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O Essencial do Dia

Negociações entre EUA e Irã: Irã ganha novo prazo

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Do Eliseu, onde foi recebido por Emmanuel Macron, o primeiro-ministro Nawaf Salam afirmou que a decisão libanesa de se engajar num diálogo com Tel Aviv é irrevogável. (Xose Bouzas / Hans Lucas / AFP)
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Por LevantTime .
Publicado abr 21, 2026 - 23:43

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira a prorrogação do cessar-fogo com o Irã, mas sem estabelecer prazo, para dar mais tempo a Teerã para negociar. No entanto, afirmou que pretende manter o bloqueio aos portos iranianos, para grande irritação da República Islâmica.

Em mensagem publicada em sua plataforma Truth Social, o presidente americano anunciou que decidiu “prorrogar a trégua até que o Irã apresente uma proposta e que as discussões sejam concluídas, de uma forma ou de outra”.

Ele destacou que tomou essa decisão diante de “das graves divisões dentro do governo iraniano” e a pedido do Paquistão, principal país mediador. Ainda assim, indicou ter “ordenado às Forças Armadas dos Estados Unidos que mantenham o bloqueio naval”. Teerã, que havia condicionado sua participação nas negociações de Islamabad ao fim desse bloqueio, não comentou a prorrogação da trégua. Segundo a agência de notícias Tasnim (semioficial), o fará “mais tarde”.

O anúncio do presidente americano ocorre enquanto Washington e Teerã demonstraram divergência sobre o fim da trégua: os primeiros falavam em quarta-feira à noite, no horário de Washington, enquanto os segundos mencionaram esta terça-feira, à meia-noite GMT.

A decisão encerrou um dia marcado por um fluxo de informações contraditórias, pontuado por ameaças e contra-ameaças entre Washington e Teerã, enquanto a República Islâmica mantinha total ambiguidade sobre suas intenções.

O governo do Paquistão declarou na noite de terça-feira que ainda estava “aguardando uma resposta oficial da parte iraniana sobre a confirmação de que uma delegação participaria das negociações de paz de Islamabad”, segundo seu ministro da Informação, Attaullah Tarar. Em mensagem na plataforma X, ele acrescentou que uma decisão era de importância “essencial”, poucas horas antes do fim da trégua.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismael Baqaei, confirmou que Teerã ainda não havia tomado decisão “por causa das mensagens contraditórias e das ações inaceitáveis dos Estados Unidos”.

Na ausência de uma resposta clara do Irã, a delegação americana também não embarcou para Islamabad. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que deveria liderá-la, presidia reuniões na Casa Branca na noite de terça-feira.

Teerã pretende manter o suspense até o último momento? Busca exercer pressão máxima sobre o presidente Trump, fragilizado internamente, e que percebe ansioso para concluir rapidamente um acordo que colocaria fim a uma guerra que, caso contrário, corre o risco de recomeçar já na quinta-feira?

A República Islâmica continua adotando uma postura ambígua. Ao mesmo tempo em que afirma estar pronta para negociar um acordo com os Estados Unidos, diz boicotar as conversas de Islamabad por considerar as condições americanas excessivas e impossíveis de cumprir. Ora, o próprio princípio de negociações entre duas partes profundamente opostas é elevar, muito elevar, o nível das exigências para que depois seja possível preservar o essencial no momento das concessões. Estratégia que, neste caso específico, reflete a posição de força de Washington diante de um Irã que saiu devastado da guerra, mas que tenta impor suas próprias condições e continua apostando tudo, na esperança de levar Donald Trump a aceitá-las.

O Irã havia imposto como condição para retomar o diálogo o fim do bloqueio americano a seus portos. Teerã “se recusa a negociar sob ameaça”, reafirmou nesta terça-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano. Ele destacou que seu país responderá “com mais violência do que no passado, se for atacado novamente”, respondendo assim indiretamente ao presidente Trump, que havia ameaçado retomar os bombardeios ao expirar o prazo fixado para a trégua.

