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Ali Khalifé

Ali Khalifé

A morte de Deus e a banalização do tempo
Por
Ali Khalifé
Publicado
mar 11, 2026 - 13:50

Os xiitas conheceram "a morte de Deus" mais de mil anos antes dos demais, quando a linhagem de Hassan ibn Ali al-Askari foi truncada e ele morreu envenenado — o último dos grandes imames infalíveis. O fiqh político xiita não se retirou para nenhum consolo desse vazio; insistiu, pelo contrário, em que a wilaya divina e a infalibilidade do wali deveriam perpetuar-se. E assim nasceu o filho de Hassan — da maneira mais necessária —, que desapareceu numa Ocultação Menor, seguida de uma Ocultação Maior, com a mais prudente de todas as precauções… E foi assim que o fiqh político xiita se desviou da ideia de "a morte de Deus" e fugiu dela em direção ao fim dos tempos… suspendendo o tempo, deixando-o suspenso por um único fio: a espera do Mahdi, que regressará da sua Ocultação para encher a terra de justiça e equidade depois que ela houver sido repleta de opressão e iniquidade…

Último tabu caiu: o Líbano não será o último a assinar um acordo de paz

As negociações diretas entre Líbano e Israel começaram oficialmente. O objetivo é alcançar um acordo de paz. A condição central imposta por Israel é o desarmamento do Hezbollah. Outros temas também estão sobre a mesa, como cooperação econômica, reconstrução do Sul do Líbano e segurança na fronteira norte de Israel. Antes de entrar nos detalhes, surge uma pergunta simples: qual é a alternativa à paz? Qual é a alternativa à recuperação e à reconstrução do Líbano? Não existe uma resposta clara. O Estado libanês está ausente há décadas. A milícia iraniana instalada no país decide quando começar uma guerra, quando negociar, quando apoiar Gaza ou quando provocar Israel. Decide também quando desestabilizar países vizinhos. Constrói túneis para alimentar conflitos, em vez de erguer abrigos e hospitais.

Batizado como “país-mensagem”, o Líbano aguarda a comunhão da paz
Por
Ali Khalifé
Publicado
dez 1, 2025 - 10:15

O papa Leão XIV escolheu o Líbano — batizado por seu predecessor, São João Paulo II, como “país-mensagem” — para sua primeira viagem apostólica fora da Itália. Sob o lema “Bem-aventurados os que promovem a paz”, a visita atravessa a história marcada pela guerra como um raio de luz. “Bem-aventurados os que promovem a paz”: quatro palavras que definem o tom. Elas deixam sua marca no desenrolar dos acontecimentos, no curso da própria história e na agenda da visita, repleta de encontros oficiais e ecumênicos, culminando com a missa solene a ser celebrada à beira-mar, em Beirute. Mas cabe perguntar: o Líbano precisa, de fato, de uma comunhão de paz?