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O Essencial do Dia

Trump faz severo aviso ao Irã e aos Houthi
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Taline Becharraoui
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jul 23, 2026 - 23:32

A escalada continua e se intensifica na frente iraniana. Há doze dias, sem interrupção, o Exército dos Estados Unidos bombardeia posições e infraestruturas da Guarda Revolucionária em várias regiões do Irã. A entrada dos Houthis no Iêmen também se confirma. No início da manhã desta quinta-feira, a milícia pró-iraniana anunciou ter atingido dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, como parte do bloqueio marítimo que afirma impor à Arábia Saudita. A ativação da frente iemenita não ficou sem resposta por parte dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump fez uma severa advertência ao regime iraniano e aos Houthis. Ao condenar o ataque contra os dois petroleiros sauditas, o chefe da Casa Branca deixou claro que, caso uma agressão semelhante volte a ocorrer, responsabilizará a República Islâmica, “já que é ela quem manipula a milícia Houthi”. O presidente americano destacou que, se um novo ataque acontecer, imporá “uma severa punição ao Irã, assim como aos Houthis”. Por sua vez, o secretário de Estado Marco Rubio declarou nesta quinta-feira que os Houthis fizeram a escolha errada ao se deixarem arrastar para a batalha em curso. Em tom irônico, afirmou que eles “caíram na armadilha” ao decidir entrar na guerra ao lado do Irã. O chefe da diplomacia americana acrescentou que o regime iraniano continuará pagando um preço elevado, “que será ainda maior a cada noite”, até que “volte à razão”. Nesse contexto, vale destacar que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, questionado em uma entrevista sobre o líder supremo Mojtaba Khamenei, afirmou que não o encontrou recentemente e indicou que pouquíssimas pessoas têm acesso a ele. Outros sinais preocupantes de escalada também surgiram. O Reino Unido e a França fecharam suas embaixadas em Teerã. Os iranianos acusam os britânicos de terem permitido que bombardeiros americanos B-1 decolassem de suas bases para atacar o Irã. Além disso, deputados americanos aprovaram, por estreita maioria, um plano de 95 bilhões de dólares para financiar a guerra no Irã, mas o texto ainda deverá ser submetido à votação no Senado. A aprovação ocorre no momento em que o barril de petróleo volta a superar a marca de 100 dólares. Também merece destaque a visita do primeiro-ministro iraquiano Ali el-Zaidi a Teerã nesta quinta-feira, onde foi recebido pelo presidente iraniano Massoud Pezechkian. Segundo a agência iraniana Irna, “vários acordos bilaterais foram assinados”. O jovem político iraquiano, que poucos dias antes havia sido recebido com grande pompa em Washington por Donald Trump e havia assinado diversos acordos com os Estados Unidos, estaria agora buscando preservar sua relação com o poderoso, embora enfraquecido, vizinho iraniano. O acordo nuclear com a Arábia Saudita O acontecimento mais marcante desta quinta-feira foi, sem dúvida, o anúncio feito pelo secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, sobre um futuro acordo para o desenvolvimento da energia nuclear civil na Arábia Saudita. Segundo a AFP, o ministro mencionou a possibilidade de exportar tecnologia americana e gerar empregos para a construção de usinas nucleares que substituam as atuais usinas movidas a petróleo e gás. Nesse contexto, o presidente Trump destacou nesta quinta-feira que o acordo nuclear em negociação com a Arábia Saudita “está vinculado ao reconhecimento de Israel e à ratificação dos Acordos de Abraão”, já assinados por vários países do Golfo, entre eles os Emirados Árabes Unidos. Até agora, Riad se recusava a considerar o reconhecimento do Estado de Israel sem a criação de um Estado palestino. Embora a reação saudita ainda seja aguardada, a do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi imediata após o anúncio de Trump. O gabinete de Netanyahu classificou uma eventual assinatura dos Acordos de Abraão pela Arábia Saudita como “um avanço histórico”. No terreno, a situação entre israelenses e palestinos continua se agravando. O ministro da extrema-direita Itamar Ben-Gvir realizou uma visita altamente controversa à Esplanada das Mesquitas, onde cumprimentou judeus que rezavam no local. A visita foi amplamente criticada, especialmente pela Jordânia, que administra esse importante local sagrado do Islã, já que, segundo o acordo vigente, os judeus podem visitar o local, mas não rezar nele. Enquanto isso, os confrontos entre colonos e palestinos na Cisjordânia continuam. Nesta quinta-feira, dois palestinos foram mortos a facadas durante um confronto com um colono, que também ficou ferido. No Líbano, Hezbollah demonstra irritação No Líbano, multiplicam-se os comentários sobre o saldo da visita do presidente Joseph Aoun a Washington e de sua reunião com o presidente Trump na última terça-feira. Enquanto grande parte da classe política comemorou o sucesso da visita a Washington, o Hezbollah mobilizou uma série de esforços para desacreditar tanto o presidente quanto o primeiro-ministro Nawaf Salam. Em comunicado, o bloco parlamentar do Hezbollah afirmou que a visita presidencial “não conseguiu obter a realização de nenhuma reivindicação nacional soberana e tampouco resultou em um compromisso americano em relação a uma retirada israelense”. O texto da formação pró-iraniana afirma que os dirigentes libaneses estão conduzindo o país “para uma nova tutela estrangeira”. Vale destacar que o presidente do Parlamento e líder do Movimento Amal, Nabih Berri, principal aliado do Hezbollah, telefonou ao presidente após seu retorno ao Palácio de Baabda, apesar de as relações entre os dois terem permanecido relativamente distantes nas últimas semanas.

Mais um passo decisivo contra a influência iraniana no Líbano
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jul 22, 2026 - 00:08

