


O Bahrein, o Kuwait, o Qatar e a Jordânia sofreram na sexta-feira novos ataques iranianos, em represália aos bombardeamentos americanos realizados em território iraniano. Pelo sexto dia consecutivo, os países do Golfo aliados de Washington pagam diretamente o preço desta escalada militar. Os danos causados de ambos os lados a infraestruturas civis evidenciam uma nova intensificação do conflito.
No final da noite de sexta-feira, o Comando Central (Centcom) informou que as forças armadas dos EUA lançaram, pela sétima noite consecutiva, uma nova série de ataques contra posições e infraestruturas militares iranianas. Com efeito, os meios de comunicação oficiais da República Islâmica relataram, pouco antes da meia-noite, fortes explosões em vários setores do sul do Irão, nomeadamente em Bandar Abbas. As vias de comunicação têm sido alvos prioritários do exército americano nas últimas 48 horas.
Entretanto, Teerão mantém a escalada verbal. Mohsen Rezaí, conselheiro militar do líder supremo iraniano, ameaçou na sexta-feira que o Irão irá entrar numa "fase de ofensiva total" caso os ataques americanos continuem por mais "dois ou três dias". "O Irão não se limitará mais a retaliar, e nenhuma fronteira estará a salvo", declarou também.
Restrições na rede elétrica
As autoridades iranianas reportaram danos na rede elétrica no sul do país. Também assinalaram bombardeamentos que visaram pontes, um porto, um aeroporto, infraestruturas de telecomunicações e uma estação ferroviária.
Num comunicado, o ministério em causa apelou aos habitantes que desligassem os aparelhos de ar condicionado durante as horas de ponta "de modo a contribuir para garantir um fornecimento estável de eletricidade nas províncias do sul, que estão atualmente a enfrentar calor extremo e ataques às instalações de abastecimento elétrico".
No Kuwait, uma central elétrica e uma fábrica de dessalinização de água foram atingidas por um ataque iraniano, segundo as autoridades do emirado, que também apelaram aos habitantes "a racionalizarem o seu consumo de eletricidade durante esta fase excecional", numa altura em que as temperaturas chegam aos 48 °C.
Ataques iranianos em todas as direções
As forças armadas do Kuwait, da Jordânia, do Bahrein e do Qatar, todos aliados próximos dos Estados Unidos, anunciaram ter enfrentado ataques aéreos ao amanhecer de sexta-feira.
No Kuwait, o exército registou vários feridos. No Qatar, mediador no conflito, uma criança ficou ferida por estilhaços. Os Guardiães da Revolução afirmaram ter visado a base americana de Al-Udeid, garantindo ter destruído sistemas de radar e aeronaves militares para "punir o agressor".
O presidente americano Donald Trump havia ameaçado esta semana atacar pontes e centrais elétricas do Irão caso os seus líderes recusassem voltar à mesa das negociações.
Os Guardiães da Revolução, o exército ideológico da República Islâmica, avisaram que os ataques "continuarão até que a calma seja restabelecida na costa sul e no Estreito de Ormuz".
Trump «aberto a negociações»
Donald Trump "continua sempre aberto à diplomacia ao mesmo tempo", declarou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Segundo ela, os iranianos "fizeram saber ao presidente que ainda querem chegar a um acordo. Estamos a falar com eles, mas, mais uma vez, o presidente não vai deixá-los atacar navios no Estreito sem consequências".
No Estreito de Ormuz, pelo qual transitava, antes da guerra, cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo e de gás natural liquefeito, o tráfego marítimo continua a diminuir.
Oleoduto iraquiano-sírio
Em Washington, a visita do primeiro-ministro iraquiano Ali al-Zaidi começou a dar os seus primeiros frutos. Os Estados Unidos saudaram na sexta-feira um acordo entre o Iraque e a Síria para restaurar o oleoduto que liga os dois países, fechado há décadas, facilitando a longo prazo o transporte de petróleo em plena retomada das hostilidades entre o Irão e Washington.
O oleoduto deverá ligar a produção petrolífera iraquiana aos mercados de exportação mediterrânicos e além. Uma verdadeira oportunidade, num momento em que os preços do petróleo bruto dispararam com o encerramento total do Estreito de Ormuz. O preço do barril de petróleo continua a subir, mas mantém-se, a cerca de 87 dólares, longe do pico de 126 dólares atingido no auge do conflito.
Os Estados Unidos indicaram que lideram um consórcio internacional para implementar os aspectos técnicos e financeiros deste projeto que, uma vez restaurado, terá "uma capacidade inicial de transporte de 2 milhões de barris de petróleo bruto por dia".
Falando na semana passada em Damasco, à margem de uma visita do presidente francês Emmanuel Macron, o presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, considerou que a Síria pode tornar-se um "país de trânsito importante para o petróleo proveniente do Iraque em direção ao Mediterrâneo", e oferecer "rotas alternativas" ao Estreito de Ormuz.
No Líbano-Sul
No que diz respeito à frente libanesa, uma fonte diplomática libanesa, citada pelo canal em língua árabe Al-Hadath, indicou na sexta-feira que o exército israelense deverá iniciar este fim de semana a sua retirada das zonas-piloto que deverão ser assumidas pelo exército libanês, em conformidade com o acordo-quadro assinado pelo Líbano e por Israel a 26 de junho passado.
Ao nível das operações militares, as forças israelenses presentes no Sul prosseguiram com a destruição das infraestruturas militares subterrâneas construídas pelo Hezbollah ao longo de décadas. Paralelamente, foram realizados ataques aéreos cirúrgicos pelo exército israelense em mais de um setor da região meridional do país.