

Como vimos anteriormente, Gibran Khalil Gibran é um artista multifacetado, simultaneamente poeta, pensador, escritor e pintor de grande talento. Embora seja principalmente conhecido no Ocidente por sua obra literária «O Profeta», publicada em inúmeras línguas, seu trabalho pictórico é igualmente notável e foi reconhecido ainda em vida.«A arte é a expressão do pensamento pelo pincel, pelo cinzel, pela pena ou pelo canto. É a centelha divina que arde em cada um de nós.»«Gostaria de pintar o que existe no mais profundo do coração humano.»
Gibran demonstrou aptidão para o desenho desde a infância. Em 1904, seus primeiros desenhos foram expostos no estúdio de Fred Holland Day em Boston, graças a Mary Haskell, sua mentora. Em 1908, encorajado por ela, ingressou na Académie Julian e no atelier de Auguste Rodin em Paris, a fim de aperfeiçoar sua técnica pictórica. Este encontro com Rodin marca sua visão do corpo humano. Rodin até o compara a William Blake. Como Blake, Gibran ilustra seus próprios textos para criar uma obra «total» onde a palavra e a imagem se correspondem.
Em Paris, foi também aluno do pintor Pierre Marcel-Béronneau, cujas qualidades e inspirações místicas o atraíam particularmente.Gibran, o pintor assim como Gibran o escritor, é uma síntese entre dois mundos: de um lado os Estados Unidos e sua formação acadêmica parisiense, e do outro suas raízes libanesas, mergulhadas na beleza e espiritualidade mística da montanha libanesa.
«Meditação Interior, 1914». Óleo sobre tela. (Museu Gibran Khalil Gibran)
Sua obraGibran era essencialmente um autodidata. Produziu uma obra artística considerável. Desde seus primeiros trabalhos, suas criações foram expostas em galerias prestigiosas, particularmente na Montross Gallery e em M. Knoedler & Co, em Nova York.
Seu estilo: o simbolismo místico«A arte não consiste em copiar a realidade, mas em capturar a emoção que essa realidade desperta em nós.»
A obra pictórica de Gibran é uma extensão de sua filosofia. Suas obras não foram feitas para serem simplesmente olhadas, mas para serem meditadas.O estilo de Gibran pertence a um simbolismo romântico e espiritual, que não se inscreve nas correntes de sua época como o cubismo ou o fauvismo. Ele privilegia o corpo humano, que é para ele o templo da alma, «a beleza em seu estado puro». Através dos traços humanos, busca se aproximar de Deus e mostrar a unidade do universo. Suas personagens, frequentemente nuas, representam a humanidade em seu estado de pureza original, livre das convenções sociais. Os corpos com contornos difusos e etéreos parecem emergir de uma névoa ou de um sonho, sugerindo que o espírito está se libertando da matéria.
Gibran frequentemente utiliza tons apagados, degradês de marrom, azul pálido e bege rosado. Suas aguadas são leves, quase transparentes.
Excele no desenho a lápis, carvão e aquarela. Suas pinturas a óleo mantêm a mesma suavidade difusa, privilegiando menos o realismo do que a emoção.
«A Mona Lisa Triste, 1914». Óleo sobre tela. (Museu Gibran Khalil Gibran)
Onde ver suas obras?
A maior coleção encontra-se no Museu Gibran em Bécharré, no Líbano. Também é possível ver suas obras nos principais museus americanos, nomeadamente no Metropolitan Museum of Art em Nova York, no Museum of Fine Arts de Boston, no Newark Museum, assim como no Mathaf, no Qatar.
O Museu Gibran

