
Trump anuncia retaliação após disparos contra um helicóptero dos EUA


É mais uma vez, e sempre, o regime do banho escocês no conflito no Irã. Após as últimas declarações de líderes americanos indicando, pela enésima vez, a iminência de um “acordo” com a República Islâmica, novas nuvens cinzentas se acumularam no horizonte na noite de terça-feira. O presidente Donald Trump anunciou, no fim da noite, que havia recebido um relatório do comando militar dos Estados Unidos informando que disparos iranianos derrubaram, na noite de segunda-feira, um helicóptero americano do tipo Apache que realizava uma patrulha no Estreito de Ormuz. O piloto e o copiloto foram resgatados ilesos por equipes das Forças Armadas dos EUA após duas horas de buscas. “Os Estados Unidos devem responder a este ataque”, fez questão de afirmar o ocupante da Casa Branca.
Pouco depois da declaração do presidente Trump, autoridades americanas disseram ao New York Times que “não está claro se as negociações com o Irã serão retomadas após a declaração do presidente Trump, que se comprometeu a retaliar pela queda do helicóptero”.
Na prática, a resposta dos Estados Unidos ao ataque iraniano de segunda-feira à noite será muito provavelmente pontual, limitada no espaço e no tempo. Ainda assim, contribuirá para manter, e até aumentar, o clima de tensão e desconfiança que marca o conflito no Irã. Essa tensão ficou evidente nas declarações feitas há quarenta e oito horas pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Baqer Ghalibaf, que lidera a equipe de negociadores com Washington. Ele não apenas destacou que a República Islâmica “não confia nos Estados Unidos”, como também voltou a classificar os EUA, sem rodeios, como um “inimigo”.
De todo modo, tudo indica que o governo Trump não pretende, pelo menos no contexto atual, envolver-se em um novo confronto de grande escala com o Irã. Foi isso, sem dúvida, que levou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a afirmar, durante a última reunião do gabinete restrito de segurança, que Israel “poderá ser obrigado a enfrentar o Irã sozinho”. Netanyahu acrescentou que “a batalha contra a República Islâmica e o Hezbollah” ainda não terminou.
Joseph Aoun mantém sua linha dura contra o Irã
No plano militar, a aviação israelense continuou na segunda-feira, de forma intensa, seus ataques contra posições e depósitos de munições do Hezbollah em várias localidades do sul do Líbano. Paralelamente, o Exército israelense informou ter matado um integrante do Hezbollah que havia cruzado a fronteira com o Líbano e que, ao que tudo indica, pretendia infiltrar-se em uma localidade do norte de Israel.
Ao mesmo tempo, as forças israelenses emitiram, ao longo do dia de segunda-feira, uma ordem de evacuação da cidade de Tiro, especialmente do bairro cristão, onde elementos armados ligados ao partido pró-iraniano se entrincheiraram. Nesse contexto, polos de influência cristãos lançaram um apelo urgente pela desmilitarização desse bairro.
No plano político, a Presidência da República divulgou a transcrição da segunda parte da entrevista concedida pelo presidente Joseph Aoun à CNN. O chefe de Estado reiterou suas críticas à postura da República Islâmica no Líbano, destacando que o governo libanês deseja manter relações cordiais com Teerã, “mas com base no respeito mútuo e na não ingerência nos assuntos internos da outra parte”, criticando precisamente o regime iraniano por “suas interferências no cenário libanês”.
Sobre o Hezbollah, o presidente Aoun declarou que “chegou o momento de o Estado substituir as milícias”, afirmando que a comunidade xiita “está cansada” e que é necessário oferecer-lhe uma alternativa “por meio de instituições públicas fortes”.
Ao abordar a questão das armas do partido pró-iraniano, o presidente Aoun destacou que “a guerra (no Líbano) deveria ter terminado no ano 2000”, após a retirada total de Israel da zona de segurança controlada pelo Estado hebraico. O chefe de Estado lamentou que, após essa retirada, o Hezbollah tenha “cometido erros estratégicos”.
Ao comentar ainda as negociações diretas entre o Líbano e Israel, o presidente Aoun reafirmou a vontade das autoridades libanesas de pôr fim de maneira definitiva ao estado de guerra entre os dois países.