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Política

Trovões no Caribe: compreender o intervencionismo de Washington no mar do Caribe

EPISÓDIO 1 — Operação "Southern Spear"

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Por Maxime Pluvinet
Publicado jan 6, 2026 - 11:12

Bem-vindos a Trovões no Caribe, uma série do Levant Time em cinco episódios curtos para entender, junto com vocês, as diferentes razões do atual intervencionismo dos Estados Unidos no Caribe.

Esta série foi concluída 48 horas antes do ataque americano à Venezuela.

EPISÓDIO 1 — Operação “Southern Spear”

Nos últimos meses, o mar do Caribe voltou a se tornar uma área de forte tensão geopolítica. Em 14 de agosto, os Estados Unidos ordenaram um grande desdobramento militar para o sul do Caribe, mobilizando unidades da U.S. Navy, dos Marines e da aviação, no que alguns analistas descrevem como a maior concentração de forças americanas na América Latina em décadas.

Desde 13 de novembro, o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, lançou oficialmente a operação em curso, batizada de Operação “Southern Lance” («Lança do Sul»).

No fim de dezembro, até 15 mil militares estão mobilizados nessa operação. Entre os meios empregados, destaca-se um grupo aeronaval em torno do porta-aviões USS Gerald R. Ford, o maior do mundo, além de um submarino nuclear. Um detalhe adicional: o USS Ford estava anteriormente destacado no Mediterrâneo oriental, devido aos diferentes conflitos no Levante desde 2023.

Oficialmente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que essa mobilização responde a uma prioridade: combater os cartéis de drogas e as organizações classificadas como «narco-terroristas» que operam no hemisfério ocidental. No entanto, de Caracas, o presidente Nicolás Maduro denuncia uma tentativa de mudança de regime, o que Washington nega.

Assim, embora o combate ao narcotráfico continue sendo a justificativa apresentada, a concentração de forças navais, aéreas e terrestres perto da costa venezuelana levanta questionamentos sobre os reais objetivos estratégicos, em um contexto de crescente pressão contra o governo de Nicolás Maduro, que os Estados Unidos classificam como um regime ilegítimo.

Um último dado importante: a ofensiva declarada contra o narcotráfico por Donald Trump afirma atacar as rotas da cocaína. Porém, embora o consumo de cocaína esteja aumentando nos países do chamado Norte global, nos Estados Unidos é sobretudo a crise dos opioides — em especial do fentanil, extremamente potente — que está na origem de uma crise sanitária sem precedentes. Essa crise causou dezenas de milhares de mortes apenas no ano passado. O fentanil, uma droga sintética, não é produzido no Caribe: ele vem principalmente da China.


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