


O Conselho da União Europeia anunciou na segunda-feira uma missão de apoio ao Líbano (EUSM Lebanon), com um mandato de três anos.
O objetivo da missão europeia, inserida no âmbito da «política comum de segurança e defesa (PCSD)», é ajudar o Líbano a «consolidar a paz, a segurança e a estabilidade do país, reforçar as suas instituições e estabelecer uma paz duradoura, em conformidade com a resolução 1701 do Conselho de Segurança das Nações Unidas», segundo o comunicado divulgado pela embaixada da UE no Líbano.
A missão destina-se particularmente ao Exército e às Forças de Segurança Interna (FSI) e terá duas vertentes «complementares, militar e civil, sob um mandato político unificado».
A vertente militar prevê «aconselhamento e formação destinados a reforçar as capacidades do Exército libanês em matéria de segurança fronteiriça e marítima». As ações previstas incidirão, nomeadamente, sobre «a vigilância e o controlo das fronteiras terrestres, os serviços de informações, a vigilância e o reconhecimento, o combate ao contrabando e a coordenação operacional».
A vertente civil tem caráter consultivo e destina-se às FSI. Serão ministradas formações especializadas para «reforçar as suas capacidades operacionais e criar estruturas de formação duradouras». As áreas abrangidas incluirão, nomeadamente, o combate à cibercriminalidade e ao contrabando.
A missão prevê também «contribuir para melhorar a gestão da segurança portuária, nomeadamente no porto de Beirute».
Anunciada quatro dias após a visita oficial a Beirute, na quinta-feira, 8 de outubro, da chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, esta iniciativa deverá permitir ao Estado restabelecer a sua autoridade e soberania pelos seus próprios meios. Mas os recentes casos de apreensão de explosivos no vale do Bekaa evidenciam as dificuldades enfrentadas pelas autoridades, que continuam a mostrar-se reticentes nesta matéria.
Apreensão de materiais explosivos em Hermel
Na segunda-feira, o Exército apreendeu 200 quilos de materiais explosivos em Hermel, na fronteira entre o Líbano e a Síria, sem conseguir deter os infratores, que fugiram para a Síria.
Há alguns dias, foram apreendidos 560 quilos de TNT, 200 quilos de C4 — um explosivo muito potente — e materiais utilizados no fabrico de explosivos num posto de controlo em Dahr el-Baïdar. A carga era transportada num veículo que se dirigia aos subúrbios do sul de Beirute, um bastião do Hezbollah.
Segundo os primeiros elementos da investigação, tanto o condutor como o passageiro são membros desta organização pró-iraniana. Um dos seus dirigentes, o deputado Ibrahim Moussaoui, confirmou-o, aliás, implicitamente ao reagir de forma desajeitada às declarações do primeiro-ministro, Nawaf Salam, que se comprometeu na segunda-feira a acompanhar o caso até ao fim e a punir severamente os responsáveis e quem ordenou a operação.
No Parlamento, Ibrahim Moussaoui declarou que «se se confirmar que o veículo apreendido pertence à Resistência, todos devem saber que esta não tem nada de que se envergonhar e que cumpre o seu dever à vista de todos, em plena luz do dia». Considerou «inaceitáveis» as declarações que associam estes materiais à preparação de atentados, invocando «o direito natural da Resistência à legítima defesa, uma vez que Israel ocupa parte do Líbano e o Exército e o Governo não têm condições para agir, por falta de armamento adequado e de vontade política». Não precisava de dizer mais para confirmar os receios suscitados por estas descobertas. Justificar estes materiais enquadrando-os na luta contra Israel é um insulto à inteligência dos libaneses.
A política da avestruz
O governo, por sua vez, continua a adotar a política da avestruz, tratando este caso como se fosse um delito que pretende manter no âmbito estritamente judicial. Uma atitude que contrasta com a gravidade das implicações políticas e de segurança desta descoberta.
As declarações de Moussaoui confrontam, assim, as autoridades com perguntas incontornáveis que, infelizmente, continuam sem resposta: como poderá o Estado afirmar o seu monopólio sobre a segurança e a soberania quando os dirigentes do Hezbollah, a começar pelo seu líder, Naïm Qassem, reivindicam descaradamente o direito de manter a sua autonomia e os seus meios de ação, incluindo o recurso a materiais altamente explosivos?
Que utilidade teria a missão europeia se não fosse acompanhada de decisões políticas claras, coerentes com os objetivos que pretende alcançar?
E, sobretudo, até quando pretende o poder manter a sua passividade perante um grupo que ele próprio declarou ilegal?
A ameaça que estas descobertas representam para a ordem pública não exige medidas rápidas, à altura do perigo que ocultam? Afinal, estas apreensões suscitam naturalmente as seguintes perguntas: quantos quilos de explosivos escaparam à vigilância das forças de segurança e quais são os seus alvos?
O próprio ministro da Justiça, Adel Nassar, sublinhou que a quantidade apreendida é suficiente para fazer explodir um bairro, garantindo, ao mesmo tempo, que ninguém poderá obstruir ou atrasar a investigação. E o que vem a seguir?























