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Negociações entre Líbano e Israel: o Hezbollah está recorrendo à provocação?

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A fórmula de cessar-fogo imposta por Donald Trump continua sendo prejudicada no terreno. Em Bourj el-Chémali, perto de Tiro, um local em ruínas após um ataque israelense. (Kawnat Haju / AFP)
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Por LevantTime .
Publicado jun 3, 2026 - 22:08

A segunda sessão da quarta rodada de negociações diretas entre o Líbano e Israel foi retomada nesta quarta-feira no Departamento de Estado, em Washington. As discussões, que continuam difíceis e impactadas pela violência no terreno no sul do Líbano, deveriam prosseguir após uma pausa para o almoço. Beirute segue tentando obter de Tel Aviv, como prioridade, um compromisso com uma trégua duradoura, enquanto, no terreno, a fórmula de cessar-fogo imposta na segunda-feira pelo presidente Donald Trump, após as ameaças israelenses de atacar os subúrbios do sul de Beirute, continua sendo colocada à prova.

O Hezbollah demonstrou nesta quarta-feira que dá pouca importância a essas ameaças, feitas pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e por seu ministro da Defesa, Israel Katz. Ambos haviam advertido que o Exército israelense atacaria os subúrbios do sul de Beirute caso o grupo apoiado pelo Irã continuasse seus ataques contra localidades do norte de Israel. Donald Trump, no entanto, havia se oposto firmemente a essa possibilidade.

No início da tarde, o Hezbollah reivindicou o lançamento de dois foguetes contra uma base militar israelense no norte do país. Os dois projéteis foram interceptados pelo Exército israelense, enquanto sirenes soavam em Kiryat Shmona e Menara.

O Hezbollah está tentando provocar as autoridades israelenses, sabendo que elas não ultrapassarão os limites estabelecidos pelo presidente americano? Talvez. Mas provavelmente se engana se acredita que pode tirar proveito das divergências que surgiram na segunda-feira entre Tel Aviv e Washington, após o desentendimento entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu sobre a operação militar israelense, que permanece limitada ao sul do país.

As declarações feitas nesta quarta-feira pelo presidente americano e por seu secretário de Estado, Marco Rubio, assim como por Benjamin Netanyahu, confirmam que Estados Unidos e Israel continuam alinhados quanto aos objetivos estratégicos no Líbano e no Irã, mas divergem quanto à tática. Washington e Tel Aviv concordam sobre a necessidade de pôr fim à presença militar do Hezbollah no Líbano, visto como o braço armado do Irã no país.

Para Washington, a diplomacia continua sendo o caminho prioritário, tanto em relação ao Líbano quanto ao dossiê iraniano. Donald Trump reiterou essa posição nesta quarta-feira, durante uma entrevista ao podcast do New York Post, ao mesmo tempo em que afirmou estar “contrariado” com a “guerra sem fim” conduzida por Israel contra o Líbano. Paralelamente, o primeiro-ministro israelense declarou compartilhar com o presidente americano o objetivo de desarmar o Hezbollah, em entrevista ao canal americano CNBC.

“Se queremos salvar o Líbano, se queremos alcançar a paz entre o Líbano e Israel, como eu desejo, devemos desarmar o Hezbollah e desmilitarizar o país. Esse é um objetivo que o presidente e eu compartilhamos, e é isso que precisamos fazer”, afirmou.

O secretário de Estado americano ecoou essa posição ao destacar “o perigo” que o Hezbollah representa para o Estado libanês, especialmente após as ameaças feitas por dirigentes do grupo de derrubar o governo de Nawaf Salam.

O mais importante continua sendo a vontade de Washington de dissociar as negociações libanês-israelenses em curso das conversas iniciadas com o Irã, algo que Teerã continua rejeitando.

A presidência americana pretende, portanto, administrar simultaneamente, mas de forma separada, as negociações bilaterais entre o Líbano e Israel e o dossiê iraniano. Sobre este último, Donald Trump afirmou que as discussões avançam rapidamente. O Irã, porém, apressou-se em desmenti-lo, negando ter enviado a Washington qualquer resposta às propostas americanas para a retomada das negociações. O desmentido, divulgado pela agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, foi publicado pouco depois da entrevista de Donald Trump ao New York Post.

A Tasnim, contudo, não comentou as declarações do presidente americano sobre a possibilidade de um encontro com o novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei.

Enquanto Teerã continua ganhando tempo, Donald Trump reafirmou pela enésima vez que não esperará indefinidamente e que terá de escolher entre concluir um acordo com o Irã ou lançar uma operação militar. Ele classificou essa segunda opção como “desagradável”.

Benjamin Netanyahu, por sua vez, afirmou que a República Islâmica “está brincando com fogo”, referindo-se não apenas à sua demora nas negociações indiretas com Washington, mas também aos ataques realizados durante a madrugada de terça para quarta-feira contra o Kuwait e o Bahrein. Segundo os Pasdaran, essas ações foram uma resposta a ataques americanos que teriam atingido um petroleiro iraniano e uma ilha no Estreito de Ormuz.

No Kuwait, os ataques reivindicados pelos Pasdaran atingiram um terminal do aeroporto e deixaram um morto e 63 feridos, alguns deles em estado grave.

Em resposta, as forças americanas realizaram “ataques defensivos” contra a ilha iraniana de Qeshm, no Estreito de Ormuz, segundo o Comando Central dos Estados Unidos para a região (Centcom). A Guarda Revolucionária respondeu atacando uma base aérea que “abrigava helicópteros” no Kuwait, além da sede da Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos no Bahrein.

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