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A questão xiita

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(Foto Nabil Ismail/AFP)
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Por Centro Libanês de Pesquisas e Estudos
Publicado abr 13, 2026 - 13:35

Existe agora uma “questão xiita” que se impõe com força na realidade árabe, uma realidade que não está isolada de seu entorno regional, nem das políticas das grandes potências.

Alguns consideram que a “questão xiita” revela, em certas de suas manifestações e circunstâncias, um enfraquecimento ou abalo da lealdade dos xiitas árabes em relação aos seus Estados nacionais, sob o efeito de um centralismo iraniano que busca expandir sua influência na região árabe explorando falhas já existentes e criando novas nas próprias bases desses Estados.

Os xiitas alvo dessa acusação respondem de forma unânime e sustentam que sua mobilização em seus respectivos países decorre, seja da expressão de reivindicações e de uma exigência por justiça política e social, como demonstram o Iraque e os países do Golfo, seja de um engajamento ao lado de seus compatriotas no dever de resistir à agressão israelense, como no Líbano e na Palestina.

A “questão xiita” se agravou após a guerra americana contra o Irã em março de 2026, a ponto de atingir os limiares de um despertar de velhos demônios, gerando um clima de sectarismo comunitário, fanatismo confessional e rejeição total do Outro.

Essa rejeição se alimenta ainda mais do comportamento de certos grupos como o Hezbollah, de seu envolvimento nas matanças perpetradas no Líbano, na Síria, no Iraque e em outros lugares, sem contar os bombardeios iranianos que tiveram como alvo capitais árabes do Golfo ao longo da guerra em curso.

O Líbano, por sua diversidade, possui uma vantagem singular para contribuir na correção da distorção que se generalizou no mundo árabe. Essa diversidade constitui a contribuição libanesa para o enriquecimento da civilização humana, uma contribuição necessária neste momento da história em que a humanidade atravessa um parto doloroso e em que se impõe uma questão de natureza existencial: como é possível viver juntos na diferença e na igualdade?

Pois a saída dessa crise não se limita a esperar o desfecho da guerra irano-americana, nem às negociações libano-israelenses, nem a apostar por uma política de equilíbrio de forças. Tratar a “questão xiita” requer uma base cultural fundamentada na aceitação do Outro tal como ele é.

No início do século XX, existia uma “questão cristã”: em vez de se separar do Outro, os maronitas escolheram o Grande Líbano, construído sobre o viver em comum.

Neste início do século XXI, a “questão xiita” ressurge no Líbano. Qual será a escolha de suas elites, de seus pensadores e de seus líderes?

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