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Irão-EUA: rumo ao regresso da frente iemenita?

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Por LevantTime .
Publicado jul 14, 2026 - 00:32

Em plena segunda-feira, 13 de julho, o noticiário regional está centrado no Iêmen, onde a frágil trégua de abril de 2022 sofre forte abalo devido a uma demonstração de força do Irã, que reativou a frente iemenita. Essa ação militar deve ser entendida no contexto da escalada contínua do conflito entre Teerã e Washington, que decidiu restabelecer o bloqueio imposto aos portos iranianos.

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Na prática, o governo iemenita realizou ataques contra as pistas do Aeroporto Internacional de Sanaa, controlado pelos Houthis, para impedir o pouso de um avião iraniano que transportava uma delegação desse grupo xiita pró-Irã. A comitiva retornava de Teerã, onde havia participado do funeral do líder supremo Ali Khamenei. Apesar dos repetidos alertas das autoridades iemenitas, que solicitaram que o grupo voltasse a bordo de uma aeronave da companhia aérea nacional Yemenia, a delegação insistiu em retornar ao Iêmen no avião iraniano, embora o espaço aéreo do país esteja fechado à aviação iraniana. A aeronave prosseguiu o voo apesar dos protestos do governo, mas teria pousado em Hodeida, cidade costeira do Mar Vermelho, controlada pelos Houthis no oeste do Iêmen.

O tom da crise rapidamente se agravou. O Ministério da Defesa do Iêmen justificou os ataques afirmando que os Houthis insistiram em retornar a bordo de um avião iraniano. Segundo Sanaa, o voo iraniano representa não apenas uma violação do espaço aéreo iemenita, mas também "uma nova ingerência da República Islâmica".

Os Houthis reagiram imediatamente com ameaças de retaliação, após denunciarem explicitamente "ataques sauditas", levantando o espectro de uma retomada das hostilidades com Riad pela primeira vez desde a trégua de 2022, firmada sob os auspícios da ONU.

Os estreitos de Ormuz e Bab el-Mandab

No contexto de crescente tensão regional dos últimos meses, o episódio de Sanaa só pode ser interpretado como mais um capítulo do confronto entre Teerã e Washington, principalmente em torno do Estreito de Ormuz.

O incidente ocorreu após mais uma noite marcada por intensos ataques americanos contra alvos militares e logísticos iranianos e por contra-ataques do Irã contra objetivos americanos no Kuwait, Jordânia, Bahrein, Catar e até mesmo em Omã, país que até então havia sido poupado por Teerã, que buscava estabelecer um acordo de cooperação com o sultanato para a administração do Estreito de Ormuz.

Como maestro de uma rede de grupos aliados, cada um mais nocivo que o outro, Teerã parece ter escolhido desta vez os Houthis para entrarem em cena. Ao fazer isso, permite que seu principal aliado na região, o Hezbollah, decapitado e enfraquecido por Israel durante as duas desastrosas guerras travadas em apoio ao Hamas e, posteriormente, ao regime dos aiatolás, ganhe algum fôlego. Ao mesmo tempo, evita a entrada em ação de outro ator regional, Israel, cujo território continua poupado dos ataques iranianos, embora abrigue bases americanas. A reativação da frente libanesa talvez desse a Tel Aviv o pretexto que procura para retomar seus ataques contra o Irã.

De qualquer forma, a grande questão é saber se o episódio de Sanaa constitui apenas um aviso dirigido a Washington, com quem Teerã mantém um confronto aberto, ou se representa o início de uma nova fase dessa confrontação. A gravidade da situação dependerá dos desdobramentos dos próximos dias.

Os riscos geoestratégicos de um envolvimento dos Houthis no conflito em curso são numerosos. O principal diz respeito ao estreito de Bab el-Mandab. Como controlam o porto de Hodeida, localizado nesse corredor estratégico, os Houthis têm capacidade para bloquear o acesso ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez, provocando sérias perturbações no comércio internacional.

Ao anunciar novamente, na segunda-feira, o fechamento do Estreito de Ormuz, Teerã acaba de deslocar o conflito para outra área geográfica igualmente estratégica, correndo o risco de comprometer seriamente o comércio mundial. Nesse jogo dissimulado, procura demonstrar aos americanos que ainda possui diversas cartas na manga e que não hesitará em utilizá-las para obter concessões nas negociações com Washington.

Essas negociações, no entanto, ainda não foram interrompidas. Estão apenas suspensas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, confirmou na segunda-feira a continuidade das negociações diplomáticas com Catar, Paquistão e Omã para "evitar uma escalada das tensões". Segundo ele, Teerã manteve contato "nos últimos dias" com Catar e Omã, apesar de ambos terem sido alvo de ataques iranianos, além do Paquistão. Os acontecimentos da noite de domingo para segunda-feira e ao longo da segunda-feira mostram, evidentemente, que esses esforços ainda estão longe de produzir resultados. A ponto de provocar um rompimento? Apenas os próximos acontecimentos poderão confirmar.

