no sul do Líbano, foi alvo de intensos ataques aéreos israelenses que deixaram dezenas de mortos em 28 de maio de 2026. (Kawnat Haju/AFP)
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Por LevantTime .
Publicado mai 29, 2026 - 01:00

Os libaneses e os povos dos países do Levante em geral parecem ter de se resignar a serem submetidos regularmente ao regime do banho de água fria no que diz respeito à evolução do conflito iraniano. Na quinta-feira à tarde, informações divulgadas pelo site americano Axios mencionavam a conclusão de um acordo-marco entre negociadores americanos e iranianos. As mesmas fontes afirmavam que uma cópia desse memorando de entendimento havia sido transmitida à Casa Branca e que o presidente Donald Trump havia solicitado "alguns dias de reflexão" antes de avalizar o texto.

Algumas horas depois, os Guardiões da Revolução da República Islâmica do Irã pareceram querer "facilitar" a tarefa do presidente americano ao ressaltar, por meio da agência Tasnim, que reflete seu ponto de vista, que nenhum acordo foi ainda concluído entre americanos e iranianos.

Segundo as posições públicas adotadas de ambos os lados, as divergências ainda são profundas entre as duas partes, especialmente quanto aos problemas da livre circulação no Estreito de Ormuz, o bloqueio naval americano imposto ao Irã, a devolução ao governo iraniano de parte dos haveres iranianos em moedas estrangeiras congelados há vários anos e o destino do urânio enriquecido.

O Secretário do Tesouro americano afirmou na quinta-feira nesse contexto que nenhum acordo é possível com o Irã antes da reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo sem condições e sem a entrega aos Estados Unidos do urânio enriquecido. Ora, este último ponto é rejeitado pelos Guardiões da Revolução, de modo que o ceticismo era claramente perceptível na quinta-feira à noite quanto a um rápido desbloqueio das negociações americano-iranianas.

Cabe notar que o presidente Trump dirigiu na quinta-feira um severo aviso ao sultanato de Omã, alertando-o contra qualquer acordo que estivesse inclinado a concluir com o regime iraniano para gerir conjuntamente o Estreito de Ormuz e impor um direito de passagem aos navios mercantes de comum acordo.

Teerã insiste em controlar o estreito e impor uma espécie de pedágio nessa via marítima para garantir receitas substanciais.

Note-se a esse respeito que uma fonte iraniana indicou ao Wall Street Journal que as reservas em moedas estrangeiras da República Islâmica são suficientes apenas para três meses.

Escalada nas operações militares

Enquanto as negociações pareciam assim estagnadas, uma clara escalada foi registrada na quinta-feira nas operações militares tanto em nível regional quanto local.

No final da noite de quinta-feira, a agência iraniana oficial Fars noticiava "disparos de mísseis iranianos a partir do sul do Irã".

A agência Tasnim indicava por sua vez que disparo de armas automáticas eram ouvidos em Bandar Abbas devido a confrontos em curso nas águas do Golfo.

A mídia de Teerã esclarecia nesse contexto que os Guardiões da Revolução abriram fogo no Estreito de Ormuz na direção de navios de guerra americanos e um confronto se seguiu entre as embarcações americanas e os Pasdaran.

Na madrugada de quinta-feira, os Guardiões da Revolução haviam lançado drones contra um petroleiro americano e três navios que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz.

O exército americano indicou ter interceptado quatro drones antes de conduzir um ataque aéreo contra um local de lançamento de drones no setor do porto de Bandar Abbas.

Em reação, os Pasdaran lançaram mísseis e drones contra o Kuwait. As sirenes de alarme foram ativadas na capital e o exército kuwaitiano precisou em comunicado que "as defesas aéreas kuwaitianas repeliriam ataques conduzidos por mísseis e drones inimigos".

Os Pasdaran afirmaram, por sua vez, ter visado «uma base americana». Este ataque dos Guardiões da Revolução Islâmica contra o Kuwait inscreve-se no âmbito da estratégia seguida pelos Pasdaran desde o início desta guerra, em 28 de fevereiro passado, visando concentrar suas agressões nos países do Golfo (mais do que em Israel) com o objetivo de levá-los a exigir o desmantelamento das bases americanas no Golfo e a intervir junto aos Estados Unidos para que coloquem fim à sua pressão econômica e militar sobre a República Islâmica.

Importa assinalar, além disso, que o exército israelense eliminou na quinta-feira em Gaza dois altos responsáveis militares do Hamas.

Gestões de Raggi para preservar os vestígios de Tiro

Na frente libanesa, informações davam conta, já ao final da noite, de um avanço rápido e significativo das tropas israelenses que estariam a um quilômetro e meio da cidade de Nabatiyeh e que teriam tomado o controle do castelo de Beaufort, importante posição estratégica na região.

O dia de quinta-feira foi marcado principalmente por um disparo de míssil israelense contra um apartamento em Choueifat, onde foi morto Ali Husseini, responsável pelo sistema de mísseis do Hezbollah.

Ao amanhecer de quinta-feira, foi conduzido um ataque aéreo israelense contra a cidade de Tiro. Tsahal informou ter atacado centros de comando do Hezbollah na cidade.

Segundo algumas fontes, um ataque visou também um setor próximo aos famosos vestígios da cidade de Tiro.

Neste sentido, o ministro das Relações Exteriores Joe Raggi empreendeu gestões diplomáticas urgentes a fim de evitar qualquer dano ao patrimônio arqueológico e cultural que constitui a riqueza da região de Tiro.

Voltando às operações militares, um disparo de míssil visou na quinta-feira ao amanhecer, em Sidon, um apartamento num edifício de vários andares. Três pessoas foram mortas neste ataque.

Além disso, um veículo foi alvo de um disparo de drone na estrada costeira de Adloun, próximo a Sidon. Este ataque teria causado seis mortos.

Ataques aéreos foram igualmente reportados no início da manhã contra a cidade de Nabatiyeh, bem como contra posições da milícia do Hezbollah no caza de Jezzine e em Zahrani. Uma motocicleta circulando na periferia de Tiro foi, por sua vez, alvo de um disparo de drone ao amanhecer.

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