A cúpula entre o presidente libanês, Joseph Aoun, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, marca uma etapa essencial no processo iniciado pelo governo libanês para restaurar a autoridade do Estado. Como pano de fundo, surge um objetivo estratégico que dá continuidade às transformações em curso na região e que conta com o firme apoio dos Estados Unidos, por corresponder também aos seus próprios interesses: pôr fim, de forma definitiva, à influência iraniana no Líbano. Na prática, isso passa, como se sabe, pela resolução da questão das armas ilegais do Hezbollah, que continua se recusando a reconhecer a autoridade do Estado e se opõe de forma contundente à linha política adotada pelo presidente. A resolução desse tema continua sendo, aos olhos dos libaneses e da comunidade internacional, com exceção, naturalmente, do Irã, uma condição indispensável para o restabelecimento da soberania do Estado. Essa questão, juntamente com a retirada israelense do sul do Líbano com base no acordo-quadro entre Líbano e Israel de 26 de junho e, sobretudo, o apoio ao Exército libanês, esteve no centro das conversas entre Trump e Aoun na Casa Branca. O presidente libanês classificou como excelente sua reunião com o colega americano, que, durante uma coletiva de imprensa antes da cúpula, reafirmou as principais diretrizes da política de seu governo em relação aos temas libaneses e iranianos. Sobre o primeiro tema, Donald Trump reiterou seu total apoio ao Líbano e ao presidente libanês, “que luta há muito tempo contra o Hezbollah”. Ele afirmou querer “ajudar muito” o Líbano, “um país maltratado há muito tempo”, antes de destacar as qualidades do “país de origem de muitos amigos”. Por sua vez, Joseph Aoun agradeceu ao anfitrião por essa “visita histórica e pela conquista histórica alcançada em conjunto com a assinatura do acordo-quadro”. A última visita de um presidente libanês a Washington havia ocorrido em 2009. Ele recordou que “o objetivo final” desse documento é “colocar fim ao estado de hostilidade entre o Líbano e Israel, para sempre”. Antes do encontro, o presidente libanês havia informado que pretendia pedir ao colega americano que pressionasse Israel a retirar suas tropas do sul do país. Joseph Aoun, que desde sua chegada ao poder assumiu o compromisso de desarmar o Hezbollah, solicitou ao presidente americano uma ajuda substancial para o Exército libanês e, no Salão Oval, pediu que ele “continue apoiando” as forças armadas regulares. “Sem elas, tudo desmoronará. Não queremos isso. Acho que o presidente Trump também não quer”, declarou Joseph Aoun. Donald Trump respondeu afirmando que tem “planos muito concretos” para ajudar o Exército libanês, que deverá desempenhar um papel central no processo de desarmamento do Hezbollah e de restauração da autoridade do Estado. Em contrapartida, o presidente americano “provavelmente gostaria de obter novas provas da seriedade dos compromissos de Joseph Aoun” em desarmar o Hezbollah e alcançar a paz com Israel, explicou à AFP Robert Satloff, diretor executivo do Washington Institute. Nesse sentido, o canal de televisão árabe Al-Hadath informou que o presidente Aoun apresentou efetivamente ao chefe da Casa Branca um plano para o desarmamento do Hezbollah, o que teria como consequência um enfraquecimento drástico da influência iraniana no Líbano. Diante da imprensa, Donald Trump afirmou estar disposto a dialogar com o Hezbollah “se o presidente [Aoun] desejar”. “Posso conversar com qualquer um”, garantiu. Ele também elogiou o aliado desse grupo pró-Irã, o presidente do Parlamento e líder do movimento Amal, Nabih Berri, “que deseja o fim da guerra”. Paralelamente ao aspecto político, um dos resultados imediatos mais marcantes da reunião na Casa Branca foi, sem dúvida, o anúncio de Donald Trump de que havia instruído seu governo a autorizar todas as companhias aéreas americanas a retomarem os voos diretos para o Líbano. “O Irã ainda não viu nada” Sobre o tema iraniano, Donald Trump voltou a fazer ameaças, afirmando que “os Estados Unidos ainda não terminaram” com a República Islâmica, que intensifica sua pressão sobre o Estreito de Ormuz por meio de seus aliados iemenitas, os Houthis. Estes impõem, como se sabe, um bloqueio naval aos portos sauditas, pertencentes ao maior exportador de petróleo bruto do mundo. Os americanos “vão lidar” com os Houthis caso coloquem suas ameaças em prática, assegurou o presidente americano. Os Estados Unidos já haviam atuado contra esse grupo quando ele interrompeu o tráfego marítimo durante a guerra em Gaza, realizando ataques com drones e mísseis contra embarcações. Trump reafirmou que os iranianos, “que ainda não viram nada”, querem “desesperadamente” um encontro, mas acrescentou que “enquanto não estiverem prontos para fazê-lo de maneira construtiva, não vemos interesse nisso”. O ministro do Interior do Irã, em missão em Islamabad, deverá retornar de mãos vazias, depois que Donald Trump informou ao mediador paquistanês que não tem interesse na trégua de dez dias proposta por Teerã. Durante sua coletiva de imprensa, o presidente americano voltou a ameaçar realizar ataques contra o Monte Al-Faas (Monte do Machado), onde se encontra uma das instalações nucleares subterrâneas mais fortificadas e secretas do país. O Exército em Zawtar al-Gharbiyeh A cúpula entre Aoun e Trump ocorreu enquanto, no terreno, no Líbano, entrava em vigor a primeira fase do acordo-quadro entre o Líbano e Israel de 26 de junho. O Exército libanês iniciou seu deslocamento para Zawtar al-Gharbiyeh, uma vila do distrito de Nabatiyeh ocupada pelos israelenses. O Exército libanês anunciou na manhã de terça-feira o início de sua mobilização na localidade, esclarecendo que a operação era realizada com base nos contatos estabelecidos com a célula criada em virtude do acordo-quadro, o Grupo de Coordenação Militar para o Líbano (MCG4L). Poucos instantes após o início da operação, porém, a tensão voltou a aumentar por causa de um incidente que ilustra a fragilidade do processo em andamento. O Exército libanês acusou as forças israelenses de abrirem fogo “nas proximidades” de suas unidades que ingressavam em Zawtar. Em comunicado, o comando militar advertiu que esses disparos “dificultam a implementação da mobilização nas áreas piloto”, coordenadas com o MCG4L, que são três: Froun, Srifa e Zawtar al-Gharbiyeh. Os israelenses mantinham presença apenas nesta última localidade. O Exército israelense, citado pela emissora Kan, confirmou os disparos, mas afirmou que se tratavam apenas de tiros de advertência. Segundo o Exército israelense, soldados libaneses acompanhados de um trator teriam ultrapassado o limite estabelecido para essa área piloto. Os disparos de advertência tinham o objetivo de obrigá-los a recuar. O mecanismo de monitoramento liderado pelos Estados Unidos foi imediatamente informado sobre o incidente, ainda segundo as forças armadas de Tel Aviv. Por sua vez, o Exército libanês proibiu os moradores de Zawtar de retornarem à localidade enquanto a situação permanecer instável, sobretudo porque está realizando a remoção de mísseis e outros artefatos explosivos não detonados. Bombardeios e demolições Apesar da entrada em vigor da primeira fase do acordo-quadro, a intensidade das operações militares israelenses no sul do país não diminuiu. As operações de demolição com explosivos continuaram na terça-feira, especialmente no distrito de Bint Jbeil, assim como em Khiam, onde o Exército israelense afirma estar destruindo infraestruturas do Hezbollah. As elevações da estratégica colina de Ali Taher, em Nabatiyeh, voltaram a ser alvo de ataques, enquanto explosões eram ouvidas em diferentes pontos da chamada zona de segurança estabelecida por Israel ao longo de sua fronteira norte com o Líbano, onde continua atuando enquanto considerar que as capacidades do Hezbollah não foram neutralizadas. Ameaças iranianas Enquanto a questão libanesa avança conforme as diretrizes do governo libanês, apoiado pelos Estados Unidos, a situação regional, e particularmente as negociações entre Washington e Teerã, continua estagnada. Um dia após novos ataques americanos noturnos, que já se tornaram diários há dez dias, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica prometeu ofensivas “ainda mais violentas” contra interesses americanos na região. Isso significa, na prática, ataques em países do Golfo e na Jordânia, já que Teerã evita atacar Israel diretamente por receio de desencadear uma escalada de consequências imprevisíveis. Bahrein, Kuwait e Jordânia voltaram a interceptar mísseis iranianos na terça-feira. As autoridades kuwaitianas acusaram o Irã de atacar, pelo quarto dia consecutivo, infraestruturas civis, entre elas usinas elétricas e instalações de dessalinização de água, onde ocorreram incêndios. Paralelamente, no Iêmen, os Houthis intensificaram o bloqueio marítimo imposto à Arábia Saudita em resposta ao cerco americano aos portos iranianos. Na terça-feira, advertiram as companhias de navegação de que atacariam qualquer embarcação com destino ou procedente de portos sauditas, o que explica o alerta feito por Donald Trump durante sua coletiva de imprensa conjunta com Joseph Aoun. No campo diplomático, por fim, Paris convocou o encarregado de negócios iraniano após a agressão contra dois diplomatas franceses em Teerã. As autoridades francesas exigem que os responsáveis sejam punidos. Também reiteraram que não haverá qualquer flexibilização das sanções europeias enquanto o Irã mantiver seu programa nuclear e suas ações consideradas desestabilizadoras na região.

Conflito iraniano: a escalada verbal se soma às operações militares
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jul 19, 2026 - 01:01

