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Política

Por que Youssef Raggi e Simon Karam causam desconforto?

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Por Youssef Mouawad
Publicado dez 17, 2025 - 16:24

O ministro das Relações Exteriores Youssef Raggi e o ex-embaixador Simon Karam, representante do Líbano nas reuniões do mecanismo de supervisão do cessar-fogo com Israel, inquietam claramente os círculos pró-Hezbollah porque anunciam o retorno, há muito esperado, da soberania externa. Essa soberania significa a recusa de um Estado em se submeter a qualquer autoridade superior e o seu reconhecimento por outros Estados como igual.

Youssef Raggi e Simon Karam surgem no momento exato, quando a maioria dos libaneses já se mostra desiludida com tudo. Muitos hoje olham com nostalgia para o período anterior à guerra civil de 1975, aquela era considerada abençoada, quando o Estado libanês era senhor em sua própria casa, exercendo soberania externa e interna, ou seja, autoridade exclusiva sobre seu território e sua população. “Não se carrega a pátria na sola do sapato.”

Convém lembrar que houve um tempo, especialmente no auge dos anos 1970, em que o patriotismo era visto como algo ultrapassado. Certos ativistas e autointitulados intelectuais disputavam entre si para parecer mais palestinos do que libaneses, colocando os interesses de Yasser Arafat acima dos do próprio país (1). Essas almas perdidas, ligadas a inúmeros grupúsculos marginais e seduzidas pelo sonho de uma revolução universal, não passavam de figurantes no papel de idiotas úteis, à semelhança dos simpatizantes pró-soviéticos na Europa Ocidental durante a Guerra Fria.

Mais tarde, esses mesmos rebeldes, nossos “linha-dura” locais, deixaram-se endossar pelo regime instalado em Damasco, um regime que governava com mão de ferro. No fim das contas, esses “Jovens Turcos” foram absorvidos pelo sistema Hariri, que lhes concedeu aposentadorias confortáveis (2). Que trajetória heroica, do ativismo clandestino da Primeira República aos cargos bem remunerados da República de Taif. E a nossa soberania em meio a tudo isso, pode-se perguntar?

Apagamento e renúncia

Os cidadãos libaneses haviam perdido o gosto pela independência. Já não senhores do próprio destino, sucumbiram aos supostos confortos da submissão a “certas exigências”. Atores palestinos, sírios, israelenses e iranianos, separadamente ou ao mesmo tempo, sequestraram a soberania nacional do Líbano. O “partido dos interesses estrangeiros” prevaleceu, e os colaboradores exibiam-se com orgulho enquanto o Estado era esvaziado por dentro.

Oficiais grosseiros circulavam livremente por salões elegantes, enquanto cortesãos respondiam apenas com reverências e bajulações. Nossos políticos, meros suplicantes, formavam filas em Anjar à espera de uma audiência com os senhores do momento. O resultado foi um Parlamento domesticado, Forças Armadas subjugadas, um Judiciário infantilizado, uma diplomacia “finlandizada”, e a lista continua.

Sem vergonha

Não, Youssef Raggi não medirá palavras. Não viajará a Teerã, assim como ninguém teria ido a Canossa. O ministro Araqgi pode encontrá-lo na Suíça, em terreno neutro. Os dias em que nossas autoridades eram convocadas a Damasco, ou em que ordens dos Pasdaran eram executadas imediatamente, ficaram para trás.

Além disso, a nomeação de Simon Karam marca uma mudança de ritmo. O Hezbollah não lidará mais com uma figura maleável à frente da delegação libanesa no comitê de monitoramento do cessar-fogo. Em seu tempo, o ex-embaixador rejeitou a dominação síria sobre nossa vontade nacional. Com plena autonomia, defenderá os interesses do Líbano, e não os dos aiatolás.

Some-se a isso o fato de que sua nomeação retirou do presidente do Parlamento poderes decisórios que ele havia indevidamente apropriado. Portanto, basta. Os patriotas estão de volta. E nada é mais estimulante do que romper as correntes que aprisionam a pátria.

(1) Supostamente perseguidos pelo “maronitismo político”.

(2) Assim, puderam converter seu passado militante em ativos financeiros ou em cargos ministeriais.

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