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Publicado
abr 27, 2026 - 11:21
As diferentes declarações e mudanças de posição do presidente Donald Trump vão modificar as relações com os europeus, a OTAN e os aliados dos Estados Unidos. Também provocarão reações por parte dos países do Pacífico e do Oriente Médio. Os ocidentais apostam na moderação e querem assumir um papel na segurança do estreito de Ormuz após o cessar das hostilidades. Os Estados Unidos ficarão fora do jogo na região? Em 28 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos e Israel lançaram uma operação militar contra o Irã sem informar previamente os chefes de Estado e de governo dos países ocidentais e membros da OTAN. Em seguida, porém, o presidente americano Donald Trump solicitou seu apoio, especialmente para a segurança do estreito de Ormuz, mas também para fornecer apoio direto às operações americanas. Em sua grande maioria, os chefes de Estado e de governo rejeitaram esse pedido. A reação do presidente Trump foi clara, embora por vezes incoerente. Denunciando um “erro grosseiro” e uma “covardia”, afirmou não precisar deles e que agiria sozinho por ser “o mais forte do mundo”. Chegou inclusive a mencionar um possível afastamento da OTAN, brandindo assim a ameaça de se libertar de seus deveres como membro, como previsto no artigo 5 do tratado da organização. Também mencionou a possibilidade de retirar parcialmente as tropas americanas estacionadas na Europa. Para ele, privada dos Estados Unidos, a Europa seria um “tigre de papel”. Para deixar claro o sentido de suas declarações, disse reprovar os aliados por não apoiarem os Estados Unidos em caso de crise e por se beneficiarem de uma aliança de mão única. Em consequência, por que razão garantiria automaticamente sua defesa? Todas essas críticas não o impediram, mais tarde, de solicitar a participação dos europeus no bloqueio naval que impôs aos portos iranianos. Depois de expressarem sua recusa, alguns países proibiram sucessivamente seu espaço aéreo às aeronaves americanas que participavam das operações militares contra o Irã. Uma ação defensiva e não agressiva Em suas declarações, o presidente Trump carece, portanto, de coerência. A uma necessidade de apoio, ou mesmo de participação ativa, sucedem-se um desinteresse desprezível e a afirmação de que os Estados Unidos estão em condições de vencer essa guerra sozinhos. A própria noção de guerra se torna objeto de debate. Segundo Donald Trump, os membros da OTAN deveriam respeitar suas obrigações conforme o tratado fundador. O problema é que ele próprio desencadeou essa guerra, incentivado por Israel, que assim se torna cobeligerante. Portanto, ele é o agressor. Ora, a organização transatlântica é “defensiva”. Nesse caso específico, o artigo 5 não se aplica. O texto em questão estabelece que um ataque armado contra um ou mais membros na Europa ou na América do Norte é considerado uma agressão contra todos, o que justifica uma intervenção militar ou uma ação defensiva coletiva. E, quando a OTAN interveio no passado, foi apenas com base em mandato da ONU. Na realidade, o presidente dos Estados Unidos esperava de seus aliados um apoio ativo, sem contudo enquadrá-lo formalmente no marco da Aliança Atlântica. Essa situação, porém, teve como efeito levantar dúvidas sobre a confiabilidade das garantias americanas declaradas e oficializadas onde os Estados Unidos exercem o papel de protetor. Os países da OTAN e os europeus não são os únicos a expressar essas dúvidas. Outros países do Pacífico, em primeiro lugar Japão, Austrália e Coreia do Sul, agora só podem duvidar do apoio americano garantido em caso de intervenção chinesa. A esses países somam-se Taiwan, Indonésia, Filipinas e os Estados ribeirinhos do Golfo Arábico-Pérsico, especialmente Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e o Sultanato de Omã. Quando um chefe de Estado, primus inter pares dentro da OTAN, desencadeia um conflito que pode levar a uma guerra mundial, ele não pode pedir aos membros da organização que o apoiem e participem