A situação no Irã continua se agravando em todas as frentes. A escalada ocorre tanto no campo político e midiático quanto no plano militar. As Forças Armadas dos Estados Unidos seguem atacando centros estratégicos e rotas de comunicação da Guarda Revolucionária, que responde bombardeando, como de costume, não Israel, mas os países árabes, principalmente os Estados do Golfo. Nos últimos dias, os ataques da Guarda Revolucionária atingiram também a Jordânia, onde dois soldados americanos morreram, quatro ficaram feridos e um sétimo continua desaparecido enquanto participava de operações de defesa aérea destinadas a interceptar mísseis e drones. A Guarda Revolucionária Islâmica afirma que seus ataques contra países árabes têm como alvo bases militares americanas localizadas nesses territórios. No entanto, os fatos contradizem essa justificativa, já que, nos últimos dois dias, os bombardeios iranianos atingiram, entre outros alvos no Kuwait, uma usina de energia e uma unidade de dessalinização da água do mar. Paralelamente, nas últimas 48 horas foi identificada uma ponte aérea dos Estados Unidos transportando da Europa para Israel dezenas de aeronaves de reabastecimento em voo, além de caças F-16 e F-35. Essas aeronaves haviam sido deslocadas para a Europa após a assinatura do memorando de entendimento entre Washington e Teerã, mas agora foram enviadas novamente ao Oriente Médio. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos reforçam o bloqueio naval imposto aos portos iranianos. No sábado, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que cinco navios mercantes que tentavam contornar o bloqueio foram obrigados a retornar. O impacto desse bloqueio tornou-se ainda mais severo por ter sido acompanhado da destruição de importantes vias de transporte terrestre, incluindo sete pontes e linhas ferroviárias, especialmente na região de Bandar Abbas. Nova mensagem atribuída a Khamenei Essa intensificação das operações militares vem sendo acompanhada, desde o fim da semana, por uma forte escalada retórica. Em uma mensagem escrita atribuída — sem possibilidade de verificação independente — ao enigmático líder supremo Mojtaba Khamenei, os Estados Unidos foram ameaçados com "uma lição que jamais esquecerão" caso continuem seus ataques contra o Irã. A mensagem acrescenta ainda que "a assinatura de Donald Trump no memorando de entendimento não tem valor algum". A declaração coincide com as palavras de um alto funcionário iraniano, que afirmou no sábado que "se os ataques americanos continuarem nos próximos dois ou três dias, o Irã passará da fase defensiva para a ofensiva". Ele acrescentou que o país decidiu "suspender todos os compromissos previstos no memorando de entendimento". No plano político, chama atenção o fato de a mensagem atribuída a Khamenei conclamar os dirigentes iranianos a reduzir suas divergências internas e pedir à população que modere as críticas ao governo. Esse duplo apelo ocorre em um momento em que os sinais de divisão entre a ala radical e o chamado setor pragmático do regime tornaram-se cada vez mais evidentes, segundo autoridades americanas e paquistanesas. Aoun em Washington É nesse contexto de crescente tensão regional que o presidente libanês Joseph Aoun iniciou, no sábado, uma visita oficial de vários dias a Washington. No domingo, ele deverá reunir-se com o secretário de Estado, Marco Rubio. Na terça-feira, 21 de julho, será recebido na Casa Branca pelo presidente Donald Trump para discutir os meios de implementar o acordo-quadro assinado com Israel em 26 de junho. Os dois presidentes deverão concentrar suas conversas especialmente na situação do sul do Líbano, onde o Exército israelense continua realizando ataques seletivos e operações de destruição da infraestrutura do Hezbollah.

Sétima noite de ataques dos EUA contra posições iranianas
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jul 18, 2026 - 00:27

O Bahrein, o Kuwait, o Qatar e a Jordânia sofreram na sexta-feira novos ataques iranianos, em represália aos bombardeamentos americanos realizados em território iraniano. Pelo sexto dia consecutivo, os países do Golfo aliados de Washington pagam diretamente o preço desta escalada militar. Os danos causados de ambos os lados a infraestruturas civis evidenciam uma nova intensificação do conflito. No final da noite de sexta-feira, o Comando Central (Centcom) informou que as forças armadas dos EUA lançaram, pela sétima noite consecutiva, uma nova série de ataques contra posições e infraestruturas militares iranianas. Com efeito, os meios de comunicação oficiais da República Islâmica relataram, pouco antes da meia-noite, fortes explosões em vários setores do sul do Irão, nomeadamente em Bandar Abbas. As vias de comunicação têm sido alvos prioritários do exército americano nas últimas 48 horas. Entretanto, Teerão mantém a escalada verbal. Mohsen Rezaí, conselheiro militar do líder supremo iraniano, ameaçou na sexta-feira que o Irão irá entrar numa "fase de ofensiva total" caso os ataques americanos continuem por mais "dois ou três dias". "O Irão não se limitará mais a retaliar, e nenhuma fronteira estará a salvo", declarou também. Restrições na rede elétrica As autoridades iranianas reportaram danos na rede elétrica no sul do país. Também assinalaram bombardeamentos que visaram pontes, um porto, um aeroporto, infraestruturas de telecomunicações e uma estação ferroviária. Num comunicado, o ministério em causa apelou aos habitantes que desligassem os aparelhos de ar condicionado durante as horas de ponta "de modo a contribuir para garantir um fornecimento estável de eletricidade nas províncias do sul, que estão atualmente a enfrentar calor extremo e ataques às instalações de abastecimento elétrico". No Kuwait, uma central elétrica e uma fábrica de dessalinização de água foram atingidas por um ataque iraniano, segundo as autoridades do emirado, que também apelaram aos habitantes "a racionalizarem o seu consumo de eletricidade durante esta fase excecional", numa altura em que as temperaturas chegam aos 48 °C. Ataques iranianos em todas as direções As forças armadas do Kuwait, da Jordânia, do Bahrein e do Qatar, todos aliados próximos dos Estados Unidos, anunciaram ter enfrentado ataques aéreos ao amanhecer de sexta-feira. No Kuwait, o exército registou vários feridos. No Qatar, mediador no conflito, uma criança ficou ferida por estilhaços. Os Guardiães da Revolução afirmaram ter visado a base americana de Al-Udeid, garantindo ter destruído sistemas de radar e aeronaves militares para "punir o agressor". O presidente americano Donald Trump havia ameaçado esta semana atacar pontes e centrais elétricas do Irão caso os seus líderes recusassem voltar à mesa das negociações. Os Guardiães da Revolução, o exército ideológico da República Islâmica, avisaram que os ataques "continuarão até que a calma seja restabelecida na costa sul e no Estreito de Ormuz". Trump «aberto a negociações» Donald Trump "continua sempre aberto à diplomacia ao mesmo tempo", declarou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. Segundo ela, os iranianos "fizeram saber ao presidente que ainda querem chegar a um acordo. Estamos a falar com eles, mas, mais uma vez, o presidente não vai deixá-los atacar navios no Estreito sem consequências". No Estreito de Ormuz, pelo qual transitava, antes da guerra, cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo e de gás natural liquefeito, o tráfego marítimo continua a diminuir. Oleoduto iraquiano-sírio Em Washington, a visita do primeiro-ministro iraquiano Ali al-Zaidi começou a dar os seus primeiros frutos. Os Estados Unidos saudaram na sexta-feira um acordo entre o Iraque e a Síria para restaurar o oleoduto que liga os dois países, fechado há décadas, facilitando a longo prazo o transporte de petróleo em plena retomada das hostilidades entre o Irão e Washington. O oleoduto deverá ligar a produção petrolífera iraquiana aos mercados de exportação mediterrânicos e além. Uma verdadeira oportunidade, num momento em que os preços do petróleo bruto dispararam com o encerramento total do Estreito de Ormuz. O preço do barril de petróleo continua a subir, mas mantém-se, a cerca de 87 dólares, longe do pico de 126 dólares atingido no auge do conflito. Os Estados Unidos indicaram que lideram um consórcio internacional para implementar os aspectos técnicos e financeiros deste projeto que, uma vez restaurado, terá "uma capacidade inicial de transporte de 2 milhões de barris de petróleo bruto por dia". Falando na semana passada em Damasco, à margem de uma visita do presidente francês Emmanuel Macron, o presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, considerou que a Síria pode tornar-se um "país de trânsito importante para o petróleo proveniente do Iraque em direção ao Mediterrâneo", e oferecer "rotas alternativas" ao Estreito de Ormuz. No Líbano-Sul No que diz respeito à frente libanesa, uma fonte diplomática libanesa, citada pelo canal em língua árabe Al-Hadath, indicou na sexta-feira que o exército israelense deverá iniciar este fim de semana a sua retirada das zonas-piloto que deverão ser assumidas pelo exército libanês, em conformidade com o acordo-quadro assinado pelo Líbano e por Israel a 26 de junho passado. Ao nível das operações militares, as forças israelenses presentes no Sul prosseguiram com a destruição das infraestruturas militares subterrâneas construídas pelo Hezbollah ao longo de décadas. Paralelamente, foram realizados ataques aéreos cirúrgicos pelo exército israelense em mais de um setor da região meridional do país.

