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Política

A Guerra no Irã: Posicionamento dos Principais Atores

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Danos materiais em um bairro de Tel Aviv após um ataque iraniano. (Jack Guez / AFP)
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Por Jean-Patrick Dayras
Publicado mar 24, 2026 - 13:53

Em 28 de fevereiro, um estrondo ecoou pelo mundo, um movimento abrupto e violento. Brutal, sem dúvida. Inesperado? Nem tanto. O evento vinha sendo antecipado há muito tempo, ainda que seu momento, escala e objetivos permanecessem incertos. A data agora é clara. A escala, no entanto, segue indefinida. Quanto aos objetivos, o que significam para Israel e para os Estados Unidos?

 

Dada a postura do regime dos aiatolás em relação a Israel e os alicerces de poder que construiu a um custo elevado para perseguir o objetivo de erradicar o país e paralisar o Líbano, Israel luta por sua sobrevivência. O mesmo se aplica a Benjamin Netanyahu. O objetivo que se impõe é claro: erradicação.

 

Os Estados Unidos têm uma agenda completamente diferente. As negociações com o Irã estavam paralisadas, uma tática iraniana recorrente. O presidente Trump, acostumado a acordos rápidos e frustrado com a lentidão de seus interlocutores, tinha um objetivo: eliminar um poder religioso com o qual considerava impossível negociar um acordo mutuamente benéfico, começando pelos próprios Estados Unidos. Ao mesmo tempo, buscava vingar a crise dos reféns de 1979, uma ferida ainda aberta. O objetivo final: resolver rapidamente a questão do Oriente Médio e abrir caminho para concentrar-se no Indo-Pacífico.

 

Netanyahu teria pressionado Trump? É uma hipótese plausível. Para a Casa Branca, o objetivo era uma vitória rápida, sem o envio de tropas terrestres. Para os israelenses, a abordagem é de longo prazo. Essa diferença promete ser um ponto central de tensão.

 

Rússia: silenciosa. Seu foco está em outro lugar. Suas posições na África, incluindo a Líbia, estão asseguradas; seus pontos de apoio na Síria (Tartus, Hmeimim) e no Sudão (Porto Sudão) estão estabelecidos. Apenas a vitória na Ucrânia permanece em seu horizonte, uma vitória que será consolidada quando negociações com os Estados Unidos garantirem o reconhecimento do controle e da soberania russos sobre a Crimeia e os oblasts de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, que ainda não controla totalmente. Outras reivindicações dizem respeito ao futuro mais amplo da Ucrânia. A posição do presidente Putin torna plausível que Trump apoie tais negociações.

 

China: silenciosa. Sua principal preocupação continua sendo assegurar o fornecimento de hidrocarbonetos, essenciais para manter seu poder industrial. Os sucessos militares na Venezuela por parte das forças dos Estados Unidos e no Irã pelos exércitos americanos e israelenses, considerando que ambos os países dispõem de sistemas chineses de detecção e equipamentos de defesa aérea, não levam a China a fazer uma demonstração de força, exceto, como os russos, ao insistir no respeito às decisões internacionais, que, de resto, são ignoradas tanto pelo Irã quanto pela Venezuela.

 

Os Estados que buscaram proteção da Rússia ou da China após expulsarem outros parceiros, talvez imperfeitos, mas leais, poderão se ver desamparados caso se tornem alvos no futuro, diante da ausência de resposta russa ou chinesa à ofensiva contra o Irã.

 

Os Emirados se modernizam, a Europa ausente

 

O que reserva o futuro para o BRICS+? Só o tempo dirá. Mas aqueles que se apresentam como protetores não podem se comportar apenas como predadores.

 

Tendo se libertado da tutela saudita, por muito tempo considerada onerosa e marcada tanto por um conservadorismo tradicional quanto por estagnação econômica, os Emirados se modernizaram, abrindo caminho para um futuro próspero e globalmente conectado. Garantiram autonomia estratégica, e o contraste com a geopolítica saudita é evidente em quase todas as frentes: a Arábia Saudita é parceira estratégica do Paquistão e apoia o governo federal da Somália, enquanto os Emirados se aproximam da Índia e mantêm uma relação especial com a Somalilândia não reconhecida; no Sudão, Riad apoia o exército regular, enquanto os Emirados apoiam as Forças de Apoio Rápido; no Iêmen, a Arábia Saudita apoia o governo reconhecido internacionalmente, enquanto os Emirados apoiam os separatistas do sul; no mar, no Mar Vermelho e no Oceano Índico, a Arábia Saudita segue uma estratégia de segurança nacional, enquanto os Emirados desenvolveram uma rede de portos e centros logísticos em todo o Oceano Índico.

 

Por fim, no que diz respeito a Israel, a Arábia Saudita ainda não reconheceu oficialmente o Estado judeu, ao contrário dos Emirados, signatários dos Acordos de Abraão de 2020. A Arábia Saudita, aspirando a ser uma potência territorial e política, busca estabelecer um sistema de segurança coletiva. Já os Emirados privilegiam parceiros marítimos e comerciais. Duas abordagens muito distintas da política, das relações internacionais e da diplomacia. Duas posições globais divergentes em termos de influência e atuação.

 

E a Europa? Ausente, ou pelo menos inaudível. Tinha todas as razões e oportunidades para desempenhar um papel, e a capacidade existia. Como fazê-lo quando uma parte da Europa está voltada para o leste, hipnotizada como um coelho diante dos faróis de um carro, enquanto outra, menor, olha para o mar, o Mediterrâneo e o Oriente Próximo e Médio? Uma terceira parte é incapaz de agir, visceralmente ligada aos Estados Unidos, custe o que custar.

 

E o Irã em tudo isso? Quem está no comando, quem lidera, quem tem uma estratégia? Por enquanto, o Irã ataca todos os países.

 

Em conclusão, os Estados Unidos e Israel perseguem objetivos distintos em ritmos diferentes. Houve uma convergência de interesses imediatos. No médio e no longo prazo, no entanto, seus caminhos parecem divergir de forma acentuada.

 

Israel não tem intenção de negociar. O que será, então, do Irã? Fragmentado, fraturado, occidentalizado? Em qualquer desses cenários, o resultado não favoreceria nem a Rússia nem a China.

 

Quanto aos Estados Unidos, fixados no objetivo de ver desaparecer esse governo religioso que tanto rejeitam, não puderam negociar em seus próprios termos. Agora, a questão permanece: com quem negociarão?

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