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Política

Conflito Estados Unidos-Irã: muito distante de 2015 e da era Obama

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Danos observados em Teerã após ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. (AFP - Fonte: UGC)
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Por Youssef Mouawad
Publicado fev 28, 2026 - 14:01

Donald Trump acaba de comprometer as forças americanas em uma operação de grande escala contra o regime iraniano. Desta vez, é coisa séria; não se trata de um ataque simulado nem de um simples tiro de advertência. O rosto do Oriente Médio está prestes a mudar. E, a bem da verdade, será a arrogância dos aiatolás que terá provocado a própria queda.

 

De fato, poucos dias atrás, os Estados Unidos impuseram ao Irã uma afronta que os aiatolás tinham todo o interesse em manter em silêncio. Durante o mais recente conclave realizado em Genebra, na quinta-feira, sob os auspícios do Sultanato de Omã, Steve Witkoff, o negociador americano, interrompeu abruptamente as conversas e se retirou da reunião sob o pretexto de que tinha outras obrigações a cumprir. Na realidade, ele se dirigia para encontrar, do outro lado do lago Léman, uma delegação ucraniana.

 

Pílulas amargas de engolir

 

É fácil imaginar a indignação de Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã. Esse herdeiro do Império Aquemênida de Ciro e Dário foi tratado como um ninguém. Engolindo o orgulho, o chanceler iraniano declarou, ainda assim, que “bons progressos” haviam sido feitos durante as conversas, que descreveu como “uma de nossas séries de negociações mais intensas e mais longas”. Além disso, Araghchi anunciou que uma nova rodada de diálogos ocorreria em menos de uma semana. Os mediadores de Omã, buscando acalmar as tensões, confirmaram imediatamente a informação, especificando que as negociações deveriam ser retomadas em nível técnico na semana seguinte, em Viena.

 

O tom otimista, no entanto, parece ter sido desmentido pelos acontecimentos, já que a equipe americana ficou claramente decepcionada com as propostas iranianas. Prova disso foi a brevidade da segunda sessão, da qual o enviado especial de Donald Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, se retirou sob um pretexto questionável.

 

Os tempos mudaram

 

As discussões ocorriam sob a ameaça de um ataque iminente, que acabou sendo lançado nesta manhã. A concentração militar americana na região é inédita: dois grupos de ataque centrados em porta-aviões, 200 aeronaves, equipamentos de reabastecimento aéreo e submarinos equipados com mísseis Tomahawk, sem contar a presença de 50 mil soldados.

 

Já não estamos mais no período de 2013 a 2015, sob Barack Obama, que não nutria uma hostilidade de princípio contra o Irã. Naquele momento, John Kerry, que substituiu Hillary Clinton como secretário de Estado em 2013, transmitiu rapidamente a mensagem às partes envolvidas: os Estados Unidos estavam prontos para modificar sua postura em relação a Teerã. Estavam dispostos, ao menos de fato, a reconhecer a legitimidade do programa nuclear iraniano e a abandonar a exigência de que o regime dos aiatolás suspendesse o enriquecimento de urânio, uma condição que havia bloqueado qualquer possibilidade de acordo por sete anos.

 

As negociações então culminaram, em 14 de julho de 2015, no acordo conhecido como Plano de Ação Conjunto Global. Mas essa não foi a palavra final, já que, durante seu primeiro mandato, Donald Trump se retirou do acordo. Tudo teve de recomeçar do zero, desta vez sob a sombra dos porta-aviões.

 

Para os negociadores iranianos, no entanto, os anos de 2013 a 2015 foram uma “era abençoada”, durante a qual desempenharam papel central, demonstrando profissionalismo e firmeza, ao mesmo tempo em que acumulavam sucessos. Mohammad Javad Zarif, então chanceler, falava alto e era ouvido. Nunca seu homólogo americano, John Kerry, teria se permitido uma descortesia como a de Witkoff. Jamais o teria desprezado de forma tão ostensiva.

 

Trump como senhor da guerra

 

A intervenção americana desta manhã mudou a equação, e Donald Trump agora se apresenta como um líder em tempo de guerra. Falou-se demais sobre seus instintos de empresário, supostamente inclinados a evitar confrontos. Mas ele nunca esteve livre de cálculo. Não deu a entender, repetidas vezes, que hesitava em atravessar o Rubicão? A página agora foi virada e seu verdadeiro rosto revelado.

 

A “ambiguidade estratégica” deu resultado, e cabe agora aos iranianos livres colher seus frutos.

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