A região está sentada sobre um verdadeiro vulcão
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jul 16, 2026 - 22:35

A tensão na região não para de crescer, assemelhando-se cada vez mais a um vulcão prestes a entrar em erupção a qualquer momento. O Irã elevou ainda mais o tom na quinta-feira e voltou a agitar a carta dos Houthis diante dos avisos americanos. Paralelamente, no Líbano, o Hezbollah deu um novo passo em sua rebeldia contra as instituições estatais, atacando veementemente, pela voz de alguns de seus deputados, o presidente da República para contestar a entrada em vigor da retirada parcial israelense das zonas-piloto no sul do país e o projeto de desarmamento do grupo. Poucas horas antes do muito aguardado discurso do presidente americano Donald Trump, à 1h GMT, na madrugada de quinta para sexta-feira (4h, horário de Beirute), Teerã anunciou que seu exército atacaria infraestruturas em toda a região caso o chefe da Casa Branca colocasse em prática suas ameaças de atacar infraestruturas civis iranianas. Foi o porta-voz do alto comando militar iraniano, citado pela Reuters, quem lançou esse aviso, afirmando que Teerã "não permitiria nenhuma ingerência americana no Estreito de Ormuz". Essa questão, disse ele, representa "uma linha vermelha" para a República Islâmica, cujos portos estão novamente sob bloqueio naval americano desde que o país fechou essa importante via marítima estratégica. Ainda segundo a Reuters, que cita três fontes, o Irã teria pedido ao movimento iemenita dos Houthis que se preparasse para "fechar a rota petrolífera do Mar Vermelho pelo Bab el-Mandeb caso os Estados Unidos atacassem as infraestruturas energéticas iranianas", lançando assim uma nova e significativa ameaça ao abastecimento energético mundial. A ideia teria sido discutida no seio da liderança da República Islâmica, e a mensagem teria sido transmitida aos aliados houthis do Irã, segundo duas fontes iranianas de alto escalão e uma fonte regional a par do dossiê que, conforme ressalta a Reuters, falaram sob condição de anonimato. O Irã parece querer antecipar-se ao discurso de Donald Trump e apostar numa escalada do conflito que o opõe aos Estados Unidos, em caso de ataques "inimigos". Assim, a República Islâmica, consumada mestra na arte das guerras por procuração, voltou a servir-se na quinta-feira da carta dos Houthis. O líder desse grupo do Iêmen, Abdel-Malik al-Houthi, atacou violentamente a Arábia Saudita em uma mensagem de áudio e vídeo, ameaçando atingir Riade caso o reino atacasse "novamente" alvos houthis. Ele denunciou "um ataque injustificado" saudita contra o aeroporto de Sanaa, sendo que foi o próprio grupo quem primeiro lançou mísseis contra um aeroporto no sul da Arábia Saudita na noite de segunda-feira, provocando uma contundente resposta saudita. O discurso do presidente Trump deverá representar um ponto de virada na evolução do conflito, segundo diversos meios de comunicação internacionais que recordam que o último, em 1º de abril, foi pontuado por anúncios "bombásticos". O inquilino da Casa Branca o apresentou como "um anúncio muito importante". Ele deverá abordar, entre outros temas, questões relacionadas às eleições americanas previstas para novembro, bem como as negociações com o Irã, que se encontram atualmente em um impasse. O mediador paquistanês, que multiplicava as viagens de ida e volta para aproximar os pontos de vista, parece hoje estar sem trabalho. Na quinta-feira, Islamabad limitou-se a pedir a Washington e Teerã que voltassem à mesa de negociações. Esse apelo, lançado pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores paquistanês, reflete sobretudo a incapacidade atual da mediação de Islamabad de conter a escalada. No terreno, o confronto prossegue seguindo o mesmo padrão: o Centcom lança ataques em série, sobretudo à noite, contra instalações iranianas. A República Islâmica retalia atacando alvos americanos em países da região, nomeadamente na Jordânia, no Bahrein e no Kuwait. Ataques americanos foram realizados na quinta-feira ao início da noite contra instalações nos arredores de Bandar Abbas, no estreito de Ormuz. Armas para o Hezbollah no Líbano Paralelamente, a tensão também aumenta no Líbano, onde o exército libanês e Israel se preparam para implementar o mecanismo que prevê uma retirada israelense parcial de zonas-piloto no sul do país. Uma iniciativa à qual o Hezbollah continua ferozmente oposto, uma vez que persiste em rejeitar o acordo-quadro celebrado entre Beirute e Tel Aviv e em contestar violentamente o princípio de negociações diretas entre as duas capitais, que partilham um objetivo comum: reduzir a capacidade ofensiva do grupo pró-iraniano e impor o monopólio das armas no Líbano. Mas essa perspectiva surge num clima particularmente tenso. O Hezbollah ainda se recusa a entregar as suas armas, como reafirmou na quinta-feira um dos seus deputados, Hassan Fadlallah, enquanto o ministro israelense da Defesa, Israel Katz, lembrava ao seu homólogo americano, Pete Hegseth, que Tel Aviv pretendia manter as suas tropas de forma duradoura nas "zonas de segurança" estabelecidas no Líbano, na Síria e na Faixa de Gaza, a fim de proteger as suas fronteiras. O anúncio feito pelo Ministério do Interior sírio, que informou ter intercetado, na fronteira sírio-iraquiana, um caminhão transportando armas sofisticadas e foguetes destinados ao Hezbollah, veio, no entanto, reforçar o argumento avançado por Israel para justificar a manutenção das suas forças no Líbano. Esta nova apreensão, longe de ser um caso isolado, segundo Damasco, reforça as acusações de que o Irã continua a rearmar o seu principal braço militar na região, apesar da pressão internacional. Isso ocorre num momento em que Donald Trump voltou a mencionar a possibilidade de confiar à Síria um papel mais amplo na luta contra o Hezbollah, que desmentiu "desenvolver quaisquer atividades na Síria" num comunicado breve e redigido em termos muito vagos. O texto foi divulgado após o anúncio da apreensão das armas, mas não faz qualquer referência a esse episódio. O grupo limita-se a mencionar "informações fabricadas de todas as peças para prejudicá-lo e servir os interesses americano-israelenses". Os deputados do Hezbollah, entretanto, atacaram duramente o presidente Joseph Aoun e o acordo-quadro libano-israelense, "que Tel Aviv não conseguirá impor àqueles que se opõem a ele". Hassan Fadlallah criticou severamente a decisão das autoridades libanesas de desarmar o grupo ao qual pertence, "quando as armas de que dispõe preocupam Israel". Enquanto isso, o exército libanês começou a reforçar a sua presença no sul do país, patrulhando em cerca de uma dezena de aldeias, entre elas Bint Jbeil, onde as forças israelenses tinham entrado. No terreno, Tel Aviv prossegue as suas operações militares limitadas: um ataque israelense causou dois mortos em Nabatiyé el-Faouka durante o dia, enquanto bombardeamentos e destruições de habitações eram reportados de forma intermitente.

Líbano-Israel: as reuniões de Roma dão início ao processo das zonas-piloto

Enquanto as forças israelenses continuam seus ataques pontuais no sul do Líbano e a destruição sistemática das infraestruturas do Hezbollah na região meridional do país, a sexta rodada de negociações diretas entre o Líbano e Israel, encerrada na quarta-feira em Roma sob a mediação dos Estados Unidos, parece ter dado oficialmente o pontapé inicial do longo e perigoso processo de retirada gradual do Exército israelense do sul do Líbano. Após dois dias de reuniões, na terça-feira, 14, e na quarta-feira, 15 de julho, na capital italiana, tanto as fontes autorizadas americanas quanto as libanesas classificaram de 'frutífera' e 'positiva' o resultado dessa sexta rodada de negociações libano-israelenses. A embaixada americana em Beirute indicou que medidas concretas foram acordadas para o estabelecimento das duas primeiras zonas-piloto, que deverão permitir ao exército libanês se desdobrar nos setores que serão evacuados pelos israelenses. Os detalhes técnicos precisos serão finalizados nos próximos dias, esclarece a embaixada americana, acrescentando que isso permitirá avançar para discussões mais amplas que levarão à aplicação de 'todos os aspectos' do acordo-quadro assinado pelo Líbano e Israel 'com o objetivo de alcançar um acordo global' entre os dois países. Essa avaliação positiva das negociações de Roma foi compartilhada por uma fonte libanesa, bem como por um alto funcionário israelense citado pelo Maariv, que afirmou na quarta-feira que o Líbano e Israel chegaram a 'um acordo sobre as duas primeiras zonas-piloto no sul do Líbano'. O referido funcionário destacou ainda que os dois países consideram 'o desarmamento do Hezbollah um objetivo fundamental' do processo em curso definido pelo acordo-quadro. Trump volta à carga sobre Chareh No que diz respeito ao destino do Hezbollah, o presidente Donald Trump voltou na quarta-feira à carga sobre o papel que o presidente sírio Ahmed el-Chareh poderia desempenhar no desmantelamento da milícia do Hezb. 'O presidente Chareh gostaria de intervir para lidar com o Hezbollah e estou pensando em dar-lhe luz verde', afirmou o chefe da Casa Branca, que esclareceu seu pensamento a esse respeito ressaltando que o líder sírio será 'mais preciso do que os israelenses na sua forma de lidar com o Hezbollah'. 'Ele fará isso de forma diferente, sem destruir edifícios', considerou. Essa proposta, já defendida pelo presidente Trump em diversas ocasiões nos últimos dias, mas rejeitada pelos libaneses, deverá ser abordada durante a visita que o presidente Joseph Aoun realizará em 21 de julho a Washington, onde será recebido na Casa Branca. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu também deverá discuti-la durante sua visita planejada a Washington no início da próxima semana. Sleiman Frangié e Mahmoud Comati punidos pelo Iraque Cabe ainda destacar, no capítulo da luta contra os excessos milicianos do partido pró-iraniano, que o governo iraquiano inscreveu o Hezbollah libanês em sua lista de sanções bancárias com o objetivo evidente de secar as fontes de financiamento do partido pró-iraniano. Na mesma ocasião, as autoridades iraquianas também impuseram sanções bancárias ao chefe das Marada, o ex-ministro e deputado Sleiman Frangié, e ao vice-presidente do Conselho Político do Hezb, Mahmoud Comati, ambos já sancionados pelo Tesouro americano. Estas sanções ocorrem após as conversações que o novo primeiro-ministro iraquiano Ali al-Zaidi teve há alguns dias em Washington com o presidente Trump. Essas conversações foram enquadradas por Zaidi sob o signo da "parceria estratégica" com os Estados Unidos. O presidente Trump deu o tom dessa parceria ao indicar que serão empresas americanas a se encarregar das operações de extração do petróleo iraquiano. "Os iraquianos", afirmou o chefe da Casa Branca, "não querem mais negociar com os outros, querem negociar com os Estados Unidos, e essa é inclusive uma das razões pelas quais eu estava convicto de que ele (Zaidi) seria um excelente primeiro-ministro". Os ataques americanos contra as posições dos Guardiões da Revolução Na frente iraniana, o exército americano prosseguiu na manhã de quarta-feira, e mais tarde ao longo do dia e da noite, com seus ataques contra os centros de lançamento de mísseis e drones, bem como contra radares e infraestruturas militares dos Guardiões da Revolução Islâmica no sul do Irã, ao longo do litoral que dá para o Estreito de Ormuz. A ilha de Hengam, também no sul do Irã, foi igualmente alvo dos ataques americanos. O presidente Trump frisou, a esse respeito, que "a semana que vem pode ser a pior que o Irã já viveu"… Cabe destacar, nesse contexto, que o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), vinculado ao Departamento do Tesouro americano, impôs sanções contra sete pessoas e entidades acusadas de envolvimento em uma rede internacional que participa do esforço de armamento dos Guardiões da Revolução.