O museu está localizado em Bécharré, sua cidade natal, no vale de Qadisha, dentro do antigo mosteiro Mar Sarkis (São Sérgio), um sítio troglodita cujas origens remontam ao século VII.
No final de sua vida, Gibran desejou adquirir este mosteiro para transformá-lo em seu refúgio e, eventualmente, em seu local de sepultamento. Após sua morte, sua irmã Miriana, com ajuda de Mary Haskell, recomprou o lugar a fim de realizar seu desejo.
Son œuvre
Gibran était essentiellement un autodidacte. Il a produit une œuvre artistique considérable. Dès ses débuts, ses travaux ont été exposés dans des galeries prestigieuses, notamment à la Montross Gallery et chez M. Knoedler & Co, à New York.
Son style: le symbolisme mystique
«L’art ne consiste pas à copier la réalité,
mais à capturer l’émotion que cette réalité éveille en nous.»
L’œuvre picturale de Gibran est une extension de sa philosophie. Ses œuvres ne sont pas faites pour être simplement regardées, mais pour être méditées.
Le style de Gibran relève d’un symbolisme romantique et spirituel, qui ne s’inscrit pas dans les courants de son époque comme le cubisme ou le fauvisme. Il donne la primauté au corps humain, qui est pour lui le temple de l’âme, «la beauté à l’état pur». À travers les traits humains, il cherche à se rapprocher de Dieu et à montrer l’unité de l’univers. Ses personnages, souvent nus, représentent l’humanité dans son état de pureté originelle, débarrassée des conventions sociales. Les corps aux contours flous et éthérés semblent surgir d’un brouillard ou d’un rêve, suggérant que l’esprit est en train de se libérer de la matière.
Gibran utilise souvent des tons sourds, des dégradés de brun, de bleu pâle et de beige rosé. Ses lavis sont légers, presque transparents.
Il excelle dans le dessin à la mine de plomb, le fusain et l’aquarelle. Ses peintures à l’huile conservent la même douceur diffuse, privilégiant moins le réalisme que l’émotion.

«La Joconde triste, 1914». Huile sur toile. (Musée Gibran Khalil Gibran)
Où voir ses œuvres?
La plus grande collection se trouve au Musée Gibran à Bécharré, au Liban. On peut également voir ses œuvres dans les plus grands musées américains, notamment le Metropolitan Museum of Art de New York, le Museum of Fine Arts de Boston, le Newark Museum, ainsi qu’au Mathaf, au Qatar.
Le Musée Gibran
Le musée est situé à Bécharré, sa ville natale, dans la vallée de la Qadisha, au sein de l’ancien monastère Mar Sarkis (Saint-Serge), un site troglodytique dont les origines remontent au VIIe siècle.
À la fin de sa vie, Gibran a souhaité acquérir ce monastère pour en faire sa retraite et, éventuellement, son lieu de sépulture. Après sa mort, sa sœur Miriana, aidée par Mary Haskell, a racheté les lieux afin d’exaucer son vœu.
O museu, que abriu oficialmente suas portas em 1975, estende-se por dezesseis salas e abriga o túmulo de Gibran, além de mais de 440 obras originais. Ali também se encontram seus objetos pessoais, sua biblioteca privada, seus móveis nova-iorquinos, seus manuscritos e, sobretudo, sua Bíblia.
O local é gerenciado pelo Comitê Nacional Gibran, que zela rigorosamente pela preservação e transmissão de seu legado cultural.

«O Exilado do Amor, 1914». Óleo sobre tela. (Museu Gibran Khalil Gibran)
(Re)descobrir Gibran
«Quando você tiver atingido o cume da montanha, é quando enfim começará a subir.»
O único meio de (re)descobrir Gibran, o pintor, é visitar seu museu em Bécharré e se impregnar da atmosfera particular do lugar e da natureza ao redor, depois dedicar tempo para meditar diante de seus quadros.
Quanto ao escritor, seria necessário adquirir suas obras completas e lê-las pouco a pouco em sua língua original, saboreando cada palavra como um néctar precioso.
«Um pouco de tempo, um momento de repouso no vento, e outra mulher me dará à luz.» (O Profeta)
Leia também:
Gibran Khalil Gibran: uma ponte de luz entre Oriente e Ocidente (1/3)
Gibran Khalil Gibran: uma ponte de luz entre Oriente e Ocidente (2/3)