


A palavra-chave desse processo de negociações e tratativas colocado em marcha no início da semana pelos Estados Unidos e pela República Islâmica do Irã é, sem dúvida, “suspense”. O início oficial desse processo ocorrerá na sexta-feira, na Suíça, com a presença, entre outros, do vice-presidente americano JD Vance e do presidente do Parlamento iraniano, que também é chefe da delegação de negociadores iranianos, Mohammed Ghalibaf.
No estágio atual, o suspense gira em torno do conteúdo do memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã. Apenas a “versão” iraniana desse documento foi divulgada. Evidentemente, ela apresenta uma visão parcialmente distorcida, na medida em que parece refletir essencialmente as exigências do regime iraniano. Do lado americano, afirma-se que o texto desse acordo-quadro deverá ser transmitido à imprensa na sexta-feira, após a cerimônia oficial de assinatura.
Desde o início, o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, indicou na terça-feira que as negociações bilaterais, que deverão se estender por 60 dias renováveis, tratarão da questão nuclear e do tema das sanções. É nesse ponto que surge o segundo nível de suspense, uma vez que as posições em disputa sobre o pesado contencioso que opõe os dois países são extremamente divergentes.
Em uma entrevista ao New York Times, o presidente Donald Trump esclareceu a posição americana, que deverá se manifestar progressivamente à medida que as negociações avancem. Primeiro, afirmou que, se o regime iraniano continuar executando opositores, decidirá suspender o descongelamento dos ativos iranianos, que somam 24 bilhões de dólares. De maneira geral, o chefe da Casa Branca destacou que não poderá haver uma suspensão das sanções nem a devolução dos ativos bloqueados enquanto o governo em vigor não respeitar e não colocar em prática seus compromissos.
O “guardião do Oriente Médio”
Indo além em sua advertência à República Islâmica, o presidente Trump levantou a ameaça de um retorno à opção militar e de ataques contra infraestruturas iranianas caso o acordo final sobre a questão nuclear não seja concluído. E, para esclarecer melhor sua posição nesse sentido, afirmou sem rodeios que, se o acordo final sobre o programa nuclear não for aprovado, os Estados Unidos se concederão o direito de ser “o guardião do Oriente Médio, em troca da percepção de 20% das receitas da região”…
Em relação à situação no Líbano, o chefe da Casa Branca lançou o que poderia ser considerado uma gafe diplomática ao indicar, em outra entrevista, que pretendia propor a Israel deixar ao presidente sírio Ahmed Chareh a tarefa de resolver o problema do Hezbollah no Líbano. “Ele talvez pudesse realizar essa tarefa melhor do que Israel”, acrescentou Trump. O presidente sírio não demorou a reagir à declaração, afirmando que não poderia haver qualquer intervenção das forças sírias no Líbano.
Quatro ataques de drones no sul do Líbano
De todo modo, os líderes israelenses reiteraram nas últimas 48 horas que o Exército não se retirará do território libanês enquanto o problema do armamento do Hezbollah não for resolvido. Enquanto isso, as operações militares continuam no sul do Líbano, mas com uma intensidade menor do que antes do anúncio do memorando de entendimento.
As forças do Estado de Israel concentram principalmente seus ataques na região de Nabatiyeh, especialmente em direção à colina estratégica de Ali Taher. Paralelamente, o Exército israelense lançou, durante a terça-feira, quatro ataques com drones contra veículos na área das localidades de Mayfadoun e Choukine, no distrito de Nabatiyeh. Esses ataques direcionados deixaram quatro mortos e vários feridos.