Segundo a agência Tasnim, Teerã se preparou “bem” ao longo das duas últimas semanas para essa eventualidade e “reservaria surpresas aos americanos”.

A apreensão, pela Marinha dos Estados Unidos no mar de Omã, de um navio iraniano sancionado, considerada por Teerã como crime de guerra e violação do cessar-fogo, pode complicar ainda mais a situação, sobretudo se Donald Trump decidir não prorrogar a trégua, como havia anunciado em entrevista à CNBC.

Violação do cessar-fogo pelo Hezbollah

O presidente americano, que acusou o Irã de numerosas violações do cessar-fogo e reafirmou que os Estados Unidos estão em uma “posição muito forte”, segue confiante de que obterá “um superacordo”. “Acho que eles não têm escolha”, disse à CNBC, em referência aos líderes iranianos.

Mas o Irã ainda tem várias cartas na manga, entre elas a reativação de suas “frentes de apoio”. É nesse contexto de disputa de força com os Estados Unidos que deve ser situado o primeiro disparo de foguetes do Hezbollah desde o cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel, que entrou em vigor na madrugada de quinta para sexta-feira.

Na noite de terça-feira, o Exército israelense anunciou disparos do Hezbollah contra seus soldados posicionados na fronteira sul, enquanto um drone era lançado em direção aos kibutzim do norte de Israel.

Israel denunciou “uma violação flagrante do cessar-fogo”, que ocorre justamente quando o Líbano se prepara para retomar suas negociações diretas com Israel, na quinta-feira, em Washington, enquanto o governo libanês reafirmava sua vontade de estender sua autoridade exclusiva sobre todo o território e defendia a realização de negociações diretas com Tel Aviv.

Essa dupla mensagem foi levada pelo chefe de governo, Nawaf Salam, à reunião dos ministros das Relações Exteriores da União Europeia, em Luxemburgo, e depois ao Palácio do Eliseu, onde foi recebido pelo presidente francês, Emmanuel Macron.

Em Luxemburgo, Salam explicou que o Líbano fez essa escolha para pôr fim à guerra para a qual o Hezbollah o arrastou e para restabelecer sua soberania. “É fruto de uma responsabilidade nacional”, insistiu, destacando que o objetivo final é obter uma solução definitiva para o conflito com Israel.

O primeiro-ministro também reiterou a vontade do Estado de acabar com as armas ilegais. Decisão saudada pelo presidente Macron, que considerou “necessário que o Hezbollah deixe de assumir o papel do Estado libanês”, durante coletiva de imprensa conjunta com seu convidado libanês. Este explicou que a decisão libanesa de se engajar em um diálogo com Tel Aviv é irrevogável. Insistiu ainda que as autoridades não se deixarão intimidar pelo Hezbollah, “com quem não queremos confronto”.

Mensagens às quais o presidente Joseph Aoun fez eco, a partir de Beirute, ao lembrar que, ao se engajar em negociações diretas com Israel, “o Líbano não renuncia à sua soberania, mas busca resolver seus grandes problemas”.

Resta saber se o Hezbollah, que multiplicou ameaças contra os dirigentes libaneses, tentará comprometer a retomada das negociações ao voltar a atacar os israelenses. O grupo, cujas atividades paramilitares foram proibidas pelo governo libanês, divulgou nesta terça-feira um vídeo para anunciar a retomada das operações de “resistência”, com um título eloquente: “O retorno do pesadelo de Israel: as armas eficazes da resistência”.

Esse retorno, porém, pode significar sua sentença de morte diante das ameaças israelenses. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, reafirmou nesta terça-feira que o objetivo de Tel Aviv é destruir o Hezbollah. Em declaração durante cerimônia do “Dia dos soldados mortos e das vítimas do terrorismo”, reiterou suas ameaças de eliminar o líder do grupo, Naïm Kassem.

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