
Tel-Aviv diz estar pronta para retirar as suas tropas das «zonas piloto»


Esta terça-feira marca a sexta rodada de conversações diretas entre as delegações libanesa e israelense, realizada desta vez em uma capital europeia, Roma, e não em Washington.
Logo no primeiro dia, um primeiro êxito: o ministro israelense das Relações Exteriores, Gideon Saar, afirma, a partir de Jerusalém, que Israel está pronto para "avançar" na implementação de duas "zonas-piloto" no sul do Líbano, segundo a AFP. No entanto, de acordo com os termos do acordo-quadro de 26 de junho, a implementação das zonas deve começar com uma retirada israelense.
Ele qualifica o processo, conduzido sob a égide dos Estados Unidos, como "o único caminho a seguir".
Ainda segundo a AFP, a delegação libanesa "recebeu instruções para exigir o início imediato da retirada das forças israelenses de duas zonas-piloto antes de qualquer outra discussão", conforme informou a presidência libanesa na noite de segunda-feira.
Segundo uma fonte diplomática libanesa a par do conteúdo das negociações, "o exército libanês está pronto para assumir gradualmente o controle das localidades de onde o exército israelense se retiraria".
A reunião de 14 de julho encerrou-se por volta das 18h e foi classificada como "positiva" por fontes da LBC.
Essa primeira confirmação de resultado é importante para os libaneses, mesmo que muitos mais detalhes ainda precisem ser discutidos e que os obstáculos não sejam poucos.
Pois essas negociações serão um teste sob vários aspectos para a parte libanesa, que tem uma obrigação de resultados nesta rodada, tendo em vista os progressos alcançados na anterior, em junho, que culminaram em um acordo-quadro.
O principal tema dessas discussões é, portanto, a implementação das "zonas-piloto" no sul do Líbano, das quais o exército israelense deve se retirar para que o exército libanês se desdobre, sem qualquer presença do Hezbollah.
No entanto, esse processo ainda enfrenta detratores de peso no cenário libanês. O deputado do Hezbollah Hussein Hajj Hassan afirmou na segunda-feira que "esse acordo-quadro é tripartite apenas na aparência, sendo na verdade unilateral, pois é israelense".
A oposição ao acordo-quadro vem também de seu aliado, o chefe do movimento Amal e presidente do Parlamento, Nabih Berry, que fez uma declaração significativa nesta terça-feira.
Aparentemente contrário à continuidade das negociações diretas, ele abre, no entanto, espaço para certa flexibilidade. "As zonas-piloto são rejeitadas", declarou Berry em entrevista ao jornalal-Joumhouria, garantindo que essas zonas deveriam ter sido bem mais amplas, "caso contrário a retirada levará dois anos".
Ele acrescentou, porém, esta frase enigmática: "Se eu perceber o mínimo sinal de sucesso, estou pronto para me calar, mas não vejo nenhum."
Embora declare estar disposta a se retirar de zonas-tampão, a parte israelense continua, no terreno, a realizar demolições nos vilarejos do sul: nota-se, nesta terça-feira, que o exército israelense teve como alvo especialmente a região prevista para ser uma das zonas-piloto, ou seja, as duas localidades chamadas Zawtar (leste e oeste).
Seja como for, as autoridades libanesas demonstram constância na continuidade dessas negociações, apesar de todos os desafios.
Do palácio de Baabda, os resultados são acompanhados de perto, e em princípio só deverão ser conhecidos amanhã.
O presidente Joseph Aoun, que se encontrava com sua esposa no Qatar para apresentar condolências pelo falecimento do ex-emir do país, xeque Hamad Al Thani, acompanhou de perto as conversações de Roma. Ele também prepara sua visita a Washington, marcada para 21 de julho.
A frente iraniana ainda em chamas
No sul do Líbano, no terreno, a aparente trégua — pelo menos da parte do Hezbollah, que parece precisar dela para recuperar forças — persiste, apesar da deterioração da situação do lado iraniano.
Os ataques americanos ao Irã continuaram durante toda a noite de segunda para terça-feira e ao longo do dia de terça, e o bloqueio prometido pelo presidente americano Donald Trump entra em vigor às 20h (horário do Levante).
Os iranianos denunciaram novos ataques à cidade de Bushehr, onde fica a central nuclear.
A turbulência no estreito de Ormuz e a retomada da guerra provocaram uma nova alta nos preços do petróleo, cujo barril voltou a ultrapassar a marca dos 80 dólares americanos.
As negociações parecem comprometidas por ora, salvo uma declaração do presidente Trump, na terça-feira, na qual afirmou que um acordo ainda é «possível».
Em uma entrevista televisiva, ele destacou, no entanto, que o memorando de entendimento foi um «teste» para os iranianos, e que estes demonstraram não ser capazes de cumpri-lo.
Ele garantiu que a vitória será americana, seja por meio de negociações ou de guerra.
Além disso, segundo meios de comunicação árabes, o exército americano está atualmente a deslocar mais de 50.000 homens para a região.
Os iranianos, por sua vez, tentam reagir, ainda com mais ataques aos países da região, poupando, por enquanto, Israel.
O Bahrein, o Kuwait, os Emirados Árabes Unidos e também a Jordânia tiveram de interceptar mísseis iranianos.
Esses ataques foram reivindicados diretamente pelos Guardiões da Revolução iraniana, assim como os que continuam a ter como alvo petroleiros no estreito de Ormuz.
Outro ataque frontal vindo do Irã foi um projeto de lei aprovado pelo Parlamento iraniano a favor de uma taxa imposta aos navios no estreito — uma resposta à declaração do presidente Trump no dia anterior, que afirmou querer cobrar pela proteção da passagem dos navios.
Os estreitos naturais são, vale lembrar, passagens livres para os navios, e apenas serviços prestados por países ribeirinhos são cobrados.
Enquanto isso, o ataque com mísseis balísticos a um aeroporto saudita na noite de segunda-feira, originado da região iemenita dominada pelos rebeldes houthis, aliados do Irã, continua a gerar declarações de apoio ao reino.
Destacam-se sobretudo as provenientes do Líbano, nomeadamente do presidente da República Joseph Aoun e do primeiro-ministro Nawaf Salam, que constituem sinais claros de solidariedade com a Arábia Saudita contra o eixo iraniano.