

Em que direção se orienta a guerra entre os Estados Unidos e Israel, por um lado, e a República Islâmica do Irã, por outro? Esta é uma questão que se coloca diariamente desde o início das operações militares e à qual muitos analistas e políticos, agindo como profetas, já responderam precipitadamente com certeza.
No entanto, seria necessário dispor de um conjunto de dados concretos, difíceis de obter, para alcançar respostas precisas. Nesse contexto, é importante observar que frequentemente se confundem desejos com a realidade e que os analistas, por vezes, descrevem o próprio pensamento em vez de analisar fatos tangíveis.
Os serviços de inteligência militar, sejam americanos, israelenses ou iranianos, bem como russos e chineses, são os únicos capazes de definir a situação de cada parte no terreno, embora no passado tenham, por vezes, cometido graves erros de avaliação. O conjunto de dados necessário para avaliar o estado de cada beligerante com a maior precisão possível é imenso, incluindo: suas perdas exatas; seus estoques de munição para cada tipo de equipamento; seu plano de batalha e sua flexibilidade; o curso de sua ação militar; o desempenho de cada uma de suas unidades em campo; a disponibilidade de suas forças de reserva; o estado de espírito dos tomadores de decisão nos níveis militar e político; sua situação econômica e financeira setor por setor; sua dependência de linhas de abastecimento ou, ao contrário, sua autonomia em termos de recursos (humanos, agrícolas, energéticos, industriais, financeiros e militares); sua resiliência; sua situação sociopolítica e suas pressões internas; sua disposição para continuar o combate; seu nível de desgaste e sua capacidade de conduzir manobras militares e políticas.
Dados dinâmicos
A coleta de todas essas informações permanecerá sempre incompleta e exigirá o uso hábil da inteligência artificial para produzir conclusões confiáveis. Ainda assim, a prudência se impõe na formulação de julgamentos e recomendações dirigidas aos tomadores de decisão, sejam eles Donald Trump, Benjamin Netanyahu ou Mohammad Bagher Ghalibaf. Cada um deles está cercado por especialistas, mas também exerce sua liderança dentro de limites que nem sempre podem ser previstos.
É preciso também notar que esses dados são dinâmicos e estão sujeitos a mudanças de hora em hora. Portanto, é difícil traçar um quadro completo da situação e fazer previsões precisas. As lacunas podem ser preenchidas pela imaginação do analista, que, por sua vez, depende de sua experiência, nível de especialização, inclinação ideológica e filiação política. O analista corre, assim, o risco de apresentar falhas em suas estimativas. Apenas aqueles com experiência e repertório suficientes podem emitir uma avaliação credível, geralmente marcada pela prudência e modéstia, sem superestimar nem subestimar as capacidades de qualquer um dos beligerantes.
Além disso, recorrer às lições da história pode ser útil. A batalha de Dien Bien Phu é um exemplo, embora tenha ocorrido em um contexto totalmente diferente. Os comunistas vietnamitas derrubaram a base militar francesa de Dien Bien Phu, em uma derrota humilhante para a França. Sabe-se que Dien Bien Phu teria sido salva e as forças de Ho Chi Minh derrotadas, caso os Estados Unidos tivessem intervindo com sua aviação por um ou dois dias. No entanto, Dwight D. Eisenhower avaliou que tal ação poderia levar a China a intervir, como ocorreu na Guerra da Coreia quatro anos antes. Além disso, ele sabia que os comunistas controlavam ideologicamente grande parte da população vietnamita e também as zonas rurais, o que prolongaria o conflito apesar da intervenção.
Questões fundamentais
Com base nesse exemplo, é possível destacar os seguintes pontos no caso atual: a superioridade militar americano-israelense é incontestável; nem russos nem chineses devem intervir ao lado do Irã; os Estados Unidos estão formando uma coalizão internacional para garantir a segurança do estreito de Ormuz, a fim de reduzir a pressão sobre a economia global, apesar do descontentamento europeu; além disso, o regime de Teerã não controla todas as suas populações, muito menos as zonas rurais do norte e do sul do país. Por outro lado, a impopularidade da guerra nos Estados Unidos pode comprometer a segunda parte do mandato de Trump.
O regime iraniano mostra-se aparentemente resiliente, embora impopular, e relatos da imprensa indicam que o sentimento de pertencimento nacional entre os iranianos mantém um mínimo de coesão sob bombardeios. Todos esses dados impõem prudência nas avaliações. Além disso, muitas questões permanecem sem respostas precisas, exceto talvez nos serviços de inteligência militar, como o que resta dos meios militares assimétricos do Irã? Em que medida ainda podem causar danos, por menores que sejam? Russos e chineses ajudam ou não os iranianos? Se sim, qual o volume, a qualidade e a eficácia desse apoio para prolongar o conflito? O tempo joga contra os iranianos, os americanos ou ambos? Qual é o verdadeiro estado de espírito dos pasdaran, dos líderes religiosos e do comando americano? Qual é o nível de disposição para o combate em ambos os lados? Qual o peso das pressões internas sobre os tomadores de decisão em cada campo?
As incertezas são numerosas. No entanto, pode-se afirmar o seguinte: a expectativa mínima é que o regime iraniano provavelmente será privado dos recursos que sustentavam sua expansão regional, o que reduziria consideravelmente sua capacidade de ação por um longo período. No melhor cenário, Teerã mudaria de postura, entregaria o urânio à Agência Internacional de Energia Atômica, cessaria o apoio a seus aliados regionais e aceitaria limitar seus drones e mísseis.
A queda do regime não é previsível neste momento. Entre esses extremos, existem várias possibilidades, incluindo a fragmentação do Irã em entidades étnicas em um contexto de instabilidade ou guerra civil, com repercussões nos países vizinhos.
Seria possível discorrer sobre o tema por páginas inteiras na ausência de dados completos e precisos. Ainda assim, o mundo árabe, assim como nós, certamente poderá viver dias melhores.