
Enquanto diplomatas debatem o futuro político da Líbia em salas de conferência climatizadas, a fragilidade persistente do vasto sul do país representa riscos significativos não apenas para a própria Líbia, mas também para Estados vizinhos, especialm ente os do Sahel africano. A região do Fezzan, que ocupa um terço do território líbio, tornou-se um vácuo de governança, onde a autoridade do Estado colapsou, grupos armados se multiplicam e redes criminosas transnacionais operam com impunidade. Os números traçam um quadro devastador. No Fezzan, 67% dos domicílios precisam de assistência humanitária, a taxa mais alta do país. Quase metade recorre a estratégias de sobrevivência em nível de crise, como vender ativos produtivos ou abrir mão de cuidados médicos. O desemprego entre jovens chega a 52% em algumas áreas, criando uma geração sem perspectivas de estabilidade. Apagões crônicos duram até 20 horas por dia. As taxas de mortalidade materna disparam, já que 73% das unidades de saúde funcionam apenas parcialmente, forçando mulheres a dar à luz em casa ou a viajar até 150 quilômetros para atendimento básico.












