

“É preciso dizer: o rosário impede você de cair ainda mais.” É nesse tom de evidência, sem entrar em detalhes, que fala Raoul*, aposentado apaixonado por línguas, pai de família libanês-canadense altamente qualificado e regularmente ameaçado pelo desemprego!
Neste mês de maio, que a Igreja dedica à Virgem Maria, são incontáveis os relatos de ajuda recebida por meio do terço.
Para Fahed F., um legítimo habitante de Kesrouan, sem o terço e a visita ao santuário mariano de Béchouate, no Vale do Bekaa, seu casamento teria permanecido sem filhos.
“Comece a rezar!”, ouve interiormente esse empresário logo após entregar as chaves de seu carro a um operário encarregado de uma tarefa. Ao retornar, o homem, que discretamente multiplicava as “Ave-Marias” perto do canteiro onde seus funcionários trabalhavam, descobre que seu carro havia derrapado na pista molhada da via expressa do Metn e poderia ter terminado em um barranco, não fosse o grande arbusto que providencialmente interrompeu sua trajetória.
Esses testemunhos confirmam, à sua maneira, as palavras do papa Leão XIV, que esteve em 8 de maio no santuário de Pompeia, na Itália, para comemorar o primeiro aniversário de seu pontificado: “O rosário”, disse ele, “é a oração do pobre (...). É um relicário da teologia cristã mais essencial.” Em especial, dos dogmas da Encarnação e da Redenção.
De fato, recolhidos ao acaso das conversas, esses testemunhos mostram que o terço é realmente “a oração do pobre”, a oração multifuncional do céu, aquela à qual se recorre espontaneamente, a qualquer momento e em qualquer circunstância, para obter uma graça, deter uma guerra, facilitar o parto de uma criança, pedir coragem para se reerguer, passar em um exame ou evitar um acidente.
Uma tradição que vem do século XIII
A recitação do terço e do rosário tem suas raízes na Europa medieval. Durante a campanha contra a seita dos albigenses, no início do século XIII, a Virgem apareceu a São Domingos e explicou que, mais poderosa para vencer a heresia do que as polêmicas e as batalhas, a arma da oração deveria ser utilizada. Era preciso repetir sem cessar: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pobres pecadores!” Essa é a origem do rosário. Uma alegoria diz que a própria Virgem Maria entregou a São Domingos esse precioso colar de nós ou contas, que hoje vemos adornando o retrovisor de tantos carros. Nos conventos, passou-se então a fazer os monges analfabetos recitarem as 150 “Ave-Marias” do rosário, enquanto aprendiam de memória os 150 salmos do Saltério.
Composto por cinco dezenas de “Ave-Marias”, cada uma pontuada por um “Pai-Nosso” e um “Glória ao Pai”, o terço é uma oração repetitiva. O rosário contava originalmente com três terços, permitindo percorrer os quinze mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos. A palavra “mistério” é usada aqui no sentido de um episódio fundamental da vida de Cristo. Um quarto conjunto de cinco “mistérios”, chamados “luminosos”, foi acrescentado a essa prática por João Paulo II no início do século XXI, mas permanece opcional. Uma meditação sobre um dos “mistérios” da vida de Cristo acompanha a recitação de cada dezena. Para tornar o rosário acessível, em termos de tempo, ao maior número de pessoas, e não apenas aos religiosos, a Igreja atribuiu dias da semana a cada grupo de “mistérios”, de modo que a recitação completa de um rosário inteiro possa ser distribuída ao longo de três ou quatro dias.
Enraizamento na História
Seu enraizamento na história da Igreja confere ao terço uma legitimidade espiritual sólida. Sua grande força está na acessibilidade. Ele se adapta às preocupações e aos momentos livres de cada um. É claro que a experiência mostra que sua repetitividade às vezes leva a uma recitação mecânica ou ao sono e que é necessário esforço para concluir o terço. Ainda assim, esse esforço nunca deixa de ser recompensado. Poderoso ponto de apoio nos diversos momentos difíceis da vida, nos problemas de saúde, nos reveses profissionais e nas ansiedades de todos os tipos, o terço também pode levar à descoberta de novas profundezas nas Sagradas Escrituras e a um verdadeiro encontro pessoal com Cristo.
“O maior milagre do rosário é aquele que acontece no coração”, garante Marielle, mãe maronita que cresceu em uma família onde o terço era rezado diariamente. Ela admite que, quando criança, quase sempre adormecia durante a oração e que ainda hoje não sabe rezar o terço sozinha. “Com meu marido”, diz ela, “muitas vezes conseguimos transformá-lo em um momento de graça, de troca, de encontro com o Senhor e de poderosa intercessão. Todas as nossas preocupações passam por ali!”
Mudar o curso da História
Mas a “Rainha do Céu e da Terra” não se contenta em assistir apenas às pessoas. Ela também quer conduzir ao seu filho povos, continentes e o mundo inteiro. Sua intercessão, especialmente por meio do rosário, pode mudar o curso da história.