Líbano-Israel: clima «positivo» na reunião de Roma
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Taline Becharraoui
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jul 15, 2026 - 00:46

Esta terça-feira marca a sexta rodada de conversações diretas entre as delegações libanesa e israelense, realizada desta vez em uma capital europeia, Roma, e não em Washington. Logo no primeiro dia, um primeiro êxito: o ministro israelense das Relações Exteriores, Gideon Saar, afirma, a partir de Jerusalém, que Israel está pronto para "avançar" na implementação de duas "zonas-piloto" no sul do Líbano, segundo a AFP. No entanto, de acordo com os termos do acordo-quadro de 26 de junho, a implementação das zonas deve começar com uma retirada israelense. Ele qualifica o processo, conduzido sob a égide dos Estados Unidos, como "o único caminho a seguir". Ainda segundo a AFP, a delegação libanesa "recebeu instruções para exigir o início imediato da retirada das forças israelenses de duas zonas-piloto antes de qualquer outra discussão", conforme informou a presidência libanesa na noite de segunda-feira. Segundo uma fonte diplomática libanesa a par do conteúdo das negociações, "o exército libanês está pronto para assumir gradualmente o controle das localidades de onde o exército israelense se retiraria". A reunião de 14 de julho encerrou-se por volta das 18h e foi classificada como "positiva" por fontes da LBC. Essa primeira confirmação de resultado é importante para os libaneses, mesmo que muitos mais detalhes ainda precisem ser discutidos e que os obstáculos não sejam poucos. Pois essas negociações serão um teste sob vários aspectos para a parte libanesa, que tem uma obrigação de resultados nesta rodada, tendo em vista os progressos alcançados na anterior, em junho, que culminaram em um acordo-quadro. O principal tema dessas discussões é, portanto, a implementação das "zonas-piloto" no sul do Líbano, das quais o exército israelense deve se retirar para que o exército libanês se desdobre, sem qualquer presença do Hezbollah. No entanto, esse processo ainda enfrenta detratores de peso no cenário libanês. O deputado do Hezbollah Hussein Hajj Hassan afirmou na segunda-feira que "esse acordo-quadro é tripartite apenas na aparência, sendo na verdade unilateral, pois é israelense". A oposição ao acordo-quadro vem também de seu aliado, o chefe do movimento Amal e presidente do Parlamento, Nabih Berry, que fez uma declaração significativa nesta terça-feira. Aparentemente contrário à continuidade das negociações diretas, ele abre, no entanto, espaço para certa flexibilidade. "As zonas-piloto são rejeitadas", declarou Berry em entrevista ao jornal al-Joumhouria , garantindo que essas zonas deveriam ter sido bem mais amplas, "caso contrário a retirada levará dois anos". Ele acrescentou, porém, esta frase enigmática: "Se eu perceber o mínimo sinal de sucesso, estou pronto para me calar, mas não vejo nenhum." Embora declare estar disposta a se retirar de zonas-tampão, a parte israelense continua, no terreno, a realizar demolições nos vilarejos do sul: nota-se, nesta terça-feira, que o exército israelense teve como alvo especialmente a região prevista para ser uma das zonas-piloto, ou seja, as duas localidades chamadas Zawtar (leste e oeste). Seja como for, as autoridades libanesas demonstram constância na continuidade dessas negociações, apesar de todos os desafios. Do palácio de Baabda, os resultados são acompanhados de perto, e em princípio só deverão ser conhecidos amanhã. O presidente Joseph Aoun, que se encontrava com sua esposa no Qatar para apresentar condolências pelo falecimento do ex-emir do país, xeque Hamad Al Thani, acompanhou de perto as conversações de Roma. Ele também prepara sua visita a Washington, marcada para 21 de julho. A frente iraniana ainda em chamas No sul do Líbano, no terreno, a aparente trégua — pelo menos da parte do Hezbollah, que parece precisar dela para recuperar forças — persiste, apesar da deterioração da situação do lado iraniano. Os ataques americanos ao Irã continuaram durante toda a noite de segunda para terça-feira e ao longo do dia de terça, e o bloqueio prometido pelo presidente americano Donald Trump entra em vigor às 20h (horário do Levante). Os iranianos denunciaram novos ataques à cidade de Bushehr, onde fica a central nuclear. A turbulência no estreito de Ormuz e a retomada da guerra provocaram uma nova alta nos preços do petróleo, cujo barril voltou a ultrapassar a marca dos 80 dólares americanos. As negociações parecem comprometidas por ora, salvo uma declaração do presidente Trump, na terça-feira, na qual afirmou que um acordo ainda é «possível». Em uma entrevista televisiva, ele destacou, no entanto, que o memorando de entendimento foi um «teste» para os iranianos, e que estes demonstraram não ser capazes de cumpri-lo. Ele garantiu que a vitória será americana, seja por meio de negociações ou de guerra. Além disso, segundo meios de comunicação árabes, o exército americano está atualmente a deslocar mais de 50.000 homens para a região. Os iranianos, por sua vez, tentam reagir, ainda com mais ataques aos países da região, poupando, por enquanto, Israel. O Bahrein, o Kuwait, os Emirados Árabes Unidos e também a Jordânia tiveram de interceptar mísseis iranianos. Esses ataques foram reivindicados diretamente pelos Guardiões da Revolução iraniana, assim como os que continuam a ter como alvo petroleiros no estreito de Ormuz. Outro ataque frontal vindo do Irã foi um projeto de lei aprovado pelo Parlamento iraniano a favor de uma taxa imposta aos navios no estreito — uma resposta à declaração do presidente Trump no dia anterior, que afirmou querer cobrar pela proteção da passagem dos navios. Os estreitos naturais são, vale lembrar, passagens livres para os navios, e apenas serviços prestados por países ribeirinhos são cobrados. Enquanto isso, o ataque com mísseis balísticos a um aeroporto saudita na noite de segunda-feira, originado da região iemenita dominada pelos rebeldes houthis, aliados do Irã, continua a gerar declarações de apoio ao reino. Destacam-se sobretudo as provenientes do Líbano, nomeadamente do presidente da República Joseph Aoun e do primeiro-ministro Nawaf Salam, que constituem sinais claros de solidariedade com a Arábia Saudita contra o eixo iraniano.

