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Política

Para venezuelanos em exílio em Bogotá, a esperança do retorno

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Por Maxime Pluvinet
Publicado jan 9, 2026 - 14:29

Bogotá, Colômbia, por Maxime Pluvinet

Na capital colombiana, protestos espontâneos se organizaram nos últimos dias, reunindo venezuelanos, em sua maioria refugiados políticos. Majoritariamente apoiadores da oposição, eles celebram a queda do ex-líder bolivariano Nicolás Maduro, capturado em 3 de janeiro pelos Estados Unidos. Reportagem.

Em Bogotá, a praça de Lourdes ficou coberta por cerca de uma hora pelas três faixas horizontais amarela, azul e vermelha, com oito estrelas, que caracterizam a bandeira da Venezuela. Algumas dezenas de membros da diáspora se reuniram no domingo para celebrar a queda do ex-presidente chavista Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos durante uma operação relâmpago em pleno Caracas.

“Estamos satisfeitos”

Apesar das vítimas dos bombardeios americanos, entre elas 32 soldados cubanos, muitos apoiam a intervenção de Donald Trump, considerada a melhor opção no curto prazo.

Para Jaylin, venezuelana que vive na Colômbia desde 2018, “é uma honra, uma alegria poder contar com essa nova administração Trump, que nos agrada”. Sorridente, ela deposita grandes expectativas no apoio de Washington, “mesmo que alguns digam que vão roubar o petróleo; se isso nos beneficiar de alguma forma, estamos satisfeitos”.

A alegria é compartilhada por Gaby Arellano, política da oposição em exílio. Para ela, como afirmou em comunicado María Corina Machado, uma das líderes da oposição venezuelana e recentemente laureada com o Prêmio Nobel da Paz, “a hora da liberdade soou”. Feliz com a queda de Nicolás Maduro, Arellano critica o governo chavista ao retomar acusações feitas pela administração Trump: “O sistema no poder que enfrentamos é um sistema criminoso, máfias com conexões com o Hezbollah, que não fazem mal apenas aos venezuelanos, mas também estão ligadas ao narcotráfico global”.

Para Gaby, não há dúvida: 2026 será o ano do retorno à pátria. “Se houver liberdade para os presos políticos e garantia da Constituição, acreditem, todos os exilados políticos do mundo inteiro chegarão no tempo que um avião leva para aterrissar em Caracas.”

“O povo somos todos nós”

José Cova, no entanto, não compartilha da mesma certeza. Embora celebre a queda de Maduro, ele ainda não acredita no retorno imediato do líder da oposição Edmundo González Urrutia, cujo retrato aparece por toda parte entre os manifestantes, ao lado do de María Corina Machado. “Nossa vontade é ver Urrutia e Machado voltarem em breve para exercer o mandato obtido pelo voto popular, nas eleições de agosto de 2024 (...) No entanto, por enquanto há um processo de transição; não sabemos quanto tempo vai levar. Mas vai acontecer, e precisa acontecer, pela paz e pela justiça.”

José tem consciência de um ponto central: o chavismo ainda conta com apoios dentro do país, especialmente nas Forças Armadas, instituição na qual Maduro e seu antecessor Chávez apostaram para garantir a própria segurança. “Há também uma questão: quando falamos de povo, falamos de todos. E no povo estão as Forças Armadas. Por enquanto, o controle do Exército ainda pertence a representantes do governo atual. Pessoas indicadas pelo próprio Nicolás Maduro, de quem ele se cercou acreditando estar protegido, o que não foi o caso.”

Enquanto isso, a administração Trump não parece apostar, no curto prazo, na chegada da oposição ao poder e chegou a afirmar que María Corina Machado não conta com apoio popular na Venezuela. Além disso, Delcy Rodríguez, figura central do chavismo e vice-presidente do regime venezuelano desde 2018, foi nomeada presidente interina pelas autoridades chavistas.

Uma nomeação, porém, sob tutela. Donald Trump ameaçou publicamente sua administração, afirmando que os Estados Unidos passam a exercer pressão e controle diretos sobre a situação política na Venezuela. E fez questão de advertir Delcy Rodríguez de que, caso não siga as diretrizes de Washington, poderá sofrer destino semelhante ou pior do que o de Maduro.

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