ativamente, de olhos fechados, das operações militares. De tudo isso resulta que os membros da Aliança, apesar da ausência de unanimidade e de alguns desacordos, convergem em torno de uma mesma posição à qual aderem vários países do Pacífico. O projeto de garantir a segurança do estreito de Ormuz após o cessar das hostilidades reúne assim muitos deles. Em todo o mundo, inclusive no Oriente Próximo e no Oriente Médio, portanto também no Líbano, a contenção da Rússia e da China é apreciada. Seria, contudo, ingênuo acreditar que elas não atuam nos bastidores de acordo com seus próprios interesses. Mas sua posição, semelhante à dos europeus e dos aliados dos Estados Unidos, marcada pela não participação nas operações militares, afasta o risco de uma escalada para um confronto de dimensão mundial. A linha geral adotada pelos governos europeus, pelos países da OTAN e pelos principais países envolvidos do Pacífico merece aprovação, sem esquecer, no entanto, seu compromisso de princípio a favor da segurança do estreito de Ormuz. Esta, contudo, deveria ser estendida ao mar de Omã, ao Golfo Arábico-Pérsico e depois ao mar Vermelho. Se assim ocorrer, haverá motivo para elogiar sua prudência. Resta uma pergunta: é ilusório, ou até utópico, pensar que essa atitude comum poderia ser levada em consideração pelos iranianos em eventuais negociações de paz? Poder-se-ia ser tentado a ver, no Líbano, o prolongamento de um mesmo conflito: os protagonistas parecem, à primeira vista, idênticos. De um lado, o Hezbollah controlado pelo Irã; Israel como senhor do jogo; e, ao fundo, os Estados Unidos que, por enquanto, se posicionam como moderadores. Do outro, o Irã, ator central, digam o que disserem; os Estados Unidos, outros senhores do jogo; e Israel, que, de instigador inicial, depois contido, tornou-se seguidor. As perspectivas divergem, contudo, sensivelmente quanto à evolução desses dois teatros. Um permanece em um quadro estritamente regional, enquanto o outro assume dimensão mundial. Um exclui a Europa e sobretudo a França. O outro marginaliza por enquanto a Europa e a coalizão prevista de cerca de quarenta países, entre eles vários do Pacífico. O problema iraniano parece insolúvel enquanto as exigências, justificadas, dos Estados Unidos forem contrárias às defendidas firmemente pelos Guardiões da Revolução, hoje senhores do país. Além dessas exigências, por ora inconciliáveis, o comportamento de Donald Trump em matéria de análise, diplomacia e condução de negociações dessa natureza parece muito distante do que esse tipo de situação exigiria. Por enquanto, parece limitar-se ao recurso à violência. Se mantiver essa postura, não se pode excluir uma intervenção russa e chinesa. O desfecho dependerá amplamente das escolhas que ele fizer: no nível da evolução da crise, da condução dos assuntos internacionais ou ainda da resolução de disputas entre países. É bastante possível que Donald Trump vença. Mas ao preço de quais renúncias? Quem e o que sacrificará antes de novembro? No longo prazo, o Irã poderia aparecer como o verdadeiro vencedor. Na escala dos riscos, o provável pesa mais que o possível. Uma profunda revisão da confiança na proteção americana por parte dos países do Golfo poderia traduzir-se na substituição das bases americanas? Mas por qual protetor? China e Rússia tirariam proveito disso. Se a França decidir apoiar o Líbano com a firmeza demonstrada por seu presidente, deverá fazê-lo com convicção e determinação. Meias medidas já não têm lugar em tal contexto. Trata-se, portanto, de duas guerras diferentes cujas resoluções devem ser coordenadas. Uma poderia ser tratada isoladamente, a outra não. O presidente Trump levará isso em conta na rodada final das negociações com os Guardiões da Revolução? “O que mais mudou ali não foi a China, não foi a Rússia, foi a Europa: ela deixou de contar ali” (A. Malraux). Em vez de ter olhos de Chimène para a Ucrânia e abordar o Oriente Médio apenas sob o ângulo do preço do petróleo, os europeus, especialmente a França, deveriam ambicionar promover uma “paz firme” no Líbano.