


Os Estados Unidos e seu aliado israelense ameaçaram ontem retomar os ataques contra o Irã para forçar a República Islâmica a retornar à mesa de negociações. Apesar da trégua e das conversações iniciais, em 11 de abril em Islamabad, a diplomacia ainda tem dificuldade para se impor.
Segundo o site americano Axios, o presidente Donald Trump seria informado pelo comandante do Centcom (Comando Central dos Estados Unidos), Brad Cooper, sobre possíveis novas operações militares contra o Irã. O objetivo é realizar uma ação militar decisiva.
As opções que lhe seriam apresentadas pelo chefe do Centcom incluem uma onda de ataques contra infraestruturas, mas também a possibilidade de assumir o controle do Estreito de Ormuz, possivelmente com a participação de forças americanas em solo, segundo o site, que cita duas fontes próximas do assunto.
O espectro de um retorno dos ataques levou alguns países, como os Emirados Árabes Unidos, a emitir novamente alertas aos seus cidadãos, pedindo-lhes que evitem viajar para o Irã, o Iraque e o Líbano. E encorajou aqueles que lá se encontram a saírem.
Embora um cessar-fogo esteja em vigor desde 8 de abril, os Estados Unidos estão impondo um bloqueio aos navios iranianos em retaliação ao fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã, por onde transitava um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo antes do conflito.
Em eco às informações vindas de Washington, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, alertou que Tel Aviv pode «ter que agir novamente» contra o Irã, para que não «volte a ser uma ameaça para Israel».
A resposta iraniana não demorou: as declarações incendiárias se sucederam no final do dia. A começar pelo líder supremo, que afirmou que os Estados Unidos haviam sofrido uma «derrota vergonhosa» frente ao seu país: «Dois meses após o maior desdobramento militar e a agressão liderada pelos tiranos deste mundo na região, e após a vergonhosa derrota dos EUA, abre-se um novo capítulo» para o Golfo e o Estreito de Ormuz, declarou o aiatolá Mojtaba Khamenei em uma mensagem escrita. Ferido em ataques, ele não é visto em público desde a sua nomeação.
O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, por sua vez, denunciou o bloqueio americano, no qual disse ver um «prolongamento das operações militares» americanas.
O mesmo tom vitorioso foi adotado pelo comandante da Força Aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária, Majid Moussavi, que advertiu na televisão estatal que mesmo uma «breve» operação inimiga resultaria em «ataques dolorosos, prolongados e extensos».
Crise energética grave
A guerra de declarações não demorou a semear o pânico nos mercados. O aumento das tensões fez os preços do petróleo dispararem: o Brent ultrapassou brevemente os 126 dólares por barril na quinta-feira, um nível inédito desde 2022, durante a invasão da Ucrânia pela Rússia.
De fato, as repercussões do bloqueio de Ormuz são sentidas cada dia um pouco mais na economia global, entre escassez generalizada, surtos de inflação e revisões para baixo do crescimento.
«O mundo enfrenta a mais grave crise energética da sua história», considerou o chefe da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também se alarmou com o «estrangulamento» da economia planetária devido à paralisação do estreito. E o Banco Central Europeu alertou contra a «intensificação» dos riscos para a inflação e o crescimento na zona do euro.
Conversações libano-israelenses «dentro de duas semanas»
No front libanês, 15 pessoas foram mortas em ataques israelenses no sul do país, enquanto o presidente Joseph Aoun condenou as «violações persistentes» da trégua por parte de Israel, que entrou em vigor em 17 de abril.
«As violações israelenses persistem no sul, apesar do cessar-fogo, assim como a demolição e o arrasamento de casas e locais de culto, enquanto o número de vítimas aumenta dia após dia», denunciou o presidente Aoun.
A nível político, o fosso continua a aumentar entre o presidente Aoun, determinado a conduzir negociações diretas com Israel, e o Hezbollah, que se opõe a isso e faz campanha contra ele.
O presidente Trump anunciou durante uma coletiva de imprensa, na quinta-feira, uma retomada das conversações entre libaneses e israelenses, em Washington, «dentro de duas semanas», enquanto em Beirute, a embaixada americana destacava em sua conta X que o Líbano se encontra hoje «em um momento histórico».
Segundo a chancelaria, o diálogo vindouro representa para o país «uma oportunidade histórica, permitindo ao seu povo retomar as rédeas da situação e edificar uma nação soberana e independente».
Para a embaixada americana, são as negociações diretas que permitirão ao Líbano ter «garantias sólidas para uma restauração da soberania nacional, a preservação de sua integridade territorial e da segurança de suas fronteiras».
Elas também são passíveis de «garantir um apoio humanitário e à reconstrução».
Afirmando que Washington está disposto a apoiar o Líbano nesta tarefa, a embaixada encoraja o país a «ser o único mestre de seu próprio destino».