


O cenário do fim de semana passado se repetiu nesta sexta-feira, 29 de maio. A mídia e a opinião pública foram submetidas a novo vaivém sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã, mediadas pelo Paquistão, visando encerrar a situação de guerra deflagrada em 28 de fevereiro, como prelúdio a negociações bilaterais sobre as grandes questões que alimentam o conflito entre os EUA e a República Islâmica.
Como ocorrera no fim de semana anterior, uma onda de otimismo soprou na tarde de sexta-feira, com rumores sobre a iminente anúncio oficial de um «acordo-quadro» entre Washington e Teerã. O presidente Donald Trump deveria anunciar publicamente que levantaria o bloqueio naval imposto aos portos iranianos e que se preparava para realizar uma reunião na Casa Branca com sua equipe de altos funcionários e conselheiros a fim de «tomar uma decisão definitiva» sobre o projeto de acordo-quadro em gestação.
Após o anúncio do presidente Trump, informações chegaram aos meios de comunicação sobre os termos do memorando de entendimento em questão. Segundo essas indiscrições, o documento previa o restabelecimento imediato da livre circulação marítima no Estreito de Ormuz, sem taxas e sem condições (em troca da suspensão do bloqueio naval) e a destruição pelos EUA do estoque de urânio enriquecido, «em colaboração com a República Islâmica e a Agência Internacional de Energia Atômica». Nenhuma medida estava prevista, porém, para encerrar o congelamento de parte dos ativos iranianos.
Cerca de uma hora depois da divulgação dessas informações, as autoridades iranianas, pelo menos aquelas próximas à Guarda Revolucionária, afirmavam que nenhum acordo havia sido fechado, que as informações reportadas pelo presidente Trump eram errôneas e, para completar, que «é o Irã que impõe suas condições» à administração americana, e não o contrário.
O clima manifestamente negativo filtrado à mídia pelo setor do regime iraniano próximo aos Pasdaran provavelmente repercutiu no desenrolar da reunião presidida pelo presidente Trump na Casa Branca. Após duas horas de debate entre altos funcionários americanos, o presidente Trump não fez nenhum anúncio, contrariamente ao que havia sido indicado na tarde. O New York Times reportava à noite, citando um alto funcionário americano, que nenhuma decisão foi tomada sobre o projeto de acordo-quadro, observando que «ainda há questões a serem discutidas». No final da noite, o Tesouro americano deveria esclarecer que «o bloqueio imposto aos portos iranianos será levantado gradualmente»...
Avanços israelenses e diálogos no Pentágono
Esse impasse diplomático não ocultou os desenvolvimentos nas operações militares, mais precisamente no teatro libanês. O exército israelense continuou na sexta-feira sua operação de «rolo compressor» contra posições, infraestruturas e milicianos do Hezbollah. Novos ataques aéreos intensivos foram realizados contra várias localidades no Sul e no Vale do Bekaa Ocidental. Paralelamente, segundo várias fontes, o exército israelense continua ganhando terreno e teria chegado à periferia de Nabatiyeh. No final da noite, o canal al-Hadath indicava que as forças israelenses se encontravam a 500 metros do Castelo de Beaufort. Outras fontes precisavam em hora avançada da noite que as tropas de Tsahal praticamente haviam chegado ao Castelo medieval cruzado.
No início do dia, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia realizado uma inspeção na fronteira com o Líbano. Em declaração aos correspondentes de imprensa, indicou que o exército israelense havia cruzado o Litani e se posicionado nas colinas estratégicas da região.
«Agimos com força em Beirute, no Sul e na Bekaa, sem restrições», afirmou Netanyahu, que mencionou um «colapso do Hezbollah»… Diversas fontes de informação reportaram na noite de sexta um «colapso do Hezbollah em todas as linhas de frente». Essas indicações não puderam, porém, ser confirmadas por fontes independentes.
Foi nessa atmosfera particularmente tensa e explosiva que ocorreu na sexta-feira à tarde (hora do Levante) no Pentágono a primeira reunião de negociação direta libano-israelense inscrita no marco do «processo de segurança», paralelo ao processo político das negociações bilaterais.
À margem da reunião do Pentágono, o Secretário de Estado Marco Rubio entrou em contato telefônico com o presidente Joseph Aoun para fazer um balanço do diálogo libano-israelense.
De acordo com comunicado da presidência da República, o chefe de Estado destacou nessa ocasião a importância de um cessar-fogo como pré-requisito para qualquer progresso nas negociações com Israel.
O chefe da diplomacia americana reafirmou, por sua vez, o apoio de seu país «à soberania, à estabilidade e à independência do Líbano, bem como a seu direito de decidir seu futuro».
Segundo comunicado do Departamento de Estado, Rubio prestou homenagem «ao coragem do presidente Joseph Aoun que tomou a iniciativa de iniciar negociações com Israel». O Secretário de Estado sublinhou, por outro lado, que «o Hezbollah assume inteira responsabilidade pelos combates em curso no Líbano». Afirmou nesse aspecto que «o Hezbollah continua suas tentativas de obstruir as negociações com Israel».