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O Novo Mundo

O preço inevitável dos erros libaneses

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Por Khairallah Khairallah
Publicado mai 7, 2026 - 15:39

Um fio espesso conecta entre si todos os erros libaneses cujo preço será inevitavelmente pago em 2026. Esses erros acabaram levando ao retorno da ocupação israelense. O que vivemos hoje é a consequência natural de um acúmulo que começou antes mesmo do Acordo do Cairo, em novembro de 1969, esse pacto funesto firmado entre o Líbano e a Organização para a Libertação da Palestina. O acordo consolidou o colapso do Estado libanês ao levá-lo a abdicar de sua soberania sobre uma parte de seu território.

Quem abandona uma parte de sua terra abandona, na prática, a soberania sobre todo o território. Nenhum político libanês se pronunciou, na época, sobre a catástrofe representada pelo Acordo do Cairo, com exceção do Amid Raymond Eddé, que percebeu o perigo e compreendeu a dimensão do que aquilo significava.

Antes da assinatura do acordo, o Líbano tratou com leviandade os acontecimentos que abalavam a região, especialmente a destruição, por Israel, da frota da Middle East Airlines no aeroporto de Beirute, nos últimos dias de 1968, em represália ao uso do aeroporto da capital libanesa por grupos palestinos que decolavam dali para sequestrar aviões com destino a Israel, incluindo uma aeronave que fazia a rota entre Atenas e Tel Aviv.

O Líbano não compreendeu o significado da destruição dos aviões da MEA. Em vez de tirar lições do episódio, caminhou para a assinatura do Acordo do Cairo, com tudo o que isso implicava em termos de abertura das fronteiras libanesas a grupos palestinos para realizar ataques contra Israel.

Em sua deriva rumo ao erro, o Líbano foi ainda mais longe. O Parlamento elegeu Sleiman Frangié, o avô, para a presidência da República em 1970. Era um homem patriota, mas cuja cultura política permanecia muito limitada, especialmente no plano regional. Como Sleiman Frangié poderia compreender o significado de acontecimentos de extrema gravidade que ocorriam na região, como a morte de Gamal Abdel Nasser e a ascensão de Anwar el-Sadat, a chegada de Hafez el-Assad ao poder na Síria, a expulsão dos fedayin palestinos da Jordânia e sua transferência para o Líbano através do território sírio?

Todos esses acontecimentos históricos ocorreram em 1970 na ausência de um poder libanês conectado ao que estava em jogo na região. Sleiman Frangié passou de uma tentativa de eliminar a presença armada palestina no Líbano, em maio de 1973, a uma iniciativa diante das Nações Unidas, em 1974, para falar em nome dos árabes sobre a questão palestina. Não havia consciência libanesa sobre o alcance das consequências da guerra de outubro de 1973, nem sobre o rompimento que ela provocou entre o Egito e a Síria. Anwar el-Sadat caminhava em direção a um acordo com Israel, enquanto Hafez el-Assad buscava assumir o controle do Líbano e da decisão palestina, sediada em Beirute, onde Yasser Arafat havia estabelecido residência. Assad pai considerava uma decisão palestina independente uma “heresia” e via o Líbano como um simples território de compensação pela perda do Golã pela Síria. O controle sobre o Líbano representava, para o falecido presidente sírio, uma questão infinitamente mais importante do que recuperar o Golã.

O Líbano entrou na guerra civil em 1975 sem que os cristãos percebessem que estavam caindo na armadilha preparada por Hafez el-Assad. Em 1976, ele obteve sinal verde dos Estados Unidos e de Israel para assumir o controle do Líbano, especialmente das “bases dos combatentes palestinos afiliados à OLP”, segundo a formulação das autoridades americanas da época, à frente delas Henry Kissinger, secretário de Estado, que considerava que a intervenção militar no Líbano poderia evitar um confronto regional provocado pela presença armada palestina em uma área capaz de ameaçar o norte de Israel.

O Líbano não tem outra escolha senão revisitar esse período de sua história se quiser se preservar. É mais necessário do que nunca aprender com as oportunidades perdidas e, antes disso, com os erros que levaram a subestimar o que Israel é capaz de fazer. Israel não se retirará do sul do Líbano sem uma contrapartida.

O que hoje se exige do Líbano é não apenas pagar o preço das duas últimas guerras, a guerra de apoio a Gaza e a guerra de apoio ao Irã, nas quais o Hezbollah se envolveu por instruções iranianas, mas também quitar o passivo acumulado. A era dos erros acumulados ultrapassa cinquenta e sete anos, ou seja, a idade do funesto Acordo do Cairo e dos acontecimentos que o precederam e prepararam, em território libanês e na região ao redor.

O que agora se impõe como noção central é a capacidade de compreender as transformações regionais e internacionais, capacidade que Hafez el-Assad dominou ao longo de seus longos anos no poder. Ele a dominou a ponto de transformar a entrada militar no Líbano em um serviço prestado aos americanos e aos israelenses, que voltaram a autorizá-lo a assumir o controle do país em 1990. Naquela época, o exército sírio entrou no palácio de Baabda e no Ministério da Defesa em Yarze graças à estupidez de Michel Aoun, que refletia a estupidez e o oportunismo de uma parte significativa dos cristãos. Em outubro de 1990, Michel Aoun acreditava que Saddam Hussein, atolado nas areias do Kuwait, viria em seu socorro e o manteria no palácio de Baabda.

No Líbano, ninguém pediu contas a Michel Aoun por esse crime. Pelo contrário, o Hezbollah considerou que ele merecia uma recompensa, e essa recompensa foi levá-lo, em 2016, à presidência da República libanesa.

Muitas coisas dependerão, para o Líbano, da maneira como serão conduzidas as negociações com Israel. Essas negociações agora são uma realidade. Israel quer um preço. Como o Líbano poderá pagá-lo e, ao mesmo tempo, obter em troca a restituição de seus territórios ocupados e o retorno dos deslocados para suas aldeias e cidades, ainda que estejam em ruínas?

Não é possível acumular erros durante todos esses anos sem pagar a dívida correspondente. Os erros têm um preço do qual não se pode escapar. Mas o que importa mais do que o preço é a lição que deve ser extraída deles. O Líbano, em 2026, aprendeu com os erros do passado para compreender que sua sobrevivência depende agora mais de um milagre do que de qualquer outra coisa?

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