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O Essencial do Dia

A região entra num impasse, Teerã reorganiza sua liderança

Trump sublinha que o Irão deve assumir a responsabilidade pelos danos e mortes sofridos pelas populações do Líbano, da Síria, do Iémen e de Gaza

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Donald Trump retomou os seus ataques contra o Irão, afirmando que pretende exigir ao regime dos mulás uma indemnização para «as famílias dos manifestantes mortos ao longo dos últimos 50 anos». (Kent Nishimura / AFP)
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Por LevantTime .
Publicado ago 10, 2026 - 23:46

A região parece ter entrado numa longa "pausa", num compasso de espera que poderá se prolongar até às duas eleições do outono, primeiro em Israel e depois nos Estados Unidos. Focos de tensão persistem, no entanto, mas permanecem sob controle.

A semana que começa é, assim, uma continuação da anterior, tanto no plano político quanto no militar. Sem posições de destaque, nem do lado americano, nem do lado israelense, enquanto as declarações do presidente americano Donald Trump, no domingo, sobre o Irã continuam a alimentar especulações sobre uma eventual mudança de estratégia de Washington.

Somente Teerã, envolvida num processo de reestruturação interna, quebrou a calmaria ao responder diretamente ao inquilino da Casa Branca. Em uma entrevista ao site americano Axios, no domingo, Donald Trump comparou o braço de ferro com a República Islâmica a "uma partida de xadrez", após descartar o uso da força para obrigá-la a reabrir o estreito de Ormuz.

Trump eleva o tom

O fato é que, pela primeira vez em cerca de dez dias, o presidente Trump retomou na segunda-feira seus ataques midiáticos contra o poder iraniano, afirmando que pretende exigir do regime dos aiatolás que indenize "as famílias dos manifestantes mortos nos últimos 50 anos". E o chefe da Casa Branca foi ainda mais longe, declarando que "o Irã deve assumir a responsabilidade pelos danos e mortes sofridos pelas populações do Líbano, da Síria, do Iêmen e de Gaza".

A posição do presidente americano a esse respeito é visivelmente uma resposta à atitude dos Guardiões da Revolução iraniana, que impuseram seis condições aos americanos para a reabertura do estreito de Ormuz, entre elas o pagamento por parte de Washington de indenizações ao Irã como compensação pelos danos causados em território iraniano pelos bombardeios americanos.

Teerã ironizou por meio do porta-voz do seu Ministério das Relações Exteriores, Esmaïl Baghaei, que afirmou que os iranianos eram "jogadores de xadrez profissionais". Uma maneira de dizer que a República Islâmica terá a última palavra no conflito em curso, enquanto as especulações se multiplicavam, na segunda-feira, sobre as implicações da mudança de estratégia americana, com Washington tendo renunciado, por ora, à opção militar contra o Irã em favor de pressões econômicas crescentes.

Ao privilegiar as pressões econômicas, os Estados Unidos apostam numa implosão da República Islâmica? Tentam acalmar o jogo para evitar turbulências internas antes das eleições parciais de novembro? Buscam ganhar tempo enquanto reconstituem seus estoques de armas e munições? São perguntas que alimentaram as análises político-midiáticas nesta segunda-feira. O que é certo, por outro lado, é que as negociações indiretas entre Teerã e Washington estão interrompidas e que um acordo irano-omanense em torno da gestão do estreito de Ormuz, apresentado na quinta-feira como iminente pelas duas partes, tem dificuldade em se concretizar. Durante uma conversa telefônica realizada na segunda-feira, os ministros das Relações Exteriores iraniano e paquistanês falaram de tudo, exceto das negociações indiretas entre americanos e iranianos, que se desenrolavam por intermédio de Islamabad.

O único elemento confirmado continua sendo a retomada do conflito iemenita, com a milícia pró-iraniana dos Houthis novamente engajada a fundo numa guerra contra as forças governamentais iemenitas e a Arábia Saudita. Uma guerra que deve ser atribuída ao braço de ferro mais amplo no qual o Irã está envolvido com os países da região que abrigam bases americanas, numa tentativa de se impor como uma potência regional indispensável.

Seis nomeações de peso em Teerã

Se as armas, de forma geral, silenciaram, o estado de nem guerra nem paz em que a região está mergulhada é aproveitado por Teerã para reconstituir sua cúpula, sobretudo militar. Segundo diversos meios de comunicação iranianos e pan-árabes, o guia supremo Mojtaba Khamenei nomeou Ahmad Vahidi como comandante dos Guardiões da Revolução Islâmica (os Pasdaran). Outros cinco foram igualmente nomeados para postos-chave militares: Ali Abdollahi, chefe do estado-maior das forças armadas; Kiyomars Heidari, vice-chefe do estado-maior das forças armadas; Mostafa Izadi, vice-comandante dos Guardiões da Revolução Islâmica; Ali Azmaei, comandante das forças navais dos Pasdaran; e Hussein Taeb, comandante da milícia paramilitar dos Basij.

Teerã já havia nomeado Mohsen Rezaï, ex-comandante dos Guardiões da Revolução, para o cargo de secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, em substituição a Mohammad Bagher Zolghadr.

A grande questão que permanece é saber se essa reestruturação é acompanhada de uma reconstituição da estrutura militar iraniana, num momento em que Israel ameaça atacar a República Islâmica caso ela reconstrua seu arsenal nuclear e balístico.

Teerã aposta no recuo americano

Por ora, Teerã parece apostar no recuo estratégico americano, bem como nas divergências que continuam a surgir entre Washington e Tel Aviv, na tentativa de se reerguer.

Segundo diversos meios de comunicação israelenses, as relações entre Donald Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não estão em boa fase. Washington estaria priorizando soluções políticas e desejaria a retirada israelense de Gaza e do Líbano. Também queria que Tel Aviv freasse suas ameaças contra o Irã, segundo esses meios de comunicação, que indicam que uma mensagem nesse sentido teria sido transmitida pelo comandante do Centcom, o almirante Brad Cooper, às autoridades israelenses. Mas Tel Aviv teria rejeitado os três pedidos. Israel contesta, em particular, o plano americano para Gaza.

O mesmo ocorre no Líbano, onde o exército israelense prossegue suas operações militares na parte que controla no sul do país e onde reina a incerteza em torno da oitava rodada de negociações diretas, prevista para ocorrer no início de setembro em Roma. O presidente libanês, Joseph Aoun, discutiu o assunto na segunda-feira com o chefe da delegação libanesa, Simon Karam. Segundo diversas informações, o caso do mapa publicado no domingo na plataforma X — e depois retirado — pelo Ministério israelense das Relações Exteriores, representando parte do sul do Líbano como anexada ao território israelense, deverá ser abordado no próximo encontro líbano-israelense, sobretudo porque Beirute insiste numa retirada total e progressiva de Israel da parte meridional do país.

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