Irão-EUA: rumo ao regresso da frente iemenita?
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LevantTime .
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jul 14, 2026 - 00:32

Em plena segunda-feira, 13 de julho, o noticiário regional está centrado no Iêmen, onde a frágil trégua de abril de 2022 sofre forte abalo devido a uma demonstração de força do Irã, que reativou a frente iemenita. Essa ação militar deve ser entendida no contexto da escalada contínua do conflito entre Teerã e Washington, que decidiu restabelecer o bloqueio imposto aos portos iranianos. Na prática, o governo iemenita realizou ataques contra as pistas do Aeroporto Internacional de Sanaa, controlado pelos Houthis, para impedir o pouso de um avião iraniano que transportava uma delegação desse grupo xiita pró-Irã. A comitiva retornava de Teerã, onde havia participado do funeral do líder supremo Ali Khamenei. Apesar dos repetidos alertas das autoridades iemenitas, que solicitaram que o grupo voltasse a bordo de uma aeronave da companhia aérea nacional Yemenia, a delegação insistiu em retornar ao Iêmen no avião iraniano, embora o espaço aéreo do país esteja fechado à aviação iraniana. A aeronave prosseguiu o voo apesar dos protestos do governo, mas teria pousado em Hodeida, cidade costeira do Mar Vermelho, controlada pelos Houthis no oeste do Iêmen. O tom da crise rapidamente se agravou. O Ministério da Defesa do Iêmen justificou os ataques afirmando que os Houthis insistiram em retornar a bordo de um avião iraniano. Segundo Sanaa, o voo iraniano representa não apenas uma violação do espaço aéreo iemenita, mas também "uma nova ingerência da República Islâmica". Os Houthis reagiram imediatamente com ameaças de retaliação, após denunciarem explicitamente "ataques sauditas", levantando o espectro de uma retomada das hostilidades com Riad pela primeira vez desde a trégua de 2022, firmada sob os auspícios da ONU. Os estreitos de Ormuz e Bab el-Mandab No contexto de crescente tensão regional dos últimos meses, o episódio de Sanaa só pode ser interpretado como mais um capítulo do confronto entre Teerã e Washington, principalmente em torno do Estreito de Ormuz. O incidente ocorreu após mais uma noite marcada por intensos ataques americanos contra alvos militares e logísticos iranianos e por contra-ataques do Irã contra objetivos americanos no Kuwait, Jordânia, Bahrein, Catar e até mesmo em Omã, país que até então havia sido poupado por Teerã, que buscava estabelecer um acordo de cooperação com o sultanato para a administração do Estreito de Ormuz. Como maestro de uma rede de grupos aliados, cada um mais nocivo que o outro, Teerã parece ter escolhido desta vez os Houthis para entrarem em cena. Ao fazer isso, permite que seu principal aliado na região, o Hezbollah, decapitado e enfraquecido por Israel durante as duas desastrosas guerras travadas em apoio ao Hamas e, posteriormente, ao regime dos aiatolás, ganhe algum fôlego. Ao mesmo tempo, evita a entrada em ação de outro ator regional, Israel, cujo território continua poupado dos ataques iranianos, embora abrigue bases americanas. A reativação da frente libanesa talvez desse a Tel Aviv o pretexto que procura para retomar seus ataques contra o Irã. De qualquer forma, a grande questão é saber se o episódio de Sanaa constitui apenas um aviso dirigido a Washington, com quem Teerã mantém um confronto aberto, ou se representa o início de uma nova fase dessa confrontação. A gravidade da situação dependerá dos desdobramentos dos próximos dias. Os riscos geoestratégicos de um envolvimento dos Houthis no conflito em curso são numerosos. O principal diz respeito ao estreito de Bab el-Mandab. Como controlam o porto de Hodeida, localizado nesse corredor estratégico, os Houthis têm capacidade para bloquear o acesso ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez, provocando sérias perturbações no comércio internacional. Ao anunciar novamente, na segunda-feira, o fechamento do Estreito de Ormuz, Teerã acaba de deslocar o conflito para outra área geográfica igualmente estratégica, correndo o risco de comprometer seriamente o comércio mundial. Nesse jogo dissimulado, procura demonstrar aos americanos que ainda possui diversas cartas na manga e que não hesitará em utilizá-las para obter concessões nas negociações com Washington. Essas negociações, no entanto, ainda não foram interrompidas. Estão apenas suspensas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, confirmou na segunda-feira a continuidade das negociações diplomáticas com Catar, Paquistão e Omã para "evitar uma escalada das tensões". Segundo ele, Teerã manteve contato "nos últimos dias" com Catar e Omã, apesar de ambos terem sido alvo de ataques iranianos, além do Paquistão. Os acontecimentos da noite de domingo para segunda-feira e ao longo da segunda-feira mostram, evidentemente, que esses esforços ainda estão longe de produzir resultados. A ponto de provocar um rompimento? Apenas os próximos acontecimentos poderão confirmar. Esmail Baghaei também advertiu que Teerã deixará de se considerar vinculado ao memorando de entendimento firmado em junho com os Estados Unidos caso Washington não cumpra seus compromissos. Foi uma resposta a Donald Trump, que na semana passada decretou o fim do cessar-fogo. Ataques Houthis contra o sul da Arábia Saudita Embora as trocas de ameaças sejam comuns em negociações delicadas que envolvem o futuro de toda a região, os acontecimentos no terreno assumem uma dimensão muito mais importante e até perigosa. Os Houthis não demoraram a colocar em prática suas ameaças diretas contra a Arábia Saudita, acusada de atacar o aeroporto de Sanaa. No início da noite, lançaram mísseis balísticos contra o aeroporto de Abha, no sudoeste do reino, próximo à fronteira com o Iêmen. Pelo menos seis mísseis atingiram as instalações, segundo os meios de comunicação do grupo pró-Irã. O Ministério da Defesa saudita confirmou o ataque e afirmou que os projéteis foram interceptados. Esses ataques seguem a mesma lógica dos disparos iranianos contra os países do Golfo, realizados em represália aos bombardeios americanos. Por meio de seu aliado iemenita, Teerã buscaria arrastar Riad para um conflito do qual o reino procurou manter distância desde o início. O objetivo é o mesmo perseguido durante os ataques contra os países do Golfo: levar as monarquias árabes a reconsiderarem sua aliança com os Estados Unidos. Um objetivo que a República Islâmica jamais procurou esconder, mas que ainda não conseguiu alcançar. "Uma remuneração de 20%" Washington, por sua vez, segue uma estratégia amplamente inspirada no jogo iraniano. Às provocações de Teerã, os Estados Unidos respondem com contraprovocações. O presidente americano Donald Trump anunciou, sem rodeios, na Truth Social, o restabelecimento do bloqueio naval que havia contribuído para sufocar significativamente a economia do regime dos aiatolás, além da adoção de um controle americano sobre o estreito de Ormuz. Assim como Teerã pretende estabelecer taxas de serviço, Trump afirmou que deseja cobrar "uma remuneração correspondente a 20% do valor das cargas" que transitarem pela rota marítima, apesar de ela estar submetida ao direito internacional, que garante a liberdade de navegação. O Irã reagiu afirmando que "não permitirá em nenhuma circunstância" que Washington interfira na administração do estreito, que pretende manter sob seu controle exclusivo. O presidente Trump também anunciou que fará um pronunciamento à nação na noite de quinta-feira. Segundo o New York Times , ele notificou o Congresso sobre a retomada das hostilidades com o Irã. Na comunicação enviada aos parlamentares, explicou que as forças americanas realizaram operações militares defensivas em 7 de julho, ainda de acordo com o jornal. Com ou sem bloqueio, Teerã continua a se apoiar em sua influência regional por meio de seus aliados. Segundo diversos analistas, os Houthis dispõem de vários "trunfos" capazes de desestabilizar a região, o que explica a resposta firme de Sanaa. Ao atacar o próprio aeroporto da cidade para impedir o pouso do avião iraniano, as autoridades iemenitas enviam uma mensagem política direta a Teerã: está proibido utilizar instalações iemenitas nas circunstâncias atuais. O episódio do avião iraniano também transmite outra mensagem, rapidamente percebida pelos americanos e que pode estar na origem da decisão de Donald Trump de restabelecer o bloqueio marítimo. Teerã quis demonstrar que continua desfrutando de liberdade de movimento e iniciativa, apesar dos ataques contínuos, e que seus aliados ainda são capazes de comprometer os planos de seus adversários. O voo iraniano demonstra que a República Islâmica tem condições, em caso de bloqueio, de manter um corredor aéreo até seus aliados iemenitas. Esse corredor permitiria transportar equipamentos e pessoal, incluindo integrantes da Guarda Revolucionária, caso decida bloquear Bab el-Mandab e reativar a frente iemenita. Ainda assim, é prematuro falar em uma verdadeira reativação dessa frente. Pressão ocidental Na frente diplomática, a pressão ocidental sobre o Irã continua aumentando. Londres anunciou a proibição da Guarda Revolucionária Islâmica em seu território, enquanto o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, descartou qualquer suspensão das sanções europeias enquanto Teerã mantiver seu programa nuclear, seu desenvolvimento de mísseis balísticos e suas ações de desestabilização na região.

