


O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou na sexta-feira uma operação militar de grande escala na Cisjordânia, após um ataque armado realizado por dois palestinos contra um posto do Exército israelense perto de Hebron, no sul desse território palestino ocupado. Dois soldados foram mortos e outros três ficaram feridos. Os dois agressores foram mortos.
Durante uma visita ao local, Benjamin Netanyahu ordenou imediatamente o bloqueio da Cisjordânia, no âmbito de uma operação que prevê, segundo ele, a retirada de moradores, buscas sistemáticas em residências e a destruição de infraestruturas que Tel Aviv considera ligadas a grupos armados.
A quatro dias das eleições legislativas em Israel, previstas para terça-feira, estaria Netanyahu tentando explorar politicamente o ataque palestino? A questão se coloca diante das repercussões do episódio. Se os agressores quisessem lhe dar uma vantagem eleitoral, por menor que fosse, não poderiam ter escolhido momento melhor.
As questões de segurança nacional estão no centro da campanha eleitoral do primeiro-ministro israelense, cujo partido dispõe agora de um novo argumento para defender sua política e se apresentar, mais uma vez, como o garantidor da segurança dos israelenses.
O ataque também lhe dá um pretexto para lançar uma operação militar de grande escala na Cisjordânia, concretizando assim as ameaças que vinha reiterando nesse sentido havia alguns meses.
Citado pela Reuters, ele mencionou uma campanha militar cujas dimensões poderiam, segundo ele, “superar as das operações realizadas desde a guerra de junho de 1967”.
O ataque chegaria, assim, em um momento oportuno para o primeiro-ministro, que, segundo pesquisas divulgadas pela imprensa israelense, em especial pelo Jerusalem Post e pelo Haaretz, está atrás do ex-chefe do Estado-Maior do Exército israelense, Gadi Eisenkot. Este representa o partido Yashar, fundado há apenas um ano e situado no centro do espectro político israelense, segundo o Jerusalem Post.
Segundo a Reuters, os dados disponíveis, no entanto, não permitem afirmar que Gadi Eisenkot teria condições de obter uma maioria parlamentar.
Mobilizar o eleitorado
Nesse contexto, um ataque mortal contra israelenses poderia ajudar a mobilizar um eleitorado sensível às questões de segurança, sobretudo porque o Hamas e o Hezbollah, ambos apoiados pelo Irã, saudaram a ação.
Seria, evidentemente, prematuro, ou mesmo imprudente, concluir que o atentado fará Benjamin Netanyahu subir nas pesquisas, já que sua condução das questões de segurança, sobretudo da guerra contra o Hezbollah no Líbano, continua sendo amplamente criticada pelos israelenses, especialmente nas regiões de fronteira do norte do país.
Cabe lembrar, ainda, que, nas últimas semanas, Benjamin Netanyahu já havia alertado para os riscos de segurança relacionados à Cisjordânia ocupada.
Segundo o Times of Israel, em 29 de setembro, durante uma visita à base aérea de Tel Nof, ele havia declarado que “os inimigos de Israel” poderiam tentar atacar o país antes das eleições, prometendo uma retaliação caso isso acontecesse.
Também em 6 de outubro, ele havia afirmado que o Hamas, enfraquecido segundo sua avaliação, poderia tentar um ataque para influenciar as eleições. Netanyahu ameaçou, na ocasião, responder de forma violenta.
Os ministros de extrema direita Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich, por sua vez, exigiram imediatamente uma intervenção radical. Smotrich ordenou a demolição de construções palestinas perto do local do ataque, enquanto seu colega pediu o “desmantelamento da Autoridade Palestina”. Esses anúncios abrem caminho para uma nova fase de pressão militar sobre os palestinos.
Ataque a tiros deixa mortos na Jordânia
Outro episódio, sem ligação com o caso de Hebron, veio evidenciar, poucas horas depois, o aumento da violência terrorista na região.

Imagens de câmeras de segurança divulgadas pela emissora pública jordaniana mostram três homens disparando várias vezes do lado de fora em direção à igreja, antes de avançarem até o prédio (via AFP)
Na Jordânia, um tiroteio cometido por supostos islamistas, segundo os primeiros resultados da investigação, deixou pelo menos sete mortos e 28 feridos em uma igreja greco-ortodoxa na região de Karak, no sul do país. O ataque ocorreu durante um funeral.
O rei Abdullah II prometeu uma resposta severa a esse ato, que pode desestabilizar o país, sobretudo porque ataques contra locais de culto são raros no reino hachemita. Ele afirmou que seu país agiria com firmeza contra «aqueles que ameaçam sua segurança».
Segundo as autoridades jordanianas, homens armados chegaram em um veículo e abriram fogo contra pessoas reunidas para um funeral em uma igreja na aldeia de Hammoud.
Uma testemunha entrevistada pela televisão pública relatou vários minutos de disparos, enquanto entre 150 e 200 pessoas estavam dentro ou nas proximidades do prédio. As buscas pelos agressores continuam intensas.