Esmail Baghaei também advertiu que Teerã deixará de se considerar vinculado ao memorando de entendimento firmado em junho com os Estados Unidos caso Washington não cumpra seus compromissos. Foi uma resposta a Donald Trump, que na semana passada decretou o fim do cessar-fogo.

Ataques Houthis contra o sul da Arábia Saudita

Embora as trocas de ameaças sejam comuns em negociações delicadas que envolvem o futuro de toda a região, os acontecimentos no terreno assumem uma dimensão muito mais importante e até perigosa.

Os Houthis não demoraram a colocar em prática suas ameaças diretas contra a Arábia Saudita, acusada de atacar o aeroporto de Sanaa. No início da noite, lançaram mísseis balísticos contra o aeroporto de Abha, no sudoeste do reino, próximo à fronteira com o Iêmen. Pelo menos seis mísseis atingiram as instalações, segundo os meios de comunicação do grupo pró-Irã. O Ministério da Defesa saudita confirmou o ataque e afirmou que os projéteis foram interceptados.

Esses ataques seguem a mesma lógica dos disparos iranianos contra os países do Golfo, realizados em represália aos bombardeios americanos. Por meio de seu aliado iemenita, Teerã buscaria arrastar Riad para um conflito do qual o reino procurou manter distância desde o início. O objetivo é o mesmo perseguido durante os ataques contra os países do Golfo: levar as monarquias árabes a reconsiderarem sua aliança com os Estados Unidos. Um objetivo que a República Islâmica jamais procurou esconder, mas que ainda não conseguiu alcançar.

"Uma remuneração de 20%"

Washington, por sua vez, segue uma estratégia amplamente inspirada no jogo iraniano. Às provocações de Teerã, os Estados Unidos respondem com contraprovocações. O presidente americano Donald Trump anunciou, sem rodeios, na Truth Social, o restabelecimento do bloqueio naval que havia contribuído para sufocar significativamente a economia do regime dos aiatolás, além da adoção de um controle americano sobre o estreito de Ormuz. Assim como Teerã pretende estabelecer taxas de serviço, Trump afirmou que deseja cobrar "uma remuneração correspondente a 20% do valor das cargas" que transitarem pela rota marítima, apesar de ela estar submetida ao direito internacional, que garante a liberdade de navegação.

O Irã reagiu afirmando que "não permitirá em nenhuma circunstância" que Washington interfira na administração do estreito, que pretende manter sob seu controle exclusivo.

O presidente Trump também anunciou que fará um pronunciamento à nação na noite de quinta-feira.

Segundo o New York Times, ele notificou o Congresso sobre a retomada das hostilidades com o Irã. Na comunicação enviada aos parlamentares, explicou que as forças americanas realizaram operações militares defensivas em 7 de julho, ainda de acordo com o jornal.

Com ou sem bloqueio, Teerã continua a se apoiar em sua influência regional por meio de seus aliados. Segundo diversos analistas, os Houthis dispõem de vários "trunfos" capazes de desestabilizar a região, o que explica a resposta firme de Sanaa. Ao atacar o próprio aeroporto da cidade para impedir o pouso do avião iraniano, as autoridades iemenitas enviam uma mensagem política direta a Teerã: está proibido utilizar instalações iemenitas nas circunstâncias atuais.

O episódio do avião iraniano também transmite outra mensagem, rapidamente percebida pelos americanos e que pode estar na origem da decisão de Donald Trump de restabelecer o bloqueio marítimo. Teerã quis demonstrar que continua desfrutando de liberdade de movimento e iniciativa, apesar dos ataques contínuos, e que seus aliados ainda são capazes de comprometer os planos de seus adversários.

O voo iraniano demonstra que a República Islâmica tem condições, em caso de bloqueio, de manter um corredor aéreo até seus aliados iemenitas. Esse corredor permitiria transportar equipamentos e pessoal, incluindo integrantes da Guarda Revolucionária, caso decida bloquear Bab el-Mandab e reativar a frente iemenita. Ainda assim, é prematuro falar em uma verdadeira reativação dessa frente.

Pressão ocidental

Na frente diplomática, a pressão ocidental sobre o Irã continua aumentando. Londres anunciou a proibição da Guarda Revolucionária Islâmica em seu território, enquanto o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, descartou qualquer suspensão das sanções europeias enquanto Teerã mantiver seu programa nuclear, seu desenvolvimento de mísseis balísticos e suas ações de desestabilização na região.

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