Escalada persistente entre os Estados Unidos e o Irã em torno do Estreito de Ormuz

O nível de tensão vinha aumentando gradualmente havia vários dias entre americanos e iranianos, em meio aos disparos iranianos contra navios que atravessavam o Estreito de Ormuz. E o pior cenário se concretizou na madrugada de quarta para quinta-feira: os Estados Unidos lançaram intensos ataques contra o Irã, como havia ameaçado na véspera o presidente americano Donald Trump. O Irã, fiel à sua estratégia habitual, respondeu lançando mísseis contra vários países do Golfo, entre eles Bahrein, Kuwait e Catar, acrescentando desta vez a Jordânia à lista de alvos. O país interceptou dez mísseis disparados em direção ao seu território por volta do meio-dia. Trata-se de uma escalada significativa. Os ataques americanos em território iraniano foram os mais intensos dos últimos meses. A província de Bushehr, em especial, foi alvo de mísseis que atingiram a área do complexo nuclear localizado na região, segundo a imprensa iraniana. Um representante da província negou, no início da tarde, que a ilha de Kharg, por onde passa a maior parte das exportações de petróleo iraniano, tenha sido atingida. O Comando Central dos Estados Unidos anunciou, em comunicado publicado no X, que até a manhã de quinta-feira havia atingido cerca de 90 alvos militares no Irã. O regime iraniano informou que, nos últimos dois dias, houve 14 mortos e 78 feridos, e acusou os Estados Unidos de cometer crimes de guerra devido ao que classificou como “ataques contra infraestruturas civis”, citando especificamente pontes e a ferrovia que leva à cidade de Mashhad. A retórica acompanhou o agravamento das tensões no terreno, desta vez por meio do principal negociador iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf. Ele declarou que “o Estreito de Ormuz só será reaberto nos termos definidos pelo Irã, e não sob a pressão das ameaças americanas”. De fato, o estreito permaneceu fechado na quinta-feira devido às tensões, refletindo uma postura iraniana inalterada. Nada indicava, na quinta-feira, que a tensão diminuiria ou que as negociações seriam retomadas em breve, embora Donald Trump tenha afirmado ao longo do dia que “os iranianos ligaram e querem fechar um acordo”, acrescentando que já não confia “na disposição deles de cumprir qualquer acordo”. Os mediadores do Paquistão e do Catar intensificaram os esforços para pedir uma volta à calma. Mas, de modo geral, os iranianos parecem bastante isolados. Em sintonia com as declarações feitas na véspera pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que considerou indispensável manter firmeza diante do regime iraniano, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou nesta quinta-feira que foi o Irã quem violou o acordo com os Estados Unidos e que suas “manobras” devem cessar para que as negociações possam prosseguir. Enquanto isso, os iranianos deram continuidade à demonstração de força representada pela interminável cerimônia fúnebre do líder supremo assassinado, Ali Khamenei, e de sua família. Os caixões chegaram a Mashhad ao longo do dia para o sepultamento, um acontecimento parcialmente ofuscado pelos ataques americanos. Ainda assim, multidões compareceram ao local, entoando palavras de ordem belicosas e conclamando ao assassinato de Trump. Os israelenses, aliados dos americanos durante esta guerra contra o Irã, não comentaram oficialmente a nova escalada. No entanto, segundo informações divulgadas pela imprensa israelense, fontes do país afirmaram que o Exército continua preparado para enfrentar qualquer eventual ataque iraniano. Movimentação diplomática intensa em Beirute Como de costume, o Líbano repercute diretamente os acontecimentos da região. A capital libanesa foi palco de uma intensa movimentação diplomática nesta quinta-feira, marcada por uma série de visitas do embaixador dos Estados Unidos, Michel Issa, e por uma rodada de reuniões realizada por uma delegação iraniana. A principal visita de Issa foi ao Palácio de Baabda, onde se reuniu com o presidente da República, Joseph Aoun, para entregar o convite oficial para sua visita a Washington, marcada para 21 de julho. Na ocasião, também tratou da implementação do acordo-quadro firmado entre israelenses, libaneses e americanos, especialmente no que diz respeito ao mecanismo de retirada israelense das zonas piloto, onde as Forças de Defesa de Israel deverão ser substituídas pelo Exército libanês “sem deixar qualquer vazio”. O principal anúncio foi a chegada, nos próximos dias, de uma delegação americana encarregada de supervisionar esse processo. Michel Issa também foi recebido pelo presidente do Parlamento, Nabih Berri, e pelo primeiro-ministro, Nawaf Salam. No que diz respeito às negociações entre Líbano e Israel, as atenções estão voltadas para Roma, onde ocorrerão as próximas rodadas de conversas nos dias 15 e 16 de julho. A mudança de local gerou preocupação entre os libaneses, que temem um envolvimento menos efetivo dos Estados Unidos, já que as rodadas anteriores aconteceram em Washington. Segundo o embaixador americano, a mudança não representa um menor comprometimento dos Estados Unidos, mas decorre apenas de questões logísticas. Em resposta, Joseph Aoun pediu que Washington pressionasse Israel para que cumprisse os termos do acordo-quadro assinado com o Líbano em junho. No terreno, o Exército israelense continua destruindo edifícios e túneis nas aldeias ocupadas. A quinta-feira também foi marcada por uma declaração contundente do ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, em resposta às declarações feitas por Trump no dia anterior sobre a retirada israelense do Líbano. “Não pedimos autorização a ninguém para entrar no Líbano e permaneceremos lá até que o Hezbollah seja desarmado”, afirmou. O Hezbollah, por enquanto, não responde às operações israelenses. Fontes ouvidas pela imprensa manifestaram preocupação com uma possível nova escalada no sul do Líbano caso o Irã passe a enfrentar uma situação mais desfavorável em sua guerra contra os Estados Unidos. A outra missão diplomática desta quinta-feira foi conduzida por uma delegação iraniana chefiada pelo vice-ministro das Relações Exteriores. Ela foi recebida pelo presidente do Parlamento, Nabih Berri, a quem reiterou o apoio do Irã ao Líbano. Do vice-primeiro-ministro Tarek Mitri, os representantes iranianos ouviram declarações reafirmando a posição do Líbano contra qualquer ocupação ou ingerência estrangeira. As declarações ecoam as feitas pelo ministro das Relações Exteriores do Líbano, Joe Rajji, que esteve em visita ao Chipre nesta quinta-feira. Ele voltou a afirmar que o Líbano precisa deixar de pagar o preço de guerras que não escolheu e que nenhuma parte deve voltar a monopolizar as decisões sobre guerra e paz, em uma clara referência ao Hezbollah. Para os iranianos, os tempos realmente mudaram. Nesse contexto, também merecem destaque as visitas do embaixador da Rússia ao presidente Joseph Aoun e ao ministro do Interior, Ahmad Hajjar. Síria será retirada da lista americana de países patrocinadores do terrorismo Outro fato marcante desta quinta-feira foi o anúncio do presidente americano de que pretende retirar a Síria da lista de países que apoiam o terrorismo. Após o encontro entre Donald Trump e o presidente sírio Ahmad al Chareh, realizado na véspera na Turquia, à margem da cúpula da Otan, a medida representa a conclusão de um processo que poderá permitir ao novo governo sírio atrair mais investimentos e ampliar seu envolvimento internacional. No Iraque, o desarmamento dos grupos armados e o combate à corrupção continuam avançando simultaneamente. Uma descoberta inusitada ocorreu nesta quinta-feira: uma enorme quantia em dinheiro, proveniente do saque aos cofres públicos, foi encontrada dentro de uma tubulação de águas pluviais. Também no Iraque, foi registrado um ataque contra um grupo de curdos iranianos opositores do regime, no Curdistão iraquiano. Não é a primeira vez que esses grupos são alvo do regime de Teerã, que busca manter sua influência sobre o Iraque tanto quanto sobre o Líbano.