O exemplo mais citado nesse sentido é o papel atribuído ao rosário durante a famosa Batalha de Lepanto, no mar Jônico, em 7 de outubro de 1571, quando se enfrentaram a frota otomana de Selim II e a frota da coalizão da Santa Liga, liderada pela Espanha e pela República de Veneza. Com a perda de 187 embarcações das 251 envolvidas e mais de 20 mil homens, o desfecho da batalha foi considerado providencial. Naquele dia, a expansão otomana sofreu um golpe decisivo. Como consequência, o Papa Pio V fixou em 7 de outubro a festa litúrgica do Rosário.
A antiga presença árabe-muçulmana na Europa deixou ao continente duas lembranças belíssimas: Lourdes e Fátima. O vilarejo de Fátima, em Portugal, leva o nome da filha favorita do Profeta do islã. Por trás dessa toponímia incomum está a memória duradoura da Andaluzia e da presença árabe na Península Ibérica. Por que Maria escolheu esse vilarejo para alertar sobre as tragédias do século XX permanece um mistério seu. O que se sabe, porém, é que ela se apresentou às três crianças que a viram como Nossa Senhora do Rosário e pediu sua recitação diária.
“A mais nobre das damas”
No caso de Lourdes, uma tradição oral recolhida por cronistas leva a crer que esse nome deriva da palavra árabe “warda” (rosa, flor), por meio da transformação do “waw” árabe na consoante líquida francesa “l”; também se supõe que a gruta de Massabielle, onde a Virgem apareceu em 1858 a Santa Bernadette, tire seu nome do árabe “as-sabil”, que significa fonte ou nascente.
Esses detalhes aparecem em uma crônica que relata como, em 778, o imperador Carlos Magno, ao retornar de sua campanha na Espanha, foi detido ao longo dos Pireneus diante de uma fortaleza ocupada por um príncipe chamado Mirat, anagrama de amir ou emir?, que resistia tanto às exigências de rendição quanto às promessas de se tornar “conde e cavaleiro de Carlos Magno” e conservar todas as suas posses, caso aceitasse o batismo.
Como último recurso, o capelão de Carlos Magno, o bispo de Le Puy, após implorar fervorosamente a Nossa Senhora de Le Puy, obteve autorização para subir à cidadela como emissário. Sabendo que os muçulmanos tinham grande veneração pela Virgem Maria, ele propôs a Mirat que, se não reconhecesse Carlos Magno, aceitasse ao menos como soberana “a mais nobre Senhora que jamais existiu”. Convencido pela ideia, Mirat declarou-se “pronto para entregar as armas ao servo de Nossa Senhora e receber o batismo, com a condição de que seu condado jamais dependesse, nem para ele nem para seus descendentes, de outra autoridade senão dela”. Carlos Magno confirmou o acordo e Mirat recebeu o batismo das mãos do bispo da diocese de Le Puy. Esse encontro marcou o fim da “Reconquista” na França.
Testemunhos que interpelam
Esses testemunhos nos interpelam. Por sua influência, Lourdes e Fátima são relíquias sagradas, quase promessas. O santuário de Lourdes continuará até o fim do mundo carregando a marca da Virgem Maria, a “warda sirriya” ou “rosa mística” da ladainha do rosário, como desejava Mirat, o sarraceno.
Digamos, em conclusão, que a Igreja Católica só pode se alegrar com a santidade dos papas que a governaram há mais de um século. Mas a evidente multiplicação das aparições da Virgem ao longo desse período mostra que ela também julgou útil intervir diretamente no curso da história. No Oriente Médio, nós a vimos no Cairo, em 1968; em Beirute, em 1970; em Damasco, em 1982; e em Mossul, em 1991. Pois nada escapa a Maria, seja em nossas condutas pessoais ou nos tempos inquietantes que o planeta atravessa. Constatamos, no Líbano e em outros lugares, que seus alertas continuam plenamente atuais. No Líbano, tivemos a ideia original de instituir uma festa nacional civil simbolizando nossa convivência comum, tomando emprestada da Virgem Maria a festa da Anunciação, em 25 de março, para fazê-lo. Porque, felizmente, a última palavra sempre lhe pertence. “Se Deus, em sua ira, destruísse o mundo, eu lhe devolveria os pedaços”, são as impressionantes palavras que ela teria confiado um dia ao padre Jean-Edouard Lamy, apóstolo e místico francês (1853-1931).
Sim, o rosário é verdadeiramente à imagem da “Serva do Senhor”: a encarnação orante do espírito de serviço e a certeza de que a oração fervorosa e sincera supera em eficácia “as polêmicas e a guerra”. Uma “oração do pobre”, uma oração para tudo fazer e até mesmo, como garante a própria Virgem Maria, para tudo refazer.
(*) Os nomes foram alterados.