
II - Para onde? A transformação representada pela operação «Amanhecer do Iêmen» não pode ser compreendida apenas a partir de seus resultados militares imediatos, nem basta examinar as posições declaradas pelas partes envolvidas na guerra. A questão ultrapassa os limites dos confrontos no terreno e alcança a reconfiguração dos equilíbrios regionais, a definição do futuro do Iêmen e seu lugar nos mecanismos de segurança árabe e nas rotas marítimas internacionais. A comparação entre «Amanhecer do Iêmen» e a operação «Tempestade Decisiva», de 2015, talvez revele a dimensão das mudanças ocorridas na natureza e nos objetivos da guerra. Naquela época, a Arábia Saudita entrou no conflito com o propósito declarado de restabelecer a legitimidade e impedir que os houthis assumissem o controle do Estado iemenita, apoiando-se em ampla superioridade militar e em uma coalizão regional. No entanto, os anos de guerra demonstraram que a superioridade militar não basta para decidir um conflito no qual as divisões internas se entrelaçam com os cálculos regionais e em que a geografia se transforma em um fator de poder tão importante quanto as armas.








