
Uma prosa poética ou uma poesia prosaica? É essa a primeira impressão que arrebata o leitor em Esta velha canção que arde . A escrita está no cerne deste segundo romance de Alexandre Lenot, que prende a atenção mais pelas suas longas e ricas frases do que pela trama dramática. Nele, abordam-se laços familiares enfraquecidos, a condição de gémeos, a identidade mestiça, a procura de amor e reconhecimento, a ecologia e o ativismo. É denso, mas flui naturalmente; tal é a forma como o romance arrasta o leitor para uma espiral de acontecimentos cruéis que se fundem numa escrita de uma força arrebatadora.














