
Embora os principais líderes europeus não tenham aceitado o convite do presidente francês para assistir ao discurso do Papa sobre a Europa em Metz, eu diria que a viagem foi dirigida a toda a Europa, ou aos europeus. Ao retornar ao Vaticano, Leão XIV falou sobre «o crescimento desses grupos de extrema-direita» na Alemanha e, de modo mais amplo, sobre as formas extremas assumidas pelo crescente descontentamento na Europa e no mundo. Referiu-se, em particular, ao surgimento de expressões que combinam tais posições políticas com uma determinada forma de religiosidade, uma religiosidade que, não apenas a seu ver, mas também segundo os responsáveis das Igrejas Católica e Protestante na Alemanha, «não representa uma expressão autêntica do cristianismo». E acrescentou: «Mais uma vez, voltamos aos valores do Evangelho». O papa Leão não precisava viajar à França para se pronunciar contra as formas extremas que o crescente descontentamento europeu vem assumindo, pois já o havia feito. Mas a viagem aconteceu, e foi significativa, antes de tudo, por isto: «os valores do Evangelho».

