

A Organização Internacional da Francofonia (OIF), que reúne 93 Estados e governos, desenvolve sua atuação no Líbano e na região por meio de programas estruturados em torno da promoção da língua francesa, da educação, da igualdade de gênero e do desenvolvimento. Em Beirute, essa dinâmica é coordenada por Lévon Amirjanyan, representante da OIF para o Oriente Médio, à frente do escritório regional inaugurado no fim de 2022. O escritório abrange quatro países: Líbano e Egito, membros plenos, além de Catar e Emirados Árabes Unidos, membros associados, tendo o Líbano como centro operacional da atuação regional.
O Líbano continua sendo um país central para a Francofonia. Membro da OIF desde 1973, celebrou em 2023 o cinquentenário de sua adesão, confirmando um profundo vínculo histórico. Em continuidade a esse papel, o país também contribuiu para a Francofonia institucional ao sediar os Jogos da Francofonia em 2009, enquanto o escritório regional da Agência Universitária da Francofonia está instalado no país há mais de trinta anos. Desde 2022, mais de 4 milhões de euros foram destinados ao Líbano por meio de programas de cooperação e apoio.
Essa presença histórica, no entanto, não se limita ao aspecto simbólico e se traduz em programas concretos no terreno.
Segundo Amirjanyan, “a atuação da OIF no Líbano se baseia em um plano assinado em 2021, estruturado em torno da língua francesa, da educação e da formação, além do fortalecimento da autonomia das mulheres”. Diante das sucessivas crises, um plano emergencial de 1 milhão de euros também foi implementado em 2024.
No setor educacional, a organização apoia o Ministério da Educação por meio da produção de recursos pedagógicos digitais, do desenvolvimento do ensino a distância e da capacitação de professores. Em relação ao fortalecimento da autonomia das mulheres, o fundo La Francophonie avec elles, criado em 2020, permitiu mobilizar cerca de 1,5 milhão de euros no Líbano para financiar 24 projetos, um nível superior à média regional. A OIF também apoia a juventude e as iniciativas locais.
Além de suas ações nas áreas de educação e autonomia das mulheres, a OIF também atua no campo da informação. Amirjanyan destaca que “a organização realiza, em parceria com o Ministério da Informação e a Unesco, ações de combate à desinformação, oferece apoio técnico e material ao ministério e promove uma campanha nacional de conscientização acompanhada de conteúdos audiovisuais”.
Paralelamente, a organização busca ampliar as oportunidades econômicas dentro do espaço francófono. Segundo Amirjanyan, “a OIF apoia o setor privado por meio de missões econômicas: a de 2023 reuniu entre 60 e 70 empresas de 25 países francófonos, enquanto uma missão de acompanhamento realizada em 2025 resultou na assinatura de 18 protocolos de entendimento”.
Mídia, cultura e projeção da Francofonia
Como complemento a essas ações institucionais e econômicas, a OIF também investe na área da comunicação. “A OIF apoia os meios de comunicação francófonos no Líbano, especialmente por meio de seu apoio ao relançamento, em 2025, do telejornal em francês da Télé-Liban, transmitido diariamente e considerado uma ferramenta essencial para a manutenção da língua francesa na mídia pública”, explica Amirjanyan.
Essa iniciativa também se traduz no apoio a estruturas culturais de proximidade.
A atuação cultural da organização se apoia nos doze Centros de Leitura e Animação Cultural (CLAC) existentes no Líbano, que Amirjanyan considera uma “verdadeira joia” da Francofonia devido ao seu papel na ampliação do acesso à cultura, ao conhecimento e à informação, inclusive em regiões distantes da infraestrutura cultural. Mais do que simples bibliotecas, esses centros constituem espaços de convivência cultural e comunitária que promovem a coesão social, o diálogo e a convivência.
Integrados a uma rede de mais de 300 centros espalhados pelo espaço francófono e presentes no Líbano desde 2001, os CLAC passam atualmente por um processo de modernização. Amirjanyan afirma que “uma recente missão de avaliação permitiu consultar usuários e responsáveis locais para identificar as adaptações necessárias diante das transformações digitais e das novas demandas culturais, preservando ao mesmo tempo seu papel de proximidade”.
Uma dinâmica regional em expansão
Embora o Líbano seja o principal ponto de apoio da organização na região, sua atuação vai muito além de suas fronteiras.
Em escala regional, Amirjanyan destaca uma atuação que abrange Egito, Catar e Emirados Árabes Unidos, com programas adaptados aos contextos nacionais.
No Egito, a cooperação inclui projetos com importantes instituições da Francofonia, especialmente a Universidade Senghor de Alexandria. A instituição desempenha um papel central na formação de profissionais do desenvolvimento na África e recebe estudantes e profissionais de diversos países francófonos. Nesse país, a OIF também desenvolve programas de capacitação para diplomatas e professores, especialmente nas áreas de tecnologia digital e inteligência artificial, com ênfase no fortalecimento das competências das administrações públicas.
Em outra frente, a OIF também desenvolve parcerias específicas nos países do Golfo.
No Catar e nos Emirados Árabes Unidos, a atuação da OIF concentra-se no fortalecimento do ensino da língua francesa e em sua integração aos sistemas educacionais, em coordenação com as autoridades locais. Essa dinâmica é acompanhada por um interesse crescente pela língua francesa e por um entusiasmo cada vez maior pela Francofonia nesses países, impulsionado principalmente pelos sistemas educacionais e pelas cooperações culturais.
Segundo Amirjanyan, essa abordagem permite “adaptar os programas às prioridades de cada país, mantendo ao mesmo tempo uma coerência regional, em um espaço onde a Francofonia vive uma dinâmica de crescimento e de interesse cada vez maior”.
Uma Francofonia voltada para o futuro
Além dos projetos já em andamento, a organização prepara agora as próximas etapas de sua atuação regional. Amirjanyan destaca como prioridades futuras da OIF a juventude, a igualdade de gênero, a tecnologia digital e a inteligência artificial.
Cursos de francês para fins profissionais destinados a funcionários públicos e diplomatas libaneses já estão em funcionamento e continuarão sendo oferecidos, dentro de uma estratégia de fortalecimento de competências e de modernização da administração pública.
Ao final, seja na educação, na cultura, na comunicação, na igualdade de gênero ou na cooperação econômica, a ambição permanece a mesma: fazer da Francofonia um espaço de intercâmbio e de oportunidades capaz de responder aos desafios contemporâneos.
Tanto no Líbano quanto no restante da região, a Francofonia continua dinâmica, impulsionada pelo interesse constante pela língua francesa e por sistemas educacionais multilíngues.
Para concluir, Amirjanyan considera que essa realidade confirma que a Francofonia vai além da dimensão exclusivamente linguística: trata-se de um espaço de cooperação, formação e oportunidades econômicas e sociais voltado para o futuro.