
O mundo evoca uma tragédia libanesa pela qual o Hezbollah e, por trás dele, o Irã carregam a responsabilidade, e uma nova Nakba palestina provocada pelo Hamas. O que permanece ausente de qualquer análise sobre essa tragédia e essa Nakba são dois acontecimentos fundamentais: a retirada israelense do sul do Líbano, em maio de 2000, e a retirada israelense de Gaza, no verão de 2005. Essas duas retiradas foram completas. A primeira fazia parte da execução da resolução 425 do Conselho de Segurança, adotada em 1978, e o mesmo Conselho havia rejeitado desde o início a tese oficial libanesa sobre as fazendas de Shebaa, que o Hezbollah e sua principal figura de proa, o “presidente da resistência” Émile Lahoud, se apressaram em defender. Essa tese não passava de uma mentira grosseira, concebida para justificar a manutenção das armas da “resistência”, armas que nunca foram direcionadas senão para o interior libanês e cuja única finalidade era transformar o sul do Líbano em uma caixa de correio entre Israel, de um lado, e a República Islâmica, de outro. Tudo isso acontecia sem que ninguém questionasse, nem que fosse brevemente, o destino dos habitantes daquela terra, eles que foram, e continuam sendo, o grande ausente dessa equação interna e regional. Ainda não existe nenhuma explicação racional para o que se abateu sobre o sul do Líbano e sobre sua população.














