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Cultura

Bem-vindo ao Ramsés II

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Por Micha Moussallem
Publicado jan 19, 2026 - 14:25

No nosso primeiro artigo, acompanhamos a construção do museu e analisamos suas capacidades técnicas. Agora, é hora de conhecer alguns dos tesouros que ele abriga.

Ao atravessar as portas do Grande Museu Egípcio (GEM, sigla em inglês), um majestoso hall de 10 mil metros quadrados recebe os visitantes, sob um teto de vidro e uma escadaria monumental de 108 degraus, que se estende por uma área de 6 mil metros quadrados distribuída em seis andares.

O museu conta com 12 galerias e está organizado em torno de três grandes temas: realeza, sociedade e crenças, cobrindo períodos que vão do pré-dinástico à era greco-romana.

Uma viagem fabulosa por 7 mil anos de história

Ao entrar no imenso hall, começa uma viagem fascinante no tempo. O Salão Principal é dominado pela colossal estátua de Ramsés II, descoberta perto da antiga Mênfis em 1820. Com três mil anos, 11 metros de altura e mais de 80 toneladas de granito vermelho, a impressionante obra parece avançar para nos dar as boas-vindas. Antes do GEM, ela ficava na entrada da Estação do Cairo, na praça que leva o nome do faraó. Devido ao seu tamanho excepcional, precisou ser colocada dentro do museu antes mesmo da construção do hall, já que não caberia pelas portas.

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A escadaria, por si só, é uma obra de arte e oferece uma vista deslumbrante das pirâmides. Ela é adornada com estátuas colossais de faraós, sarcófagos e objetos valiosos, dispostos em quatro temas específicos: estátuas de reis e rainhas, locais de oração, a relação do rei com os deuses e, finalmente, os sarcófagos de reis e rainhas.

No topo da escadaria e ao longo de todo o percurso, o destaque é, naturalmente, a vista impressionante das pirâmides.

Algumas maravilhas

O museu reúne os mais belos tesouros do Egito antigo e abriga milhares de peças, todas cuidadosamente restauradas nos laboratórios do próprio museu. Outras milhares ainda aguardam restauração.

Entre essas maravilhas, um andar inteiro é dedicado a Tutancâmon. O jovem faraó, que morreu aos 19 anos, fascina turistas de todo o mundo, assim como egiptólogos e pesquisadores. Esse fascínio se deve principalmente ao extraordinário tesouro encontrado intacto em seu túmulo pelo arqueólogo Howard Carter, descoberta que marcou um ponto de virada na história da egiptologia. O acervo de Tutancâmon inclui mais de 5 mil objetos, exibidos em duas galerias que ocupam 7 mil metros quadrados.

Entre as peças mais famosas está a máscara funerária do faraó, obra-prima da joalheria e da arte egípcia antiga. Feita de ouro maciço e incrustada com turquesa, lápis-lazúli, quartzo e outras pedras preciosas, pesa quase 10 quilos. Foi colocada no túmulo para que a alma do faraó reconhecesse seu corpo na vida após a morte. Nas galerias dedicadas a ele, os visitantes também podem admirar seu trono dourado, seis carros de guerra, três camas funerárias – uma delas de ouro maciço – e centenas de objetos como joias, amuletos e roupas, destinados a acompanhá-lo na outra vida.

O barco de Quéops

Outra grande atração do museu é a Sala dos Barcos de Quéops, onde se encontra o barco solar do construtor da Grande Pirâmide. Com 43,5 metros de comprimento e 5,9 metros de largura, o barco tem mais de 4.600 anos. Símbolo da mitologia egípcia e do ciclo de Rá, deus sol, é considerado o navio intacto mais antigo do mundo. Feito de cedro libanês, madeira altamente valorizada na antiguidade, destinava-se a transportar o rei falecido para a vida após a morte. Ele foi encontrado intacto em um fosso, mas desmontado como um quebra-cabeça de 1.224 peças. Levou dez anos para os especialistas remontá-lo, pois não contém pregos ou parafusos.

Este é apenas um pequeno recorte dos incontáveis tesouros do museu, e seriam necessários vários artigos para apresentá-los todos.

No próximo artigo, vamos analisar o impacto do museu na influência cultural do Egito, na economia e no orgulho nacional.


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