
Já se passaram quatorze anos.
Quatorze anos desde a partida de Nassir al-Assaad e, ainda assim, a memória do meu irmão permanece intacta no coração de todos aqueles que o conheceram, o amaram, o admiraram ou simplesmente cruzaram seu caminho na estrada em direção a um Líbano que ele sonhava ver livre, soberano e digno.
Nassir pertencia àquela geração de homens que não buscavam os holofotes nem as honrarias. Acreditava profundamente nas causas justas sem jamais procurar qualquer benefício pessoal nelas. Artesão discreto, mas determinado, da Revolução dos Cedros de 2005, ao lado de Samir, Fares, Elias e Samir, mas também de Walid, Gebran e outros, ele compreendeu cedo que o Líbano não poderia sobreviver sem liberdade, sem pluralismo e sem um Estado.
Era um daqueles que agem mais do que falam. Um daqueles que constroem em silêncio. Um daqueles que recusam compromissos, mas sempre mantêm o respeito pelos outros e a modéstia dos grandes homens.
Seu compromisso não era circunstancial nem oportunista. Nascia de uma convicção profunda: a de que o Líbano merece algo melhor do que divisões, tutelas, armas ilegítimas e dependências estrangeiras. Ele acreditava em um Líbano aberto, moderno, enraizado em sua história e fiel à sua vocação de convivência e liberdade.
Mas, para além do homem comprometido, Nassir permanecerá sobretudo em nossa memória como um homem de imensa humildade. Apesar de suas responsabilidades, apesar de sua influência real em muitos círculos políticos e intelectuais, conservava uma simplicidade rara, uma proximidade sincera com todos e uma elegância moral que impunha respeito.
Para mim, ele não era apenas um homem de convicções ou uma figura engajada de seu tempo. Era, acima de tudo, um irmão. Um irmão profundamente amado, companheiro de jornada, confidente, presença tranquilizadora e fiel.
Sua ausência deixou, há quatorze anos, um vazio que o tempo jamais conseguiu preencher de verdade. Certos laços fraternos transcendem as palavras: são feitos de lembranças, olhares, silêncios, momentos simples que continuam habitando uma vida inteira. Sinto sua falta nos grandes marcos e também nos detalhes do cotidiano. Sinto falta de sua sabedoria, de sua discrição, de seu humor sereno e daquela maneira única que tinha de acalmar as coisas sem jamais impor sua presença.
Ele era jovem quando nos deixou. Jovem demais. E, como acontece frequentemente com homens de convicção, o tempo parece ter dado ainda mais valor à sua trajetória e ao seu legado.
Hoje, enquanto o Líbano atravessa um dos períodos mais difíceis de sua história contemporânea, a memória de Nassir nos lembra que ainda existem homens capazes de colocar o interesse nacional acima dos interesses pessoais, homens capazes de acreditar no Líbano mesmo quando tudo parece empurrar para o desânimo.
A mais bela homenagem que podemos lhe prestar não é apenas feita de palavras ou lembranças. É continuar defendendo os valores aos quais ele dedicou sua vida: a soberania, a dignidade do Estado, a liberdade, o diálogo e a esperança.
Por ocasião do décimo quarto aniversário de sua partida, pensamos nele com emoção, orgulho e fidelidade.
Porque alguns homens nunca desaparecem de verdade. Tornam-se parte da memória das nações.
Para Nassir, com afeto, gratidão e respeito.