O "MOU acabou", de Trump: uma manobra ou um reconhecimento dos fatos?
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jul 8, 2026 - 23:20

O cessar-fogo entre Washington e Teerã está vivendo seus últimos dias ou até mesmo suas últimas horas? A pergunta se torna ainda mais pertinente desde a manhã de quarta-feira, quando as tensões entre as duas capitais se agravaram perigosamente em meio a um novo confronto militar em torno do Estreito de Ormuz. Desde o fim das operações militares israelenses e americanas contra seu território, a República Islâmica adotou uma política de alto risco. Agora, leva a provocação ao limite na tentativa de arrancar o máximo de concessões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no âmbito das negociações iniciadas com base no memorando de entendimento (MOU) assinado pelos dois países em junho passado. Teerã parece apostar na disposição de Trump de privilegiar uma solução diplomática para o conflito, por razões econômicas, financeiras e de política interna, para elevar ainda mais a pressão sem temer que as negociações, que deverão ser retomadas nas próximas semanas, sejam interrompidas. Teerã também estaria tentando testar os limites da paciência de Trump? A hipótese também pode ser considerada. Seja como for, a República Islâmica está envolvida em um jogo perigoso. Sua estratégia pode fazer ruir o memorando de entendimento e levar o presidente americano a cumprir suas ameaças de realizar uma operação militar de grande escala, porém pontual, para forçar o governo iraniano a aceitar suas condições. Ao decretar o fim do acordo de junho com a frase curta, mas categórica, “The MOU is over” (“O memorando de entendimento acabou”), durante a cúpula da Otan realizada em Ancara, e ao dirigir uma série de insultos aos líderes da República Islâmica, classificando-os, entre outras coisas, como “mentirosos” e “doentes”, Donald Trump deixou claro seu esgotamento. No entanto, não chegou a anunciar medidas que apontassem para uma ruptura definitiva. Pelo contrário, afirmou que caberá a seus negociadores decidir se as conversas devem ou não continuar. Caso optem por mantê-las, deverão prestar contas a ele, acrescentou. Ainda assim, no fim da noite de quarta-feira, fez questão de reforçar sua irritação. “Não tenho certeza de que quero fechar um acordo com eles (os líderes iranianos)”, declarou. “Podemos continuar com esses jogos, mas não sei se quero concluir um acordo. Vamos simplesmente terminar o trabalho.” Questionado por um jornalista que lembrou que, no mês passado, ele havia elogiado alguns altos funcionários iranianos e perguntou o que havia mudado desde então, Trump respondeu: “Passei a conhecê-los”… Ataques americanos contra 80 alvos O Irã tem seus cálculos. Donald Trump também tem os seus. A grande questão é saber quem prevalecerá. O discurso americano ocorreu após uma nova escalada de violência durante a noite no Estreito de Ormuz, provocada por disparos iranianos, feitos na terça-feira, contra três petroleiros que navegavam pelo corredor marítimo de Omã, rejeitado por Teerã. Para Washington, esses ataques representam uma violação flagrante do cessar-fogo firmado em junho. A resposta americana foi imediata: o restabelecimento da proibição da produção e da venda de petróleo iraniano e de seus derivados. Horas depois, os Estados Unidos realizaram ataques contra mais de 80 alvos militares no Irã, deixando oito mortos, segundo a imprensa iraniana. Explosões foram registradas nas proximidades do Estreito de Ormuz, especialmente na região de Bushehr, perto da ilha de Kharg, principal terminal petrolífero do país. A República Islâmica respondeu atacando, segundo informações divulgadas por ela própria à imprensa, “85 instalações militares americanas localizadas em bases no Kuwait e no Bahrein”, conforme noticiado pelos meios de comunicação iranianos. No Kuwait, os ataques iranianos provocaram interrupções no fornecimento de energia elétrica. Ameaças e contra-ameaças A quarta-feira foi marcada por uma sucessão de ameaças americanas e contra-ameaças iranianas. Teerã, cuja má-fé já não deixa dúvidas, considera que foi Washington quem violou o cessar-fogo e que “Donald Trump deve assumir pessoalmente as consequências”, segundo Ali Akbar Velayati, conselheiro do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei. Em sua conta na plataforma X, ele afirmou que “o eixo da resistência não ficará de braços cruzados caso o aventureirismo americano continue”, em uma referência à possível entrada em ação de grupos aliados da região. Teerã também prometeu adotar “medidas decisivas” para defender seus interesses caso Washington aumente a pressão. O Estado-Maior iraniano advertiu que “qualquer país que facilite operações militares americanas contra seu território se tornará um alvo legítimo”, em uma ameaça pouco disfarçada ao Bahrein e ao Kuwait. Mas, nesse jogo perigoso, o Irã encontra-se praticamente isolado. Estados Unidos, Europa e países do Golfo rejeitam o que Teerã tenta impor pela força: o controle exclusivo do estratégico Estreito de Ormuz, que lhe permitiria influenciar o comércio marítimo mundial e compensar, dessa forma, a perda de sua influência regional. Em Ancara, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, ecoaram a oposição internacional às ambições iranianas. Rutte considerou que a resposta americana foi “absolutamente necessária”, defendendo a necessidade de demonstrar firmeza diante do Irã. Para o chanceler alemão, a reação foi “totalmente justificada”. Donald Trump voltou a repetir suas ameaças contra a República Islâmica ao longo de toda a quarta-feira, mas, desta vez, o tom adotado foi diferente dos anteriores. O presidente americano parece disposto a ir além, justamente quando meios de comunicação americanos e israelenses noticiavam uma possível coordenação entre Israel e os Estados Unidos nesse contexto. Para Trump, contudo, a pressão deverá aumentar gradualmente: restabelecimento do bloqueio marítimo, controle da estratégica ilha de Kharg e retomada dos ataques militares. No fim da tarde, ele afirmou que os ataques contra alvos militares iranianos “poderiam ser retomados durante a noite”. Pouco depois, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou em sua conta no Telegram que “mais de 20 navios de guerra americanos patrulham as águas do Oriente Médio”, sem fornecer mais detalhes, “para garantir a estabilidade e a segurança” da região. Uma forma de reafirmar a presença militar americana no Oriente Médio. A Otan, a Síria e o Líbano A cúpula da Otan, durante a qual o presidente americano comentou diversos temas, também serviu para esclarecer diferentes dossiês. Embora tenha sido muito crítico em relação à Aliança e aos países europeus que, segundo ele, não o apoiaram na guerra contra o Irã, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos não deixarão a Otan. Também afirmou que estuda vender caças F-35, considerados a joia da aviação militar americana, para Ancara, decisão que certamente desagradará Tel Aviv. Além disso, disse que pretende retirar a Síria da lista de países que apoiam o terrorismo. Sobre o Líbano, Trump afirmou que existe disposição por parte de Israel para retirar suas forças das áreas ainda ocupadas no sul do país, mas não entrou em detalhes. Segundo ele, essa retirada faz parte das negociações em andamento entre Tel Aviv e Beirute, cuja retomada está prevista para os dias 15 e 16 de julho, em Roma. Segundo diversas fontes da imprensa, as autoridades libanesas ainda não foram oficialmente informadas dessas datas pelos Estados Unidos e manifestam reservas quanto ao anúncio, feito sem consulta prévia a Beirute. Foram a Itália e Israel que divulgaram as datas e o local das negociações. Ainda de acordo com essas fontes, o Líbano condiciona sua participação em Roma à retirada israelense de duas “zonas piloto”, prevista no acordo-quadro. Outro compromisso importante para o Líbano será a visita oficial que o presidente Joseph Aoun fará a Washington em 21 de julho, a convite de seu homólogo americano. O anúncio foi feito na quarta-feira pela embaixada libanesa em Washington. O convite deverá ser entregue ao presidente Aoun nas próximas horas pelo embaixador americano no Líbano, Michel Issa. A pauta principal das conversas será a implementação do acordo-quadro recentemente assinado entre Israel e o Líbano, que prevê, entre outras medidas, a retirada gradual das forças israelenses do sul do Líbano e o desarmamento do Hezbollah. Nesse contexto, Trump também foi questionado sobre uma eventual participação da Síria no processo de desarmamento do Hezbollah. Sua resposta foi menos categórica do que em declarações anteriores sobre o tema. “Eles podem ajudar. Vamos a ver. Acho que há progresso e acredito que eles podem fazer um bom trabalho”, afirmou.